Tu sempre entra sem pedir e sai do mesmo jeito. A porta se abre e a única coisa que anuncia a tua presença, é o barulho do salto agulha e o teu perfume que sempre fica em todos os cantos da casa por onde tu passa. Não sei bem como acontece, mas a cada estalo do salto no piso laminado, é mais um pulo que o meu coração dá. Eu continuo sentado no sofá fingindo assistir o futebol, como se eu ainda lembrasse que o meu time precisa muito ganhar esse jogo, como se nem me importasse que você tá chegando, como se não quisesse te beijar e te ter na minha cama por quanto tempo fosse possível. Tu senta no meu colo, me solta um sorriso malicioso e me beija como se tudo o que você tem fosse eu, como se a tua ambição de vida fosse eu, como se tu fosse só minha. Eu te levanto, te pressiono contra parede. Aos beijos e toques brutos a gente volta pro sofá. Qualquer lugar é lugar. Teus olhos engolem os meus e é como se eu fosse sugado pela imensidão da cor escura deles. Tu arranca o salto, tira minha camiseta. Minhas mãos escorrem por baixo da tua blusa, depois a tiro devagar em quanto minha boca tenta beijar o máximo possível a tua pele macia. Tiro teu sutiã, tiro tua calça e calcinha vermelha, invado teu corpo. E mais uma vez teus olhos estão engolindo os meus. É mais que uma trepada qualquer, com uma guria qualquer que eu nem vou querer ligar no dia seguinte, o que eu sinto é mais que tesão pra mim. E assusta tanto que até dá uma vontade de fugir, o problema é que o prazer que a gente sente é muito maior e não tem como escapar do vício que é sentir isso. O calor da tua boca pequena e com o sorriso mais bonito que eu já vi, a dúvida se tu volta ou não, as tuas mãos delicadas e pequenas, o teu corpo tendo um significado tão poético quanto a beleza da tua bunda redondinha, o teu olhar tão devastador e até você desligando o telefone na minha cara no dia seguinte… Me prende de uma forma impagável e eu não posso negar. Sem querer eu percebo que eu treparia pro resto da vida contigo, eu acordaria todas as manhãs do teu lado, trocaria noites agitadas pra te fazer cafuné e escutar os problemas que hora ou outra tu deixa eu escutar. Depois de te ter, na maioria das vezes tu se veste e vai embora. Me tem na palma da mão e sabe, mas não se permite pular de cabeça no que vai dar. Eu não sei o que te transformou nesse ser humano tão armado, com uma doçura eterna e terna por trás de tanta defesa. Eu sei que existe um coração que bate mais forte quando a gente ta junto, eu sinto, eu ouço, mas tu nunca me dá razão. Até já pensei em trancar a porta e não te deixar mais entrar, mas isso é impossível pra mim, eu jamais conseguiria te dizer não. Eu te quero como nunca quis ninguém e isso me assusta. Mas olha… No meio dessa salva de dúvidas e incertezas que tu me fuzila, eu talvez te ame até quando eu te odeio.