𝐖𝐇𝐘 𝐈𝐒 𝐈𝐓 𝐒𝐎 𝐇𝐀𝐑𝐃 𝐓𝐎 𝐒𝐓𝐀𝐘 𝐀𝐋𝐈𝐕𝐄? 𝒕𝒉𝒆𝒐 𝒅𝒖𝒃𝒐𝒊𝒔 is adam and belle’s legacy .
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thirdhopps.
Como além da convivência na Academia, Cam e Theo também trabalhavam no mesmo lugar, ela reconheceu a voz do amigo quase que instantaneamente e abriu os olhos logo em seguida. “Obrigada meu Merlin, é apenas você!” Colocou a mão no peito e soltou um suspiro aliviado. “Mas que susto você me deu, em? Achei que daqui a dois minutos eu estaria indo dessa para uma melhor. Seria terrível para meu pai, quando ele fala para eu não andar sozinha no escuro desde meus cinco anos.” Riu com a lembrança do mais velho e ajeitou a bolsa de volta no ombro, enquanto o escutava. “Não, não! Hoje eu vou embora sozinha mesmo. Meu pai até falou para eu ligar para o meu irmão, mas eu não queria incomodar, afinal daqui a pouco começam as aulas da noite…” Se soubesse que Theodore também iria embora naquele horário, teria convidado para lhe acompanhar até a Academia. Mas também acabara ficando distraída com o pai no telefone para reparar em outra coisa, como a saída do colega. “Você vai voltar para a Academia também ou ia fazer outra coisa agora? Não costumo andar muito por aqui nessa hora, mas sei que tem alguns lugares abertos.”
“E desde os cinco anos a mocinha dele vem andando no escuro. Que rebelde. Deve ter uns cinquenta ataques cardíacos por dia com você.” brincou, conjurando expressão séria na última parte da sentença, logo dissolvendo-a em um sorriso afetuoso à colega. Não conhecia os Hopps ou o patriarca deles com tanta propriedade, Camryn o único elo veemente que tinha com a família. “Na verdade, estava indo para lá mesmo. Não por vontade de assistir alguma aula hoje, mas...” as sobrancelhas soergueram-se ligeiramente e o Dubois liberou um suspiro, pseudo exausto, enquanto lançava-a um olhar. “Não tenho nada melhor pra fazer, infelizmente. Minha moto está estacionada no final da rua, aliás. ‘Tava indo buscá-la. Posso te dar uma carona para a Academia se quiser, Cam. Você anda de moto, não anda?” preferiu se certificar, incerto se a família dela aprovaria. Descobriu ser uma coisa mães desaprovarem suas filhas e motocicletas em mesma conjuntura um dia desses, com sua ex-namorada.
calladinhovence.
┊ “― Eu nunca tive problema com ela, Dubois, porque quando eu não lembro do meu potencial, alguma bondosa garota lembra. Às vezes até sua irmã faz isso por mim.” Alfineta com um sorriso prepotente nos lábios, usando o nome de Angeline apenas para atingir o outro. Poderia ter feito mencionando Eleanor, mas ele prefere que seu interesse em Charming não fique tão evidente por enquanto. Precisa conseguir algumas coisas dela antes que o odeie. “― Urubus não me preocupam, e eu até me preocuparia com uma fera se ainda existisse alguma.” Dá de ombros, de repente desejando que Theodore vá pra cima dele. Imagina que sabor delicioso não teria ao beijar a face alheia com seu soco. Foda-se que seria advertido por aquilo. Só não acabaria com ele para não ser jogado no isolamento. Sua companhia inicial, a que mostrou o tal boato, se despede dele dizendo que precisa fazer algo, e Calle imagina que isso acontece só por causa do teor da conversa com aquele arthurian. Mas não se importa. Morde a maçã para demorar na resposta, talvez irritando o garoto. Uma, duas, três mordidas antes de finalmente engolir e dar atenção para ele. “― Prefere gastar com putas? Muito mais honrado. Talvez papai esteja com orgulho.”
"Minha irmã faz caridade? Uau. Só cuidaria com o lance da herpes se eu fosse ela, ouvi dizer que tá tendo um surto na Academia." a indireta havia sido calculada, claro, boatos eram boatos mas não exatamente fez questão de certificar com a fonte se o Lefou tinha ou deixava de ter. Veja bem, Théodore normalmente estava a léguas de ser alguém hostil, mas desejava com veemência desfazer-se do cinismo ocupando as feições do loiro ali. "Imaginei que não. Do bueiro que você saiu deve ter aos montes, mas não sou acostumado à sujeiras pra saber." fragmentou parte da distância entre os dois, o par de íris fixas nas alheias quando Theo aproximou-se e encarou o menor. Utilizava o mesmo jogo hostil do Castigo para nivelar o diálogo tão vil quanto, como se fizesse parte de sua rotina aquele tipo de interação; e fazia, na verdade. Não seria ele a dar o primeiro soco, nunca era. Embora agora ele fosse ciente de uma defesa capaz graças aos treinos com Yasemin, preferiu ele dar nos nervos do castigado, só porque adoraria vê-lo em situação delicada. Portanto, entre irritar-se com uma provocação chula no delongar alheio mordendo a maçã e esperar pela próxima tentativa de Calladium para irritá-lo, optou por aguardar, divertindo-se genuinamente com o esforço do castigado para tirá-lo do sério. "E o que você acha que é, Lefou?" uniu as sobrancelhas, em pseudo confusão, referindo-se às putas. "De toute façon¹. Poderia até preferir, mas não acho que seja da sua conta com o que gasto ou deixo de gastar." pressionou os lábios juntos em um pseudo sorriso, pequeno, entregando-lhe insolência quase táctil quando o fez. A menção de seu pai, porém, fê-lo tornar mais inflexível a expressão e trincou o maxilar, não abandonando a curva nos lábios. "Não tanto quanto o seu. Filho de fracassado... como é que se diz mesmo?" provocou, franzindo suave o cenho uma segunda vez em mera presunção.
“Oh papai, mas não se preocupe. Eu sei que o dia já está escurecendo, mas… Papai, escu… Ok papai.” Ouviu por mais algum tempo o Sr. Hopps discursar sobre o perigo de se andar sozinha a noite, enquanto continuava andando pela rua, ao mesmo tempo que falava no celular. “Eu sei de tudo isso, mas precisei ficar ajudando na biblioteca até mais tarde hoje. Haviam vários livros que foram catalogados errado… Sim, já estou voltando para a Academia. Isso… Tudo bem, vou ligar pro Alistair, uhum…” Não iria ligar para o irmão mais velho. Seria um pecado fazer com que ele lhe buscasse, quando poderia voltar à Academia sozinha sem problema algum. Mais alguns segundos e finalmente conseguiu desligar o celular. “Não sei porque papai se preocupa tanto. Estou bem e segu…” Ouviu um barulho e sentiu o corpo gelar. “NÃO SE MOVA! EU TENHO UMA BOLSA CHEIA DE LIVROS!” Fechou os olhos pelo medo, mas mesmo assim ameaçou bater em qualquer um que tentasse atacá-la. Oh papai, me desculpe por não te ouvir.
Se fosse enumerar quantas vezes havia sido encarregado de segurar a biblioteca no final do expediente, Theodore contaria nos dedos. Veja, a função de co-proprietário e dividi-la com sua irmã mais velha — e mais responsável —, isentava-o da tarefa de ser o último a sair do estabelecimento e trancar as portas, o que, claro, não havia sido o caso naquela noite, ou ele estaria bem longe dali. Devidamente fechado a biblioteca e, agora, encaminhado seus passos à motocicleta estacionada no final da rua, Theo acompanhava atrás de Camryn só porque iam na mesma direção, distraído no iWish suficiente para não notar um balde metálico de lixo no meio de seu caminho e esbarrar-se nele, ecoando som majorado pelo ambiente. “Putain.” carregou o sotaque e xingou, sob a respiração, e logo pôs-se em alerta com o pequeno aumentar de timbre da colega. “CALMA, SOU SÓ EU.” se asseguraria primeiro, mostrando as palmas das mãos antes de içar o objeto e devolvê-lo à posição inicial. “Imagine se não fosse só eu, hein?! Sr. Hopps ficaria doido da vida. Está tudo bem? Achei que estivesse esperando alguém para sair.”
starter for @chwrmings .
