Tem dias em que a dor se torna tão familiar
que você já não tenta expulsá-la,
só abre espaço para que ela sente ao seu lado
como alguém que chegou sem ser convidado
mas conhece a casa inteira.
tem dias em que existir parece pesado demais.
como se o mundo continuasse girando com pressa
vendo tudo acontecer do lado de fora,
sem saber como voltar a sentir parte de alguma coisa.
e o mais estranho é que ninguém percebe.
ninguém vê o esforço absurdo que existe
porque às vezes continuar
mas talvez exista algo bonito nisso também.
porque mesmo nos dias em que você pensa em desistir,
mesmo quando tudo dentro de você parece em ruínas,
alguma parte ainda permanece acesa.
pequena. fraca. quase apagando.
e talvez seja ela que te mantém aqui.
talvez seja ela que sussurra
tempo para recomeçar sem saber como.
tempo para se reconstruir aos poucos.
tempo para respirar fundo depois do caos.
tempo para encontrar sentido
mesmo depois de ter perdido todos eles.
nem toda cura chega fazendo barulho.
às vezes ela vem devagar,
disfarçada de mais um amanhecer que você quase não queria ver
e isso também significa alguma coisa.
porque enquanto você estiver aqui,
enquanto seu coração ainda insistir mesmo cansado,
a história ainda não acabou.
ainda não é tarde demais.