[SEMI-HIATUS] O Viajando entre Linhas é um blog voltado à escrita criativa feito por uma escritora amadora que quer compartilhar suas experiências no mundo da escrita. Sinta-se à vontade para ficar por aqui e aproveite a viagem ;)
Depois de muito tempo, decidi finalmente encerrar as atividades do blog. Não vou deletá-lo, porque sinto que pode ter algo útil para alguém.
Foram 6 anos de puro aprendizado, compartilhamento e convivência que gostei bastante - porém, a vida tomou rumos diferentes e acabei me perdendo neles, juntamente com a minha escrita.
Verdade seja dita, não sou mais a mesma pessoa que começou o blog em 2015, o que é bom, mas, ao mesmo tempo, perdi boa parte daquilo que me fez querer dar o primeiro passo naquela época. E agora, preciso me reencontrar antes de começar na escrita de novo.
nobody gives a crap if something is cliché or not. what they care about is the execution.
having a bad day of writing does not make you a bad writer.
writing in your second or third language isn’t always easy. you’re doing great.
writing advice = tools. not rules. you’re not meant to follow every advice you read about on the internet. learn the rules so you know which ones to break.
every writer is capable of writing a captivating story, but your story might not be everyone’s cup of tea, and that’s ok. there will still be people out there who’ll adore it.
it’s ok to not excel at every genre. you can write it because you think it’s fun. it doesn’t always have to be a matter of writing something strictly because you’re good at it. it’s ok to explore.
Atenção: esse post possui gatilhos de racismo e menção de violência e est*pro
No post de hoje, eu quero continuar com os posts do mês da consciência negra falando ainda sobre estereótipos, mas dessa vez focando em personagens masculinos porque, por mais que alguns sejam parecidos, existem detalhes que fazem toda a diferença.
E assim como no post sobre estereótipos de personagens pretas, nesse aqui eu quero falar um pouco sobre os principais presentes na ficção e o quanto eles podem ser nocivos para pessoas reais, para tentar conscientizar você, querido escritor, na hora de criar os seus personagens.
“Writing isn’t about making money, getting famous, getting dates, getting laid, or making friends. In the end, it’s about enriching the lives of those who will read your work, and enriching your own life, as well. It’s about getting up, getting well, and getting over. Getting happy, okay? Getting happy.”
As sequências de obras literárias: Os cuidados para não escrever uma continuação ruim
Por: Mari Cunha
Como autores, quando pensamos em obras literárias ficamos na expectativa do sucesso e no momento em que muitas pessoas vão pedir por mais de nossa escrita. Porém, todo cuidado é pouco. Essa empolgação por fazer a vontade dos leitores, pode ser um caminho bem perigoso.
Manter a essência e o enredo fortificado da primeira obra é muito importante para não se perder nas sequências.
Há muitos exemplos que podem ser citados aqui como continuidade que não deram muito certo, mas você sabe ou já parou para pensar no motivo no qual não foi para frente o sucesso?
Muitos escritores já pensam em formar um legado com uma série de livros, porém, há muitos obstáculos durante a jornada que podem ser apenas barreiras a serem superadas ou realmente podem prejudicar o sucesso da continuação.
A questão é que o autor precisa estar altamente conectado à sua obra e não pensar em um segundo livro apenas pelo sucesso do primeiro. Claro que a cobrança dos leitores por uma continuidade deve ser pensada, mas há muito mais por trás da produção.
Se você está na expectativa de que as pessoas vão pedir um segundo livro, planeje meios para que isso funcione em sua sequência
Quando se pensa em sequência, o terreno precisa estar preparado e o escritor também. Se você almeja dar continuidade em sua obra, mas está incerto sobre isso, fortifique seu enredo, personagens e narrativa, para que assim você tenha material para um segundo livro. Caso haja chances de isso não acontecer, você precisa fechar um arco no seu primeiro livro e não deixar as pontas soltas prejudicarem a leitura.
Por isso, é importante ter uma direção já pré-definida sobre sua história. É muito difícil criar possibilidades sem ter uma base concreta da sua obra.. Lembre-se que mesmo que você tenha vontade de escrever um segundo livro, o seu primeiro tem que ter uma trama fechada, organizada e bem definida.
Não mude a essência de suas personagens nas sequências
Sim, as pessoas mudam. Porém, aquilo que foi aprendido e validado em seu primeiro livro não pode ser simplesmente esquecido pela sua personagem. Uma mudança drástica leva seu leitor a questionar se aquilo que leu no primeiro livro era importante ou simplesmente poderia ter ignorado toda a trama anterior. Assim, também vale para personagens sem mudança alguma. Não deixe que as aprendizagens sejam repetitivas, lembre de toda construção heroica do personagem e não deixe isso de lado na continuação. Para isso, é importante a famosa “ficha dos personagens”, assim, você não se perde na construção do novo enredo. Vale a pena fazer uma nova ficha, visando seu novo enredo e comparando com a anterior durante a escrita.
Planejamento é tudo!
O mais importante para se fazer uma sequência de sucesso é pensar nela antes de tudo. Assim, você planeja já divulgações, estratégias de enredo e temas que você irá abordar nos diferentes livros. Porém, se uma continuação aconteceu de repente, planejar muito antes de divulgar seu segundo livro é essencial. Busque analisar os caminhos que seu livro pode seguir e se seus leitores querem mesmo uma continuação ou apenas estão em êxtase pela sua história. Dependendo da sua interação com seu público, você pode perguntar diretamente a eles, mas sempre com suas estratégias já definidas, caso consiga o sim.
Cuidado com continuidades clichês
Spin-offs, Origens e Epílogos em um livro inteiro podem ser muito perigosos. Pense se realmente é necessário criar uma nova história para acrescentar elementos que não foram contados no primeiro livro. Por exemplo: Às vezes um personagem secundário fez muito sucesso na obra, mas será que vale a pena fazer um spin-off sobre ele ou ele funcionou dentro do enredo e da trama daquele primeiro livro? Assim também pode acontecer com as questões de origens e detalhes. Você pode apenas verbalizar aos seus leitores sobre esses detalhes, caso haja alguma curiosidade.
Mude o enredo, mas não mude a base da sua obra
Se você pensa em mudar a tonalidade e estilo do seu livro em uma sequência, cuidado! As mudanças podem acontecer, mas devem ser sutis. Não adianta fazer um livro de romance e transformá-lo em terror em sua continuação apenas porque você se cansou de escrever romances românticos. É preciso fazer uma pesquisa para ver se vale a pena a troca e se isso não vai influenciar no público alvo que você já conquistou. Por vezes, vale a pena fazer um livro totalmente novo e seguir em frente.
