Ensaios sobre Literatura do Medo
Para aqueles que escrevem terror, suspence, monstros e coisas do tipo, creio que ler sobre ajuda muito a pensar e recriar.
Espero que ajude,
L.Rocha

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"I'm Dorothy Gale from Kansas"

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@diretoriodescritores
Ensaios sobre Literatura do Medo
Para aqueles que escrevem terror, suspence, monstros e coisas do tipo, creio que ler sobre ajuda muito a pensar e recriar.
Espero que ajude,
L.Rocha
( ♡ ➟ ❝ um super post pra te ajudar na escrita + tive a ideia de fazer um masterpost com blogs que auxiliam na escrita, a maioria proveniente de fanfics, depois que o tumblr indicou três blogs ao mesmo tempo de escrita. quando vi, já estava olhando todos os parceiros e precisei compartilhar isso com vocês! muitos servem como blog inspo também. sempre que aparecer algum legal, eu vou atualizar o post. espero que gostem, é só clicar aqui embaixo! ❞ )
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Hey, obrigada pelo carinho!
vcs conhecem alguém que seja beta reader?
No link de beta readers da página inicial, aqui, você pode encontrar alguns. (Harley)
Elas são sobrecarregadas, velhas. Têm história. Podemos mergulhar nessa história e trazê-las de lá, escorrendo a água das origens
Compartilhando aqui um texto meio antigo, mas achei bonito e que tem muito a ver com o que nós escritores gostamos de fazer: Brincar com as palavras.
Espero que gostem.
O que eu preciso pra escrever uma boa historia dos anos 70/80? Alguma dica de sites onde eu possa ter informações sobre como tudo era, as roupas, musicas....? Muuuito obrigada!!
Bem, nonnie, primeiro de tudo, você precisa pesquisar a fundo sobre o que vai escrever, pra ter uma ideia de como realmente eram as coisas naquela época e deixar sua história mais realista. Além disso, vale também pensar no país em que sua história será ambientada. Apesar de muitas coisas terem sido comuns no mundo, existiram sim diferenças de locais para outros. No Brasil, por exemplo, houveram diversos movimentos nessas décadas.Infelizmente, não conheço nenhum site em específico para ajudar, mas tente digitar seventie's slang ou coisa assim no Google. - Lisa.
Confissões de Escritor
Sabe aquelas suas ideias e opiniões que sempre quis dizer a alguém, mas que, por algum motivo, se sente com medo de fazer isso? Aqui, no Confissões de Escritor, você pode expor claramente o que pensa de forma totalmente anônima e livre de julgamentos. Basta mandar sua confissão pelo nosso submit - tenha certeza de ler bem as regras, ok?
Sinta-se à vontade para confessar!
Uma matéria simples sobre como é divido os anos de ensino nos EUA, com uma descrição breve de cada período. Também fala um pouquinho de universidade e no final tem algumas dúvidas respondidas, fala até sobre documentação de matricula. Galera que curte os colegiais da vida e está escrevendo algum, pode ser de alguma ajuda :)
Preciso MUITO de ajuda. Eu estou escrevendo uma fanfic romântica, o problema é que eu não consigo expressar muito os sentimentos dos personagens, sabe? Não sei como escrever sobre isso, você tem dicas para me dar para melhorar isso?
COMO DESCREVER SENTIMENTOS — ROMANCE
Um pequeno guia de descrições escritor por @linhasdescritas, credite se usar! É preciso que saiba que descrever os sentimentos vai muito além da parte psicológica. O nosso corpo demostrar quando estamos amando.
REAÇÕES FÍSICAS: Frio na barriga, aceleração dos batimentos cardíacos e respiração, a constante sensação de borboletas no estomago, tremor nas mãos;
OBSERVAÇÃO SOBRE REAÇÕES FÍSICAS: [DESCRIÇÃO] Quando estamos apaixonados, os cinco sentidos também são alterados. A visão, o tato e o olfato ficam mais aguçados, permitindo que a experiência do possível casal fique mais intensa. Procure descrever bem eles.
Mexer nos cabelos, apresentar mãos geladas ou colocar as mãos na cintura são algumas reações femininas. As mãos geladas denotam nervosismo e forte interesse. As mãos na cintura, por sua vez, pode esconder uma atitude bem mais agressiva. “Quando a mulher ou o homem apoia as mãos na cintura e aponta os cotovelos para os lados é sinal de que quer ficar a sós com você. Fazendo isso, cria uma barreira para evitar que outras pessoas se aproximem, pois não quer que ninguém interfira”.
O principal hormônio liberado durante a paixão é a oxitocina. Esse hormônio permite que a pessoa em questão crie vínculos e foque a atenção no parceiro.
“Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer”
REAÇÕES PSICOLÓGICAS: Descrever o psicológico de alguém é bastante relativo. Ao descrever sentimentos então, é preciso ter cuidado. Cada personagem reage diferente, portanto, a descrição varia bastante e tem que estar sempre de acordo com a personalidade do personagem.