Desde a logística torpe do baile e a discussão no meio do hall da Academia com Eleanor, Theo vinha se sentido impróprio. Não à toa porque havia se certificado em repassar a memória todas as vezes que via Nellie, evocando as indelicadezas fúteis que a língua mensurava e distribuía imprudente à ela naquela noite. Não saberia nomear a sensação de tentasse, nunca havia usado metade da rispidez com alguém e era inata a ele a timidez ali, em razão a outra noite. Por isso, — e total pela falta de tato com a circunstância — o Dubois utilizou um dia e meio para resguardar-se e digerir a vergonha colossal da ex-namorada, auxiliado e convencido por conselhos preciosos do avô, para, e finalmente, dirigir-se ao dormitório número 105 atrás da Charming, unicamente para um pedido formal de desculpas. "Então," começou, os lábios pressionados um no outro em sorriso pequeno e as costas escoradas contra a madeira da porta quando a fechou atrás de si, a atenção presa à Nellie durante todo o intermédio. "a jararaca de Moors no subsolo, hein? Que doideira." o assunto divagava com sutileza de sua língua, ainda despreparado para entrar no mérito e conjurar a lembrança do acesso súbito de raiva à ela. Fazia a mínima ideia do que dizer, a bem da verdade.
abreaspens.
O de Melchior é melhor, ela pensou assim que sentiu o sabor do chá preencher sua boca, imaginando onde havia errado. Parecia tão simples quando era o irmão mais velho quem fazia, e ela simplesmente aguardava empoleirada sobre o balcão ou embaixo das cobertas. Ainda assim, a máxima do capitão jamais abandonar o navio deveria servir para aquilo também, e ela exibiu um sorriso após engolir o líquido, acreditando que um pouquinho de mel resolveria aquilo. Estava prestes à pingar o adoçante natural quando a presença de Dubois a surpreendeu, e ela esqueceu o mel de lado. ❛ Piegas demais dizer que estou melhor agora? ❜ A sugestão é divertida, acompanhada de um leve risinho ao que o observa apreciar o aroma, esse sim maravilhoso, do chá que havia preparado. ❛ Na verdade, ele é ótimo para isso. E tudo o mais que envolve relaxamento. ❜ Começou, já servindo uma nova xícara para que pudesse ofertar à ele.
Desprendeu um riso curtinho dos pulmões, nasalado, ao ouvi-la, os lábios comprimidos enquanto redirecionava o foco de sua atenção do chá ao rosto feminino consecutivamente. "Melhor porque me viu ou porque está experimentando seu chá?" a casualidade permeava o questiono jocoso a medida em que acompanhava a moção da ruiva servindo-lhe o chá, e ele distribuiu os dígitos da direita ao redor da xícara, apropriando-se da porcelana com uma mão e enterrando a outra no bolso da calça quando Aspen direcionou-a a ele. Encheu as narinas outra vez com o aroma fresco da planta, do próprio recipiente agora, e a assistiu enquanto explicava. "Devo precisar de mais umas três dessas, então. E de uma dica de como adoçar e beber porque é a primeira vez que bebo chá na minha vida. Meu avô adora café, imagine minha alienação pela cafeína." pediu, escaneando a mesinha atrás de algum indício de snack. "Quer dizer, comemos alguma coisa enquanto bebemos ou vai puro?"
onde e com quem: rua dos westergaard & @dubvis .
“ veio me ver, chère? ” o deboche é explícito nas palavras da escandinava, não se dando ao trabalho de remover os óculos escuros do rosto enquanto sai de do interior da residência dos westergaard. está com certa pressa para sair de casa, em vero, antes que o pai chegue para almoçar. não quer falar com hans e ter que lidar com as perguntas sobre o comportamento do irmão ( céus, quando ela havia se tornado a responsável daquele manicômio? ) ou se ela tinha planos em sair outra vez com vicent. inferno de vida. o temor não é exposto na expressão facial, sempre neutro demais, como um robô, e apenas um sorriso falso aparece. “ não diga que sentiu saudades… ” os lábios rosados unem-se num biquinho, cônscia que não era verdade. “ ainda atrás da namoradinha? engel, se ela souber das coisas que faz quando ela está praticando para aqueles recitais de ballet… sabe, ela é minha parente, uma irmã quase. eu deveria contar para ela das suas ligações bêbadas, non? ” força um sotaque francês, semelhante ao dele, e observa o dubois com malícia. não fosse a lealdade de detestar quem detesta seu irmão suficiente, a diversão é garantida quando se esforça para provocar theodore. portando toda a insolência que uma herdeira mimada pode ter, caminha até ele e encosta no conversível dele, sem importar-se com a possibilidade de ser pega por alguém. atenta, sabia a rotina do pai, irmão e cada charming que residia naquela casa; mas não poderia negar que a adrenalina de ter sua reputação manchada ajuda em muito para não recuar. rouba o cigarro da boca dele, com descaso, e dá uma forte tragada. narcóticos eram sua paixão, mas a nicotina chegava perto. devolve o cigarro e mantém uma distância segura entre os corpos. não por respeito, mas conveniência. abre a porta do carro dele e senta no banco de motorista, sorrindo dissimulada. “ mas já que estamos aqui, vamos para sua casa. temos um trabalho para fazer. e não se preocupe, não tenho intenção em beijar você no processo. perdi o interesse, lyserød. não se preocupe, sua donzela está no ballet. eu dirijo. se não entrar, vou fazer tudo sozinha e pegar seu carro. seria uma história legal para meus seguidores, pensa só: roubei o carro de um ator famoso e olha no que deu. saio no lucro de qualquer forma. ”
O cigarro suspenso por entre os lábios impregnava o mentolado do sabor em seu hálito enquanto ele aguardava, com a lombar apoiada contra a lateral da Mercedes e os braços cruzados rente o peitoral, pela ex-namorada defronte à mansão dos Westergaard. À contragosto, óbvio. Nellie havia comentado sobre a manhã de compromissos com o padrinho, Hans, e que o encontraria ali, próximo do horário cujo o relógio na tela de seu celular indicava agora. A verdade era que pouco simpatizava com os integrantes daquela família, e, se fosse ser mais honesto ainda, diria que desgostava cada um deles. Falhava em precisar o que os Charming apreciavam tanto no clã, embora também fizesse nenhum esforço para sequer tentar compreendê-los. Em vez de Eleanor encher seu campo de visão descendo os degraus da residência para encontrá-lo, o Dubois assistiu Katrine direcionar-se a ele, e foi automático o revirar de olhos, por detrás do óculos escuros, ao primeiro verbalizar dela e o outro após esse. Gostava do sotaque francês na língua dela, infelizmente. "Se se iludir mais um pouco, vim pedir sua mão em casamento ao seu pai e nos casamos daqui um mês." devolvia o deboche tão somente, reproduzindo o pseudo sorriso e observando a movimentação alheia. Evitava a presença de Katrine por inúmeras razões, uma delas a inconveniência quase irreal da Westergaard. Pensasse estar enganado sobre a loura, mesmo se por uma porção breve de segundos, lá ia ela certificando-se da veemência daquele seu porquê, tirando-o a paciência outra vez. "Sempre atrás da namoradinha, Westergaard. Quando ela está praticando para os recitais de ballet, estou pensando nela. O tempo inteiro. E se eu alguma vez liguei bêbado para você foi tentando falar com outra pessoa, fyi." ajustou o cigarro entre o polegar e indicador, tragando o fumo e, consecutivamente, liberando a fumaça pela boca antes de posicioná-lo no meio dos dois lábios novamente, os tornozelos cruzados enquanto enfiava as mãos nos bolsos. Soar desinteressado à presença dela havia acabado de se tornar sua tarefa do dia, embora soubesse que, com Katrine, suceder qualquer tentativa assim era quase impossível. E estava certo. O vinco delineado no cenho era inteiro em decorrência ao aproximar exagerado do conversível enquanto Théodore a observava, ainda inerte, assistindo o recolher do cigarro, a devolução dele, e o ocupar do assento de seu carro, um atrás do outro. Esperou dois, três segundos, só porque queria se certificar que aquela sucessão de gestos e o proferir feminino havia mesmo alcançado plano material e não fazia parte de sua imaginação. "Mon dieu... onde você aprendeu a ser tão intrometida?" a pergunta era retórica, claro, — podia imaginar de onde ela tinha herdado os jeitos, o irmão era igualzinho — a medida em que o Dubois, em um único movimento, descartava o cigarro pelo asfalto e orientava o corpo à Westergaard. "O carro não é automático, entende? Era do meu pai. Se souber dirigir com marcha, ótimo, se não, favor chegar para o banco carona e não encher a minha paciência porque acabei de levar um bolo e estou sensível."
starter for @dubvis !