Não faça sequência por audiência
Por fim, muito cuidado com a cobrança de uma continuação pelo sucesso da primeira história. Se sua história foi concreta e pensada em um único livro e assim conquistou muita gente, não pense em expandi-lo apenas por isso e principalmente não se cobre por tal. É ótimo que as pessoas tenham gostado de sua escrita e história, mas antes de desenvolver uma sequência, veja se realmente vale a pena. Cuidado para não ir pela empolgação e se perder nos arcos e personagens, mudando-os completamente e fomentando uma história só por um enredo que está em alta e por personagens caricatos que “fazem sucesso”.
O mais importante é lembrar dos motivos pelos quais você acha que vale a pena dar continuidade a sua história. Escrever é pensar em possibilidades, mas também é ter estratégias para organizar uma narrativa cativante. Cultive seus leitores e crie em seus livros sempre novas sensações, isso vale para as continuidades. Cada livro é único e precisa de um cuidado especial.
E você, já escreveu continuações para seus livros? Comente sua experiência para gente!
ATENÇÃO: Esse post contém gatilhos de racismo, misognia e menção de violência e est*pro
Hoje estou escrevendo um texto que é muito importante para mim e que faz parte da série de posts para o mês da consciência negra (você pode conferir os outros lá no meu Instagram). Eu, inclusive, já tinha um rascunho desse texto preparado há muito tempo, muito mesmo, mas sempre me faltava uma certa coragem, me dava um medo de não saber tratar um assunto tão importante da forma que merece.
Mas agora, depois de ter amadurecido um pouco como blogueira, escritora e como mulher preta, eu sinto que a hora chegou pra falar de algo que, infelizmente, é muito comum: os estereótipos que existem em relação a mulheres pretas.
Nesse post, eu quero falar de alguns e conscientizar porque eles, mesmo retratados num cenário de ficção, são tão nocivos para pessoas reais e, quem sabe, te conscientizar sobre o tema.
Sejam bem-vindos a mais um post sobre revisão. Hoje vamos dar uma parada na escrita e veremos um pouco sobre algumas formas de edição/revisão que são igualmente importantes.
Olá! Eu sou a Ana, e hoje estou aqui para falar um pouco sobre descrições de vestuário. Vou dividir o artigo em seções, para que as informações não fiquem largadas, tudo bem?
Então vamos lá!
A IMPORTÂNCIA
Assim como toda descrição na sua história, a descrição do vestuário é necessária de acordo com a relevância do que é descrito. Mas a grande questão é: como definir a relevância de uma roupa? Para ajudar com isso, eu vou lhes mostras algumas situações para que vocês tenham uma ideia de qual caminho seguir:
Caracterização da personagem: o tipo de vestuário que sua personagem usa é uma maneira de exteriorizar a personalidade dela. Nesse caso, o ideal é descrever suas roupas de forma superficial, não precisa dizer cada peça de roupa que há no seu armário, mas sim focar-se nos pontos em comum dessas roupas: há muitos jeans? Ela customiza suas roupas? Gosta de roupas formais ou informais? Aliás, ela se importa com o que veste?
As características físicas da personagem e como elas contrastam com seu vestuário: descrever o que sua personagem veste também é uma forma de descrever seus atributos físicos. Como as cores que ela usualmente usa contrastam com sua pele, seus olhos e/ou seu cabelo? E qual é o caimento das vestes de acordo com o formato do seu corpo? Sua personagem prefere roupas justas ou roupas largas? Mostram muito ou pouco de seu corpo?
Situações especiais: assim como o vestuário habitual de sua personagem é importante, ocasiões em que ela é forçada a usar roupas que não está acostumada também o são! Como são essas roupas? Como ela se sente vestindo-as? Em que elas contrastam com as vestes que normalmente usa?
Todos esses pontos são essenciais quando você vai pensar na importância da roupa para a caracterização de uma personagem. É claro que você não precisa responder a todas elas, mas é interessante sempre refletir sobre essas questões na hora em que for descrever o vestuário.
A PARTE VISUAL
Agora vamos para a parte prática da descrição! Quais termos usar para descrever uma roupa em seu aspecto físico? O mais importante nessa parte é conhecer quais os componentes de uma roupa que são mais marcantes, e não se esqueça de sempre pensar em quais deles são relevantes a partir das questões apontadas acima.
Peça de roupa: meio óbvio apontar que você precisa indicar qual peça está descrevendo, se é uma blusa, um short, saia, calça, paletó etc. Mas também é importante dizer qual a situação física da sua roupa. Ela é desgastada pelo uso? Puída? Bem cuidada? Desbotada? Amassada? Essas características, além de ajudar na imagem mental do leitor, também vão dizer algo sobre a personalidade da sua personagem.
Tecido/Material: temos seda, algodão, poliéster… há uma infinidade de tecidos, alguns mais comuns que outros e você pode usá-los de duas formas em sua descrição
Poupar o esforço de descrições excessivas apenas definindo qual o tecido, principalmente se ele for conhecido. Alguns exemplos: camisa de algodão, os famosos suéteres de cashmere, calças jeans, camisola de seda. São tipos de tecidos que evocam uma imagem rápida ao leitor por serem comuns, então, não é necessário que você perca tempo com outras características, como a textura.
Se for um tecido não tão comum assim, é interessante dar ao leitor mais além do que a simples definição do tecido. Aqui terá de haver mais esforço para descrever outros pontos, então novamente eu tenho que enfatizar a necessidade de se perguntar: qual a relevância dessa roupa?
Textura: macia, com paetês, aveludada… Essas são características importantes, principalmente se estiver lidando com cenas de contato físico que envolvem sua personagem, ou mesmo para dar ao leitor a ideia do conjunto que compõe o vestuário se houver texturas diferentes.
Estampa/Cores: os pontos importantes ao descrever esse aspecto são:
Esse já foi citado, mas vou reforçar — como as cores e estampas contrastam com as cores do seu personagem? Elas destacam alguma parte? Disfarçam outra parte?
As cores de suas vestes são harmônicas, ou, de alguma forma, elas não se encaixam?
