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@despaisar
'Love'. Liu Xiaodong. 1995.
você disse "'cause I remembered the way your hand felt in mine"
e pensei que talvez talvez numa outra vida e num outro carnaval e numa outra versão minha
essa seria a coisa que eu precisaria ouvir pra ter certezas
sabe, nem sempre o amor da sua vida te trará certezas. amar dá trabalho, por vezes chega a ser incômodo, mas sempre compensa. sempre.
um amor quando é bom sempre compensa os momentos em que não é
por isso eu sei
que você nunca seria o amor da minha vida
porque todas as coisas exatas que você diz, todas elas, parecem calculadas
pensadas pra que eu te materialize
eu cansei. sério.
tô fora da área de cobertura, romanticamente indisponível, inapta
mas obrigada, por tudo que é bonito, obrigada
eu lembro de como foi sentir suas mãos nas minhas
foi bom
não compensou nada
“Kiss Me Like You Mean It” by Rankin
você me lembra o brilho intenso de cidade grande, estar bêbada na sapucaí, o instrumental de planos do bk, ouvir minha música favorita ao vivo
lembrei de você pensando na sensação estranha e gostosa de ouvir o gustavo recitando tupac enquanto atravessava o centro quarta passada
que me pareceu muito com o que senti aquele sábado naquele show. a gente é algo que faz muito sentido e isso é doido.
eu repito essa parada sempre. pra nós, só pra mim mesma ao mesmo tempo. quero acreditar sem medo no que a gente é por mais difícil que possa ser acreditar em qualquer coisa. sou cética quanto as pessoas, mística quando o assunto é amor e isso justifica a fé em você.
e me explica acreditar também que esse lance já nos espreitava. ele sempre esteve esperando. sempre esperando porque o amor acontece assim, a gente sabe.
hoje penso que não te esqueceria nem se quisesse. mesmo com os meses passando mesmo em outra cidade mesmo em outra pessoa. a memória do que foi ficaria em mim na vontade de te encontrar e ser feliz.
de te fazer feliz. de concertar o que a vida quebrou em nós dois. no desejo de não ter medo de estar nas mãos de alguém.
todas as rezas esperando por amor.
era você, no fim das contas eu sabia.
então num impulso, no relance de uma saudade esquisita eu voltei sem esperar que me aceitasse. só pra tirar de mim a culpa de não ter te feito ver que te queria. mas cê me quis em resposta, de volta na sua vida, com a paciência de um querer maduro.
e agora aqui ouvindo a céu cantar eu amo você do tim enquanto penso que não somos nunca um acaso. tem algo muito divino em ter te reencontrado.
ninguém é como a gente espera.
e eu já entendi que inevitavelmente a gente magoa e é magoado.
você me lembra o brilho intenso de cidade grande, estar bêbada na sapucaí, o instrumental de planos do bk, ouvir minha música favorita ao vivo
lembrei de você pensando na sensação estranha e gostosa de ouvir o gustavo recitando tupac enquanto atravessava o centro quarta passada
que me pareceu muito com o que senti aquele sábado naquele show. a gente é algo que faz muito sentido e isso é doido.
eu repito essa parada sempre. pra nós, só pra mim mesma ao mesmo tempo. quero acreditar sem medo no que a gente é por mais difícil que possa ser acreditar em qualquer coisa. sou cética quanto as pessoas, mística quando o assunto é amor e isso justifica a fé em você.
e me explica acreditar também que esse lance já nos espreitava. ele sempre esteve esperando. sempre esperando porque o amor acontece assim, a gente sabe.
hoje penso que não te esqueceria nem se quisesse. mesmo com os meses passando mesmo em outra cidade mesmo em outra pessoa. a memória do que foi ficaria em mim na vontade de te encontrar e ser feliz.
de te fazer feliz. de concertar o que a vida quebrou em nós dois. no desejo de não ter medo de estar nas mãos de alguém.
todas as rezas esperando por amor.
era você, no fim das contas eu sabia.
então num impulso, no relance de uma saudade esquisita eu voltei sem esperar que me aceitasse. só pra tirar de mim a culpa de não ter te feito ver que te queria. mas cê me quis em resposta, de volta na sua vida, com a paciência de um querer maduro.
e agora aqui ouvindo a céu cantar eu amo você do tim enquanto penso que não somos nunca um acaso. tem algo muito divino em ter te reencontrado.