COMO A MENTE HUMANA REAGE [GERALMENTE] AO AMOR: A pessoa apaixonada ri mais do que o normal para ela, as pupilas dilatam e a respiração fica mais rápida e profunda.
O QUE SENTIMOS? Falta da pessoa amada quando a mesma não está por perto, rir sozinho pensando nele(a), ouvir e cantar músicas românticas, as vezes sentir ciúme e ficar com medo de perder a pessoa amada. A barriga embrulha, você entra numa montanha russa emocional, sentindo-se delirantemente feliz em um minuto, e ansioso e desesperado no próximo.
SENTIMENTOS [CÉREBRO]: Os sentimentos são estados e configurações afetivas, estão associados a conteúdos cognitivos, valores, cultura e representações em geral. Podendo ser vivenciados como dois polos: Agradável/Desagradável, Prazeroso/Desprazível. São expostos relativos à sua tonalidade afetiva, como por exemplo: Tristeza, alegria, amor, ódio, vergonha, culpa, confiança, entre outros.
EMOÇÕES [CÉREBRO]: As emoções podem ser definidas como reações afetivas momentâneas desencadeadas por estímulos significativos internamente ou externamente (ações, pensamentos, vivências, entre outros). As emoções são frequentemente acompanhadas de reações motoras, hormonais, viscerais, e vasomotoras, sendo ela, subjetiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. As emoções podem ser classificadas como: Emoções Primárias (alegria, tristeza, amor, raiva) e Emoções Secundárias (ciúme, inveja, vergonha)
EXTRAS!!
Sinais físicos da Atração
Espero te ajudado. Se precisar de mais alguma coisa, estou aqui. Fonte: http://mundodapsi.com/cerebro-amor-e-paixao/.
Descrevendo um assassinato
Oi, gente! Tenho certeza de que muitos de vocês adoram ler uma história que tenha ao menos um assassinato - ou muitos - e descobrir quem ou o quê está por trás daquilo. Porém, descrevê-lo pode não ser uma tarefa tão simples assim e que, se mal feita, pode acabar com os propósitos do seu livro.
Obs: essas dicas servem para qualquer tipo de homícidio de modo geral, e não apenas de um gênero específico. E, como quaisquer outras dadas aqui, não são regras a serem seguidas. Fica a seu critério tomá-las ou não.
1 - Todo assassinato deve ter uma motivação
Não existe um homicídio sem motivo. Mesmo um serial killer com distúrbios psicológicos graves terá um motivo, nem que seja algo completamente surreal/ilógico. E ele deve ser plausível e coerente com o enredo principal da história.
Geralmente, as motivações por detrás de assassinatos podem chocar tanto quanto o próprio ato em si.
2 - Deve ser relevante
Se você tem que matar um personagem, faça isso de modo a acrescentar algo na história, seja o enredo principal ou um subplot, mas não pode ser algo completamente inútil ou servir apenas para se livrar do “excesso do elenco” da narrativa. Em suma, um assassinato deve ser importante, especialmente se servir como catalisador da história.
3 - Não precisa ser brutal/violento para chocar
Assassinatos brutais chocam pela violência. Contudo, como falei acima, a motivação pode ser o fator de susto, bem como o personagem morto ou o próprio assassino/a. Além disso, o choque dependerá principalmente do modo como tudo for descrito.
E se você estiver fazendo um romance policial, não precisa fazer um banho de sangue, ou seja, não é necessário matar metade dos seus personagens para fazer o enredo ficar instigante e interessante - a menos que isso se mostre algo relevante.
4 - Não se apegue demais ao personagem que será assassinado
Sei que isso é difícil, mas você precisa ter uma… Indiferença quando for assassinar um perso. (minha abreviação de personagem, melhor se acostumarem com ela). Caso contrário, sua cena vai pro brejo.
5 - O mais importante: a descrição
Para que uma cena de assassinato choque, assuste, instigue o leitor, é necessário haver uma descrição à altura. De nada adianta nenhum dos tópicos acima se você não descreve bem a cena.
É interessante fazer um POV da vítima antes de ser morta e criar um clima de tensão/mistério antes do assassino/a aparecer, pois isso ajuda a dar uma quebra de expectativa na cena e seu assassino tem um “plano de fundo” para aparecer, ao invés de ele surgir do nada - a não ser que esteja fazendo uma história com ninjas…
Algumas cenas já começam com um ambiente de mistério e servem de pano de fundo para quando o personagem é assassinado. Porém, geralmente tudo começa de modo casual e comum, para depois haver uma quebra de clima.
Outra coisa interessante são as sensações passadas ao leitor. Descrever os sentimentos da vítima enquanto é assassinada é uma ótima maneira de tornar sua cena mais profunda e, dependendo do personagem, isso pode causar também uma tristeza no leitor ao vê-lo morrer daquela forma - o que demonstra que você o cativou.
E é isso, pessoal. Espero que tenha ajudado. Qualquer dúvida ou sugestão não se acanhem e venham comentar na nossa ask ou no nosso submit.