Corte: novamente, já falei um pouco sobre isso ali em cima, ainda assim, é sempre importante ressaltar que, se você está descrevendo uma roupa, significa que ela tem importância na caracterização da sua personagem, que por sua vez, significa que é importante dizer como essa roupa cai sobre o corpo dela. Quais partes que eles salientam e quais que disfarça? O quanto ele cobre do seu corpo? Basicamente, é isso que você terá de responder nesse quesito.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Lembre-se que descrições podem ser chatas, então não se estenda muito nelas. A relevância do que você vai dizer sobre o vestuário também interfere no tamanho da descrição: se for um quadro geral das roupas que a personagem usa, então não é necessário se estender por mais de uma linha ou duas. Se for algo especial, então pode usar mais. Mas, ao priorizar o que você falar, eu quero sugerir uma ordem de quais informações visuais são mais importantes:
Com o crescimento do acesso à informação nas redes sociais, foi natural que pautas sociais chegassem inclusive no mundo das fanfics. Se você for das antigas, que nem eu, deve se lembrar daquele período extremamente obscuro em meados dos anos 2000, em que o mundo da escrita só tinha uma regra: não há regras.
Era extremamente comum que existissem fandoms, fanfics, mangás, animes cheios de pedofilia (quem não se lembra daquele shipp amaldiçoado entre uma criança e um demônio do anime Kuroshitsuji?), violência de todos os tipos, e a criação de um conteúdo sexual interminável, independentemente da idade do personagem envolvido.
Para se ter uma ideia da bizarrice da situação, existiam GÊNEROS de escrita baseados em crimes, e o exemplo mais clássico são histórias do gênero shotacon (uma palavra japonesa que junta as palavras shota, de menino jovem, e com, de complex), o qual sinalizava histórias que possuíam conteúdo romântico-sexual com crianças. O outro exemplo é o lolicon (que segue a mesma lógica de shotacon, mas usando loli, de lolita, que representa meninas), um pouco mais conhecido e popular. E sim, esse tipo de coisa não só era escrita como também nunca era questionada.
Esse cenário de aparente tranquilidade para quem criava e consumia esse tipo de história começou a mudar em meados dos anos 2010: quando as pautas sociais começaram a se popularizar, isso trouxe consequentemente debates e muita, muuuuita treta.
Vocês já refletiram alguma vez na vida se existe algum limite quando se trata de ficção?
Era uma luta de foice para todo lado nas redes sociais, enquanto uns defendiam a máxima da liberdade de expressão irrestrita para os autores, outros batiam na tecla que você não precisava escrever tudo que vinha na sua mente só porque você quer, afinal, aquilo poderia influenciar os leitores. Junto a isso, tínhamos também algumas vozes que argumentavam que o problema não era o conteúdo em si, mas sim a forma como era escrito.
Com certeza, nesse ponto da sua vida, você já ouviu a palavra “romantização”, certo? Embora tenha sido um pouco banalizada, nessa situação inteira, ela tem o maior fundo de verdade na opinião da colunista que vos fala. Não acredito que escrever sobre pedofilia em si vá influenciar alguém a ser pedófilo, ou escrever sobre violência vá fazer adolescentes fanfiqueiros descerem o pau em alguém. Não, meu nome é Liquor e não Rede Record. Mas tratar pedofilia como normal e aceitável? Não abordar as problemáticas, consequências? Aí já não é tão legal.
Para impedir a propagação desse tipo de crime — porque sim, gente, manter conteúdo sexual com menor de idade envolvido é crime —, alguns sites tomaram algumas medidas. Alguns foram drásticos, feito o nosso amado Tumblr, que proibiu todo e qualquer tipo de conteúdo sexual na plataforma deles. Outros tentaram uma abordagem diferente, como o SpiritFanfictions, que começou proibindo só conteúdo sexual com menores, o que ainda foi um grande golpe nas costas de muitos autores que escreviam romances com menores; e o site era intolerante mesmo com diferenças pequenas (relações entre um personagem de 17 e outro de 18 anos), ou relações entre dois menores. O argumento é que adolescentes também fazem sexo, o que não é mentira, porém o site foi irredutível da mesma forma.
Se o Monark estivesse lendo esse texto ele provavelmente me perguntaria: escrever sobre pedofilia é crime? E a resposta é: sim.
Mas abordar a pedofilia de forma responsável? Não.
Tudo na vida precisa de um equilíbrio e, acima de tudo, responsabilidade.
Porém, validar crimes de qualquer tipo, em especial certos tipos de violência sexual, por fetiche, ou seja lá qual for o motivo, não é liberdade de expressão e criatividade, é falta de vergonha na cara. Tenham responsabilidade com o que escrevem.
E se escreverem coisas de índole duvidosa e receberem críticas sobre isso, tente não chorar muito no twitter, pois existe uma outra máxima se você acredita em liberdade de expressão irrestrita: escreveu o que quis? Vai ouvir o que não quer também.
E é isso, betabees, vamos nos expressar com cuidado e não confundir falta de caráter com liberdade de expressão.
Começar uma história é uma parte muito complicada. Resumidamente, o início de sua história precisa ser instigante, prender o leitor e gerar o interesse de continuar lendo e lendo, até descobrir o final de sua trama.
É muita responsabilidade para tão poucas linhas.
Muita gente entra em parafuso. Como eu posso fazer isso? O que eu preciso colocar? E o que eu preciso evitar?
Já aviso que não tem receita. Como tudo no campo da escrita (e de quase qualquer coisa que tão tenha números no meio), não tem fórmula pronta. Não tem um “se eu fizer A e B, com certeza vou ter o resultado C”. O melhor início vai depender de sua história, do seu estilo de escrita, de como você quer impactar o seu leitor, quais primeiras impressões você quer passar, etc.
O que podemos fazer (eu e outros blogueiros que adoram dar pitaco dicas) é apenas dar sugestões, em geral, do que pode ser feito para que você tenha um norte na hora de escrever.
Claro que se você tem certa experiência e um estilo legal de escrita, mesmo um dos temas que a sugestão é que se evite, você pode transformar num começo excepcional e diferente. Mas se ainda tem muitas dúvidas ou está começando agora, melhor ir por um caminho mais seguro (o que não quer dizer, porém, que precisa fazer igual a todo mundo. Mesmo no tradicional é possível haver inovação).Tem dúvidas em como começar sua história? Então senta aí, anota das dicas, pega uma bússola e vamos tentar desbravar juntos o caminho das pedras.
5) Evite descrições logo de cara
Seja de ambientes ou de personagens, o melhor a fazer é evitar. O leitor ainda não está interessado na cor de cabelo e olhos do protagonista ou em quantas colunas tem o salão do local onde ele está. Ele quer mais saber o que está acontecendo e quem são os envolvidos para poder começar a estabelecer hipóteses do que vai acontecer nos próximos capítulos e como será resolvido o mistério principal.
