dearskyzinha:
O ar de divertimento facilmente tomava a face de Fallon sempre que observava a maneira caótica como Frank se movimentava e expressava. Ele parecia leve, gracioso a própria maneira e entusiasmado de um modo tão fluído que chegava a parecer uma vulnerabilidade que precisava ser protegida dentro de um potinho das reviravoltas naturais a experiência humana. De certa maneira, percebeu, ele lhe recordava a energia presente em sua melhor amiga em seus anos de Hogwarts - e talvez fosse por esse motivo que sentia-se a vontade com tanta facilidade. No que dizia respeito a convivência social era complexo para a ex-corvina baixar seus muros de proteção e apenas permitir-se usufruir de tempo de qualidade com quem quer que fosse. Comportamento que vinha aos poucos tentando mudar, tanto pelo incentivo constante do psicólogo, quanto porque a sensação de estar sozinha mesmo rodeada de pessoas começara a realmente incomodá-la. Os resultados daquela tentativa de ser mais aberta já eram visíveis, como a aproximação com Alice Bones e Natalie Black-Abbott, e até mesmo com a família Triggs de que agora fazia parte. Ainda assim, possuía suas dificuldades que facilmente faziam-na refletir o estereótipo de corvinos antipáticos - ou simplesmente parecer chatona como Jude costumava chamá-la. Questões que felizmente não permeavam sua mente naquele instante em que uma risada escapara por seus lábios ao ouvi-lo citar Harry Styles. - Well, momento adequado para confessar que meu eu de doze anos de idade tinha um massive crush em Harry Styles? - uma breve careta moldou suas feições a lembrança das vezes em que fora aos shows do cantor e de conhecê-lo pessoalmente graças aos bons contatos de seu pai. - Feliz ou infelizmente a magia acabou quando comecei a ler as entrevistas. O homem nunca assumia nenhuma posição em nada, mas ainda assim era eficaz em usurpar várias bandeiras de militância. Reizinho do queerbait e das críticas negativas a sua performance como ator. 2022 foi um ano difícil para o Harry. - riu, baixinho, curvando brevemente sua taça para tocar na dele em um brinde. - Agora, respondendo sua pergunta, devo dizer que financeiramente é realmente muito bom ser eu. - meneou a cabeça levemente para corroborar seu ponto, o que fora suficiente para fazer o óculos escorregar para a ponta do nariz fino. - Se não posso resolver problemas, ao menos compenso comprando coisas desnecessárias. - brincou enquanto ajeitava o óculos colocando devidamente no lugar onde deveria se manter. A forma como a questão fora abordada pelo Longbottom não a retraíra como se poderia supor baseado em seus comportamentos pregressos. Evans estava ciente de cada um de seus privilégios e os usufruía, embora, em grande parte, tentasse usá-los em favor de outros. - Mas, se quer saber, o ideal seria a minha conta bancária e a sua personalidade em uma só pessoa. Boom. - gesticulou como se realmente estivesse soltando uma bomba no chão enquanto voltava a bebericar seu vinho. - Já quanto a parte de gostar de ser guerreira, inclusive, pensando em atualizar minha biografia do instagram com essas exatas palavras… - seu tom de voz ameno até então carregava uma óbvia diversão, Evans arqueou brevemente as sobrancelhas enquanto o fitava. Não era muito de falar sobre si mesma, muito menos sobre suas questões psicológicas, entretanto, sentir-se confortável dava margem para ser mais aberta. - Eu meio que preciso me manter ocupada, sabe? Vou contar algo que metade das pessoas lá embaixo nem devem saber, e nem é porque trato como segredo, é que nunca vi razão para falar a respeito. Pois bem, eu tenho transtorno obsessivo-compulsivo. Não é lá um grande problema, quando devidamente diagnosticado e tratado, mas eu meio que preciso permanentemente de ordem em certos aspectos da minha existência e, well, trabalhar e estudar me dão esse senso sem que eu desenvolva compulsões e obsessões too much insanas, sabe?! Antes que você pergunte, tenho acompanhamento médico e estou em uma fase praticamente livre de padrões prejudiciais, mas, well, se você descer a escadas e entrar no apartamento vai perceber que há padrões que fogem um pouco do cotidiano. - embora estivesse falando mais rápido do que normalmente se expressava, era interessante perceber que não se sentia envergonhada em comentar sobre algo que estaria em sua vida para sempre. Na verdade havia certo alívio em apenas contar a alguém que tinha um problema e estava longe de ser uma miss perfeição. - Além disso, como você, sou ex-corvina, e nós simplesmente somos incapazes do ócio profissional. Ugh! - um