“no francês, existe a palavra “dépaysé”, formada a partir da palavra “pays”, que significa país. teríamos, então, alguém "despaisado". esse sentimento está relacionado à sensação de estar fora do seu país e ao estranhamento de um novo lugar, onde você não conhece nada e fica meio perdido nos costumes… não é algo ruim nem bom - é uma sensação de deslocamento por estar em um lugar que lhe é estrangeiro.”
eu sou meio virginiana, te disse. nascer tão próximo da virada do sol astral tem dessas coisas. eu adoro ter controle, o que é irônico, já que as paixões nas quais eu vivo submersa não me concedem nenhum.
eu adoro o som da sua respiração, mas não sei se sinto falta dela conforme os dias vão passando.
ontem uma amiga me disse que não quer mais perder tempo com romancezinhos sem futuro. que não quer gastar a própria energia com essas coisinhas pequenas sem pretensão de ser algo mais. e, porra, eu também não. por isso que sentir sua falta soa ainda menor embora todo você tenha sido importante e bonito e gostoso pra mim.
eu não quero quem não quer um amanhã comigo. esse é o máximo de controle que eu posso ter no amor. esse é o único tipo de controle que eu posso ter no amor. o controle sobre o que eu não quero e sobre o que eu não tolero pela ideia de não ser só
porque eu gostei de você. como não gostaria? mas eu também gosto de mim. e eu sei que você também gostou de mim, mas se não foi o suficiente pra desejar estar comigo, meu bem, então não é o jeito certo e você me perguntou se eu inventei o jeito certo de ser amada, só que não. não há como ditar de que forma os outros vão me amar
e eu não quero brincar, jogar, me distrair, sentar e esperar você decidir que espaço eu ocupo ou qual o meu valor
eu quero amor. eu não aceito nada senão amor.
e tá tudo bem. você não pode ou não quer ou não tá pronto. tudo bem.
só que eu tô.
então é aqui que a gente fica, ou melhor, é aqui que você fica.
porque dessa vez, meu bem, eu vou
não fode minha vida,
me fode e vê no que dá
nada me tira da cabeça que depois que nos abrimos pro amor: só somos capazes de amar maior, mesmo depois de grandes decepções. é como um expansão. porque um dia uma pessoa pode te amar o dobro do que alguém já te amou um dia. um dia alguém pode te amar o dobro do que você já amou um dia. um dia você pode se amar o dobro do que alguém já te quebrou um dia.
o amor
expandindo
expandindo
expandindo
Kenechukwu Victor (Nigerian, b. 1995)
ESU II, 2021
Oil on canvas
I’ve lost the taste for the good in us
eu poderia ter sido sua. eu poderia ter sido sua se eu ainda soubesse ser de alguém. se eu ainda soubesse ser mais de alguém do que minha. você poderia me ter na palma das suas mãos se agora eu não desejasse mãos tranquilas segurando a minha. se eu ainda entregasse partes rasgadas de cartas rassuradas pra quem não consegue me ler, eu seria sua. você poderia ter as cartas inacabadas, a poesia barata, os meus olhos castanhos seguros e alguém importante no mundo. você poderia ter um lugar confortável pra deixar e voltar, se hoje eu não buscasse muito mais permanência e compreensão
você poderia ter sido tudo
e eu poderia ter sido tudo
mas a que custo?
Tan Ping (Chinese, b. 1960)
Untitled, 2019
Acrylic on canvas
você com esse jeito de quem parece carregar cidades no bolso mulheres cigarros balas de menta e partidas e eu jurei que não ia mais escrever sobre homens que partem
eu fiz essa promessa numa noite eram vinte pras duas eu tava voltando da lapa e pensei que não não não eu não vou mais falar sobre homens que vão embora
então você chega com esse peso que eu não sei direito do que é mas só sei que é de coisa que eu me prometi não contar e então você chega sorrindo de canto com os olhos fininhos dizendo que gosta demais de mim quando eu não tenho medo
e quando você sabe que não tenho? a gente nem se conhece tanto assim
você cheira a colônia pós barba e frutas cítricas e eu te contei que aos trinta anos eu não posso mais me apaixonar por alguém que só me quer agora
dane-se se você me quer agora
eu quero o que você quer de mim amanhã e depois e depois
eu disse ao victor que o meu maior defeito é ser inconsistente porque eu te disse que não estava pra brincadeira ou pra amar sem plano e uma garrafa de vinho depois amanheceu e eu saí da sua casa com a sandália na mão pra não te acordar
quer dizer eu fiz o que eu quis fazer mas eu queria que você quisesse mais de mim
então talvez não seja sobre não escrever sobre homens que vão embora e sim sobre eu ficando quando eu só deveria estabelecer meus limites e ir
de repente eu te olho e você carrega cidades e eu que tenho fome de mundo acabo não resistindo
porque você parece uma viagem
e eu sempre estou de malas prontas
inconsistente. apaixonada.
porque o que eu queria mesmo era ser carregada no bolso
por você
queria poder ligar e pedir que me encontrasse agora.
e sei que você queria que eu te ligasse. que eu te encontrasse.
você apareceria aqui no meu quarto se eu te pedisse mas eu não posso e às vezes eu me pergunto se em algum momento dessa vida a gente vai se reencontrar sem essas amarras.
cê mexe muito comigo ainda. depois de meses. depois de tantos caminhos cruzados confusos e compridos. ainda me recordo do seu cheiro naquele sábado e não tem como conter arrepio se seu rosto está na minha tela.
me fascino no jeito que dança e viajo na ideia de um dia ser pra mim. comigo.
eu te quero muito mas tudo nasce e morre em quereres porque a vida te joga pra longe.
e eu não te ligo nunca, não te encontro, nem te peço
mas queria.