Principalmente descrição estática de ambiente. Jamais me perdoo por ter começado uma história basicamente com “A casa de Fulana tinha dois andares, janelas quadradas e era marrom”. Ninguém liga! O pessoal quer muito mais saber quem é a Fulana e qual o problema em que ela se meteu para decidir se vale a pena continuar lendo ou não.
Se você já começa com descrição que nobody yes door ninguém se importa, o leitor vai decidir pelo não e devolver seu livro pra estante ou fechar a aba da sua fic e passar pra próxima.
4) Não fale sobre o tempo
Pior que começar com descrição de pessoas ou locais, é começar com descrição de como estava o céu, qual a temperatura, se estava chovendo, etc.
A não ser que seja realmente MUITO importante pra sua história saber se está chovendo ou fazendo sol, procure outra maneira de começar. Se quiser, aborde o tempo depois, mas não nos primeiros seis parágrafos, pelo menos. De novo: o leitor quer saber quem está envolvido no que, não se o protagonista vai destruir a chapinha na tempestade se colocar o pé fora de casa (a não ser que sua história seja sobre isso).
E sim, também já comecei história assim também. Shame on me!
3) Sem história passada do personagem logo de cara
Por mais que o leitor queira saber quem é o seu personagem, em geral ele está pouco se lixando para o que ele fazia na infância, como foi o primeiro beijo, o nome do melhor amigo ou do primeiro cachorro, exceto quando a informação é importante para o começo.
Seu leitor quer saber quem é e o que faz seu personagem AGORA! HOJE! NO MOMENTO EM QUE A HISTÓRIA COMEÇA.
Flashbacks são interessantes e ajudam bastante a conhecer melhor os personagens de sua história, mas não comece já com eles. A exceção é quando você já começa com um episódio do passado que dará o start para a história por ter algo nele que será importante pra trama. Mas o personagem aparecer e duas ou três linhas depois estar repassando TODA a vida pregressa dele? Melhor deixar para depois.
Você terá vários e vários capítulos ainda para isso. Calma.
P.S.: Apresentar toda a vida do personagem de uma só vez com flashbacks super longos podem ser maçantes e distrair o leitor da trama principal. Selecione as informações fundamentais e tente diluir isso ao longo do texto, quando couber melhor. Assim você até pode gerar mais suspense sobre certos aspectos da trajetória do seu personagem e deixar seus leitores curiosos.
2) Comece com algo acontecendo
Parece óbvio, mas não tanto.
Vamos supor que você quer começar descrevendo o tempo que está fazendo porque está chovendo muito forte e seu personagem está preso no trabalho, com muita vontade de chegar em casa.
Ao invés de começar com um insosso “Chovia muito forte quando João chegou à portaria do prédio. Nervoso, ele pensou que não chegaria em casa a tempo de ver seu programa preferido”, experimente algo diferente. Mais interessante.
Exemplo?
“Faltava apenas trinta minutos. Ele jamais chegaria a tempo. Em condições normais, já levaria mais de quarenta para percorrer o caminho de volta para casa graças ao trânsito. Mas ainda estava preso no prédio de sua repartição. Uma poderosa queda de luz o forçara a descer mais de dez andares de escada, e ele estava ofegante, cansado e furioso. Tudo cortesia daquela maldita tempestade de verão que, não contente em deixar metade da cidade no escuro, ainda inundava as ruas do centro. Logo ele estaria ofegante, cansado, furioso e ensopado até os ossos. Tudo o que queria era chegar em casa e poder ter um pouco de paz. Tomar um bom banho, jantar, conversar com a esposa, colocar os filhos para dormir e depois esticar as pernas enquanto assistia seu programa preferido. Agora, não teria nada disso. Só a chuva e o frio para acompanhá-lo por um bom tempo”.
Bom, ficou maior do que eu esperava, mas ainda dava para ter explorado mais. Além de, na segunda versão, começar de uma forma mais ágil, demonstrando mais o senso de urgência da situação, ainda ficamos curiosos.
E a importância disso nós veremos no tópico a seguir.
1) Deixe perguntas na mente do seu leitor
A ideia é simples: quanto mais curioso para ver o que vem a seguir seu leitor ficar, mais páginas ele vai virar, mais capítulos ele vai ler. Por isso mesmo começar já plantando essas perguntas vai fisgá-lo nas primeiras linhas.
Voltando aos exemplos do item anterior, começar logo de cara entregando a causa do João estar com tanta pressa mata as perguntas do leitor. Ele não terá espaço para criar hipóteses e testá-las. Você já deu tudo de bandeja. Não faça isso. É subestimar a inteligência de seu público achar que eles não podem pensar e juntar as peças por si mesmos.
Já no segundo, até o momento em que é revelada a causa do atraso, o leitor terá espaço para imaginar o que pode estar acontecendo para atrasá-lo e, principalmente, porque ele quer tanto chegar logo em casa. Eu poderia ter dado uma motivação ainda mais forte (ou mais engraçada. Tem algo mais desesperador — quando somos nós — e hilário — quando é com os outros — que alguém querer ir ao banheiro, mas não ter nenhum disponível?), mas acho que já é suficiente para a gente se colocar no lugar do João.
De uma tacada só, o leitor ficou curioso, criou hipóteses e as testou e ainda desenvolve uma ligação com o personagem principal. Afinal quantas vezes queremos só voltar para casa e ficar descansando junto de nossa família, mas algo ou alguém atrapalha nossos planos?
Pense nisso.
Creio que não é necessário lembrar vocês da importância de, ao alcançar um nível de qualidade satisfatório no primeiro capítulo, manter esse padrão no resto da história. Leia, releia, revise, rescreva se for preciso (para acrescentar ou remover coisas), enfim. Tome cuidado para a história manter o nível de qualidade em todos os capítulos, não apenas no primeiro.
Anote essas dicas, pesquise mais, tire suas dúvidas com pessoas que você confia e sabem do assunto, procure betas, etc. Cuide de sua história como se ela fosse seu filho, seu maior tesouro, e os frutos virão, por mais que demorem.
Afinal, não tem nada mais frustrante do que o primeiro capítulo ser perfeito, impecável, e a partir dali a história ir só ladeira abaixo. É um cenário improvável (o mais comum é acontecer o contrário), mas não impossível.
Por hoje é só. Mais alguma dica? Gostaram? Algo a criticar?