“Shit, you scared me.” Comentou, sem repreensão, ao ver a figura de Theodore no fim do corredor da sessão de maldições. Estava em busca de uma cura ou de qualquer coisa que explicasse as consequências de sua habilidade, mas pouca coisa lhe era útil ali. Merlin alertou que não há estudos sobre isso, porém não desistiria. “Não se preocupe, não vim puxar sua orelha por ter faltado o treino ontem, mas devo dizer que minha visita aqui foi bem conveniente para dar uma explicação ao meu ego.” Brincou, mantendo um sorrisinho jocoso. Devolveu as obras recém coletadas, após averiguar que não havia nada sobre ofidioglossia, e aproximou-se dele, para ver livros na prateleira perto dele. Era a última da seção. “Não diga que está me evitando, hm? Sabe que sou bem insistente.” Implicou, sem fitá-lo, ainda checando as obras, uma por uma. “Ou será que é medo de um loirinho congelante? Ou de um loiro raivoso? Gosto de pensar que ganharia deles, pelas minhas aulas e o seu tamanho. Mas eu nunca disse isso, claro, Merlin me livre!”
“Perdón, achei que tivesse me visto. Tá perdida? Nossa seção de romance fica pra lá. Com várias obras de Taylor Jenkins Reid, aliás. E Anoitecer.” indicou, levemente curioso com a escolha de leitura da Hook, enquanto erguia um exemplar de A História das Maldições, volume V, à uma das prateleira de cima. Arriscaria dizer que Merlin havia sugerido alguma leitura para um pop-quiz e por isso a loira se aventurava naquela parte específica da biblioteca. Com certeza não julgaria Yasemin pelo tipo que se interessa e ocupa seu tempo por e lendo sobre maldições. “Por que, ando fazendo muito ciumes ao crush um e dois?” o liberar de um riso breve viera automático, olhando-a devagar antes de redirecionar sua atenção ao organizar dos exemplares pelas prateleiras, um a um, verificando a lombar com os títulos. “Jamais a evitaria, Hook. Embora a ideia de você insistindo por mim? Agréable¹. Chegaram várias remessas de livros novos, pro estoque. Precisei ficar até mais tarde para ajudar a Angie e Camryn a separá-los, pensei em mandar mensagem mas achei que estaria ocupada, não veria.”
Calle exibe leves escoriações nos nós dos dedos, algo que não quis resolver com poção, da mesma forma que fez com o inchaço dos lábios. No castigo, ferimentos adquiridos em briga eram motivo de orgulho, e por isso ele cuidou apenas daquele que interferia em sua aparência antes de se apresentar em público. “― O boato que eu aceito dinheiro pra bater nos outros é, na verdade, uma ideia muito boa. Mas nah, dessa vez foi de graça mesmo.” Comenta com a pessoa que lhe mostrou aquela fofoca, antes de dar uma mordida na maçã que havia subtraído do refeitório. “― Em quem você me pagaria pra bater?”
Se quiser um starter fechado com o Calle, comente um emoji aleatório ( máximo 4)
Por experiência própria, era um saco andar com ferimentos expostos. O mínimo que esbarrasse no machucado era um inferno, mais ainda se fosse na região da dos lábios e supercílios. As reclamações da produção de Anoitecer eram piores, entretanto. E a maquiagem para cobrir o estrago, claro. “Em dias com sua autoestima, campeão? Daqui a pouco os urubus vão estar te rodeando, achando que está a beira da morte com esses cortes abertos nessa cara de pau aí. Por Merlin, Lefou.” franziu o lábio, em uma careta dissimulada, enquanto observava o estrago na face alheia. “Ninguém. Eu mesmo daria o soco no meliante. Mas valeu o esforço, até. Foi bonitinho você achando que gastaria minha herança com você. Já disse que não vai rolar.”
chwrmings.
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊
Os segundos entre o fim de suas palavras e sua caminhada irritada foram longos e intensos o suficiente para que o arrependimento inevitável atingisse o peito. O que acha que está fazendo?, pensou, enquanto tentava lembrar dos bons momentos do ex-casal. Na infância e adolescência, ele sempre foi o dono de seu afeto inteiro e, mesmo quando estava magoada pelo término, continuou lhe entregando toda sua dedicação e devoção. Eles não eram assim, ela não era assim. Pelo contrário. Estava pronta para se desculpar, algo que não fazia com outras pessoas, mas a resposta dele foi certeira. Se não estivesse tão inebriada pela adrenalina, teria marejado os olhos pelo tom ríspido e incomum do ex. Se ela não falava assim com ele, então Theodore jamais agia daquela forma. Ele era dócil e gentil com qualquer pessoa, mas até mesmo a Charming precisaria admitir que recebia um tratamento único, completamente exclusivo. Escutar tanta aspereza causou efeito reverso em seu cérebro; no lugar de chorar, sentiu raiva excessiva. “Uau.” Foi o que conseguiu dizer, soltando um risinho nasal. Em outra circunstância, qualquer que fosse, teria achado sexy pra caralho essa versão dele, mas, ali, só queria gritar e bater a cabeça dele na parede. Pela primeira vez, nos vinte anos que o conhecia, não soube o que dizer. “Te humilhar? Acha que eu iria querer fazer isso com você, seja lá em qual multiverso for? Se esse for o caso, você não me conhece e não temos nada a ver.” Foi o que conseguiu responder, ainda abalada com o que ele dissera. Merecia? Provavelmente, mas não estava acostumada com tal tratamento. “Se sou assim tão ruim, a fucking bitch, não sei o que está fazendo aqui. Ou o que eu estou fazendo aqui.” A última sentença foi exposta com amargura, mordiscando o interior da bochecha com a mesma força que havia usado no lábio dele. Escutou seu desabafo acerca do assassinato dos pais em silêncio, e sem atrapalhar, sentindo a raiva diminuir e a ternura tomar lugar do sentimento prior. Em momento nenhum, nem quando a frustração esteve em seu pico, julgou Theo por suas atitudes autodestrutivas ou pelo comportamento que tinha; longe disso. Procurava cuidar dele e acalentar seus tormentos o máximo que podia, mas chegou à conclusão que não podia salvar alguém que se recusava a ter ajuda. Estava quase cedendo, quase pedindo por uma trégua, até sua fala seguinte, e, de novo, mais muralhas foram construídas entre os dois. “Eu nunca pedi que fosse perfeito, nunca quis que fosse, verdammt¹. Eu só queria que não se matasse numa briga, mas vejo que isso é uma exigência muito alta.” Ironizou, o sotaque alemão tornando-se mais forte a cada palavra proferida. Estava magoada, preocupada e furiosa, tudo ao mesmo tempo. “Eu só queria que falasse comigo, que me dissesse o que estava sentindo. Nunca pedi para parar de investigar, Theo. Eu só não queria que… você estava se arriscando e eu nunca sabia se você voltaria de moto ou num caixão.” Foi sincera ao expor os próprios anseios, coçando o olho e comprometendo a maquiagem. “E eu não entendo mesmo, você tem razão. Mas eu só queria que me deixasse cuidar de você, só isso. No momento que terminei tudo, te deixei livre para fazer o que quiser de sua vida, só cuidando de longe. Pensei ter sido o melhor para os dois. Quando quiser desabafar com alguém que não entende, mas te ama e estava segurando sua mão no enterro deles, continuarei aqui. Sempre estarei, sou sua melhor amiga, só não sei por quanto tempo vou ocupar esse cargo.” Foi sincera em suas palavras. Não importava o que acontecia entre eles ou o que ele fizesse, Nellie sempre estaria disponível para ajudar ou tentar animá-lo. Sua lealdade cega fazia com que esquecesse de todas as decepções e frustrações do passado e focasse no que ele sentia; a recíproca era verdadeira e sempre foi assim. Sempre seria assim. Era uma união, fruto de uma relação antiga, quando ainda se mantinham no platônico, não saberia agir diferente com ele. Tampouco queria. Disposta a largar aquela discussão e ir para o dormitório, sorriu minimamente, porém sincera, antes de voltar a andar. Não queria se manter ali, brigando, e sabia que era o que aconteceria se continuasse perto dele. Algum outro dia, estaria mais que disposta a continuar, mas estava cansada da festa e a troca de farpas apenas contribuiu para um cansaço físico e mental excruciante. Estava pronta para espernear e pedir para que a deixasse em paz ao sentir o toque no braço, mas as palavras alheias a deixaram, outra vez, inerte. A respiração tornou a pesar enquanto erguia o olhar para fitá-lo, as írises analisando cada detalhe das outras, e sequer percebeu quando deu um passo à frente. Ceder a ele não era o racional a si fazer, mas nunca conseguiu ser forte com Theodore; era seu ponto fraco. “Eu sei que não, desculpe.” Desculpou-se, por fim, a voz menos arisca que anteriormente. “Me mostre, então. Que sou tudo o que quer.” O tom de voz era diminuto, pondo-se na ponta dos pés para tentar nivelar os rostos. Não sabia como ele poderia demonstrar ou o que queria que fizesse, mas imaginava que ele encontraria um jeito. “Você é tudo que quero, e o melhor pra mim.” Fosse pela bizarrice da noite ou pelos anos que passaram namorando, sentiu-se confortável com a honestidade. Não sabia quando a onda de raiva surgiria novamente, mas ela continuava ali, pela forma que os olhos brilhavam ao encará-lo e o modo que as unhas ameaçavam arranhar a derme do braço alheio. “Ninguém faz eu me sentir como você, ninguém.” Era uma mensagem indireta, referindo-se à insegurança dele com o homem supracitado. A mão deslizou do braço à nuca masculina, aproximando mais os rostos. Havia certa possessividade e fúria no modo que os dígitos agarraram os fios castanhos da região. “Uma palavra e eu paro.” Sabia que ele não mandaria parar, mas gostava de ter o controle em ouvir dele o que ele queria.
