Às vezes, você vai sair de casa sem pretensão e voltar com o coração cheio de afeto. Você vai encontrar algumas raras pessoas nessa caminhada que fazem o caminho valer cada passo, cada tropeço, cada desvio. Esteja atenta. Não passe despercebida.
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Às vezes, você vai sair de casa sem pretensão e voltar com o coração cheio de afeto. Você vai encontrar algumas raras pessoas nessa caminhada que fazem o caminho valer cada passo, cada tropeço, cada desvio. Esteja atenta. Não passe despercebida.
“Don’t judge yourself by what others did to you.”
— C. Kennedy
eu escrevo nervosa, eu sei. não dá pra bater os olhos com calma e dizer bonito: eu só faço sentido pra quem tá desesperado
não é nem triste nem certo
eu só queria durar mais que a vida, entende? não morrer quando o corpo sim
você acha que ainda vai sobrar algo de mim quando eu for?
Viver é muita coisa.
Casar num dia chuvoso nunca foi um sonho, claro, mas me parece tão significativo. Parece que a Suyan que eu fui, que sempre amou dias nublados e chuvosos está aqui presente comigo, partilhando uma das coisas que ela mais gostava na vida.
Em dias chuvosos a vida pede mais atenção, mais cuidado, mais zelo, mais presença. A gente tenta não se molhar, tenta ser mais atento, tenta fazer com que as coisas não deem errado. A gente tenta não estragar o dia.
Estou com vontade de assistir About time. Quero me reconectar com aquela sensação que o filme sempre me trouxe de que eu preciso desacelerar, viver um dia de cada vez estando por completa em cada um deles. É a forma como eu gostaria de viver esse casamento, a mesma forma que eu costumava viver os dias de chuva. Com admiração e leveza.
Casar na chuva significa para mim que não temos controle de absolutamente nada. Que os dias se desenrolarão como eles quiserem e o que nos basta é dançar na chuva ou ficarmos emburrados dentro de casa. Que a chuva coloca a expectativa e a valorização sobre o sol lá em cima. Que o cinza continua sendo uma das minhas cores preferidas e que eu continuo amando a paciência que esse tipo de dia requer. Casar na chuva significa para mim que a vida é uma aventura e que, no fundo, eu gosto disso, só tinha esquecido um pouco.
12.11.25
Toda escolha é a renúncia de uma outra coisa. Pena que eu tenho renunciado muito mais do que experienciado.
Numa noite comum você me ligou. Tomei um susto com aquele número na tela do meu celular, há quanto tempo eu não lia aquelas letras naquele contexto? Lembro de hesitar nos primeiros toques, mas logo em seguida agir de modo rápido e impulsivo.
- Oi?
- E aí! Como você está? Bom ouvir a sua voz.
- Ah... Estou bem e você? Aconteceu algo?
- Não! Te liguei pra saber se você não quer vir tomar um vinho, jogar conversa fora.
Tirei o celular da orelha rapidamente para olhar as horas. 19h00. Um convite inesperado, numa sexta-feira. Senti meu coração acelerar, senti que eu não deveria ir, senti que era um erro.
- Pode ser, claro. Só preciso me trocar.
- Tudo bem, eu vou passar no mercado pra comprar vinho e te busco. Vou te avisando.
- Tá bom.
Levantei do sofá ainda atordoada, ainda incerta, ainda reflexiva. Tinha anos que não bebiamos juntos, na verdade, tinha anos que não ficávamos juntos. Sozinhos. Fui me perdendo nas contas sobre os anos e me arrumando no meio tempo. 20 minutos depois eu estava dentro do seu carro, um belo carro. Me senti desconfortável com o quanto você estava próspero em sua vida. Observei a sua segurança ao dirigir, a forma como você demonstrava habilidade e confiança, observei os efeitos que te olhar me causava. Você puxou assunto sobre a minha vida, perguntou sobre amizades em comum que tínhamos, fui te atualizando acerca do quanto eu estava longe de todos e você riu, pois também se sentia assim. Tínhamos isso em comum. Tínhamos muito em comum.
A sua casa era uma gracinha. Tudo tão simples, organizado, claro e convidativo. Tudo tão a sua cara. Me senti a vontade no momento em que tirei a sandália para entrar.
- Com licença.
- Pode ficar a vontade.
Foi exatamente o que eu fiz. Fiquei a vontade, na sua casa, na sua presença. Você rapidamente me mostrou os cômodos, era um apartamento relativamente pequeno, integrado, muito bem dividido. Elogiei a sua decoração, a forma como você ornou os tons com muita elegância. Você sempre foi um homem elegante, eu lhe disse. Você sorriu para mim. Um sorriso verdadeiro. Eu lhe sorri de volta.