- Lou
Como melhorar sua escrita
1. Escreva
É isso mesmo, primeiro escreva; bilhetes, cartas (para seus amigos), e-mails, descreva seus sentimentos em um diário, crie cenas soltas. Pratique sempre.
2. Leia sempre
Isso pode parecer chato, mas; “atrás de um grande escritor sempre existe um leitor voraz”. É praticamente uma regra, pois quanto mais você lê, mais vocabulário ganha e seu texto vai ficar cada vez melhor! Sem contar que estimula a criatividade.
3. Use um dicionário
Saber como escreve e o significado das palavras ajuda a aumentar a qualidade do seu texto.
4. Jogue jogos
Ex: Palavras-Cruzadas, Forca, Caça-palavras… Isso pode ser muito útil para gravar na memória (mais facilmente) novas palavras.
5. Saia da sua zona de conforto
Escreva algo que você nunca escreveu antes. Novamente pratique. Às vezes você nem percebe o quanto estava preso a uma forma de escrita até que decide muda-la.
/Alê
Descrevendo (fisicamente) os seus personagens
Eu, particularmente, acho descrever uma das coisas mais difíceis quando estou escrevendo. Grande parte das pessoas que me conhece sabe que minhas histórias são sempre pequenas, e eu vivo no constante medo de não estar descrevendo o suficiente (enquanto grande parte das pessoas que eu conheço temem estar descrevendo demais, o que eu acho meio irônico, sério).
Descrever personagens, por si só, é muito difícil. Primeiro porque, geralmente, quando eu crio um personagem, eu tenho uma imagem na mente, e transformar essa imagem em palavras é quase sempre difícil. Segundo porque meu leitor não tem imagem alguma quando começa a ler a história.
E é isso que nós precisamos ter em mente (não somente na descrição dos personagens, mas em quase qualquer descrição que escrevemos), que o leitor não possui a mesma mente e que ele não faz ideia do que se passa além do que estamos narrando. Nós precisamos, como escritores, sermos capazes de descrever o suficiente para que eles consigam “preencher os buracos”, mas não descrever demais a ponto de tornar a leitura chata ou cansativa.
A primeira coisa a se fazer é, portanto, fugir dos infodumps. Não sabe o que é isso? Bem, infodump é quando você escreve um parágrafo muito grande que possui apenas exposição. Sem ação, sem pensamento, só exposição. Você fala, em muitas palavras (talvez mais do que o necessário), sobre como o seu mundo é ou qual é a roupa que o seu personagem está vestindo. Parece chato, não é mesmo? E geralmente é. Como qualquer recurso na escrita, pode ser feito com qualidade, mas isso é muito raro de acontecer, então evite-o. Mesmo.
Em vez disso, misture a descrição com outras partes da narrativa.
Descrevendo com a terceira pessoa:
Observe:
“Lysander a encarou. Emma era uma menina muito baixa para a sua idade, com longos cabelos loiros que, na ocasião, estavam presos num rabo de cavalo malfeito, olhos verdes muito brilhantes e alegres, um rosto fino de traços leves e uma pele muito branca e sardenta. Estava vestindo uma roupa trouxa: uma blusa larga azul, de manga, e calças jeans apertadas, sem bolsos, além de um tênis vermelho desgastado e velho. Lysander se perguntou o que ela estava fazendo ali, no mesmo vagão que ele, e por que não tinha o mínimo senso de moda.”
Chato de ler, não é mesmo? E no final das contas, você não se lembra de metade do que leu. Sem olhar de novo, sabe qual e a cor dos olhos dela? E da blusa? Você se lembra de que a calça jeans não possui bolsos, ou do fato de que ela tem sardas? Se você precisa ler mais de uma vez para saber qual é a aparência da personagem, então a descrição não está cumprindo o seu papel. Veja um outro exemplo:
“Uma garota baixinha bateu na porta do vagão em que ele estava, e Lysander a encarou. Ela sorria, alegre, e talvez um pouco tímida, mas entrou sem pedir permissão. Porque usava roupas trouxas, Lysander supôs que esse devia ser seu status de sangue. Ela se jogou num dos bancos, sem cerimônia, e seu cabelo loiro — antes preso num rabo de cavalo malfeito — se soltou. A menina suspirou e prendeu o cabelo mais uma vez, logo antes de seus olhos, muito verdes, lançarem um olhar em sua direção.
— Meu nome é Emma — disse, e estendeu sua mão para ele, num típico cumprimento trouxa que fez com que ele tivesse certeza de que era, no mínimo, mestiça.”
Muito melhor, certo? Eu te dou um pouco de contexto enquanto você vai conhecendo a Emma (e o Lysander), e vou pintando a cena em sua mente aos poucos, em vez de colocar a garota logo de uma vez. Você dificilmente vai se sentir tentado a pular as descrições, porque sabe que é possível que perca uma parte do que está acontecendo, também. Além disso, a narração é consideravelmente menos cansativa.
