“Eu ouço a minha mente gritar. O barulho incomoda, enlouquece e joga fora todo vestígio de paz que pensei possuir. As mensagens são sempre duras. Anunciam meus defeitos, remexem feridas e trazem recordações de coisas que não quero mais lembrar. Tento me esquivar, ser uma foragida das minhas próprias dores, mas, no momento, eu sou o meu maior peso e não sou capaz de fugir de mim. Me doí saber que eu talvez seja meu maior inimigo, que talvez eu precise sentar comigo mesma e ter uma conversa profunda sobre o que se passa por esse turbilhão de sentimentos e sensações. Com certeza é um ápice de maturidade quando você percebe que as coisas só podem ser resolvidas quando você se resolver, e quando você para de culpar o mundo por mil coisas que você fez ou que você fugiu da responsabilidade. A maturidade é leve e ao mesmo tempo machuca, porque, como já falei, ela mexe com coisas antigas, com amores e frustrações, que não queremos falar nem pra nós mesmos, mas essas coisas precisam ser ditas. Por mais que machuque é nelas que encontramos paz. Desabafar faz bem. Esvaziar a mente, deixar que tudo de ruim saía, vá embora. No momento em que se consegue se abrir com si mesmo, conseguimos também admitir que há coisa errada, criamos a coragem de mudar, engatar a marcha ré, fazer o contorno e se resolver, encarar de frente os medos. Difícil seria se eu não batesse de frente com os meus próprios medos, mudasse meu jeito e resolvesse minha vida. Mas até que foi leve, o tapa que tomei dos tropeços foi até satisfatório, me fez acordar e entender que pra amadurecer eu preciso estar viva e pronta pra me arriscar. Eu soltei o cabelo, arrumei um jeito e estou conseguindo. Eu estou pronta pra me reencontrar, estou quase lá.”
— Escrito por Camila, Marcela, Paula e Letícia Stéfani em Julietário.