Aquele momento em que você descobre que a coisa que vc pensou pra sua história atualmente existe e não é completamente non-sense, aka, existe embasamento real pra aquilo.
Olár, amores mio! Novamente cá estou fazendo um post de desabafo inspirado em algumas coisas que tenho lido por aí, que são os relacionamentos irreais. Para compreender melhor o que quero abordar nesse post, basta clicar em “Continuar lendo”.
Eu tive a ideia para escrever esse post há muito tempo, mais especificamente em agosto desse ano, quando eu li O Mar Sem Estrelas, da Erin Morgenstern, publicado pela editora Morro Branco.
Eu estava muito ansiosa para fazer essa leitura, porque o primeiro livro da autora, O Circo do Noite, é um dos meus livros favoritos da vida e O Mar Sem Estrelas estava bastante hypado na gringa, até mesmo os brasileiros que leram em inglês antes da história vir para o Brasil só falaram coisas boas, por isso foi um livro bastante esperado muita gente, não só por mim.
Quando veio, o livro foi cinco estrelas favoritado de muita gente, tanto que o hype da gringa se estabeleceu aqui no Brasil também, de forma que estava com altas expectativas do livro, porém, infelizmente, no que eu amei o livro em alguns sentidos, outros me decepcionaram fortemente; um deles foi exatamente por causa do tema do post, relacionamento irreal.
Eu chamo relacionamento irreal para definir uma relação entre dois personagens — pode ser romântica ou não — que fogem muito do que é crível, ou seja estabelecendo uma relação muito forte em um período muito rápido e com envolvimentos rasos, vulgo o infame instalove. Para exemplificar melhor o que estou falando, vou me cercar de exemplos, começando com O Mar Sem Estrelas, já que foi esse o livro que me inspirou a escrever o post.
Nesse livro, houve três relacionamentos específicos que não fizeram muito sentido para mim, dois deles foram relacionamentos românticos e um relacionamento de amizade.
Os dois casais se encontraram duas vezes na vida, no máximo, e já estavam loucamente apaixonados um pelo outro, arriscando-se em longas odisseias mortais para salvar seu amor de 48 horas atrás. O terceiro relacionamento não foi romântico, foi uma amizade, mas que se deu nos mesmos moldes do romance, ou seja aconteceu de maneira abrupta, com uma lealdade injustificada com alguém que você acabou de conhecer e completamente fora do caráter do personagem que nos foi apresentado, que era alguém que não mantém as amizades muito perto.
Quem leu O Mar Sem Estrelas vai saber das relações as quais estou me referindo e se quiserem trocar uma ideia comigo sobre isso, eu vou adorar. Mesmo. Às vezes eu preciso ouvir o ponto de vista de outra pessoa para mudar de opinião, até porque eu fiquei triste mesmo que eu não amei tanto esse livro como eu esperava, mas estou desviando o assunto.
Essas relações do livro me lembrou muito da crítica que o filme Encantada fez ao falar do romance entre a Giselle e o Príncipe Encantado, onde se conheceram em um dia e já estavam se casando no próximo, porque foi mais ou menos essa ideia que aconteceu em O Mar Sem Estrelas.
Honestamente, esse tipo de escolha no enredo, onde tudo acontece de repente porque sim, nada mais é do que a representação de um relacionamento irreal a meu ver, pois me falta enxergar essa conexão com a realidade, portanto não consigo me sentir nem mesmo um pouco convencida pelo romance ou ter alguma empatia pelo casal, ou no caso de O Mar Sem Estrelas, até mesmo pela amizade entre dois personagens me deixou revirando os olhos e completamente cética da relação entre os personagens, o que me estragou um pouco a experiência.
Eu disse que esse post seria um desabafo porque esse tipo de coisa nas histórias, onde o amor acontece instantaneamente e a amizade é eterna desde o primeiro momento — mas só quando é conveniente e não atrapalha o ship principal — têm ficado cada vez mais frequente em todo tipo de mídia e as relações estão ficando cada vez mais ridículas de tão superficiais. Muitos livros inclusive, toda química entre o casal se resume a tesão e sexo. Dificilmente hoje em dia estão escrevendo romance — no sentido de história romântica e não estilo narrativo — que não envolve algo minimamente picante. Talvez não tenha a cena de sexo descrita totalmente e com riqueza de detalhes, mas há sempre algo de sensual na narrativa, uma inclinação, uma cena implícita ou mesmo uma referência de uma transa.
Nas fanfics esse tipo de superficialidade nas relações são ainda piores e mais escrachadas. Não importa o ship que você esteja lendo, o casal é mais importante um para o outro do que todas as demais pessoas com as quais eles se relacionam antes de ficarem juntos, seja relação de amizade, relação fraterna, relação parental. Tem muito plot escrito por aí que inclusive transforma o amor romântico competindo com outro tipo de amor, algo literalmente “vou matar ou seu namorado ou o seu irmão, quem você ama mais para sobreviver?”. A resposta é sempre o namorado, não importa quem está do outro lado...
O meu ponto da crítica com esse tipo de enredo é que alguém não pode ser o mundo todo de uma pessoa. O namorado, marido, par romântico do personagem estar acima da relação com os outros personagens, acima de si próprio. Ninguém se casa com a data do divórcio já marcada no calendário, todo mundo pensa que vai durar para sempre, mas não é com todo mundo que essa felicidade acontece. E se o amor não for eterno, como você lida com as consequências de colocar essa pessoa acima de tudo e todos?
Você mesmo, leitor, na sua vida fora da tela você tem uma corrente de pessoas que influenciam sua vida e que você ama e que te amam de volta, seja na família, desde os mais próximos até os mais distantes, amigos, até mesmo conhecidos podem ter um apreço por você. Descartar todos eles por causa de uma única pessoa chega até mesmo a ser ofensivo para todos os demais. E se alguém que você ama te troca por outra pessoa? Como você se sentiria? Seria tão compreensivo como você deixa seus personagens serem? Portanto as relações são irreais até mesmo na hora de retratar um personagem com alguém que o conhece há mais tempo, que tem uma amizade de anos, até mesmo com relação à família.
E esses enredos têm me irritado mesmo no “faz de conta” porque é isso que tem sido mostrado e defendido literatura a fora em magnitude mundial. Seja nos livros estrangeiros publicados por editoras, como é o caso de O Mar Sem Estrelas, seja no livros independentes e nas fanfics há esse tipo de ideia aflorada de amor eterno e sacrifício de tudo por um amor, que sejamos sinceros, pode nem durar. Se pararmos para pensar em Romeu e Julieta de maneira racional, veremos que eles foram o casal mais estúpido e dramático de todos, agindo de uma maneira que literalmente ninguém agiria.