Tinha certeza que se arrependeria no dia seguinte. A veemência da acidez utilizada em todo desdobramento de senteça direcionada a ex-namorada era em demasia, descomedida, impensada. Não acharia respaldo em justificativa nenhuma se quisesse buscá-la, e não tinha intenção alguma de fazê-lo, embora sentisse, em todo seu ser, que deveria. Quem estava sendo, o que dizia e mostrava, raiva, mágoa, ódio, nada disso pertencia a ele, genuinamente. Não era Theodore, não poderia ser. A delicadeza de Belle impregnava todos os seus jeitos e modos, fê-lo ser alvo de comparações, das que mais fazia seu cerne vibrar, em puro orgulho e euforia, à sua mãe. Como poderia ser tão intragável, e, pior ainda, ser intragável com Eleanor? Havia passado metade de sua existência apaixonado por ela, todas suas juras de amor eram dela, desde a infância. Como poderia? A olhava e era incapaz de discernir e dizer, com precisão e para o próprio, o que sentia ali. A cada instante, tudo mudava. O espectro de cores ia do vermelho cólera à paixão em toda sua ardência, tocavam o nuance frio do azul atrás de paz e retornava às cores quentes, em questão de segundos. Outra vez, escutando-a, Theo respeitava o momento e compreendia, em facilidade, aliás, o que lhe era disposto por Nellie e cada momento de aflição enquanto ainda namoravam. Não havia sido nenhum santo, abrindo mão de momentos que sabia serem importantes para a namorada; desconectando-se, por futilidades, em verdade, de instantes com ela que, finalmente, acabou custando-o seu relacionamento. Custou a paciência de Nellie com quão autodestrutivo era. Compreendia o receio alheio, verdadeiramente, porque, às vezes, ele não deixava de temer por sua vida, em especial quando instigava demais e se metia em assuntos que, bem, um garoto não deveria se meter. Fez o avô e a irmã prometerem excluir Nellie de qualquer menção ao episódio cuja violência havia sido tamanha que fê-lo ser jurado no Castigo. Com as habilidades, dilacerando o rosto do agressor, conseguiu tempo suficiente para fugir e pedir por um socorro na Cidade Alta, na lateral do abdomên uma fenda de poucos centímetros aberta por uma lâmina afiada. A obsessão quase fê-lo perecer, por uma causa que não era sua para investigar. Mesmo se desejasse confrontá-la, protestar o que absorvia, Theodore não conseguiria. Não poderia. Queria abraçá-la, tê-la para si outra vez, e foi o que fez no instante em que constatou a aproximação ser recíproca e o pedido de desculpas; os dígitos deslizaram através dos fios louros e ele posicionou a mão na área acima da nuca, as testas unidas pela proximidade. “Temos tudo a ver, Eleanor. Eu quero você comigo, preciso de você.” notificava a ternura acomodar-se por mais uma outra vez, e ele a permitiu, de muito bom grado. Não aguentava mais irritações, tanto quanto constatava na melhor amiga, estava exausto. Precisava de um alívio, e Eleanor era o seu. “Que mais quer que eu diga?” àquela altura, já não mais sabia se era a incidência da esquisitice do baile falando ou apenas ele, em toda sua honestidade. “Sinto sua falta, detesto ter sido tão relapso com nós dois. Me desculpe. Você não merecia.”
७ ་ ♡ ་ this 𝒔𝒕𝒂𝒓𝒕𝒆𝒓 is〘 𝒐𝒑𝒆𝒏 〙 — 𝒍𝒐𝒄𝒂𝒍: salão principal da Academia. ⊱
Aspen separava delicadamente as pétalas brancas do centro redondo e em cor amarelada das flores de camomila, encontradas no jardim mais cedo. O aroma doce e forte preenchia o recinto enquanto ela prosseguia no serviço com certa concentração. Mesmo com magia à seu dispor, e uma mãe aparentemente capaz de tudo, ela recorria ao conforto daquele chá sempre que sentia-se adoecer, lembranças infantis de quando um dos irmãos lhe dava fazendo-a se sentir reconfortada. E era exatamente o que precisava, depois de tudo o que havia vivido no baile. Ainda sentia os pelos do corpo arrepiarem quando a lembrança de seu desejo por ver Njord contorcer-se de dor preenchia sua mente. ❛ Eu não sou a melhor infusora de chás do mundo, mas garanto que este é minha especialidade. Venha, junte-se à mim, talvez a camomila traga efeitos maravilhosos! ❜
A sensação de ter despertado com a maior ressaca de sua vida naquela manhã calhava ser a única motivação para o Dubois sair da cama e dirigir-se ao refeitório, atrás de uma xícara de café. A mais generosa que achasse. No meio do caminho, entretanto, e próximo em demasia ao espaço destinado à cafeína do refeitório, Theo sentiu o colarinho puxando-o figurativamente pelo aroma do chá e à Aspen, e ele resolveu que daria uma chance. Não era grande apreciador da bebida inglesa, mas, ora, que mal faria?! Talvez servisse para reanimá-lo pós-baile e discussão com Eleanor. “Olá, Boo. Como vai?” cumprimentou, aproximando-se do cheiro e permitindo-se exalá-lo propriamente quando pôs a face sobre o bule. “Serve pra dores de cabeça?”
𝗙𝗟𝗔𝗦𝗛𝗕𝗔𝗖𝗞 .
esrasoul.
“ —— eu não estou segurando você.” reclamou, contra a obviedade do próprio feito que estava literalmente diante dos olhos deles (e do toque). a teimosia da soul era a nível daquele comportamento, mesmo. mas preferiria se jogar do pégaso que permitir sair de sua boca que ela buscava apoio de qualquer modo em um dubois, e o mais insuportável deles, ainda. para melhorar a sua situação deplorável, o rosto ainda se esforçava para virar na direção do dele, a fim de que conseguisse ler os lábios do rapaz — que ela apostaria, não saia nada muito gentil ou simpático. o que fazia sentido, claro, já que a soul pouco estava disposta àquele comportamento também. havia entrado em bons termos com a surdez há muitos anos, mas eram em momentos assim que se via desejando arrancar as entranhas de merlin. que inferno! tinham cavalos voadores, bailes nas nuvens e dragões - mas o sistema de saúde não podia chegar no castigo. oh não! tudo tem limites! agora lá estava ela, sentada daquele jeito torto e pouco seguro no animal que voava despreocupado, recostada no homem que odiava, agarrada ao braço dele na tentativa de compensar alguma falta de equilíbrio que a posição errônea oferecia. se tudo não fosse ruim suficiente, ela tinha de manter o rosto virado por cima do próprio ombro se quisesse se comunicar de alguma maneira. e enquanto se esforçava muito para o corpo não se movimentar exageradamente para frente naquela posição (porque de alguma forma aproximar o rosto do outro demais soava bem pior que cair dali de cima), foi capaz de compreender apenas metade dos dizeres alheios. algo sobre se acalmar, e a vida pós morte dele. blabla, como se ela não estivesse bem pior ali. pelo menos ele tinha calças! maldita a hora que decidira pedir que ayfer a ajudasse com a roupa. e tão rápido quanto aquele caos se iniciou, parou. o animal pareceu alcançar uma altura em que se sentia confortável, e de repente não havia mais instabilidade no movimento alheio. como se estivessem sentados em um avião, seguindo em linha reta. aos poucos, esra sentiu o corpo relaxar, e afrouxou o toque grosseiro no braço dele - mas não soltou, por garantia. finalmente pôde se concentrar no ambiente que os rodeava, e foi inevitável sorrir diante da vista. “ —— caramba” murmurou, os olhos fixos no horizonte bem mais do que na visão ali de cima. “ —— não é a coisa mais linda que você já viu?” a pergunta saiu sem que ela pensasse tanto, como se de repente estivesse embriagada com toda aquela sensação única de vôo. odiava um pouco menos o instrutor mal educado. só percebeu segundos depois que provavelmente soava idiota, e até pensou em olhar o rosto do outro para saber o que ele diria, mas não queria perder a visão. “ —— pode dizer o que quiser, não é como se eu estivesse ouvindo” fez piada, o tom severamente mais leve que o normalmente direcionado a ele.