Outra coisa que acho importante apontar é que, uma vez que as roupas são completamente desnecessárias para o entendimento desse trecho específico, eu as retirei (quase) completamente. Não faz diferença se você sabe que são largas e azuis e vermelhas, desde que tenha em mente que são trouxas e não um robe do mundo bruxo.
Os detalhes mais específicos — o fato de ela ser sardenta, por exemplo — eu deixo para colocar depois. A Emma é uma personagem importante, que vai aparecer muitas vezes durante a história, então não há necessidade de colocar todos os detalhes da aparência dela agora.
Descrevendo em primeira pessoa:
Descrever em primeira pessoa é muito, muito, muito mais difícil que descrever em terceira pessoa, porque na primeira você fica preso às impressões do seu personagem e aos detalhes que ele repararia. Sobre os exemplos acima, por exemplo, Lysander dificilmente repararia no fato de que Emma é uma garota sorridente. Em vez disso, provavelmente passaria a impressão de que é irritante e não sabe o seu lugar. Não veria as sardas, não veria a cor das roupas (mas, sim, repararia que são trouxas), e dificilmente olharia para a cor dos olhos dela.
Na verdade, evitaria de todas as maneiras ficar olhando para ela, e isso faria com que os leitores não tivessem uma visão mais específica dela até muito mais tarde na trama, quando ele essencialmente começa a reparar nela.
Para descrever outros personagens em primeira pessoa, primeiro você precisa saber como o personagem que está narrando age perto delas, que tipo de coisas ele repara e, basicamente, como a sua mente funciona. Só então as descrições que ele faz vão soar como alguma coisa que ele diria, e não uma tentativa do autor de fazer com que o leitor tenha uma ideia da aparência de alguém.
Enquanto um Lysander-narrador faria descrições sucintas e, de certa forma, frias, baseadas nas características da pessoa que poderiam trazer alguma vantagem para ele, Emma-narradora tenderia para uma descrição mais calorosa, reparando em detalhes aleatórios e tentando ser simpática até mesmo em pensamentos. Observe:
“O vagão estava tranquilo. Em menos de dez minutos eu entrara, arrumara minhas coisas no compartimento de bagagem e tirara um livro da bolsa. Era sobre poções, avançado para o meu nível escolar, mas então eram todas as minhas leituras. Eu estava sozinho e não sabia a qual entidade agradecer por isso, mas xinguei mentalmente todas elas quando um barulho interrompeu minha leitura.
Levantei os olhos do livro apenas para me dar de cara com um pequeno furacão loiro, que se jogou de qualquer maneira no assento de frente para mim e me fez ter certeza de que a minha viagem não seria tranquila como eu planejara de início. Soltei um suspiro irritado, e a menina — nascida trouxa ou mestiça, no mínimo, devido às roupas que vestia — estendeu a mão.
— Meu nome é Emma. — Não respondi, não valia a pena, só voltei meus olhos para o livro e torci para que a garota entendesse que aquilo significava que eu não estava aberto para conversa.”
Quando conhecemos alguém, raramente reparamos nos detalhes da aparência. Quando descrevemos o personagem conhecendo outro, precisamos seguir as mesmos regras. Usar termos gerais — cor dos cabelos, principalmente, altura e peso se não forem usuais, cor dos olhos, talvez — e focar em que detalhes da aparência são fora do comum. Uma tatuagem, uma cicatriz, o tipo de coisa que o seu olho automaticamente enxerga.
Mas e quando o meu personagem já conhece o outro? O que eu faço?
Ora, mas essa é uma excelente pergunta! Nós raramente reparamos em detalhes da aparência de pessoas com as quais já temos um relacionamento, a não ser em casos isolados especiais (quando vamos sair com elas, quando elas vão para um evento, quando fazem alguma coisa diferente com a aparência, quando olhamos alguma foto com atenção), dessa forma, normalmente, numa história, não se descreve em detalhes as pessoas já conhecidas.
Se você viveu a vida inteira com a sua mãe, não tem motivos para reparar que o cabelo dela é ruivo num dia aleatório, certo? A não ser que ela pinte o cabelo ou faça alguma outra coisa com ele. Dessa forma, se você está narrando seu personagem descendo das escadas com pressa para ir para a escola, ele dificilmente vai comentar o fato de que os olhos dela são castanhos cor de chocolate ou que seu rosto estava particularmente bonito naquele dia. Observe:
“Emma passou pelo salão comunal correndo, os livros do dia contra o peito, o cabelo despenteado e um desespero genuíno por estar atrasada. Por isso, não cumprimentou nenhum dos seus colegas de casa — nem mesmo seu melhor amigo, Matt, que gritou seu nome de algum lugar lá dentro, e diante da falta de resposta, foi atrás dela.
— Emma! — A garota se virou. Matt não vestia o uniforme escolar nem parecia preocupado pelo fato de que já eram quase oito horas. — Emma, hoje é sábado, o que você está fazendo?”