breve biquinho formou-se em seus lábios porque realmente não conseguia sequer aproveitar férias direito, quando as tinha, pois logo inventava alguma maneira de ocupar cada minuto do dia. - But, hum, ok, chega de falar de mim! Não posso levantar todas as minhas red flags antes de meia noite, portanto vamos voltar a você! Sua família realmente vive em um trailer ou trailer é para as férias? Sempre acreditei que vocês moravam no caldeirão furado e estou meio que me sentindo enganada. De qualquer maneira, já visualizei aqui em minha cabecinha o reality “Fallon: The Simple Life” numa vibe Paris Hilton de bota cor de rosa no campo. De quebra realizaria o maior pesadelo da minha falecida mãe de gabaritar todos os clichês da loira rica padrão que precisa desesperadamente fugir da própria bolha! Você meio que me deve isso agora! - brincou com um amplo sorriso preenchendo seus lábios. Dois anos antes aquele tipo de comentário envolvendo Amelia seria impossível para quem fora machucada demais pela própria genitora. As marcas deixadas por ela estariam sempre presentes em si, mas aprender a lidar sem sofrer era parte de seu tratamento e amadurecimento. - Mas, uh, sem brincadeira, me parece uma vibe meio Capitão Fantástico, sem a parte do completamente isolado da civilização, o que pode ser bem interessante, então, sim, nós podemos trocar de vida, se você quiser. Ou eu posso te apresentar um pouco mais da minha enquanto você me apresenta da sua. - uma risadinha baixa escapou por seus lábios ao perceber que soava como uma péssima cantada, ainda assim sustentou o olhar preso ao do mais velho mesmo sem fazer ideia do que diabos realmente rolava entre eles. - Entretanto vou pular a parte da Igreja. Não posso comparecer às missas se meu interesse é corromper o padre. - disse e embora soasse como uma piadinha, especialmente pela expressão em seu rosto, certamente não se expressaria de tal forma se não tivesse interesse. Evans ajeitou-se sobre a chaise de maneira que deitasse de lado e com uma melhor visão de Frank. A noite estava brevemente nublada, mas a lua era um adereço a mais na iluminação do rooftop. - E, sim, em partes, você tem razão. Contudo, é fácil ficar mais confortável aqui. Georgia é minha soulsister e tê-la por perto me faz sentir que estou segura, de certa maneira. E tem a Claire por quem estou perdidamente apaixonada e quero mimar todos os dias para o desespero dos pais dela. O William que é como um irmão, apesar de encher minha paciência com essa ideia fixa de me achar alguém. É fácil estar onde eles estão. E é confortável viver em um lugar em que não recebo ao menos duas ameaças por dia, um dos motivos por qual mudei, inclusive. Aquela baboseira da Skeeter me deu mais dor de cabeça do que imaginam. Mas, bem, não diria que os bruxos daqui são tão flexíveis assim, sabe? Ainda há quem olhe torto para no-maj e descendentes porque a história entre eles é bem caótica. Entretanto não estar em guerra é um alívio para qualquer um. Só que sinto saudade da vida em casa com pessoas que entendam o que digo sem zoar meu sotaque. White People Problem. Não sei se ficarei definitivamente porque a ideia é ser suporte para William e Georgia enquanto eles se adaptam a vida como pais e, de qualquer maneira, tenho que ir e vir por conta do trabalho, por ora é o que temos. Devo confessar que é estranho não ter um planejamento de futuro a esse respeito, mas estou tentando aprender a viver deixando certas coisas simplesmente acontecerem. - expressou-se, dando brevemente de ombros, como se não fosse assim uma questão muito relevante. Anseios com o futuro ainda consumiam seus neurônios, mas de uma maneira mais saudável - o que, claro, não a impedia de vez ou outra surtar no vazio e silêncio do próprio apartamento. - Oh, por Rowena! Agora tenho que pensar em como recompensar Neville Longbottom se quiser ser aceita na família! - brincou, esticando brevemente a mão para bater com o dedo do meio no centro da testa de Frank. Gesto que posteriormente tornou-se um gentil acariciar dos fios de cabelo que cobriam a região. - Posso ser honesta? Bem, eu não achei que você realmente viria até vê-lo no portão de desembarque. Ainda pondero se não estou em algum tipo de alucinação causada por medicação, mas, se for o caso, bem, gosto dessa realidade momentânea. - um sorriso singelo, afável, honesto, moldou suas feições bonitas e refletia-se em suas orbes azuladas. - Ugh, Frank Longbottom, vendendo tão bem o próprio peixe está me fazendo pensar seriamente em cárcere privado, hein? Conheço as leis e você me faz considerar