“Ah, não? E o que está fazendo?” arqueou, em sugestão, a sobrancelha, pressionando os lábios juntos ao olhá-la. Momentaneamente, Theo havia desligado-se à informação que Esra precisava vê-lo para entender suas reclamações, o que tornava todo o cenário ainda mais incômodo, se fosse possível. Desconforto pela proximidade e, em maior veemência, por seu erro grotesco em razão à ausência de uma sensibilidade auditiva da Soul, claro. Fazia malabarismos, esforços genuínos, para não esbarrar-se na morena por acidente e causar um constrangimento maior que aquele qual eram insertos, sem uma autorização, graças ao apelo aéreo em passeio cujo ambos estavam sob ali. Um instante de diversão, em paz e entre nuvens, lhe parecia utópico suficientemente naquela conjuntura para Theodore esquecer seu objetivo da noite. Por ora. Não importasse o quanto quisesse queixar-se e praguejar todas as anteriores e próximas gerações do instrutor, a criatura parecia nada interessada em ceder aos caprichos de um playboy mimado e sua birra por a filha de uma vilã. Pelo contrário, lógico, porque ao caçula dos Dubois era quase táctil como o garanhão adorava o vôo por entre suas penas, tornando a experiência de observá-lo assim, de perto, e todo o resto, magnífica. Apesar dos pesares. Permitiu-se, pela primeira vez, aproveitar o passeio e se distrair com a paisagem, o sopro de ar perpassando os fios castanhos enquanto assistia as luzes de Storydom abaixo deles, asas planando ao redor de seu corpo. “Uau.” o elogio viera óbvio, perplexo com, bem, o que deveria ser comum em sua rotina. Magia sempre o surpreendia, era instigado pelo mínimo. Tinha certeza que Esra não poderia ouvi-lo, tão absorta no cenário quanto poderia estar com a particularidade do cenário. “Eu adoro magia.” uma vez desconectado do aperto dos dígitos em seu braço, o francês ousou afastar os braços do torso e abri-los, contra ar, e cerrou as pálpebras, por dois instantes, até o pégaso recomeçar o processo de aterrissagem. “Soul,” primeiro chamou, quando constatou a perda de altitude, direto para o lago, o de verdade, e a tocou para chamá-la a atenção a ele. “segura a rédea, com força, não meu braço, entendeu?” assegurou-se perguntando-a, com delicadeza, queria ter certeza de que conseguia ler seus lábios. “Acho que é agora que ele mergulha, para molhar as patas. Sei lá.”
chwrmings.
Sentia o peito subir e descer, graças à ansiedade crescente, visível no corte do decote, depois de machucá-lo. Não arrependeu-se de ter feito o que fez, ainda que não quisesse tê-lo feito, e ela própria tomou o rosto dele para averiguar se o lábio sangrava — não que pudesse ser de grande ajuda naquele estado, enquanto a instabilidade tangenciava cada minúcia de seu ser. “Eu precisava sentir algo.” Tentou explicar, vagamente, ainda que não justificasse o machucado. Em circunstâncias usuais, Nellie optaria por queimar o próprio rosto (seu objeto de trabalho) e morder o próprio braço a sequer arranhá-lo. Theo sempre havia sido seu protegido, e ela era a que o defendia, com garras e veneno, de quem quer que ameaçasse machucar seu bem mais precioso. E isso incluía a si mesma. “Sentir algo além de raiva, sentir que ainda é…” meu, adicionou mentalmente, mas foi incapaz de colocar o vocábulo na oralidade. A voz estava ofegante, como se externar os sentimentos requeresse toda a sua força vital, e não conseguiu desviar das feições alheias. Com as mãos guardadas para si, ciente de que estava queimando a própria derme, cruzou os braços ao andar, com certa pressa, Academia adentro. Precisava se trancar no próprio dormitório, longe de qualquer humano, e suspirou, desanimada e aliviada, ao notificar a presença do ex novamente. O alívio não foi persistente e, ao ouvir as palavras dele, abriu a boca em surpresa e expirou o ar pesadamente antes de girar o calcanhar para fitá-lo. Havia mágoa e ira nas feições dos dois, e ela cerrou o punho, sentindo mais veneno ser produzido. “Não, acho que é exatamente o que quis dizer.” Num tom ácido, proferiu, ainda impactada, e apertou o passo, com a intenção pura de chegar mais rápido em seu dormitório e, sincronicamente, se afastar dele. Os esforços foram em vão, no entanto, pois voltou a direcionar o corpo à ele. “Eu sou idiota? Eu? Não seja ridículo.” Balançou a cabeça, incrédula, sentindo todo o rosto enrubescer; dessa vez, nao era o poder manifestado, mas a raiva. “E nem venha falar de abandono, Theodore. Você sequer aparecia mais, só pensava no Castigo e em brigar. Só aparecia para, sei lá, dormir ou transar. Ou esperar que eu fosse lhe perdoar por ter dito que estaria em primeiro na fila e só aparecer nas apresentações, que eu ensaiava dia e noite, aliás, horas depois. Quando eu já estava em casa. Você se fechou pra mim, não tinha mais relacionamento.” Cada palavra era expelida em pura fúria, e, ao final da frase, deu um tapa leve na parede, causando um estrago no local. Um buraco fervente. Sequer se importou, mantendo a mão ali. Consciente das próprias ações, não faria aquilo, porque entendia. E o evento do atraso acontecera uma única vez, então sequer era justo. “Você se sentiu abandonado? Bem, eu também. E, pelo menos, não tento lhe ganhar de novo só quando está interessado em outra. Isso faz de você um idiota, brincar com o que sinto faz de você um idiota. Talvez Njord, que você tanto maldiz, me trataria melhor. Ele não agiria como um… idiota.” Frisou o adjetivo ao final, narinas infladas, e franziu o cenho. “Na verdade, ele me tratou muito bem, nem estou falando de sexo, but also.” Era um golpe baixo e a lua a fazia irracional ali, erguendo as mãos. Fez menção de sair, mas o tronco virou para ele outra vez, sorrisinho de escárnio estampado nos lábios vermelhos. “Não, eu que sou a idiota por continuar lhe aceitando. Da próxima vez que for usar drogas e me deixar sozinha, use o cérebro, que sei que tem, e não faça na frente de flores falantes. Asshole.” Ergueu as sobrancelhas em puro ódio, sem pensar no que dizia. Só então refez seu caminho para o dormitório, os saltos tilintando pelo chão com agressividade. “And I did mean it. Everything.” Avisou, num tom alto pela distância, balançando a mão em indiferença.
