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Tem dia que você vai recair, vai fazer ou pensar aquilo que estava conseguindo tão bem tirar da sua rotina. Mas isso faz parte, o processo é doído e difícil, o importante é não deixar que isso atrapalhe tudo. No dia seguinte, é voltar a focar em evoluir e seguir em frente. Assim a gente aprende e fica mais forte. Cair faz parte, levantar sempre é a sua obrigação!
— Giovanna Leonetti
Não é sobre recomeçar do zero. Nunca foi. É sobre continuar com o que sobrou. E eu sou feita disso: do que resistiu, do que não quebrou de vez, do que ficou mesmo depois da dor.
Já tentei começar de novo como quem apaga tudo: celular limpo, gavetas vazias, coração em silêncio. Já quis tanto zerar a dor e passei a acreditar que era possível existir sem memória. Mas não é. A gente não esquece. A gente aprende a conviver. A dor muda de roupa, muda de nome, mas continua morando no mesmo lugar.
E não posso passar a vida tentando me desfazer do que me marca, como se fosse possível simplesmente desintegrar o que vivi. Achando que a solução é essa, jogar tudo fora, zerar o contador e fazer de conta que a dor não existiu. Tentando enganar a mim mesma.
Por muito tempo, confundi continuar com fingir. E doía tentar parecer inteira quando por dentro era só rachadura. Me calei quando queria gritar. Sorri quando só queria sumir. Dei conta, como sempre dou. Mas agora, não faço mais isso por hábito. Faço por escolha.
Porque entendi que seguir em frente não é ignorar o que doeu. É encarar a realidade, com raiva, com medo, com carinho, e entender: eu não preciso esconder meu passado pra merecer meu futuro.
E sim, tem dias em que a cicatriz arde. Dias em que eu penso se teria sido mais fácil ter desistido lá atrás. Mas eu não desisti.
E é isso que importa. Eu não sou uma nova versão de mim mesma. Não sou um renascimento. Sou a mesma, só que mais consciente do que me molda. Mais honesta com o que me dói. Mais paciente com o que ainda não cicatrizou por completo.
Não preciso me reinventar. Não preciso começar do zero. Só preciso continuar. Com tudo o que já fui.
Com tudo o que ainda sou.
Tô cansado de tudo.
Não é só cansaço do corpo, é um peso na alma que não se explica. É como se cada dia fosse um replay cansado de um filme que já perdeu o sentido há muito tempo. Tô cansado de fingir que tá tudo bem, de sorrir automático, de responder “tudo certo” quando tudo dentro de mim tá desmoronando em silêncio.
Tô cansado das vozes, dos silêncios, das cobranças, das expectativas que nunca pedi pra carregar. Tô cansado até de mim. De ter que levantar, de respirar fundo, de ser forte só porque esperam isso. Tem dias que nem sei mais se sou eu ou só a sombra do que sobrou.
Tô cansado das noites longas e dos dias curtos, da solidão no meio da multidão, dos abraços que não aquecem, das palavras que não tocam. É como se estivesse gritando por dentro, mas ninguém escutasse — ou pior, ninguém quisesse ouvir.
E não, não quero atenção. Só queria um descanso. Um alívio. Um lugar onde pudesse existir sem me esconder atrás desse escudo invisível que me protege do mundo, mas também me prende nele.