desrespeitá-las. - disse enquanto deslizava as pontas dos dedos pelo rosto dele, acariciando gentilmente a barba curta que cobria seu queixo. - Well, eu agirei em sua defesa, embora você disponha da melhor advogada possível aka sua irmã. Mas precisarei que alguém aja em minha defesa caso realmente venha a cometer um pecado já que o padre é um grande charmoso e a igreja adora caçar bruxas. - a expressão em seu rosto até então relaxada modificou-se brevemente no instante em que sentou-se. Sua postura não era tão impecável quanto antes, mas ainda refletia seus anos de ballet. - Listen, er, papo meio chato, tá? Eu não estava brincando sobre emocional sensível. Vênus em câncer aqui o que faz de mim uma mulher emocionada quando se envolve demais. Por uma série de questões, que não são relevantes no momento, eu meio que criei umas regrinhas pessoais para meio que me preservar de me empolgar demais com alguém que não esteja numa vibe minimamente similar. - uma breve careta moldou suas feições. Era uma besteira, reconhecia, mas sua última experiência emocional a deixara ciente de que precisava aprender a não se deixar levar rápido demais. Era carente, em demasia, o preço da falta de afeto materno. - Então, eu meio que preciso que você seja franco comigo conforme as coisas forem, hum, fluindo?! E, bem, eu espero que você não se sinta impelido a nada por conta das conversas no chat, ou do incentivo dos demais, da sutil pressão das pessoas que me rodeiam e que são super protetoras comigo. E, uh, eu estou falando um pouco too much, eu sei, mas, bem, acho melhor verbalizar do que ficar no breu completo. Enfim, inclusive posso ser uma excelente comparsa no furto de doces, especialmente para aborrecer William. - uma risadinha melodiosa escapou por seus lábios, mas não era capaz de camuflar o fato de que sentia-se ligeiramente ansiosa em estar se expondo. O jeito com que massageava os nós dos dedos provavelmente a denunciava. Por outro lado também tirava-lhe o peso de tatear no escuro. - E, ah, look, saiba que você não me deixou envergonhada e nem nada. Na verdade, mais que nunca compreendo a Fleabag e todas as ideias que pululam aquela mente com relação ao hot priest. - disse, honestamente, conforme movia-se sobre a chaise para aproximar-se um pouco mais dele. Curvou-se brevemente para a frente, deixando os rostos mais próximos, mas sem que invadisse o espaço pessoal do outro. Tão próxima tinha um melhor vislumbre das orbes castanhas que pareciam refletir o entusiasmo de uma alma genuinamente alegre. Um sorriso gentil tomou os lábios de Evans que logo se viu mordiscando o canto inferior do próprio lábio ao ponderar que se tivesse um pouco menos de receio em tomar iniciativas certamente agiria diferente. - Fico lisonjeada com a ideia de uma foto nossa embaixo do seu travesseiro, mas fico ainda mais satisfeita em ter sua presença física! - murmurou, mantendo o olhar preso ao dele, meneando brevemente a cabeça para corroborar o que dizia, enquanto deslizava suavemente a ponta da língua pelo próprio lábio. - Se quer saber, creio que não há uma melhor companhia para essa noite.
- Caramba, eu não acredito que perdi a chance de ser seu namorado quando tive a fase de cabelo grande!!! No fim, não passei de outro participante do revival emo, masssssss posso garantir que já fui chamado de Harry Styles pelo menos algumas vezes na vida. Sinto muito que ele tenha ferido suas emoções quando eu estava aqui, a versão do Paraguai, dando mole. A vida, realmente, não é justa! – o sarcasmo de Frank deu profundidade ao contra-argumento sobre Harry Styles. Forçando-o a abafar o riso em seguida antes de dar outro gole no vinho. Percebeu que nem checara a garrafa para avaliar a porcentagem de álcool, pois não estava de brincadeira sobre a sua facilidade em perder as estribeiras quando escapava da sobriedade. Apesar desse talento testemunhado por poucos, nunca se metera em grandes encrencas. Parecia que esse ponto era parte exclusiva do seu eu sóbrio e deveria ser pelo desejo de querer lembrar depois. Algo que não acontecia quando se embriagava socialmente e acabava no sofá, ou em qualquer outro canto, que discutia no dia seguinte sobre a certeza do último local que estava antes da sua visão ser tomada por um completo breu e ter seu corpo assumido por outra espécie de personalidade. – Eu acho que nunca tive uma musa musical, será que sou gay ou tenho problemas? – ele esfregou o indicador pelo queixo, falsamente pensativo. Seu olhar acabou sendo seduzido pelo céu limpo, sem estrelas, só com uma Lua. Evento de raridade