Ainda que tentasse atenuar o súbito frenesi de loucura, parecia mais distante do êxito que qualquer lugar próximo de alcançá-lo em sua essência. Não havia buscado compreender de onde vinha tamanha agressividade, estava atarefado em demasia controlando a intuição torpe para não explodir e ferir alguém, especialmente a ex-namorada. A amava. Não havia passado um segundo de sem senti-la, veemente, em todos os cantos e junções de seu corpo, desde que a conheceu. A quis como jamais imaginaria um dia querer outro ser humano naquela intensidade,com aquela vontade, e a quer. Nada havia mudado. Como ele poderia sequer pensar em irromper tamanho rancor por alguém assim? Putain. O que estava fazendo? Poderia jurar que o coração desmanchou-se e liquifez, de uma só vez, quando ele notificou o timbre feminino disputar para sair, e, consecutivamente, a expressão inflexível abrandou em instantâneo, constatando o recolher das outras mãos para ela. Era inteiro afeto a ela outra vez, vibrava em cada porção remota de seu ser e o Dubois quase amaldiçoou a língua e cada sílaba cuja acidez enleou as frases libertas à ela quando seguiu atrás, quase impedindo-a de ir embora, não fosse o próximo conjunto de letras cuspidas pela Charming. O breve instante de devoção havia perdido ardor e dado lugar à irritação, tão rápido quanto uma fração de milisegundos poderia ser; perceberia quão bizarro era as coisas mudando à Nellie, se não estivesse alienado até a última instância de seu ser. Enquanto sua atenção permanecia inafetada por outra coisa que não Eleanor, Theo permaneceu em silêncio e a escutou, mesmo quando a vontade de fazê-lo era nenhuma. Percebia o ódio e o autorizava preencher o peito desenfreado por entre o proferir da ex-namorada, acentuando, especialmente, na porção em que ela se referiu-se como objeto, mais de uma vez, e, por fim, ao filho do princípe Hans. A presunção alheia incomodou o fundo de sua garganta e o Dubois precisou expulsá-la, em um riso depreciativo. “Tem toda razão, Eleanor, você não está sendo idiota, não, just a fucking bitch. Qual é o seu problema? Não bastasse me acusar de te usar quando tudo o que sempre fiz foi te adorar, com minha vida, precisou colocar esse pedaço de merda no meio disso? Para quê, me humilhar? Va te faire foutre¹.” desalojou a sentença como se o queimasse a língua, longe de toda doçura que uma vez era apenas o que Theodore conseguia ser ao redor de Nellie. “Eu fui ausente, fiz tudo o que eu não deveria para poder ser perfeito para você, Merlin forbids me to not be, mas eu não conseguia respirar sem pensar que ninguém nesse caralho de cidade nunca fez nada para descobrir o assassino dos meus pais. Fizeram a porra de uma estátua no lugar, acredita? E para quê?” a pergunta era retórica, claro, e Theo deslizou os dígitos por entre os fios castanhos do cabelo, em tentativa fútil de acalmar-se, quando sentiu as lágrimas, de mera frustração, reorientando a atenção para outro canto do lugar. “Do que estou falando, merde... Você não entenderia, não cresceu órfã. Nunca precisou se preocupar em achar paz em vingança e punição nos nós de um soco, ou recebeu olhares de pena.” murmurou, mais para si que para a ex-namorada. Se sentia exausto, as fibra de tecido corpóreo implorando por descanso àquela altura, mas pediu por um último esforço, quando a alcançou corredor a dentro, segurando-lhe o braço e voltando-a a ele. “Você é a pessoa mais importante, meu único amor, seria incapaz de usá-la e jamais brincaria com o que sente.” o par de íris castanhas fitavam-na, pausadamente, engolindo o incômodo na garganta. “Não seja boba. Não vê que você é tudo o que eu sempre quis?”
starter for @dubvis !
“Você pensou em chamar outra pessoa antes de mim? Quer dizer,” o tom baixo e quase hesitante, por pura influência do fenômeno lunar que se aproximava, foi ouvido no intermédio de um pequeno rodopio, e, ao retornar, os corpos grudados resultaram em rostos quase nulos de distância. As írises azuladas examinaram o rosto alheio e, de repente, não havia mais ninguém no salão; o rosto dele era muito mais interessante que a lua, seus pais ou qualquer outra persona. “se não tivéssemos tido aquele momento no Castigo, teria chamado outra pessoa?” Pensou em ser mais direta — quis ser mais direta —, mas não conseguiu. O som cadavérico fazia o coração bater mais forte, junto ao dele, e passou a analisar cada minúcia de Theodore. Gostava de cada detalhe dele, desde uma infante, e passou a memorizar seus detalhes conforme cresciam — subitamente, ele pareceu diferente, uma outra pessoa. Lembrou-se de todas as vezes que esperou sua presença, enquanto namoravam, e ele apareceu horas depois, com o rosto machucado; lembrou de querer remover toda a sua dor no enterro de Belle e Adam; lembrou do próprio choro quando terminou com ele; lembrou de toda a euforia sentida quando as bocas se tocam; finalmente, lembrou de todos os momentos que sentiu-se abandonada e trocada por ele. Naquela fração de segundo, enquanto a lua cobria a cabeça de todos, não conseguiu conter-se diante das emoções estagnantes. Sem desviar o olhar do dele, sentiu o rosto enrubescer e as mãos formigarem; sentimentos comuns de quando seu poder era ativado, via sensações fortes. No entanto, estava diferente agora. Sentia o corpo inteiro ferver, numa febre de quarenta graus, e, sem conseguir olhar para qualquer ponto, exceto seu rosto, sabia que o corpo pequeno teria sucumbido, frágil, e caído, não fosse as mãos firmes alheias em seu corpo e os próprios dígitos segurando firme em seu pescoço. Poderia queimá-lo inteiro, e sabia que ele deixaria. Em troca, sabia que arriscaria a própria vida, assim como Adam Dubois e sua futura esposa, por ele — conseguia enxergar, agora claramente, que ele vinha sendo e seria o causador da sua ruína. O amor lhe deixava vulnerável e precisava aniquilar aquele sentimento sufocante.
Poderia queimar cada pessoa naquele salão, talvez até Merlin, e não se cansaria até encontrar paz. A música lhe conduzia à insanidade, pouco a pouco, e, após o vislumbre de um salão inteiro envenenado, sangrento, ela percebeu que estava queimando a roupa cara do melhor amigo e uma parte de seu pescoço, superficialmente. Ao fim da música, Eleanor não resistiu à tentação, fúria intoxicando os pulmões, e tomou os lábios tão conhecidos para si num selar violento, antes de morder o ínfero alheio com tamanha força que quase sangrou. “Desculpe.” Sussurrou, contra os lábios, depois de ouvir a fada madrinha. “Desculpe.” Pediu novamente, embora não soubesse ao que estava se referindo. Afastou-se dele, ainda atordoada, mas não se atreveu a soltar sua mão, sendo a última coisa que tocou antes de dar passos largos para trás. “Eu só…” Iniciou a fala, mas foi incapaz de terminar. A sensação desgastante voltara e sentiu, outra vez, o ardor passando a incomodar e sentindo uma vontade insaciável de machucar alguém. Cerrou os punhos, numa tentativa de escondê-los de toques humanos. “Eu amava você, amo ainda, e pra quê? Ugh.” A voz frágil não a permitia ser firme e tampouco esperou uma resposta antes de sair. “Preciso sair dessa merda desse baile.” Murmurou mais para si mesma e fez uma careta para alguns que esbarraram em si, resmungando algo sobre “sair da frente se não quiserem um soco envenenado”, antes de respirar fundo, como Merlin lhe ensinara. “Desculpe, pela terceira vez. Quis dizer que é meu melhor e eu lhe amo, mesmo que seja um idiota às vezes. Quase sempre.” Corrigiu, incerta do que sentia, voltando para perto e o puxando para fora da torre. Deu de ombros. “Só tive vontade de dizer isso. Vamos embora? Quero tirar esse vestido e esse sapato tá me apertando.”
Se sentia estranho. Não saberia nomear e pormenorizar as impressões tangendo-lhe com gelidez toda extensão da caixa torácica e pressionando-lhe o interior enquanto conduzia, absorto, toda movimentação elegante da valsa; se fosse menos familiarizado com a sensação, diria que estava sob influência de um ataque repentino de ansiedade, um dos ruins, mas... não, não era isso. A incidência daquela sensibilidade especificamente divergia de qualquer outra que jamais havia sentido seu corpo sucumbir antes porque enquanto se sentia desorientado por um pseudo acesso de ansiedade corrompendo-lhe a mente, também passava a constatar cada ligamento de seu ser adorar cada instante gasto preso à Nellie. Ali, naquele instante, ela havia se tornado a única variável possível, entre aflição e cura, e foco de toda atenção de Theodore. “O quê? Não, não.” o franzir instintivo do cenho acompanhou o questiono, confuso, e o Dubois apressou-se em negar, repudiando a mera sugestão de outra no lugar da Charming. “Seria você mesmo se nada tivesse acontecido.” desinibir-se e confessar nunca havia sido tão... simples. Por um instante, pensou em contá-la sobre como sempre havia sido ela; como quão miserável havia se sentido quando ela terminou o namoro e como, ainda assim, ele jamais deixara de pertencer à ela e só a ela. A vulnerabilidade de ser abandonado uma outra vez, por quem tanto adorava e amava profundamente, era inteira remetida ao assassinato dos pais e a ausência de um calento que era íntriseca ao amor deles, abrangia, inevitável, toda aquela logística agonizante de, uma hora para outra, ter tudo arrancado de si. Era vil, cruel. Como alguém poderia ter sabido de tamanha fragilidade e, ainda assim, fê-lo passar por toda coléra de um abandono outra vez? A lua atingia seu pico no mesmo instante em que Theo trincou o maxilar, as mãos comichavam e pressentia o afluxo de seus espinhos querendo arrebentar a superfície de suas palmas e ele os comediu, sem ideia alguma de como o fez. Sentia ódio interior desejando dilacerar, o que quer que fosse, quem estivesse em seu caminho, e a ex-namorada era o princípio de todo ele; sentia ramos de rosas serpentearem pelo solo abaixo de seus pés e jurava que, se quisesse, poderia invocá-los em mil espinhos irrompendo o porcelanato do salão, em toda sua grandeza intocada. A música inebriava e parecia estar a mercê de cada nota, e a cada nota mais alta, tinha impressão de estar imerso na contradição de fúria e afeto, por Eleanor.