Essa ideia de que o interesse romântico se tornou o centro do universo desse personagem ao ponto de que ninguém mais importa, por si só já é uma ideia ruim de se propagar, ainda mais em leitores jovens que nunca tiveram um relacionamento, porque eles vão ver isso com tanta frequência em tantas mídias, que vão imaginar que é realmente isso que acontece na realidade e vão reproduzir isso na vida real. É fácil, fácil entrar num relacionamento tóxico quando se tem a ideia de que esse tipo de comportamento é o amor.
O absurdo nem para por aí, a irrealidade de um relacionamento está também no fato de que o casal está junto e apaixonado só pelo aspecto físico, sendo a imagem mais importante do que qualquer coisa. Ou seja, não pode a garota realmente feia ter uma história de amor invejável com o garoto realmente feio, mas super gente boa, com bom papo, que trata ela bem. Não, a menina tem que ser a “menina feia”, mas só porque ela se acha o patinho feio, mas que na verdade não é feia de verdade, ficar com o cara sarado, que é o pica das galáxias por causa do seu abdômen, mas que tem uma personalidade de merda, porém como os opostos se atraem, ele por algum motivo misterioso vai se sentir atraído por ela. Depois de tanta melação de cueca, quando for fazer uma lista do porquê ela está apaixonada por ele, os motivos são: ele é bonito, tem um corpo sarado, é rico, é popular... Daí eu pergunto, isso é amor ou é vaidade?
A impressão que eu tenho é de que as pessoas estão desaprendendo a se relacionarem e mostram isso com esse tipo de história. Eu pessoalmente não acredito em amor à primeira vista. Acredito em tesão à primeira vista — inclusive essa frase está nos rascunhos de Prom — e que esquecem que um relacionamento a dois não se sustenta só com sexo e nem com beleza.
Você não consegue descobrir o caráter da pessoa à primeira vista, você não consegue descobrir se seus gostos são parecidos à primeira vista, você nem sabe se a pessoa concorda com o seu pensamento ideológico à primeira vista e isso é importante sim para um relacionamento. Seus gostos e os gostos da pessoa tem que estar alinhados, principalmente se querem construir uma vida juntos e formar uma família. Óbvio que não vão encontrar alguém que vai concordar com tudo o que você fala, isso também não existe, mas precisa ter uma paridade em algumas coisas fundamentais para o casal dar certo.
Conheço uma mulher que ela e o ex-marido tiveram brigas severas porque tinham opiniões religiosas diferentes. Ela era católica e ele era judeu. Ela se “converteu” ao judaísmo para os filhos poderem ter direitos a alguns benefícios que os judeus têm entre si, mas quando perguntavam de que religião que ela era, ela sempre respondia Católica. O divórcio aconteceu por outros motivos, mas ela contou que essa diferença afetou bastante na criação dos filhos, porque o marido queria que eles seguissem certos preceitos judaicos, que ela não concordava. Ambos queriam o melhor para os filhos, mas discordavam no que era o melhor para eles.
A maneira de tratar os filhos, as respectivas famílias, até mesmo os diversos problemas dentro do casamento na realidade não é corrigido com sexo, mas o desenrolar de muitas histórias na literatura está sempre ligado ao apelo sexual, vide O Clube do Livro dos Homens, a mulher tinha acabo de pedir o divórcio porque achava que o casamento não estava dando certo por diversos motivos, mas basta uma piscadinha e ver o abdômen do marido que a decisão começa a ruir.
Eu diria que a melhor maneira de contornar esse tipo de ideia absurda, falando estritamente como uma leitora que critica muito esse tipo de enredo, seria afastar a narrativa do sexo a todo instante, até mesmo como solução de problemas e me concentraria em conceitos subjetivos, como coisas em que o casal concordam e discordam como indivíduos mesmo, dando mais verossimilhança da vida real. Conversar como adultos civilizados, ao invés de adolescentes inconsequentes, que não escutam o outro lado, não ponderam, não respeitam opinião que diverge da sua e não tentam formar uma equipe com o seu parceiro ao invés de um tentar mandar no outro além de fazerem birras e tomar ações mesquinhas.
Talvez há quem vá pensar que estou exagerando porque a vida real e uma história fictícia são bem diferentes uma da outra, mas a literatura é um reflexo da vida real. Quando o professor pede para lerem Machado de Assis, Eça de Queiroz, Euclides da Cunha etc, no Ensino Médio, não é para incentivar a leitura em vocês, isso é trabalhado muito antes em vocês, lá no ensino fundamental com histórias mais acessíveis. O que eles querem que vocês observem nos clássicos era o comportamento da sociedade na época, aprendam como era a História do país dentro dos livros escritos nesse tempo através dos personagens, da sua ambientação, do seu contexto. Esse é um dos objetivos da leitura.
Por isso não dá para ler um livro problemático e passar pano dizendo que está tudo bem gostar porque é história ficcional, que na vida real você não compactua com o que é mostrado no enredo. Daqui a cinquenta, sessenta, setenta anos... cem anos, quando os nossos livros atuais virarem o objeto de estudo dos alunos do futuro, é esse tipo de coisa que eles verão na literatura. Relacionamentos rasos, romantização de abusos, permissividade com certas condutas — cof cof, BDSM mau retratado cof cof.
Meu blog pode até estar voltado para as fanfics, praticamente 90% do que falo são coisas que eu vejo em obras de fãs e do que escrevo nas minhas próprias fanfics, mas eu também consumo muito livros publicados por editoras, e sei que nessa altura do século, muitos desses livros vieram inicialmente das fanfics e foram adaptadas para uma história original.
Se querem que essa tendência de que fanfic ganhe proporções maiores no mercado e fique cada vez maior, como é a vontade de muitos, vamos primeiro tratar os problemas que surgem nas fics com seriedade ao invés de defender fanfic como literatura só quando for conveniente para o escritor, como na hora de ganhar reconhecimento, por exemplo.
Vou encerrar o assunto por aqui, até porque tinha uma coisa em mente e na realidade saiu outra, como vocês bem viram.
Sintam-se livres para tecer um comentário se assim desejarem. No mais, fico por aqui, beijinhos de megawatts de luz! <3
Como a leitura pode te ajudar a ser um melhor escritor
Por: Aarvyk
Um dos conselhos mais dados aos escritores e também um dos menos explicados é esse: leia! Não faltam argumentos para o quanto a leitura é benéfica, mas nunca se especifica muito bem no que ela realmente pode te ajudar a ser um melhor escritor. Pois bem, nesse post vou discutir de que modo você pode usar a leitura para desenvolver mais sua escrita. O ato de ler com certeza por si só já é bom, mas ler com objetivos já previamente elaborados é que muda de fato a sua compreensão e aprendizado do texto!