quando se encontravam no outono. Presumiu, lembrando subitamente das falas naturebas de seu pai, de que o dia seguinte não haveria Sol. Todas as vezes que dizia aquilo se sentia meio profético e poderia ter dito para preencher o súbito silêncio, mas estava realmente focado em lembrar se algum dia fora fã tremendo de algum artista. – Eu poderia dizer Beatles para afirmar que sou tão cool quanto os Triggs. E, caramba, achei genial que todo mundo tem nome inspirado na banda por causa das músicas e parece de bem com isso. Menos o Jude, porque achei que ele me socaria quando comecei a cruzar com ele e foi irresistível não meter um Hey, Jude! Pensei que estava sendo amigável, mas senti que minha morte poderia acontecer a qualquer momento. Enfim, deve ter lacuna para preencher pelo resto de uma vida. Acho que escuto música por osmose, pensando seriamente em assinar as recomendações da outra Alice, a Freitas, porque sou uma calamidade nesse assunto. Tenho a pequena certeza de que paguei muito pau pra Dua Lipa. Aquela mulher na turnê do segundo álbum me lembrou de ter poluções noturnas, mas acho que deve ser muita informação para seus preciosos ouvidinhos. Foi mal! – ele sorriu, meio cheio de si, embora brincasse com metade daquela frase. – Falando sério, sou uma flor frágil que gosta de Snow Patrol. Fui em todos os shows e estava ocupado demais na pandemia achando que aprenderia a tocar violão. Maior bobageira! Mas, somando todos os Longs, a família é devota ao Fleetwood Mac e já estou pronto para um duelo musical entre a gente e todos os Triggs. – na sua mente, era o potencial encontro do século, especialmente porque não havia nada mais divertido que irritar fã dos Beatles com outra banda dita a maior do Reino Unido. Por isso, se viu rindo de novo, de um divertimento secreto. – Minha mãe é maior fã e aí contaminou a família inteira. É quase impossível não entrar em casa e algum disco não estar rodando. O que faz cair em toda a questão do trailer e é aí que o nível do seu cachê seria perfeito para comprar um monte de badulaques! E, tenho que concordar, seria a conjunção perfeita ter a sua conta bancária e meu ótimo olhar de curador para comprar coisas imprestáveis. Sairíamos piores que a Luna e não estou forçando a barra. – era muito comum que as pessoas achassem que os Longbottom passavam por apertos financeiros por conta da existência do trailer, mas era até melhor que imaginassem, já que assim ninguém se sentia intimidado em ser tão grande e ter que fazer uma manutenção disso. Querendo ou não, eles miravam o oposto dos Potter e dos Weasley, mantendo a maior distância dos holofotes. Apesar do marco geracional e histórico, tentavam ser os mais normais possíveis. Ponto esse que o silenciou prontamente ao ouvir a revelação de Fallon sobre ter transtorno obsessivo-compulsivo. Não se assustou, nem se viu chocado. Sua postura se manteve acessível, mas tomou um tempo para melhor articular o assunto, sem pincelar com alguma de suas piadinhas (e sabia que seria impossível). Educadamente, colocou o vinho sobre a mesinha e esfregou as mãos no jeans. – Não sei qual é o conteúdo desse maravilhoso vinho, mas obrigado por achar que pode confiar em mim para contar sobre isso. – a nuance de brincadeira pontuou seu timbre raramente sério. Presente exclusivamente em casos de calamidade, frustração com alguma situação no DP ou quando estava prestes a ficar tão puto que seria capaz de bater a testa na parede. Ou então quando alguém precisava dele para algo e era quando inseria polidez e atenção completos. O perigo morava no seu excesso de honestidade e ele nunca se preocupara com isso, mesmo consciente de que poderia realmente estourar umas bombas. – E, outra, como você me conta uma coisa dessas e não me dá o direito de fazer as perguntas bestas? Pôxa, Fallon, assim fica difícil! – ele brincou, mais porque a ex-corvina entregara todos os pontos que facilmente questionaria sobre o assunto. Olhou-a atentamente enquanto meneava a cabeça em ceticismo sobre ela ainda ter falado tudo tão rápido, como se fosse uma espécie de telefone sem fio. Com sentido no começo e facilmente esquecido quando se pensava sobre para rebater a informação corretamente. – Bom, se está tudo sob controle, então está sob controle. Mas tenho que dizer que fiquei intrigado pela forma como os livros estão organizados na estante, porque não é apenas por cor ou ordem alfabética. É algo que só a pessoa que fez entende. Uma vez da Casa de charadas é possível ver charadas em todos os cantos. – pontuou, sem saber se estava certo ou se era somente