Desligado do mundo material, a dualidade o guiava com maestria, e, se fosse ser honesto, discernir entre um e outro já não mais fazia tanta diferença: poderia matá-la de amor, em sentido mais que literal. O peito comprimiu as sensações e as dissipou ao fim da melodia umbrosa, e, não bastasse a ardência machucando a derme do pescoço e trazendo-o, consequentemente, de volta a si, liberto da influência de um torpor quase malígno, Theo sentiu os dentes da melhor amiga e grunhiu, elevando o dígito médio ao lábio por instinto quando procurou por sangue. “Nellie... que porra?” o timbre conjurava desalinho e, bem, raiva. Mas, por legítimo e incompreensível apego, em sua forma mais doce, não ousou afastar-se, seria incapaz de tentasse. No lugar, Theodore a assistiu interpôr centímetros e mais centímetros entre os dois corpos, ainda que os dígitos não houvessem desenleado o contato, e a movimentação ríspida da mais nova pelo salão. Os resquícios de agressividade pouco a pouco perdiam veemência e o caçula dos Dubois começava a desatar os nós da magia. Já na parte externa do lugar, ele pôde, de uma vez, e finalmente, respirar. “É, é. Eu também amo você. Demais. E é exatamente por isso que eu não saio largando você, sabia? Ou me perguntando pra que ainda amo você, não sou eu o idiota.” num suspiro, realinhou seus pensamentos e os verbalizou, simplesmente, sequer mensurando o que acabara de dizê-la. Portanto, o engolir do incômodo no fundo de sua garganta fora automático, e ele pressionou os lábios em visível lamento, observando-a durante todo o intermédio. “Desculpe. Eu não quis dizer isso.”
yaswmin.
tw: uso de drogas.
“Se vou ficar sendo enfermeira, eu exijo um salário justo, Dubois. Com direito a vale-transporte, porque só se aventura no Castigo e nem todos têm motorista particular.” Brincou, jogando uma mecha do cabelo para trás. Não se importava em cuidar de seus ferimentos, em verdade, mas a preocupação latente sempre que era espancado por alguém se tornava maior. Se apegara a ele, afinal, algo que dissera a si mesma que nunca faria; tinha problemas o suficiente e ele era um problema por si só. Não se importou com seu olhar fixo, e ergueu a sobrancelha em comicidade. “Se distraiu com a maquiagem? Foi trabalhosa.” O comentário jocoso foi expulso malmente, com a boca ocupada com o cigarro, e, ao permitir que ele acendesse a nicotina, depositou uma mão em seu pulso, para que garantisse apoio, os olhos permanecendo sob sua face. “Foram vários ciscos, deveria raspar as sobrancelhas.” Brincou outra vez, tocando nas mesmas para tirá-las do lugar. “Acha que sou enfermeira e traficante? Qual o próximo, advogada?” Fingiu ofensa, mas, contrariando as próprias ações, removeu a pedra falsa do anel, para que, sucessivamente, um brilho viscoso surgisse na joia e pudesse mostrar-lhe. “É forte, então não exagere.” Avisou, em repreensão. Não sabia o quanto ele era habituado ao uso de drogas, ela própria só usava no bordel, então ficou apreensiva quanto aos efeitos colaterais nele. Não falou nada, porém, ele era adulto. Posicionou o dedo médio na substância e mexeu de um lado para o outro, para garantir bastante seiva, e levou o dígito à boca, sugando morosamente. Soltou um suspiro lento e pesado, de olhos fechados, ao sentir a euforia típica da magia do pó. Sentiu os batimentos cardíacos aumentarem e sorriu, ao final, ébria. “Espero que sua namorada não se importe.” Foi tudo que disse antes de pescar mais pó mágico com o médio e oferecer, sutilmente, para colocar na outra boca. “Mas vai se importar, se estiver planejando beijar alguém. Eu não estou, então…” Deu de ombros; a pessoa que queria estava indisponível.
“Achei que o prazer da minha companhia já valesse um salário justo, Hook. Não prometo vale-transporte, mas ” provocou, aumentando a ênfase de seu suspense quando dividiu a senteça em duas partes e ele a olhou, outra tragada no vaper e ingerindo a fumaça mentolada. “tem um lugarzinho na minha moto toda semana para o Castigo. Pegar ou largar, tenho várias pretendentes esperando sua resposta.” o arquear das sobrancelhas viera automático, escoltando a comicidade que a própria frase gerou ao mencionar pretendentes cuja existência era, bem, nenhuma. A bem da verdade, a graça da questão estava mais em precisar dos cuidados dela e admitir que, muito provavelmente, precisaria dela na próxima vez que ele visitasse a cidade baixa que na piadinha boba. Adorava ter uma desculpa para dar razão ao crush que nutria pela filha do Capitão Hook, embora as desculpas fossem seus machucados pós-briga e uma dança no Bordel Soul de algumas semanas atrás. Somente porque poderia justificar a dita queda pela Hook através desta, o deslumbre velado fora retraído e ele realocou sua atenção, em um pigarreio, engolindo a seco ao fitá-la. Merde. “Mais ou menos. Uma borboleta, não? Criativo, e fofo.” divagou, o par de íris esverdeadas fixas nas alheias quando constatou o toque feminino em seu pulso e ele recuou com o isqueiro, selando a tampa após ter queimado o topo do cigarro dela. O franzir sutil da ponte do nariz conjurou uma careta mínima, drama em decorrência ao desalinho em seu rosto e a falta de credibilidade dela, e, então, o Dubois entreabiu os lábios em um sorriso presunçoso, assistindo a dinâmica alheia com o anel. “Eu quase me senti mal por ter perguntado, Yasemin. Que malandra.” o risinho quase incrédulo expulso pelos lábios era só por comoção, pseudo indignado com a surpresa. Seu foco agora pertencia aos dígitos da amiga, do ponto em que ela fazia uma meio alquimia com a droga até o que lhe era presenteado, na ponta do dedo, então ele a olhou, mais uma vez, umedecendo a boca ao restringir-se a um sorriso como única resposta e sugar o pó do dígito; a língua adormeceu, e o Dubois apropriou-se, pela primeira vez, do gosto do êxtase. “Poderia dar certo se te beijasse. Dois negativos dá um positivo.”
eleanzr.
“E do que você chamaria?” A pergunta veio em desafio, contrariando o autocontrole ao nivelar os rostos e acariciar os cabelos negros. Possuía um sorrisinho ébrio, em consequência da conversa leve entre eles, o olhando como se fosse o próprio sol. Não conseguiria encará-lo de outro jeito, se tentasse, por achar que Theodore era, mesmo, uma maravilha por si só. Ninguém conseguia deixá-la tão encantada como ele e era culpa dos anos juntos, romanticamente ou não, quem a deixaram tão à mercê da sua graça. Era até irônico como superara outras coisas mais facilmente do que o término com seu primeiro amor; superar era uma tarefa árdua quando dividem uma cama e passam todo o tempo juntos. Precisou de certo esforço para não engasgar ao ouvi-lo falar da mãe, mas, no lugar, soltou um grunhido embaraçoso. “Parece que ela sente. E fico feliz que não tenho olhado na hora, ou acharia que estava entediado.” Optou pelo humor, dramatizando, e não ocultou o sorriso crescente nos lábios. Decidiram não falar sobre no dia seguinte — ou nos dias que vieram depois —, num acordo silencioso, mas esperava poder brincar a respeito. “Ele estava contando que você estaria lá para ouvir, ficou decepcionado com sua presença. E eu também, todos ficamos.” Murmurou, num tom jocoso, ainda que as decepções dos pais era diferente da dela. Estava com medo de as coisas terem ficado estranhas entre os dois, ao ponto de estar sendo evitada, mas ficou grata que era um equívoco. Pensou em dizer que sua mãe sempre achava um tempo para ficar brava, mas não quis escrever a leveza com seus mommy issues. Quando ele se aproximou, os ombros ficaram tensos, por achar que ele a beijaria na frente de todos, e sorriu ao sentir outro alvo dos lábios tão conhecidos. “Quem mais estiver nos procurando, Theodore. Mas vou lhe dar essa colher de chá.” Dissipou a ambiguidade do fim da frase com humor, num dar de ombros quase inocente. Não tinha intenção alguma de convidar outra pessoa — estava esperando um momento recluso com ele há dias, e não apenas pelos benefícios que agora pareciam ter —, mas provocar o Dubois era não apenas uma especialidade de Eleanor, mas um deleite. Revirou os olhos pela risada alheia, detestando cada segundo de sua fragilidade exposta (e tão bem conhecida) ali. Não estava tão diferente de anos atrás, quando era sensível a qualquer toque seu, e o ex era o único que a deixava assim. Ainda querendo sorrir, olhou para ele numa expressão falsamente curiosa. “Pergunta: se é tão contra alguém vir com a gente, como esperar que eu acredite que vai se comportar? Não acho que fazemos o estilo de tricotar e falar mal dos outros num local fechado e sem ninguém.” Soergueu as sobrancelhas, em desafio, e umedeceu os lábios, em síncrono. Sua expressão foi alterada para vitória ao ver a dele, enquanto mostrava sua pele, e foi sua vez de rir. Manteve o contato visual, ainda que levemente inclinada a arfar com o toque. “Se quiser ver algo além, não vai ser aqui, na frente de todo mundo. Better luck next time.” O tom melodioso se fez presente, e guardou a perna dentro do vestido, mostrando menos agora. Sorriu ao receber o beijo, resistindo a urge de selar os lábios. “Na verdade, não, só queria um jeito de lhe tirar da vista das leoas.” Respondeu em tom cômico, mesmo que não fosse uma inverdade. “Onde você estava mais cedo, no começo da festa? Estava até preocupada. Perdeu meu pai fazendo truques com o pegasus. Vou pedir um.” E ganharia, sabia.