No caso acima, o único comentário sobre a aparência de Matt é o fato de que ele não usava o uniforme nem parecia preocupado. Não é importante mencionar que ele é loiro, mais alto que ela, possui um sorriso tão grande quanto o seu e um brilho misterioso no olhar. O fato de ele não usar o uniforme é a única coisa que foge do comum e, portanto, que precisa ser mencionada. Claro, se for extremamente necessário, é possível fazê-lo passar a mão pelo cabelo loiro ou dar um sorrisinho e colocar alguma descrição indireta, mas isso depende muito do que se quer passar. Se for a primeira vez que ele aparece na história, é interessante, se não for, é muito provável que os leitores já saibam disso.
Se você precisa descrever a aparência de um personagem que o seu protagonista já conhece de maneira mais detalhada, o ideal é colocá-lo em uma situação onde a aparência está em evidência. Um evento, uma pergunta — “como estou?”, “você me acha bonita?” —, um comentário, enfim, algo do tipo.
Okay, mas e se eu quiser descrever o meu protagonista?
Uma amiga minha me disse uma vez que você só pode cometer o erro de usar o espelho para descrever seu protagonista uma única vez durante sua trajetória literária. Eu não sei onde ela leu isso, mas eu sei que é verdade. A primeira coisa que eu vou dizer aqui é, portanto, não use o espelho para descrever seu protagonista. Pronto. Dito. Usar o espelho é uma técnica muito amadora e a maioria dos escritores mais experientes a evita. Usar o espelho é muito, muito, malvisto.
Além disso, usar o espelho invariavelmente acaba em infodump.
Em vez disso, você pode (como sempre) colocar as descrições indiretas — mexeu no cabelo castanho, passou a mão pela barriga protuberante, etc —, jogá-lo numa situação em que sua aparência fica em evidência — não conseguir alcançar uma prateleira (personagem baixo), bater a cabeça ou ter que se abaixar ao passar por uma porta (personagem alto), etc. E colocar esses detalhes em evidência é uma ótima maneira de detalhar essa característica mais a fundo, por exemplo — ou mesmo fazer com que alguém faça um comentário — “nossa, mas você é alto, hein?”, “amo a cor do cabelo dela, sempre quis ter cabelo ruivo”, etc.
Lembre-se que, em primeira pessoa, quando um personagem “se descreve”, o leitor tem a impressão de que ele é narcisista e egocêntrico — principalmente se ele falar bem das próprias características. Em terceira pessoa, se for a terceira pessoa restrita, principalmente, isso também acontece.
É isso! Espero que seja útil para vocês! Ainda têm alguma dúvida, discordam de alguma coisa, têm algo a acrescentar? Fique à vontade para aparecer na ask e mandar um oi.
(Giulia)
Aquela linha tênue entre — o sim e o não — na hora da famosa e sofrida: Divulgação.
Lembrando antes de mais nada, que… Essa não é bem uma matéria sobre divulgação, tá mais para uma dica de amiga. Uma vez que existem muitas matérias sobre isso por aí, acredito eu.
Há divulgação e divulgações. Quando você decidi divulgar sua história antes de qualquer coisa tem que ter em mente a coisa mais importante (que vale para tudo na sua vida): Nem todo mundo dirá sim; e isso pode acontecer por vários motivos:
A pessoa não gosta do gênero que você escreve (não importa se você é a rainha fodástica da escrita)
Usando o Wattpad como exemplo — quando você entra no perfil de alguém para falar sobre sua história (seja pelo mural ou mensagem privada), ali você já terá uma ideia do que a pessoa gosta. Olhando as listas de leitura dela. Se as obras que ela lê são em torno de 90% romance, as chances da mesma ler a sua do gênero terror são de no máximo 20% (isso sendo otimista). E então o que você faz? 1- Divulga mesmo assim e torce para essa pessoa ser amorzinho e te dar uma oportunidade?
2- Desiste ou dá bons motivos para essa pessoa ler (e torce para funcionar)?
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Bons livros não entregam todos os seus segredos de uma vez.
Stephen King (via cafedeescritor)
Salve seu livro!
São muitos os perigos para o escritor do século XXI. A maioria de nós escreve em computadores, celulares ou ipads, e, mesmo que o escritor do século XX ainda estivesse em perigo pelas enchentes e incêndios, vamos combinar que as chances de o computador travar, um vírus corroer todo o pen-drive ou você fechar sem salvar são um pouco maiores.
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Colocação dos pronomes oblíquos átonos
O uso de pronomes oblíquos na escrita, por vezes, é empregado errado, e como sempre costumo corrigir meus alunos do curso de escrita, dei uma vasculhada aqui no tumblr e percebi que ainda não tinha feito um post propriamente dito sobre o assunto. Então, vamos lá.
Eu tenho dúvidas também no uso desses pronomes, portanto, pesquisei na Internet para me informar melhor. Para começar, vou explicar o que são esses tais pronomes, sem ficar presa a gramática escolar:
Pronomes oblíquos átonos são aqueles que complementam o verbo na oração (me, mim, te, ti, se, si, o(s), a(s), lhe(s), nos, vos).