burro, como se sentia em qualquer livraria devido à facilidade da sua irmã em fazer as escolhas naquele quesito. Gostava de livros, mais que de música, mas também parecia incapaz de escolher por conta própria. Sendo que o problema vivia em racionalizar demais, o que não era o caso ali. Estava tranquilo, oferecendo um sorriso amigável e confiante à ex-corvina. – Talvez, eu tenha notado algo mais, mas serei incapaz de lembrar agora. Mas, hei, tenha calma! Listen to the wind blow, down comes the night! – ele cantarolou Fleetwood Mac, apontando para o céu noturno. Se estivesse alcoolizado o suficiente, com certeza já estaria dançando ao redor daquela mesa e chamando todos os demônios para a Terra. Redimiu-se a batucar a batida da música na coxa da perna que continuava flexionada sobre a chaise. – Ao menos comigo, não precisa ter receio em contar essas coisas. Embora não seja geracional, saúde mental é um lance totalmente dos Longbottom e temos como provar. – e foi inevitável não pensar nos avós. Um tópico que tinha seu próprio jeito de chateá-lo e fazê-lo esconder a leve contorção na boca do estômago com um pigarro. Era um fato de família forte o suficiente para deixá-lo preocupado com os exageros de trabalho de Alice, com as plantas do seu pai, com os silêncios súbitos de sua mãe e até com seu próprio estresse. Ninguém vira nada diretamente, mas era como se tivessem, já que prestavam visitas ao Mungus e temiam a realidade de que, em algum instante, seus avós faleceriam no Mungus. E todo dia parecia perto de um novo tipo de burn out quando o assunto vinha à tona. Muitas vezes, era por isso que sequer sentia vontade de voltar para casa depois do trabalho, pois não sabia qual peso traumático estaria na mesa do jantar assim que entrasse. – Houve um momento que achei que meu pai estava com sintomas de TOC também, porque ele começou a ficar muito organizado e estrito no universo dele. Qualquer coisinha ele tinha um momento relâmpago de humor. Acho que pude concluir, me orientando pela dádiva que é o TikTok, que não era nada disso. É algo mais profundo vindo à tona e que pareceu ser possível controlar quando mais novo. Não tem como deixar impacto de trauma no fundo da cabeça por muito tempo, uma hora engatinha para a superfície e creio que deve ser isso. Daí, o laudo atual é que ele seja acumulador, mas do tipo mais esquisito possível, que ainda consegue categorizar e é até aí que espero que ele chegue. – porque, uma vez que a coisa saísse do controle, era provável que a visão de Neville se transformasse e começasse a acumular como uma caçamba de lixo. – Por isso que tenho ainda muita mandrágora para vender e espero que seja equivalente a quantidade de vezes que posso cruzar os hemisférios, perdão sou péssimo em Geografia, pra te ver! – ele lançou uma piscadela marota antes de selar os lábios com um zíper invisível. – Então, assim, Fallon Evans, se você contar meu segredo, conto o seu, tá? Soube que a Ritinha te adora e panz!... – brincou de novo para diminuir a seriedade do momento, instigando-o a dar outro gole no vinho para engolir seu próprio incômodo. – Mas, sério, que bom que você reconheceu os sintomas e foi se cuidar. Isso é um passo enorme, você tem que se orgulhar. E se orgulhar também de falar tão claramente e ainda pra mim, a última pessoa escolhida para entrar no time de Quadribol. Pode ficar tranquila que comigo não precisa realmente controlar seus impulsos. Sei que não somos tão amigos, como você e William, por exemplo, mas, no que eu puder saber e ajudar, pode contar comigo. – concluiu com a mesma seriedade polida que transpareceu nos seus olhos castanhos, que a miravam com uma atenção admirada. E redobrada também, pois, inconscientemente, procurava algum outro sinal do transtorno mental que ela possuía. Reteve-se ao devolver a taça de vinho para a mesinha e se acomodou de volta na chaise, sem perdê-la de vista. – Aliás, preciso incorporar minha versão coach para avisar que você não precisa trabalhar o tempo todo para controlar o que deve parecer incontrolável. Ainda mais sendo milionária!! Você pode me mandar uma mensagem e a gente pode andar de bike. Tem coisas que corvinos precisam aprender e se chama opções de divertimento que não envolvem gastar mais do cérebro, sabe? – era um conselho sincero, especialmente porque parecia um reflexo natural da Casa em ser imparável e só querer, querer, querer, fazer, fazer, fazer, para, no fim, não ter nada. – Agora, voltando ao trailer, é engraçado, porque a ideia foi minha. – ele riu de um jeito envergonhando, coçando brevemente a nuca