- Quer ajuda?
Você disse que não, que eu poderia sentar na mesa que já já você se juntaria a mim. Concordei e te obedeci. Fui para a mesa e você foi trazendo os petiscos, as taças, o vinho, a sua presença. Sentamos de frente para o outro e começamos uma das conversas mais bem humoradas, divertidas, íntimas e gostosas da minha vida. Estar na sua presença sempre foi tão simples.
- É claro que era bom estar contigo, nunca brigávamos, você lembra?
- Lembro sim. Era bem legal, né?
Nesse momento, bebemos um longo gole daquele vinho que não lembro o nome e que você jurou que eu iria amar. Você tinha razão, ele era perfeito, suave na medida certa, envolvente. Lembro de fechar os olhos para degustar a forma como o álcool me abraçava por dentro e fazia o meu corpo afrouxar, me tornando a cada gole um pouco mais leve, um pouco mais solta. Imagino que você tenha ficado me observando nesse instante, pois senti os seus pés tocando carinhosamente os meus por debaixo da mesa. A textura da meia que você usava me causou um arrepio bom, retribui a carícia e quando abri os olhos você estava me encarando com aquele sorriso aberto.
- Não faz assim.
- Assim como?
- Fingir que as coisas ainda são simples.
- Elas são.
Sua mão repousou sob a minha enquanto eu acariciava a haste da taça. Te olhei mais uma vez antes de abaixar o olhar com timidez quando você encarou meus lábios sem nenhum pudor. Meu coração estava descompassado, talvez pelo tanto de vinho que já tínhamos bebido naquela altura, talvez pela certeza que tive naquele momento: eu ainda te queria. Eu ainda queria experimentar ir além de onde fomos quando estávamos juntos. Eu ainda queria sentir o calor da sua pele e a textura do seu corpo inteiro. Eu ainda queria que você me tocasse e me mostrasse como você gostava de fazer as coisas. Eu ainda queria descobrir como era te ter dentro de mim. Eu ainda queria matar toda a minha curiosidade sobre você.
- No que você está pensando?
- Você nunca imaginaria.
Abri o maior sorriso dentro daquele último mês. Eu sei que meu rosto me entregou. Apesar de ser muito boa em fingir, eu não queria fazer isso contigo. Queria que você tivesse total acesso a mim e usufruisse disso. Parece que você leu esse meu pensamento, pois no segundo seguinte você sentou ao meu lado e apoiou a sua mão na minha coxa, num gesto meio sexy, meio pedindo permissão, meio encorajando, meio tranquilizando. Senti todos os meus músculos acenderem, lembro de respirar profundamente e tomar mais um gole de vinho enquanto você me olhava pacientemente.
Balancei a cabeça em uma leve concordância e você me tomou para si com urgência. A urgência de quade dez anos sem toque, sem interações verdadeira, sem sintonia, sem nós. Retribui com a mesma intensidade. E me agradeci internamente por ter atendido aquela ligação. Foi a melhor coisas que eu poderia ter feito daquela sexta.
se der vontade suma um pouco, não para que os outros sintam sua falta, mas para que você relembre quem você é.
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Hoje eu chorei por medo de não ser suficiente todo o corre. Por medo de não dar tempo. Por medo de ser só mais uma que sonha e não realiza. Hoje eu chorei por saber que nunca vai ser fácil.
"escuridão já vi pior"
De vez enquanto a solidão me abraça. Não dói mais, como antes, mas ainda é um toque frio.
Sinto falta da conquista. De ser cortejada e cortejar. De ser vista como algo a ser alcançado e não com o tédio do dia a dia, que no fundo, eu sei que é inescapável. Mas, que no fundo também, sei que pode ser burlado, se quisermos muito. Se desejarmos muito. Se nos esforçamos muito. Mas aí que tá, não acho que tenhamos tanta audácia assim. O conforto é gostoso, né? Não atoa passando a vida inteira buscando estar nesse local.
Mas, o que perdemos quando o conforto chega? Tenho a impressão de que é o arder no coração. O vibrar na pele. O ar se perdendo de empolgação.
Acho que perdemos muito.
a lâmina escorreu
lentamente
por um pulso esquerdo
exata, precisa, meio cega
havia tempo que aquele pulso
não sentia nada
foi como voltar a enxergar
você tem o direito de se sentir orgulho das suas próprias conquistas
O interesse precisar ser alimentado.
Dia após dia.
Como uma obra de um artista perfeccionista.
Como um desafio particular de reconquista.
Como um trabalho interno e somente seu.
Porque interesse gera admiração,
Admiração gera desejo,
Desejo gera tesão,
Tesão gera,
Você sabe.