DOSSIÊ DE SEGURANÇA — OPERAÇÃO ALTHARA
DEPARTAMENTO DE INTELIGÊNCIA E SEGURANÇA DO
PALÁCIO DE TREATAN
CLASSIFICAÇÃO: CONFIDENCIAL
ARQUIVO 171 | D. Alcaraz
Nome: Diwa Morales y Alcaraz
Origem: Filipinas, atualmente posicionada na Rússia
Posição: Assistente pessoal do duque de São Petersburgo
Idade: 24 anos
Status: Observação passiva – Prioridade Média
✦ Perfil Psicológico
Indivíduo com tendências caóticas, imprevisíveis e propensa a tomar decisões impulsivas com consequências de longo alcance. Inteligência subestimada por superiores, mas com demonstrações frequentes de manipulação social para resolver (ou criar) problemas. Foi percebida predisposição a subestimar a própria capacidade e reagir com humor, desorganização e charme a pressões externas.
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✦ Poder Registrado
Manipulação do tempo ou reversão temporal limitada — Capacidade de retroceder o tempo em até 5 segundos. Uso instintivo, muitas vezes inconsciente.
Solicitada investigação ao Magisterium sobre a natureza exata dessas manifestações.
✦ Risco Diplomático
Médio. Poder de curto alcance, mas com alto potencial para criar confusões operacionais, especialmente durante missões sensíveis. Capacidade de alterar resultados críticos de interações políticas sem deixar rastros.
Potencial para uso tático em situações não convencionais.
✦ Relações Estratégicas
– Nenhuma aliança sólida confirmada.
– Capacidade de se infiltrar em múltiplos núcleos sociais com facilidade.
✦ Observações Adicionais
Funcionária subalterna da Coroa da Rússia sem formação militar ou experiência prévia em assuntos diplomáticos. Ascensão ao cargo atribuída a favorecimentos políticos.
Suspeita de uso não autorizado de poder dentro do Palácio Real. Sob investigação.
✦ Avaliação
Perfil inicial considerado inofensivo. No entanto, padrões comportamentais anômalos e coincidências em eventos críticos levantaram suspeitas. Manter vigilância indireta.
T.N.S.
Chefe de segurança do palácio de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – A REPRODUÇÃO OU VAZAMENTO DESTE ARQUIVO IMPLICARÁ EM EXECUÇÃO SUMÁRIA POR CRIMES CONTRA A SEGURANÇA MUNDIAL.
Já era esperado que DIWA MORALES Y ALCARAZ viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ela é a ASSISTENTE PESSOAL DO DUQUE DE SÃO PETESBURGO vinda da RÚSSIA. Não que seja elegante perguntar, mas sei que ela já conta com seus VINTE E QUATRO ANOS, e não esconde a fama de DESORGANIZADA, mas é sabido que seu lado ESPONTÂNEO compensa. Se não tivesse sangue azul, eu diria que é uma descendente direta de MARIS RACAL, porque não poderiam ser mais idênticas!
Diwa nunca compreendeu a obsessão geral por ser alguma coisa.
Enquanto todos ao seu redor se ocupavam de rotular absolutamente tudo — do sangue às vaidades mais insignificantes —, a Morales estava feliz em ser apenas ela mesma. “Quanto mais simples, melhor”, costumava dizer, como se a máxima resumisse sua própria existência. Bom… Tanto quanto seu status permitia.
Com sangue azul correndo em suas veias, manter tal filosofia de vida era um desafio constante — um que recusava perder. Afinal, que outra opção havia? Nascida entre a nobreza, onde jogos de poder eram o passatempo favorito da aristocracia, dificilmente sobreviveria se utilizasse das mesmas artimanhas. Como diziam mesmo? Ah, sim… Faltava-lhe intelecto.
Por sorte, não era do tipo que perdia tempo com intrigas bobas. Alérgica à complexidade, ignorava tudo com uma leviandade quase ingênua — para o total desespero de seus pais. “Você precisa crescer”, dizia seu pai. “O mundo não é livre como pensa”, complementava sua mãe, como quem admite um erro. E, de certa forma, realmente o fazia. Criar Diwa como se não houvesse obrigações a cumprir e expectativas a exceder foi um lapso imperdoável — uma falha que já não podia ser corrigida. Pelo menos, não por meios convencionais.
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A bolha em que a Morales vivia foi estourada em pleno domingo, enquanto o sol brilhava alto no céu e os pássaros cantavam no jardim.