por ser uma lembrança juvenil. – É meio Capitão Fantástico mesmo, inclusive, é um filme que assistimos com uma exagerada frequência nas maratonas em família. Tudo começou com Frank, mais conhecido como Faniquito Longbottom, de saco cheio de fazer as mesmas coisas no final do ano. E ele sugeriu a ideia e os pais gostaram. Alice foi difícil, porque ela é muitooooo city girl aesthetic! Mas virou projetão de família, a gente levou um ano para construí-lo e parece realmente uma casa. Poderíamos morar lá dentro, mas continuamos no mesmo endereço. Teve um período que ninguém queria voltar para casa e a gente ficou na estrada por três meses. Sem medo de perder o emprego ou desaparecer! – ele arrancou o celular do bolso e procurou a foto do trailer dos Longbottom na galeria. Arrastou-se pelo estofado a fim de ficar mais próximo de Fallon e mostrar a imagem, deixando-o ombro a ombro com a ex-corvina. – Não acho que seja tão descolada como a fazenda do Malcolm, mas tem planta e levamos a calopsita da Alice. – uma ponta de orgulho tomou suas feições ao repassar as fotos. Mal sabia seus pais que já formulava outra ideia de jerico em função da proximidade das festividades. – A gente pega a estrada todo final de ano, então, assim que o recesso de Hogwarts cair e passar o lance do reencontro, a gente mete o pé. Fica o convite se quiser ir. A gente sempre recebe um convidado e acho que este ano não tem, a não ser que James mude de ideia. Sabe como é, o gato tem a agenda lotada! Mas tem espaço o suficiente para seis pessoas. Pode levar um dos gatos. – ele guardou o celular, antes de revirar os olhos pela lembrança de que James e Alice ficavam cheios dos segredinhos e ninguém confirmava a pegação. Era quando voltava a assumir o papel de irmão mais velho, porque não queria que sua irmã tivesse o coração partido pela kenga do Quadribol, como Albus costumava dizer. – Daí, iniciamos o reality, pois será um tipo de Crossroads, onde a menina bruxa rica se mistura com adoradores de mandrágoras e não sentem perigo de serem doidos no meio do nada. É a parte favorita do meu ano, depois do meu aniversário, óbvio! – ele sugou o ar da noite. Sentiu-se meio amortecido e era o caso da mistura do álcool com o cansaço que começava a arder nos seus olhos. – E, outra, depois de toda essa conversa, quais seriam as vantagens de a gente trocar de vida se você pode se encaixar na minha, hum? Largo minha batina com a mesma rapidez do Flash. – o risinho divertido lhe escapou e seus olhos se mantiveram concentrados na presença dela, especialmente para se sentir desperto. Sentiu necessidade de piscar algumas vezes, mais pelo fato de que, de repente, alguma coisa pareceu fora do lugar. Julgou ser a movimentação de Evans na sua direção e pigarreou, sentindo o centro do tórax estufar com a súbita e exagerada quantidade concentrada de ar. Coçou a nuca de novo e recuperou o fio da meada ao se lembrar da pergunta sobre viver nos EUA. – Como diria a maior hate da Raven do UK, aka Lys, vocês pareciam até gente no meio de uma Sonserina! Mas totalmente adoráveis. É muito conceito quando as amizades ultrapassam o colégio, sem dúvidas o que vocês têm é raridade. Ainda mais pelo pouco que li no Profeta Diário e tinha seus nomes envolvidos. Tão famosos e poderosos que eu jurei que vinha uma 3ª Guerra bem aí. Já estava preparado para morar no Brasil. Deve ter sido bem dramático e foi até bom ver que Georgia passa bem. Na época que a situação dela foi reportada, achei que era mentira. Pra mim, ela tinha morrido e estavam abafando, porque aconteceu em Hogwarts. E sabemos como ali é um antro de assunto que meio mundo dá uma aliviada ou passa um paninho. Mas foi bom vê-la viva. Assim como você não é um catfish, ela confirmou não ser um robô. – embora não tivesse uma relação de longa data com a ex-sonserina também, era fato que uma vez que se virava assunto dentro e fora de Hogwarts, era praticamente impossível conter o que poderiam saber e o que poderiam falar. E realmente sentia alívio por ninguém ter morrido. – Acho muito legal ver as pessoas que estudei em seus habitats naturais, já que fomos sufocados com aquele uniforme feio que dói. Nem que eu tentasse seria galã dentro daquele negócio, embora meu look de hoje possa dizer o contrário, investi no melhor visu de fezes, como pode perceber. – falsamente cheio de si, Frank arrumou a gola do casaco e deslizou as mãos pomposas pelo tecido, na intenção de alinhá-lo e parecer o típico corvino sem ranhuras. – Agora, fico surpreso de saber que os bruxos daqui também são malas. Faz sentido por viverem