Talvez, só talvez, todas as medidas desesperadoras que tomamos ao longo da nossa vida não passam de uma necessidade desesperada de ser amado. Talvez, só talvez, falte um pouco mais de amor próprio. De se olhar e se amar. De ver seu reflexo e sorrir.
Talvez, só talvez, se eu me amasse tanto quanto gostaria que outros me amassem, eu não sentiria esse vazio nesse quarto escuro e solitário. Talvez, só talvez, se eu me amasse, não precisaria criar cenas e deixar fluir minha imaginação para preencher o vazio que eu nunca preenchi com amor próprio. Talvez, só talvez, eu não deveria colocar o outro na função de me fazer feliz. Talvez, só talvez, eu devesse correr em uma estrada longa e vazia, só por mim, só pra sentir algo mais. Talvez, só talvez, eu devesse dançar na chuva e sorrir como se não houvesse amanhã. Talvez, só talvez, eu devesse colocar a música mais contagiante que eu conheço e pular sem parar. Talvez, só talvez, eu devesse ir em um parque de diversões e conhecer os brinquedos mais divertidos e só sentir a adrenalina entrando. Talvez eu já tenha feito todas essas coisas e nenhuma delas tenha resultado algo bom em mim. Então, talvez, só talvez... eu devesse subir no lugar mais alto que eu conheço, com a vista mais linda e apenas me jogar e morrer com a sensação de que, talvez, só talvez eu possa voar.
Talvez você devesse tentar. Talvez você devesse fazer pelo menos cinco coisas que te façam sentir vivo e se pelo menos uma delas te fizer sorrir, não desista da vida como eu desisti. Isso não é um talvez. Isso é uma certeza e eu sei que você consegue.
- Talvez, nada além de talvez.
Gracielle Barbosa, Distanci4-da.















