Vem 2022: as garras que arranham a água
Na época do Orkut e do Facebook (RIP) eu fazia textões, talvez parecidos com esse, resumindo o meu ano e agradecendo as pessoas que estiveram presente. Depois que entrei na faculdade, perdi esse hábito e o de escrever em geral. Acho que isso reflete na pessoa que me tornei: de dar menos importância para coisas que realmente gosto e de ligar mais pra o que pensam sobre como eu deveria viver. Mas não mais.
2021 foi esse ano: tranquei (e larguei) uma residência. Aquela que teoricamente me daria alguma segurança no futuro. Quem me conhece sabe que sou 100% do planejamento, de planos meticulosos e SEGUROS, que me rasgo inteira com a possibilidade de mudanças, de deixar "a vida me levar". Mas definitivamente aquilo não era o queria e eu só me segurava por medo. Medo de não suprir as expectativas dos outros sobre mim (irracional demais já que a vida é minha, né?) e de seguir um caminho diferente das outras pessoas. Depois de ser obrigada a viver nas consequências de uma pandemia, o planejar que tanto amo foi pra pqp. Percebi que não faz sentido continuar articulando tudo meticulosamente e vivendo de uma forma que não me interessa, que não me dá o mínimo de satisfação, de achar que a minha felicidade tá num futuro que nem sem se vai ter. E o meu presente, ele não é nada?
Mas não se engane, ainda AMO planejar e continuarei até certo nível. Ainda tô aprendendo a fazer menos e a curto prazo. É as poucos, mas não tenho a intenção de manter os mesmos hábitos de antes. Era difícil e cansativo.
Também foi difícil entender que o caminho que quero é num lugar onde "tudo ainda é mato". Me comparar com o caminho todo bonitinho e já pronto que os outros seguem acabava com qualquer paz de espírito que eu poderia buscar numa sessão de terapia e/ou numa playlist do BTS. Eu não entendia o por quê de não querer o "comum". De não me sentir satisfeita em seguir uma estrada já construída, asfaltada e que só precisava de manutenção ao longo do dela. E sofri, oh se sofri... Mas por que crlhos tenho tanto medo de entrar num lugar desconhecido se essa sempre foi a minha trajetória, se eu nunca quis o comum? Se é por isso que estou aqui? Quando foi que parei de acreditar nas coisas que quero e passei a ter medo? Agora entendo, é um processo e foi nesse ano que passei a enxergar e executar. Se não gosto mais, eu largo. Se não preciso, não faço. Se quero, eu tento.
2021:
Ano que dei mais valor ao que eu sinto e menos ao que eu acho que vão achar de mim. Ano que surtei muitas vezes, mas passei a entender a raíz desses surtos. Ano que valorizei quem e o que tenho. Reencontrei, conheci (às vezes do outro lado do mundo) e amei muita gente. Ano que me conectei com o que eu gosto 100% e foda-se. Ano que aprendi a externalizar o que sinto sem achar que tô perdendo a minha força. Afinal, o que é fraqueza? (psicóloga, vem aqui)
2022:
Será o ano do Tigre, da garra e dos objetivos. Mas também ano de Àgua, da calmaria, às vezes da ressaca. De limpar e de levar o que não interessa, mas também de trazer o que a gente procura.
Obrigado a todos que fizeram parte do meu 2021 e que venha 2022 com muita saúde e FORA BOLSONARO. Porque o resto a gente dá um jeito!
Feliz 2022!
“We don't need to worry 'Cause when we fall, we know how to land Don't need to talk the talk, just walk the walk tonight”
Permission to dance, BTS