de chamar os ingleses de enjoados. O que podemos concluir é que teremos que abrir campanha para Georgia e William voltarem para o UK. Assim você sofre menos com a inabilidade da turma daqui não entender o seu sotaque elegante e perfeito. – o rosto dele ficou subitamente sério, mas as bochechas tremiam pelo esforço de segurar o riso. De novo, assumiu a expressão de quem contaria um segredo arrebatador e se curvou minimamente para murmurar as palavras. – Fallon, estou ficando cansado de ter que revelar meus segredos de sucesso, mas aqui vai outro: o futuro não existe! É duro, eu sei, mas o futuro é um experimento social para ver quem morre primeiro de ansiedade. É igual quando Malcolm disse uma vez sobre o tempo ser criação da mente e é tipo isso. Sendo clichê, eu posso morrer no voo amanhã, então, faço tudo que posso agora. E fica aqui meu discurso de missa para aprovação, pois preciso garantir meu futuro de padre ou de coach. Viu só? – Frank estava longe de querer ser uma daquelas duas versões “profissionais”, que brincava entre os grupos e era motivo da sua também diversão particular. – Não precisa se preocupar. Apesar do que eu disse sobre meu pai, ele é um velho tranquilo. Ele engana todo mundo com essa de que não somos cool, quando o homem tem umas mechas grisalhas, como se fosse um modelo, pelo amor de Merlin! – e caçoava sobre aquilo ao chamá-lo de galã e ele detestava. – Acho que ele tem a mesma energia que seu pai e já estou pronto para quebrar meu nariz e ele reconstruir. – não que odiasse seu nariz, mas era o único ponto que encontrara sobre si mesmo para render chacota. Coçou-o, franzindo-o cheio das graças, antes de fechar os olhos assim que o indicador de Fallon acertou o centro da sua testa e depois acariciou suavemente os fios de cabelo que não se sustentavam mais com o gel. Ao abri-los, se deparou com o sorriso da ex-corvina, daquele cheio de dentes que de alguma forma alcançava os olhos e achou lindíssimo. Reteve-se. Perguntou-se se era efeito do álcool de novo, pois, apesar das suas considerações especiais sobre ela, não se achava um grande sortudo para ter uma chance sequer. Se é que poderia colocar daquela maneira em uma situação totalmente amigável. – Sou uma grande caixinha de surpresas e, normalmente, e para terror geral, costumo fazer o que dizem que não tenho coragem de fazer. Claro, com limites, pois não trocaria minha liberdade para assassinar alguém. Mas, no que condiz a aspectos fáceis de serem cumpridos, dou meu jeito. A única coisa que poderia me atrapalhar neste caso seria meu passaporte, mas, como herdeiro de uma família que tem um trailer, o documento vive em dia. Valeu a pena demais passar horas no avião para cumprir a promessa de te ver, como bom pretendente virtual. Nem eu acreditei quando desembarquei, pois uma coisa é passar de carro em um lugar. Outra é realmente ficar, andar e tal. – pelo benefício da magia, o trailer dos Longbottom não tinha tanto veto de trânsito. Estava registrado no contexto de transporte mágico e podiam estar em Paris em um segundo, como nos EUA no outro. – Acho que seria a maior espécie de cárcere privado já vivido, ainda mais porque, pff, você tem dinheiro, eu não passaria fome e sede, e cumpriria meu papel de enaltecer sua beleza, sua inteligência, como um queridíssimo Golden Retriever. E, aliás, é isso mesmo que você quer? Porque estou sentindo que você quer me seduzir neste exato momento! – um sorriso duvidoso pontuou seu rosto, embora pudesse sentir os músculos das costas enrijecerem de súbita tensão, conforme os dedos de Fallon transitavam pela pele do seu rosto, deslizando pela sua barba. Deixando traços que o aqueceram prontamente. De novo, voltou a sentir o ar estufando o centro do peito e as mãos grudadas no jeans começaram a suar. Sabia que era o nervosismo sobre algo que não sabia ainda se acontecia e foi tomado por um leve sobressalto ao vê-la mudar de posição, nivelando os olhares. Achou que entraria em outra espécie de paralisia, pois Fallon estava perto demais e parecia que seu coração batia no centro da testa. Tudo, se acelerando rápido demais e o congelando na mesma posição. Parte era álcool. Parte era o que ela despertara por simplesmente olhá-lo, como se quisesse alcançar algum tipo de profundidade. Viu-se arrebatado pelo perfume dela, que parecia vir em sua direção devido à oposição do vento. Não conseguiu identificar a nota específica, mas foi o suficiente para sentir o rebuliço de um espasmo na boca do seu estômago. Conforme ela falava, mais ficava impossível focar nos olhos, pois seu sangue ondulava