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@doardor
sou eu mesmo quem puxa o gatilho e atira.
“Aquilo que não está destinado a ser seu vai te decepcionar até que você se canse.”
eu não quero ter que viver o amanhã. ser paciente, não surtar, gastar energia para me controlar. me explicar. pedir desculpas. é, eu realmente não tenho gostado de como tenho vivido.
me leva pra onde os dias não pesam
it’s not me, it’s my disorder. i swear.
21/02/2021: Quando você voltar para isso, tenha a certeza de ter superado. Por favor.
eu preciso escrever sobre o que me dói. eu não aguento mais tentar ignorar isso. não consigo, sempre tem alguém que me lembra você. e me lembra da dor.
eu nunca imaginei que seria tão difícil perder você. na verdade, nunca pensei que te perderia. você sempre foi a imagem de mulher forte e incrível - inabalável. e talvez por isso, e por outras coisas que não sei, eu tenha ficado tão cega para os seus problemas. muita coisa não importa agora, depois que você se foi. eu deveria ter feito mais. eu deveria ter procurado entender. até hoje eu não entendo e isso é uma bagunça na minha cabeça. saber que você sofreu tanto, tanto, tanto, e nunca entender o quanto. o tempo passa e não explica nada. são sempre as mesmas questões. a música que você deixou. a ligação. as lágrimas. as palavras que eu não sei se um dia esquecerei. você estava irreconhecível lá. doeu muito essa despedida. eu, que sempre tive facilidade em esquecer das coisas, não sei se posso esquecer isso. me desfazer. não de você, nunca de você. mas da dor de lembrar como foi. eu não quero isso. me desculpe, eu não consigo olhar pra elas porque elas me lembram você. sei que não é justo. eu estou sendo egoísta em querer seguir sem isso? possivelmente, mas acho que você entenderia, mais do que qualquer outra pessoa. a gente faz qualquer coisa para não sentir dor. não queria que tivesse sido assim. queria poder saber se fizemos tudo que podíamos. todos sentem a sua falta, mas ninguém fala de você. todos estão hiperconscientes de que você não está mais aqui, mas mesmo assim ninguém consegue dizer nada sobre isso. é triste. trágico. todos sofrem, e todos sabem que todos sofrem, mas ninguém fala que está sofrendo. não sei se você gostaria de ser deixada de fora desse jeito. não sei se estamos agindo de acordo com o que você esperaria de nós. não sei se você se orgulha do que estamos fazendo. não sei o que será de nós sem você. não sei o que aconteceu com você. não sei como você se sentia. eu só sei que desde o dia em que perdi você eu já não sei mais como agir, o que sentir. eu tive medo por um tempo. muito medo. e, para ser bem sincera, eu ainda estou com medo. não quero passar por isso nunca mais e, principalmente, não quero passar pelo que você passou. posso não saber o que foi exatamente, mas doeu mais do que você pôde suportar então certamente eu não suportaria também. tenho medo. sinto saudades. sinto vergonha. queria pedir desculpas por ser como sou e por não ter te dado muito espaço. eu sinto muito. não menti quando disse que te amava. amo e admiro. nunca mais vou conseguir ouvir tim bernardes sem pensar em você. e desde que você se foi não ouvi ‘’Ela’’. talvez eu escute um dia, mas agora não consigo. estou sofrendo e não posso demonstrar, não sei o que fazer com isso, então decidi escrever. como é aí onde você está? sei que acreditávamos em coisas diferentes, mas como eu não entendo bem suas crenças, prefiro pensar que onde quer que esteja, já não sofre mais. se eu pudesse, garantiria que você nunca mais sofresse. você nunca mereceu o que recebeu. você não teve culpa. você não era fraca. você não precisava ter vergonha. você, suas qualidades… você era incrível e as pessoas ao seu redor não te mereciam. eu não te merecia. não importa o quê, você precisava de ajuda, nada mais. eu nem quero ter filho, mas às vezes me pego pensando que meus filhos não vão conhecer você. surreal, né? não dá pra ignorar isso, certo? sempre vão cutucar a ferida, todos os anos, não dá pra fugir disso. então o que eu faço? me sinto patética me escondendo no banheiro. não quero eles saibam que eu escrevi esse texto. quero que você se orgulhe de mim. quero mostrar que consigo fazer o que você me disse para fazer um dia. quero mostrar que posso fazer as coisas do meu jeito e ser feliz assim. não sei como as coisas serão daqui pra frente, mas eu espero sinceramente que melhore. ou que eu aprenda a fingir melhor. que eu tenha mais coragem. que doa menos em mim, mas principalmente nos outros. que você volte. que eu possa viver sem pisar em ovos com medo de magoar alguém por lembrar demais você. que tudo acabe bem e que nos encontremos um dia. eu te amo, você sabe. você sabe.
Não superei, e ficou tão pior. Perdi tudo.
eu estou bastante insatisfeita com a vida que levo.
essa sensação me persegue. de que há algo errado comigo.
Eu queria ser mais
Não pelos outros
Mas por mim.
será que eu consigo?
os dias estão tão difíceis de suportar.
sofrimento não deve ser medido pela altura do grito.
toda semana, eu sento de frente para a psicóloga e tento colocar em palavras… alguma coisa, qualquer coisa para não ficar aquele silêncio incômodo. às vezes, durante a semana, eu não sinto nada. absolutamente nada. aí eu digo a ela que desliguei minha humanidade tal qual o Stefan.
outras vezes, eu passo as madrugadas chorando. sinto tudo, sinto tanto, sinto muito. como explicar a ela que um caminhão me atropelou todos os dias, várias vezes ao dia, durante MESES? e que doía, mas que durante todo esse tempo eu sempre levantei e continuei caminhando? como dizer a ela que, um dia, o caminhão me pegou de jeito! doeu pra caralho, perdi o ar e o chão. como explicar que depois desse dia, nunca mais um caminhão me atropelou, e agora estou tendo que lidar com todos os machucados que tenho após tantos atropelamentos. como dizer a ela que não quero mais continuar caminhando?
Quem eu sou, agora que não te tenho mais? Quem eu sou, depois de te assistir morrer?
eu sou um lugar muito difícil de morar
você parece não precisar de nada, nada exceto um lugar, um espaço para ficar quieto
Hoje acordei mais triste do que ontem e mais feliz do que amanhã. A vida tem sido uma eterna decadência, pode ser que daqui uns meses eu já não suporte mais todo esse caos.
– Em caso de emergência, puxe o gatilho.