“Ciumes.” simplista, o Dubois expeliu um suspiro tênue antes de pronunciar as letras e a olhou, devagar; sabia o que estava dizendo, conhecia a ex-namorada tão bem que, sem gabar-se, claro, saberia o que ela pensava com uma única troca de olhares entre ambos. Adorava sua dinânica com Eleanor, admitiria para quem quisesse ouvi-lo tagarelar sobre. Jamais sentiria a mesma especificidade de impressões que sentia tão fácil com a Charming com nenhum outro alguém; amor, cumplicidade, compreensão... deixara de contabilizar pois, a bem da verdade, não poderia compará-la a ninguém se tentasse. Seria injusto. Sentiu as esquinas da boca repuxarem um sorrisinho, liberando riso breve e divertido ao drama notificado, aceito de bom grado por seu humor. “Nellie, se o mundo acabasse em fogo, eu não saberia enquanto estivesse embaixo de você. Ou em cima, whichever.” o sutil elevar de seus ombros fora instintivo, parte de uma comicidade que Theo certificava-se em incluir em cada interação apimentada demais para o platônico dele e de Nellie; ainda ousava porque não saberia agir de outra forma, anos a fio da liberdade com a melhor amiga. Estava certo de que não serviria nenhuma estranheza o assunto no meio dos dois, não mais ao menos. “Prometo que próxima vez serei o primeiro a chegar e o último a ir embora, da sala de visitas.” sucedeu a última parte com um lançar enviesado de olhar à ela, sugestivo suficientemente, logo dissolvendo a insinuação em um sorrisinho jocoso quando devolveu sua atenção ao caminho que faziam, morosos, ao labirinto, a mão livre enterrada no bolso da calça social durante o intermédio. De qualquer sorte, estava acostumado à constância dos encontros na mansão dos Charming e os convites durante a semana, apreciava com certa veemência a atenção de David e Snow para tê-lo tão próximo, só era incapaz de entender a razão deles ainda. Com certeza não era por seu senso de humor porque, bem, esse é terrível, talvez fosse pelo sacrifício de seus pais e o par se sentindo solidário com o garoto. Seja o que fosse, não queria adentrar o mérito, portanto, ele retribuia a gentileza proporcionalmente “Por favor, me dê essa colher de chá, Eleanor,” provocou, o cenho franzido de maneira breve. “pois estou começando a me sentir ofendido com sua falta de fé no meu autocontrole, sinceramente. Você confia em mim ou não, Charming?” começavam a adentrar o domínio das flores falantes e o Dubois, no instante em que fechou a boca, jurou ouvir um cochicho. Vários cochichos de uma vez só. Não conseguiu ater-se aos comentários, porém, por mais que houvesse tentado; era difícil prestar atenção em uma única vozinha no meio de tantas, e a que conseguiu captar, balbuciava algo sobre ele ter experimentado certa substância mais cedo, com outra companhia. “Tanto conseguiu como sou só seu, agora e o resto da noite. E dos outros dias.” tagarelou, ainda incerto do que acabara de ouvir das criaturinhas plantadas. Por cima do último comentário, outra flor comentou sobre a beleza dos dois juntos, fazendo-o corar um pouco mais. “Eu estive aqui, na verdade. Precisei sair do salão e daquele minuto idiota de silêncio, me senti agorafóbico.”
esrasoul.
a última coisa que precisava era de cavalheirismos de arthurianos, em especial de um dubois. mas ao mesmo tempo, a resposta que seria grosseira por natureza engasgava em sua garganta quando era theodore em sua frente. ainda mais após a extremamente indelicada lembrança de david charming a respeito da culpada pela morte dos pais do garoto. “ —— pois eu também não. só vim ver de perto mesmo, eu já tô indo embora e-“ fosse lá o que aquela palhaçada entre o dubois e a soul, algo próximo de uma mistura de implicância, ego e impaciência, o instrutor não estava com muita paciência para a forma infantil que os dois estavam agindo. que conveniente que o poder do rapaz mais velho fosse telecinese! em alguns poucos segundos, o homem (que se destacava com a carranca em meio toda a animação exorbitante da maioria dos legados que faziam fila para o passeio) garantira que os dois estivessem em cima do cavalo alado. a movimentação brusca e completamente contra sua vontade primeiro a assustou, fazendo o corpo se sobressaltar quando já sentada na sela — como uma maldita princesa patricinha, diga-se de passagem, já que o vestido a fazia precisar se sentar lateralmente. a cena toda parecia um pesadelo tosco, uma festa de quinze anos de algum dos crystal com um vestido brilhante, um pônei voador e um príncipe atrás de si lhe oferecendo a estabilidade para que não caísse naquela viagem. perfeito! realmente, nada podia ser mais perfeito para tirar a soul completamente do sério. “ —— ei! escuta aqui, você não pode fazer isso, seu idiota. eu disse que não queria! eu falei que não. pode me descer daqui agora mesmo, eu juro que vou enfiar esse salto algo na sua goela e…” se o instrutor estava ouvindo, não parecia, pois pouco pareceu ligar para as palavras da mulher antes de fazer um movimento para o pégaso tomar voo. sendo a academia o que era, poderia imaginar talvez que aquele passeio tivesse algum feitiço de segurança que os impediria de cair, mas não quis testar a sorte com o movimento brusco, apenas buscando de um jeito torto o braço do rapaz que estava atrás de si. “ —— BABACA ” gritou ainda, o movimento inclinado a fazendo sentir medo de cair mais uma vez e apertando o braço do rapaz. que situação mais terrível. “ —— e você, vê não chega perto demais, dubois” a ordem foi quase uma tentativa patética que recuperar algum controle ali, o que obviamente não funcionava até porque era ela que o segurava.
A resposta intuitiva, de pronto para ser entregue a Soul morrera tão em instantâneo em sua língua quanto a reação do homem em certificar-se de que Theo participaria daquele passeio tanto quanto Esra, quer os dois queiram ou não; havia expulsado toda uma sorte de xingamentos — em francês e inglês, both of best worlds! — mesclados à exigências para o instrutor devolvê-lo ao chão imediatamente no meio do caminho ao assento no pégaso, e nada. Não queria um centímetro de seu corpo próximo demais de qualquer Soul, se tivesse outra certeza se não a morte, mas lá estava o Dubois, partilhando um passeio nas costas de uma criatura mitológica alada com uma, e colado nela. “Vê se eu não chego perto demais? Vê se você não chega perto demais, Soul, estou isso aqui de atravessar seu corpo se continuar segurando meu braço assim.” o desconforto reverberava em cada esquina de seu timbre, e ele precisou aumentá-lo para que a morena conseguisse ouvi-lo através da cortina incessante de ar que cobria os dois no ar, ainda que o peitoral estivesse inteiro contra as costas dela e ainda que Theo se esforçasse para que o seu rosto não tocasse a lateral do outro rosto. Odiava cavalos alados, por Merlin. Que ideia idiota. “Dá pra se acalmar? Ou nós dois vamos cair e eu juro que vou atrás de você minha vida pós morte inteira até reincarnar outra vez.” o garanhão parecia impassível com a reclamação infantil dos dois em suas costas, cortando o céu de Storydom com tamanha destreza que o Dubois se deleitaria do passeio e a beleza de todo cenário, não fosse o incômodo da filha de Úrsula acompanhando-o nele. “Que sorte! Santa Excalibur...” murmurou, revirando os olhos — mais para ele que para sua parceira de voo, fosse honesto.