depressa. No formato de um súbito desejo orientado pelo flerte tímido com a boca da ex-corvina. Aumentando sutilmente o calor que parecia reter o ar que saiu com um pouco de dificuldade. Sentiu vontade de tocá-la, mas conteve as mãos firmes na calça jeans. – Como posso responder tudo isso sem parecer um completo desesperado? E, a título de curiosidade, não estou desesperado. Na verdade, um pouco perdido? Não de um jeito ruim, que me faça lembrar de que larguei um bolo no forno, lá onde Judas perdeu as calças ou algo assim. – ele declarou com certo Q de confusão e nervosismo. Devagar, se aproximou, e arrancou a coragem de um Longbottom ao segurar as mãos que ela tanto massageava enquanto falava. Assim que ajustou as palmas e apertou os dedos, ignorando o fato de que engoliu em seco, sentiu a pele dela entre o quente e o frio, como se quisesse acertar as emoções. As suas definitivamente estavam geladas, mas o encontro de texturas abasteceu-o com uma nova onda gentil de calor. – Eu não sei quem falou isso no chat, ou se é eco maluco da minha cabeça, mas acho importante dizer que não vim aqui com o intuito de conseguir algo com você. Por isso o desesperado. Eu vim com emoções honestas de realmente passar um tempo na sua companhia. Até de Georgia e William. Tem vezes que, lá do outro lado, é meio solitário e Dia de Ação de Graças, por exemplo, não costuma ser um dos meus favoritos. Além da oportunidade de vender Mandrágoras e estar aqui com vocês, eu também queria a desculpa para escapar. – ele sorriu de um jeito franco, mesmo que sentisse reações desconexas passando pelas veias. – Eu vim mesmo porque fui autorizado a vir e que mal seria rever uma pessoa que, secretamente, sempre achei genial? Além de muito gata, claro, o que me faz dizer que nem todas as caixas de areia dos seus gatos serão o suficiente para meu caminhão sustentar essa responsa. – gentilmente, os seus polegares deslizaram pelo dorso das mãos dela e não soube dizer se ela se aquietou ou se estava em uma espécie de contenção enquanto o ouvia. – Eu estava focado em tempo de qualidade. Mas, repetindo a garantia, seu sensível emocional está protegido em minhas mãos e posso protegê-lo por essa noite. Bem aqui! – ele ergueu as mãos unidas e sua cabeça pendeu um pouco para o lado, mantendo o mesmo sorriso franco. – Se você quiser a mesma proteção por outras noites, vai ter que contratar meus serviços premium. – as últimas palavras se tornaram sussurros automáticos quando os rostos ficaram mais próximos. – Mas tá bem aqui, na palma da minha mão, quer mais time de bloqueio que esse? E digo isso também sem intenção de soar o garanhão que fala o que você quer ouvir, tá? Daí, você vai ter que fazer a parte mais difícil que é confiar em mim. Eu me acho confiável, mas sou apenas um homem me defendendo. – ele deu de ombros, pois era um fato. Mas nada o impediu de sorrir meio abobalhado em resposta ao sorriso gentil da ex-corvina, como se realmente estivessem prestes a compartilhar algo que ainda não conseguia prever. No entanto, parecia sentir, em forma de uma expectativa que engrandecia conforme a distância se atenuava. Em nenhum momento interrompeu o contato visual e deslizou a língua pelos lábios subitamente secos. Poderia dizer o quanto mais fosse, mas já estava envolvido e dali mesmo só Helga para responder, porque ele mesmo nem se atreveria. Suavemente, soltou as mãos unidas para emoldurar suavemente o rosto dela. Seus dedos resvalaram carinhosamente pela pele macia e sua cabeça pendeu para o outro lado, como se não pudesse perder algum tipo de reação. Seus olhos se contraíram de um jeito gracioso e enigmático. – Não sei qual seria a mesma vibe, mas, se for o que estou pensando, e que envolve uma quantidade exorbitante de saliva, acho que estamos na mesma vibe. Afinal, só existe um hot priest burro e esse, definitivamente, não sou eu. Como futuro cardeal, posso me atrever a iludir William sobre a ideia fixa de te achar alguém e me iludir também, pois somente uma aberração recusaria não entrar na sua vibe. – mais atrevido, fitou os lábios de Fallon e se inclinou na direção dela, norteado pela vontade de realmente beijá-la. Sua voz manteve o tom de sussurro assim que alcançou os olhos dela novamente. – Corvinos são competitivos, então, essa é a hora da verdade: você me beija ou eu te beijo? Eu não me importaria de começar, pois tenho uma série de amigos para contar e me gabar depois. Mas posso estar lendo os sinais totalmente errado e, se for esse o caso, me desculpe e aí vou pedir licença para me afogar na piscina.