Primeiro passo: defina o que você quer melhorar/aprender.
Pense comigo por um instante: se uma pessoa está interessada em escrever um livro de ficção científica futurista, você acha que ela deveria ler Admirável Mundo Novo ou Dom Quixote para melhorar a escrita?
A resposta parece óbvia, não? Com certeza é melhor ler Aldous Huxley nessa situação! E lembre-se que Dom Quixote é ‘mais clássico’ do que Admirável Mundo Novo. No entanto, quando você estabelece um objetivo e entende o que você quer, fazer as escolhas do que ler para ter uma referência e uma base fica mais fácil. Um livro de ficção científica requer uma escrita específica, para isso o autor precisa ler algo do mesmo gênero, com o intuito de captar as entrelinhas e a essência desse tipo de escrita.
Agora pense comigo por mais um instante: um escritor que quer melhorar sua escrita, a fim de não a deixar tão cansativa por escrever em excesso, deveria ler Senhor dos Anéis ou um livro ‘menos clássico’, como um do John Green, por exemplo?
Novamente, a resposta parece óbvia. Senhor dos Anéis é conhecido por ter muitas descrições e também um enredo um pouquinho lento. Isso é um tipo de escrita específico de Tolkien, de nenhuma forma se mostra como algo ruim. Mas veja bem: se você está tentando ser mais enxuto e polido em seu texto, não é a melhor indicação de leitura caso se tenha esse objetivo em mente.
Portanto, se quer uma referência de como escrever seu livro em X gênero, escolha uma leitura clássica de X gênero. Se quer melhorar suas descrições, busque ler um livro que tenha um cenário ou personagens parecidos com os seus. Se quer melhorar seu vocabulário, então leia um clássico de leitura mais difícil. Liste seus pontos fracos e peça indicações de livros cujos autores possuam esses elementos como pontos fortes!
Segundo passo: tenha seu objetivo em mente e perceba os detalhes enquanto lê.
Vamos lá! Você já sabe o que quer melhorar ou qual referência precisa para melhorar sua escrita, ao mesmo tempo que já escolheu qual livro vai ler para isso. Então o que falta agora é tornar sua leitura crítica e reflexiva.
Retornando ao primeiro exemplo: o escritor que deseja elaborar uma história de ficção científica futurista e está lendo Admirável Mundo Novo pode anotar palavras diferenciadas que encontrar no texto, ficar de olho em como o autor descreve as cenas e também entender como se desenvolve um mundo futurista e distópico. Dessa forma, esse escritor vai ser capaz de escolher o tipo de escrita que busca desenvolver. Geralmente, no caso da ficção futurista, as descrições são mais diretas e sem rodeios, ao mesmo tempo que são variadas, pois o mundo é mais complexo e detalhista. No entanto, você só perceberá isso se fizer uma leitura crítica!
Retornando ao segundo exemplo: se o escritor que quer ser mais enxuto e menos prolixo está lendo Quem é Você, Alasca? do John Green, ele pode focar mais nas construções gramáticas e na forma como o autor desenvolve a escrita dele do que no enredo ou nas personagens. Depois disso, esse escritor pode até voltar a ler seus textos e ver no que ele está se excedendo, se é em adjetivos, descrições desnecessárias e essas coisas… Os livros do John Green geralmente apresentam muitos diálogos e cada personagem tem seu modo de expressar a personalidade por meio da fala, caso um escritor se identifique com esse tipo de escrita, seria uma boa ideia aderi-la. Porém, repito: somente com uma leitura crítica você nota que existem vários formatos de escrita, por assim dizer!
Terceiro e último passo: teste!
Agora que você já leu um livro de forma crítica e viu novos horizontes para sua escrita, tente escrever com base no que aprendeu. “Copiar” o estilo de um grande escritor e dar o seu toque pessoal a ele é um caminho mais do que legítimo!
Se anotou palavras ao ler um livro para te ajudar na descrição do cenário de sua história, é hora de tentar escrever sua cena. Se observou que mais diálogos pode ser uma opção para tornar sua escrita menos cansativa, então aplique isso. Se ficou inspirado ao ler um livro de ficção e tem novas ideias para fazer um mundinho de fantasia, então mãos à obra.
Depois disso, releia seu trabalho. Compare. Veja o que funcionou e o que não funcionou. Caso sinta dificuldade em saber se as coisas estão indo bem, lembre-se que nunca é tarde para pedir a ajuda de um beta. E saiba que você não poderia estar em um site melhor para isso! Hehe :D
Dentre as técnicas de escrita mais aclamadas de todas, a de show, don’t tell é certamente a mais famosa. Mesmo quem começou agora a se aventurar pelas palavras já deve ter ouvido alguma coisa a respeito. Mas apesar de muito falada, não são todos que conseguem masterizá-la - pelo contrário: o que mais se encontra por aí são autores lutando para conseguir usar a dita cuja.
No post de hoje, trago a vocês algumas dicas e explicações sobre como efetivamente usar a show, don’t tell (e não, eu não sei usar isso, então vamos aprender juntos).
Pega alguma coisa para comer, se ajeita e vem comigo.
O que é show, don’t tell
A primeira coisa que vem à cabeça de qualquer autor é "mostre, não conte" (você só traduziu, dã). Mas o que isso realmente significa? O que significa mostrar e não contar, sendo que o que fazemos é basicamente contar histórias?
Vamos fazer um exercício simples: imagine que você está em uma loja procurando por um produto e o vendedor te aborda. Você pede as informações sobre o que quer e o vendedor te leva até o produto (ou traz a você) para que veja com seus próprios olhos. Você pega, sente a textura, o cheiro, observa as cores e todos os detalhes importantes para a sua compra.
Agora imagine a mesma cena, porém, ao invés de o vendedor te entregar o produto, ele mesmo começa a te dar as descrições para você decidir se compra ou não.
Em qual das duas situações você ficaria mais tendencioso a levar o produto?
A de cima, não é?
Isso porque o vendedor te mostrou o que você queria; na segunda situação, ele apenas te contou como era o produto. Você não pode analisar por si mesmo, dependendo apenas das palavras do sujeito para comprar.
Esse é o grande trunfo do show, don’t tell.
