Tudo sobre mim e em mim é inventado. Criei uma personagem onde eu me perdi quase de propósito, o mundo esteve constantemente me ensinando a ter medo de ser eu mesmo em sua plenitude. Todas as vozes sempre diziam a mesma frase: ele é doido, não se encaixa. Daí, fui criando muitas pessoas dentro de mim, transtorno dissociativo. Fui criando vidas, histórias, pessoas e realidades paralelas. Em um mundo onde eu nunca ser eu em essência. Daí, foram surgindo amizades, amores, romances, obsessões, profissões e todo uma vida baseada nas personagens inventadas, projetadas, idealizadas e realizadas com base na necessidade do outro. Servir para poder provar valor, sempre se dando e doando como se impor, se mostrar sem filtro fosse um risco à própria dignidade de existir. O mundo me silenciou e somente sentiu falta da minha presença estática quando eu não pude mais servir, porque um presença que não me serve, não serve para ter espaço, mas pode ser substituída. As inseguranças estão quase sempre sussurrando aos meus ouvidos: É demais, você não tem potencial pra isso. A depressão te puxa pra baixo, você pode ser bom desde que eu consiga obter vantagem pessoal nisso, e você continue pequeno. O mundo cobra agilidade e resultados, um adulto precisa ser funcional. Mas, funcional pra que e quem? A ansiedade me fez inquieto, impaciente, porém extremamente resolutivo. Um ambiente quee desmontou por inteiro e me refez em partes úteis para cada lugar que eu esteja. E assim eu pergunto: Será que vocês me conhecem ou apenas enxergam de mim aquilo que lhe convém? Eu já fui vários. Nomes, personalidades, nacionalidades, vocações, famílias, histórias... Completamente divergentes, eu sou abstrato, uma folha em branco. E você? Será que realmente sabe dizer quem sou eu?