Ex:
Compre-me uma dúzia de ovos.
Enviem-nos as correspondências.
Como usá-los?
O certo é “Me deixe ir embora” ou “Deixe-me ir embora”?
Nesse caso é a segunda frase, pois, conforme a regra gramatical, nunca se começa uma frase (seja qual for a pontuação; vírgula(,), ponto(.), reticências(…)…) com um pronome oblíquo. Há exceção apenas quando se trata de uma fala de personagem, já que não costumamos empregar essa regra em nossos diálogos no dia-a-dia.
Ex:
— Me ajude, por favor! — pediu Abbie, desesperadamente.
Você pode deixar o pronome assim nesse caso, mas, quando se trata de um personagem com a pronúncia mais formal, a regra deve ser empregada corretamente. Veja:
— Thompson, entregue-me os relatórios às dez.
O certo é “ Devo me entender com eles” ou “Devo entender-me com eles”?
Os dois casos estão corretos, porém, é mais comum na gramática brasileira usar a primeira frase. Você também pode usar o hífen, porque o verbo principal, “entender”, está no infinitivo, e há um verbo auxiliar antes, “devo”. Se ele não estivesse no infinitivo, se fosse gerúndio, por exemplo (entendendo), também seria permitido ambos os casos, com ou sem hífen. Já a forma no particípio (entendido), só poderia ser usado a primeira forma, isto é, sem hífen.
E as demais formais verbais?
Usa-se sem hífen. Há outras regras também para o uso de pronomes átonos sem hífen, que é o que ocorre na próclise:
1. Elementos que atraem o pronome átono:
Palavras negativas: nem, não, nunca, jamais:
Não me incomodo com eles.
Advérbios: Acolá, aí, aqui, lá, já:
Aqui se aprende com qualidade.
Pronomes relativos: que, o qual, os quais:
O líder do grupo, o qual nos visitou hoje, prometeu-nos trabalhar pela paz de todos.
2. Partículas exclamativas e optativas:
Quem me dera!
Que Deus o acompanhe!
3. Em sentenças interrogativas diretas e indiretas:
Diga-me quem lhe disse isso.
Quem lhe disse tamanha asneira?
4. Orações subordinadas desenvolvidas.
Pedi que lhe entregasse meus documentos.
5. Orações coordenadas alternativas:
Ora me maltratava, ora me beijava.
6. Orações com inversão sintática:
Lógico me pareceu o seu argumento.
7. Gerúndio precedido da preposição em:
Em se tratando de estratégia, ele é mestre.
8. Orações com verbo antecedidos de pronome não pessoal:
Isto se refere a interesses particulares.
Alguém me disse que ela não viria.
E como uso a mesóclise?
Mesóclise, para quem não sabe, é aquela forma de “comprá-los-ei”, “comprá-los-ia”, bem formal, e que caiu em desuso na gramática brasileira. Portanto, evite usá-los em seu texto. Para substituí-la, costuma-se usar um verbo auxiliar junto com o principal:
Ex:
Compraria = teria comprado;
Comprarei = vou comprar, etc.
Fonte: Ipeu; adaptado pelo Eu ♥ Escrever.
Descrevendo (fisicamente) os seus personagens
Eu, particularmente, acho descrever uma das coisas mais difíceis quando estou escrevendo. Grande parte das pessoas que me conhece sabe que minhas histórias são sempre pequenas, e eu vivo no constante medo de não estar descrevendo o suficiente (enquanto grande parte das pessoas que eu conheço temem estar descrevendo demais, o que eu acho meio irônico, sério).
Descrever personagens, por si só, é muito difícil. Primeiro porque, geralmente, quando eu crio um personagem, eu tenho uma imagem na mente, e transformar essa imagem em palavras é quase sempre difícil. Segundo porque meu leitor não tem imagem alguma quando começa a ler a história.
E é isso que nós precisamos ter em mente (não somente na descrição dos personagens, mas em quase qualquer descrição que escrevemos), que o leitor não possui a mesma mente e que ele não faz ideia do que se passa além do que estamos narrando. Nós precisamos, como escritores, sermos capazes de descrever o suficiente para que eles consigam “preencher os buracos”, mas não descrever demais a ponto de tornar a leitura chata ou cansativa.
A primeira coisa a se fazer é, portanto, fugir dos infodumps. Não sabe o que é isso? Bem, infodump é quando você escreve um parágrafo muito grande que possui apenas exposição. Sem ação, sem pensamento, só exposição. Você fala, em muitas palavras (talvez mais do que o necessário), sobre como o seu mundo é ou qual é a roupa que o seu personagem está vestindo. Parece chato, não é mesmo? E geralmente é. Como qualquer recurso na escrita, pode ser feito com qualidade, mas isso é muito raro de acontecer, então evite-o. Mesmo.
Em vez disso, misture a descrição com outras partes da narrativa.
