Alma de Lobo - Solus Taciturnus.
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@doodlestoyou
Alma de Lobo - Solus Taciturnus.
deixei as lágrimas caírem após tanto ter tentado segurar. elas pesaram até se desprenderem dos meus olhos por culpa do quão sobrecarregado eu estava pela dor. viver de luto pesa tudo em mim.
— deixaram
@motoshima //Instagram @_motoshima
a gente tenta ser ponto de equilíbrio mas carrega tanto peso que parece âncora
estou definhando entre os lençóis. sem quem me assista, sem esperanças de ser ajudado por alguém. apenas eu e meus espinhos internos de uma velha dor que está me mutilando há tempos.
— colapsointerno
te amei como se fuma um cigarro,
eu sei,
meio paradoxal.
inspirei com toda a força sem saber da crise de tosse que me abateria em seguida.
e te amei com toda força sem saber da dor que você me causaria momentos depois.
olhando agora, não é tão contraditório assim.
prendi o fôlego e tudo pareceu desacelerar, como se o mundo fosse pequeno ou grande demais. era tudo ou nada, e naquele momento eu era apenas fumaça, preenchendo o ar.
prendi o fôlego e acreditei que poderia viver assim desde que nosso amor perdurasse. ao seu lado tudo parecia possível, e desafiar as leias naturais era quase insignificante perto da grandiosidade de te ter.
expirei e engasguei. a tosse veio imediatamente e pensei que nunca mais fosse parar.
te amei e te perdi. mesmo você não estando mais aqui, ainda questiono certas leis naturais. como o fato de eu ainda ter um grande amor por você mesmo que nós dois tenhamos deixado de existir.
te amei como se fuma um cigarro,
mas não sei tragar,
porém, ainda te trago no peito.
eu sei,
paradoxal.
eu tô vivendo um ciclo de autossabotagem tão grande, que começo a pensar que não existe ninguém no mundo que consiga me destruir mais do que eu mesma
O medo me paralisa. Isso soa tão repetitivo, como se nada fosse tão importante quanto o medo que sinto de mim, quando só ele me consome e devora minhas entranhas. Não adianta fazer nada para libertar-me dessa sensação de não ser nada além de carne e osso; sem sonhos, sem objetivos. Só isso. E eu queria ser muito mais, mas sinto-me travada e mais uma vez não sei o que fazer. Sou um disco arranhado. Daqueles esquecidos no fundo de uma estante, todo empoeirado e que ninguém tem interesse em tirar-lhe a poeira. Sem importância. Essa sensação de insuficiência me acompanha há muito tempo, como se não fosse suficiente para nada e perco-me nas minhas paranóias. Sinto meu coração acelerado constantemente; respirar calmamente e contar até dez em pensamento não tem surtido efeito. As palavras giram e giram na minha cabeça. Apenas um desabafo, Nessa Cross.
somos feitos de nós:
na garganta; no peito; no estômago; nos olhares cruzados.
evy
As pessoas que mais amamos são as que mais nos magoam, pois não esperamos que nos machuque e esquecemos que elas são humanas. Fato. Mas não podemos esquecer de saber diferenciar o que pode ser relevado ou não. Tudo tem limite. Se te fez mal, fala, chama pra conversar e não deixa para depois. Não deixa que se sintam no direito de te ferir só pelo fato de você as amá-las. Diálogo é sempre bom.
Nessa Cross
eu sou o meu maior amor. aquele que resiste ao final de cada ano, estando cada vez mais sábio de si e do que quer. e ele me quer muito, tanto e sempre, mais agora que nunca. eu sou o meu maior amor. aquele que enfrenta os dramas e as crises, as noites de profunda incerteza sobre a vida, assim como assiste às emoções mais felizes tomando conta de mim. que me observa cair nos mesmos erros e pedir perdão pela humanidade que me toma. que me encoraja a seguir em frente mesmo quando as circunstâncias do destino parecem me atar à tristeza ou a um estado de inércia. é o amor-próprio que segue guiando as minhas decisões e regendo os meus objetivos que são me fazer feliz e completo em mim mesmo. é o amor-próprio razão e sobretudo motivo para que eu crie espaços de conforto e paz pra mim e para aqueles que amo e quero por perto. eu sou o meu maior amor. aquele que vem antes mesmo dos meus traumas e de todas as vezes que penso em desistir de mim, dos outros, de tudo. aquele que me vê acordando e opta por me sustentar, acolher, abraçar: é o meu próprio amor que me faz enfrentar a dor, a mágoa, o abandono e o desamor. é ele quem me assiste tentar ser melhor no dia a dia - e me ampara na busca. sem ele não posso nada, não sei nada e não ouso querer nada. é o amor-próprio quem me diz: “não fique aqui. saia daí. corra para cá. volte para os meus braços. sinto genuinamente a tua falta”. é o amor-próprio quem me possibilita exercer dignidade e afeto sobre meu próprio corpo, espírito e a tudo aquilo que me forma. hoje e amanhã, depois de amanhã e ano que vem: eu sou o meu maior, mais trabalhoso e bonito amor.