Trabalhar.
Isso mesmo. Diwa deveria se apresentar ao palácio no dia seguinte, a fim de assumir sua nova posição: assistente pessoal do príncipe. O informe era tão absurdo que soava como uma piada mal contada — afinal, ninguém em sã consciência a contrataria para qualquer coisa, quiçá para um cargo de tamanha responsabilidade. Seus “tios” a amavam, sabia, mas para tudo havia limite… Ou assim pensava, até ver todos os seus afazeres listados pela assistente real chefe.
Por meses, cogitou estar presa em um sonho muito longo. Um coma, talvez. Ou um eterno pesadelo! Não sabia que tipo de favor os monarcas russos deviam aos seus pais, mas tinha certeza de que era algo de extrema importância. Só isso explicaria o fato ter sido encarregada da agenda do príncipe, de acompanhá-lo a todos os compromissos, garantir que não manchasse a imagem da coroa e ainda repassar toda ação suspeita para seus superiores. Como se não bastasse, Diwa também foi matriculada no curso de política e economia da Universidade de Moscow. O como, preferia não saber.
Desde então, diversas teorias da conspiração assombram sua mente: estariam seus pais tentando matá-la ou o príncipe sendo castigado? Ambos? Alguma das opções havia de ser verdade, pois o caos gerado por sua mera presença não tinha precedentes.
CASA MORALES Y ALCARAZ
Encabeçada por Don Simón Morales y Alcaraz, a família tem raízes profundas na nobreza filipina e castellana. Descendente de uma longa linhagem de conselheiros reais e cronistas, Simón foi enviado ainda jovem à Rússia, onde ingressou na Universidade de Moscow. Foi lá que conheceu o então herdeiro da coroa russa e, provando a astúcia diplomática entranhada em seu DNA, não tardou a criar laços com o príncipe Alexander. A amizade, notória entre as cortes, perdurou ao longo dos anos — sobrevivendo, inclusive, às posições de destaque que eventualmente assumiram.
Hoje, a família vive entre a Rússia e as Filipinas, servindo como ponte diplomática entre os dois países, reforçando as alianças que, embora contem com um toque pessoal, são inerentemente estratégicas.
MEMBROS
Don Simón Morales y Alcaraz (pai, 62)
Dona Esperanza Ramos Morales y Alcaraz (mãe, 51)
Diwa Morales y Alcaraz (filha, 25)
HABILIDADE MÁGICA
MANIPULAÇÃO DO TEMPO. Não fosse pelos desmaios constantes e os meses sob observação do Magisterium, os sinais de sua habilidade poderiam muito bem ter passado despercebidos. De manifestação sutil, Diwa é capaz de voltar 5 segundos no tempo. O dom deixa um rastro quase imperceptível em seus alvos, como um déjà vu fácil de ignorar, desde que você não saiba o que procurar.
Para Diwa, o poder é um reflexo: instintivo e quase inconsciente. Inúmeras foram as situações em que recuou brevemente no tempo por ter sido surpreendida, sentir-se desconfortável ou sobrecarregada por algum afazer. Era justamente essa falta de controle a causa dos seus episódios inexplicáveis de fortes enxaquecas e desmaios.
E se você acha que com o controle veio também a responsabilidade… Ha! Com o passar do tempo, Diwa refinou a habilidade para ser usada a seu favor. Escapar de gafes, driblar ordens, ganhar competições (mesmo aquelas que só existiam em sua cabeça)... O que você nomear, a Morales provavelmente já fez. Noção que seria alarmante, caso pertencesse a alguém mais astuto, certo?
LIMITAÇÕES E COLATERAIS
Consegue utilizar a habilidade em duas pessoas simultaneamente e até oito vezes ao dia sem sofrer consequências — o que pode parecer muito, mas para Diwa nunca é o suficiente. O limite quando ultrapassado pode causar confusão, déjà-vus incontroláveis e até desmaio;
Lembra de tudo que foi resetado, porém, quanto mais vezes volta em uma única situação, mais distorcida a lembrança se torna;
Ainda não consegue controlar a dobra no tempo em situações extremas. Em caso de perigo, seu poder ainda ativa involuntariamente, podendo gerar mal entendidos e desconfiança.
Apesar de muito treino, não consegue mais, nem menos, que 5 segundos no tempo. Não há escolha ou controle sobre isso… Bom, por enquanto.