Descrevendo com a terceira pessoa:
Observe:
“Lysander a encarou. Emma era uma menina muito baixa para a sua idade, com longos cabelos loiros que, na ocasião, estavam presos num rabo de cavalo malfeito, olhos verdes muito brilhantes e alegres, um rosto fino de traços leves e uma pele muito branca e sardenta. Estava vestindo uma roupa trouxa: uma blusa larga azul, de manga, e calças jeans apertadas, sem bolsos, além de um tênis vermelho desgastado e velho. Lysander se perguntou o que ela estava fazendo ali, no mesmo vagão que ele, e por que não tinha o mínimo senso de moda.”
Chato de ler, não é mesmo? E no final das contas, você não se lembra de metade do que leu. Sem olhar de novo, sabe qual e a cor dos olhos dela? E da blusa? Você se lembra de que a calça jeans não possui bolsos, ou do fato de que ela tem sardas? Se você precisa ler mais de uma vez para saber qual é a aparência da personagem, então a descrição não está cumprindo o seu papel. Veja um outro exemplo:
“Uma garota baixinha bateu na porta do vagão em que ele estava, e Lysander a encarou. Ela sorria, alegre, e talvez um pouco tímida, mas entrou sem pedir permissão. Porque usava roupas trouxas, Lysander supôs que esse devia ser seu status de sangue. Ela se jogou num dos bancos, sem cerimônia, e seu cabelo loiro — antes preso num rabo de cavalo malfeito — se soltou. A menina suspirou e prendeu o cabelo mais uma vez, logo antes de seus olhos, muito verdes, lançarem um olhar em sua direção.
— Meu nome é Emma — disse, e estendeu sua mão para ele, num típico cumprimento trouxa que fez com que ele tivesse certeza de que era, no mínimo, mestiça.”
Muito melhor, certo? Eu te dou um pouco de contexto enquanto você vai conhecendo a Emma (e o Lysander), e vou pintando a cena em sua mente aos poucos, em vez de colocar a garota logo de uma vez. Você dificilmente vai se sentir tentado a pular as descrições, porque sabe que é possível que perca uma parte do que está acontecendo, também. Além disso, a narração é consideravelmente menos cansativa.
Outra coisa que acho importante apontar é que, uma vez que as roupas são completamente desnecessárias para o entendimento desse trecho específico, eu as retirei (quase) completamente. Não faz diferença se você sabe que são largas e azuis e vermelhas, desde que tenha em mente que são trouxas e não um robe do mundo bruxo.
Os detalhes mais específicos — o fato de ela ser sardenta, por exemplo — eu deixo para colocar depois. A Emma é uma personagem importante, que vai aparecer muitas vezes durante a história, então não há necessidade de colocar todos os detalhes da aparência dela agora.
Descrevendo em primeira pessoa:
Descrever em primeira pessoa é muito, muito, muito mais difícil que descrever em terceira pessoa, porque na primeira você fica preso às impressões do seu personagem e aos detalhes que ele repararia. Sobre os exemplos acima, por exemplo, Lysander dificilmente repararia no fato de que Emma é uma garota sorridente. Em vez disso, provavelmente passaria a impressão de que é irritante e não sabe o seu lugar. Não veria as sardas, não veria a cor das roupas (mas, sim, repararia que são trouxas), e dificilmente olharia para a cor dos olhos dela.
Na verdade, evitaria de todas as maneiras ficar olhando para ela, e isso faria com que os leitores não tivessem uma visão mais específica dela até muito mais tarde na trama, quando ele essencialmente começa a reparar nela.
Para descrever outros personagens em primeira pessoa, primeiro você precisa saber como o personagem que está narrando age perto delas, que tipo de coisas ele repara e, basicamente, como a sua mente funciona. Só então as descrições que ele faz vão soar como alguma coisa que ele diria, e não uma tentativa do autor de fazer com que o leitor tenha uma ideia da aparência de alguém.
Enquanto um Lysander-narrador faria descrições sucintas e, de certa forma, frias, baseadas nas características da pessoa que poderiam trazer alguma vantagem para ele, Emma-narradora tenderia para uma descrição mais calorosa, reparando em detalhes aleatórios e tentando ser simpática até mesmo em pensamentos. Observe:
“O vagão estava tranquilo. Em menos de dez minutos eu entrara, arrumara minhas coisas no compartimento de bagagem e tirara um livro da bolsa. Era sobre poções, avançado para o meu nível escolar, mas então eram todas as minhas leituras. Eu estava sozinho e não sabia a qual entidade agradecer por isso, mas xinguei mentalmente todas elas quando um barulho interrompeu minha leitura.
Levantei os olhos do livro apenas para me dar de cara com um pequeno furacão loiro, que se jogou de qualquer maneira no assento de frente para mim e me fez ter certeza de que a minha viagem não seria tranquila como eu planejara de início. Soltei um suspiro irritado, e a menina — nascida trouxa ou mestiça, no mínimo, devido às roupas que vestia — estendeu a mão.