Quando estamos escrevendo uma história, precisamos mostrar aos leitores aquele mundo, para que possam se sentir parte dele, para que sintam os cheiros, as texturas, etc. Se apenas relatamos os fatos como em um depoimento policial, a narrativa fica sem emoção, completamente plana, apenas um monte de palavras vazias na folha. Em suma, trata-se de descrever da melhor forma possível aquilo que queremos passar.
Entretanto, nem sempre mostrar será melhor do que contar, mas vou falar sobre isso mais para a frente.
Como fazer show, don’t tell
Após ler alguns artigos, separei aqui certas dicas que podem ajudar a melhorar sua técnica de show, don’t tell. Vale lembrar que apenas treinando é que realmente dá para perceber seu efeito e nada é uma verdade absoluta, ok?
Pensamentos e emoções
É bastante comum encontrarmos por aí trechos como "Fulano amava Sicrano" ou "Beltrano pensou que chegaria atrasado" , no entanto, essas afirmações funcionam como atalhos na escrita, definindo de cara o que acontece e tudo o que vem depois perde a força - e é algo ainda mais crítico se considerarmos o POV do personagem.
Se estamos dentro de sua cabeça e suas emoções, não tem porque falarmos como se estivéssemos vendo de longe. A primeira coisa que alguém faz não é pensar "Eu amo fulano" quando vê a pessoa amada - ela sente esse amor. Seu corpo todo fala: olhos, coração, boca, etc. Faz mais sentido descrever essas reações ao invés de apenas dizê-las. Da mesma maneira, se um personagem tem devaneios, é mais interessante mostrá-lo devaneando do que apenas escrever "Ele imaginou o que teria acontecido".
Chuck Palahniuk, autor de Clube da Luta, descreve esses atalhos como verbos de pensamento - verbos como ser, estar, amar, odiar, imaginar, pensar e muitos outros que resumem os detalhes que dão vida à história. E o autor propõe um exercício: em seis meses, selecionar todos esses verbos na sua escrita e "desempacotá-los", ou seja, substituí-los por detalhes sensoriais que aprofundam a experiência do leitor. Nas palavras do próprio:
O pensamento é abstrato. Saber e acreditar são intangíveis. Sua história sempre será mais forte se você apenas mostrar as ações físicas e os detalhes de seus personagens e permitir que seu leitor pense e saiba. E ame e odeie.
Descrições e 5 sentidos
Outro ponto importante são as descrições de personagem e ambiente. Um senso bastante comum é que ler um parágrafo com toda a descrição física do personagem como se fosse uma ficha técnica é bem menos interessante do que ver suas características entremeadas na escrita. Por exemplo, se uma personagem tem o cabelo crespo, ao invés de dizer "Ela tinha os cabelos crespos", pode-se usar cenas e situações em que ela mesma ou alguém passa a mão sobre seu cabelo e sente sua textura.
Descrições de ambiente também não ficam atrás. Nós não apenas vemos um lugar quando chegamos - nós o reparamos. Sentimos cheiros, observamos suas cores, sentimos texturas, escutamos sons e tudo isso nos leva a analisar aquele local, sem mencionar que, dependendo do que for, memórias nos são evocadas.
Com personagens não é diferente. Se eu tiver alguém que passou a infância inteira em uma fazenda, naturalmente essa pessoa vai se lembrar de algo ao ver uma vaca ou ao sentir o cheiro da grama ou ao escutar um galo cantando. Uma boa jogada é usar comparativos nas descrições - mas cuidado! Algumas comparações podem soar ofensivas, como comparar cor de pele a comida, por exemplo.
Diálogos e ações
Se existe uma forma prática e natural de mostrar ao invés de contar, essa forma são os diálogos e as ações dos personagens - e mesmo eles podem ser ainda mais aprofundados.
Um exemplo:
— Chega! — Melissa exclamou. — Eu não aguento mais!
— Chega! — Melissa bate a porta. — Eu não aguento mais!
Perceberam a diferença?
No primeiro caso, eu repito uma informação (ela exclama e eu digo que ela exclamou); no segundo, eu demonstrou a emoção que ela está sentindo não apenas na exclamação como também em suas ações.
Diálogos também são uma boa ferramenta para passar aos leitores informações importantes na história. Todavia, é preciso ter atenção. Falas em que um personagem repete o que outro já sabia ou explica algo nos mínimos detalhes apenas para que o leitor tenha conhecimento soam como infodumps (exposição demasiada de informação) e tornam a cena tediosa.
Quando usar show e quando usar tell
Depois de tudo isso, você deve se perguntar Então eu devo sempre mostrar e nunca contar?
Não. Não é assim que funciona.
Existem momentos certos de contar e mostrar. Uma história forte mais mostra do que conta, contudo, não quer dizer que o autor nunca vá contar - até porque, ler descrições detalhadas no livro inteiro, sem interrupção, faz a escrita ficar morosa. E esse é um erro comum em alguns autores que tentam masterizar a técnica.
K. M. Weiland resume em 6 pontos quando contar e quando mostrar. Segundo ela, devem ser mostradas cenas que movem a história, cenas fascinantes para o autor (se é para o autor, é para o leitor) e cenas emocionantes para o personagem. Já se deve contar cenas repetitivas, cenas entediantes e cenas que servem de conexão entre outras.
Em resumo, tudo que é importante à história deve ser mostrado e tudo que não for, contado.
É claro que esses pontos irão depender da história em si e do seu discernimento; haverá momentos aparentemente "chatos" que talvez sejam melhor serem mostrados enquanto momentos super emocionantes que precisarão ser resumidos para evitar excessos.
No fundo, a melhor maneira de se ver o show, don't tell é escrevendo e sentindo na pele o que ela quer dizer ou, como diz Weiland:
Aprender a se tornar um grande escritor é, em grande parte, uma questão de aprender como mostrar e contar apropriadamente. Se você pode dominar a arte de mostrar, em vez de contar cenas importantes, você já está a meio caminho da grandeza!
Aproveito e deixo aqui esse e esse post com dicas da Weiland sobre como usar e melhorar essa técnica.
Até mais!
Referências:
Nuts and Bolts: “Thought” Verbs
Showing and Telling: The Quick and Easy Way to Tell the Difference
Most Common Writing Mistakes: Are Your Verbs Showing or Telling?
Use All 5 Senses to Bring Your Setting to Life
Three Places Where You Should Tell Instead of Show
Most Common Writing Mistakes, Pt. 33: Telling Important Scenes, Instead of Showing