— Meu nome é Emma. — Não respondi, não valia a pena, só voltei meus olhos para o livro e torci para que a garota entendesse que aquilo significava que eu não estava aberto para conversa.”
Quando conhecemos alguém, raramente reparamos nos detalhes da aparência. Quando descrevemos o personagem conhecendo outro, precisamos seguir as mesmos regras. Usar termos gerais — cor dos cabelos, principalmente, altura e peso se não forem usuais, cor dos olhos, talvez — e focar em que detalhes da aparência são fora do comum. Uma tatuagem, uma cicatriz, o tipo de coisa que o seu olho automaticamente enxerga.
Mas e quando o meu personagem já conhece o outro? O que eu faço?
Ora, mas essa é uma excelente pergunta! Nós raramente reparamos em detalhes da aparência de pessoas com as quais já temos um relacionamento, a não ser em casos isolados especiais (quando vamos sair com elas, quando elas vão para um evento, quando fazem alguma coisa diferente com a aparência, quando olhamos alguma foto com atenção), dessa forma, normalmente, numa história, não se descreve em detalhes as pessoas já conhecidas.
Se você viveu a vida inteira com a sua mãe, não tem motivos para reparar que o cabelo dela é ruivo num dia aleatório, certo? A não ser que ela pinte o cabelo ou faça alguma outra coisa com ele. Dessa forma, se você está narrando seu personagem descendo das escadas com pressa para ir para a escola, ele dificilmente vai comentar o fato de que os olhos dela são castanhos cor de chocolate ou que seu rosto estava particularmente bonito naquele dia. Observe:
“Emma passou pelo salão comunal correndo, os livros do dia contra o peito, o cabelo despenteado e um desespero genuíno por estar atrasada. Por isso, não cumprimentou nenhum dos seus colegas de casa — nem mesmo seu melhor amigo, Matt, que gritou seu nome de algum lugar lá dentro, e diante da falta de resposta, foi atrás dela.
— Emma! — A garota se virou. Matt não vestia o uniforme escolar nem parecia preocupado pelo fato de que já eram quase oito horas. — Emma, hoje é sábado, o que você está fazendo?”
No caso acima, o único comentário sobre a aparência de Matt é o fato de que ele não usava o uniforme nem parecia preocupado. Não é importante mencionar que ele é loiro, mais alto que ela, possui um sorriso tão grande quanto o seu e um brilho misterioso no olhar. O fato de ele não usar o uniforme é a única coisa que foge do comum e, portanto, que precisa ser mencionada. Claro, se for extremamente necessário, é possível fazê-lo passar a mão pelo cabelo loiro ou dar um sorrisinho e colocar alguma descrição indireta, mas isso depende muito do que se quer passar. Se for a primeira vez que ele aparece na história, é interessante, se não for, é muito provável que os leitores já saibam disso.
Se você precisa descrever a aparência de um personagem que o seu protagonista já conhece de maneira mais detalhada, o ideal é colocá-lo em uma situação onde a aparência está em evidência. Um evento, uma pergunta — “como estou?”, “você me acha bonita?” —, um comentário, enfim, algo do tipo.
Okay, mas e se eu quiser descrever o meu protagonista?
Uma amiga minha me disse uma vez que você só pode cometer o erro de usar o espelho para descrever seu protagonista uma única vez durante sua trajetória literária. Eu não sei onde ela leu isso, mas eu sei que é verdade. A primeira coisa que eu vou dizer aqui é, portanto, não use o espelho para descrever seu protagonista. Pronto. Dito. Usar o espelho é uma técnica muito amadora e a maioria dos escritores mais experientes a evita. Usar o espelho é muito, muito, malvisto.
Além disso, usar o espelho invariavelmente acaba em infodump.
Em vez disso, você pode (como sempre) colocar as descrições indiretas — mexeu no cabelo castanho, passou a mão pela barriga protuberante, etc —, jogá-lo numa situação em que sua aparência fica em evidência — não conseguir alcançar uma prateleira (personagem baixo), bater a cabeça ou ter que se abaixar ao passar por uma porta (personagem alto), etc. E colocar esses detalhes em evidência é uma ótima maneira de detalhar essa característica mais a fundo, por exemplo — ou mesmo fazer com que alguém faça um comentário — “nossa, mas você é alto, hein?”, “amo a cor do cabelo dela, sempre quis ter cabelo ruivo”, etc.
Lembre-se que, em primeira pessoa, quando um personagem “se descreve”, o leitor tem a impressão de que ele é narcisista e egocêntrico — principalmente se ele falar bem das próprias características. Em terceira pessoa, se for a terceira pessoa restrita, principalmente, isso também acontece.
É isso! Espero que seja útil para vocês! Ainda têm alguma dúvida, discordam de alguma coisa, têm algo a acrescentar? Fique à vontade para aparecer na ask e mandar um oi.
(Giulia)
não, eu só tentei enviar um submit. nada?
Chegou nada aqui não :/ só as asks mesmo. Tenta enviar novamente. - Harley.