Estou fazendo uma campanha de doação de órgãos! Não quer doar seu coração pra mim?
Lis, sai do anônimo.
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Estou fazendo uma campanha de doação de órgãos! Não quer doar seu coração pra mim?
Lis, sai do anônimo.
ppk ou rola?
Do que isso é relevante? Os dois.
quando pretende dar pro Caleb?
Pergunte para Caleb: “Quando você vai deixar de ser frouxo e pegar a Devi de jeito?”
Estou escapando pra sua sala porque tem um velho tarado na área VIP perguntando se não quero pegar na cenoura dele.
Então por que não pega nos meus melões?
Brincadeira, Yo. Que tal tomar um bom vinho comigo?
Pensei que estava irritada.
Você sabe que eu não posso viver sem meu drugdesigner preferido.
Addicted? | Krause&Sforza
E há quanto tempo não se sentia tentado a ver a mesma pessoa mais de uma vez? Já tinha algum tempo; muito tempo.
Krause estava em seu pequeno apartamento, deitado no sofá e brincando com seu canivete. Olhava para a parede, de um bege entediante, e que ele odiava. Abria e fechava o que, para ele, era um brinquedo. Até que seus pensamentos voltaram para a loira que conhecera algumas semanas atrás. Não queria, mas acabava voltando. Tinha jurado para si mesmo que nunca veria a mesma garota mais que uma vez, duas no máximo, mas ele já havia quebrado a regra muitas vezes. Acabou indo ver a bela algumas vezes, no mesmo lugar que se conheceram. E era sempre a mesma coisa: a conversa entre os dois fluía tão facilmente, e ela não era como nenhuma outra.
“Ouch!” Soltou o canivete e olhou para a mão. Revirou os olhos e caminhou até o banheiro, abrindo a torneira e deixando a água escorrer pelo corte que acabara de fazer. Sentia o corte arder, mas aquilo já não era um incomodo, então voltou a atenção para seu reflexo no espelho. Olhou a si mesmo nos olhos por longos minutos, até se decidir.
Tomou um longo banho, se vestiu, antes de olhar de novo para o corte. Abriu e fechou a mão cortada, antes de colocar uma faixa em volta. Não era grande coisa, mas gostava da sensação de estar machucado de alguma forma, era o mesmo sentimento de quando voltava de alguma missão da Hotline. Penteou os cabelos molhados para trás, como geralmente fazia, e pegou a chave do carro. Jogou a jaqueta de couro no banco do passageiro, e respirou fundo antes de começar a dirigir.
Logo chegou ao lugar onde a encontrou pela primeira vez, e não hesitou em entrar e se sentar, pedindo o de sempre: whisky, e enquanto bebia, olhava em volta, procurando a moça.
Negócios. Negócios. Negócios. Era apenas terça-feira não havia apenas uma pessoa que dirigisse a palavra a Devi apenas por educação. Todos queriam sua assinatura, que resolvesse problemas, que dissesse o próximo passo que deveriam tomar. Seu trabalho sempre fora assim, mas parecia cada vez mais exaustivo. Talvez fosse porque seu relacionamento com Caleb não estava lá nas alturas, ou apenas fosse um estresse a mais derivado da tensão pré-menstrual. Independentemente do motivo, a loira estava quase para explodir com o próximo que viesse lhe pedir algum favor “rapidinho”.
Já era bem tarde quando a mulher em fim parou para descansar. O salto que escolhera aquele dia, apesar de belíssimo, se tornara deveras desconfortável aquela altura. Sentada com um copo de dry martini na mão, observava o movimento com uma expressão concentrada. Queria relaxar um pouco, mas não estava no seu sangue deixar de trabalhar por um drink de mulherzinha, como seu pai chamava-o. Estava tão focada em esquadrinhar todo o lugar com os olhos que mal percebeu um homem sentando ao seu lado. Quer dizer, notou a presença dele, mas se limitou apenas em cruzar as pernas.
Devi gostaria de dizer que o tal teve a decência de notar que ela não estava para conversa e ido embora. Entretanto, o que aconteceu foi justamente o contrário. Ele limpou a garganta e se apresentou. “Arthur Cortez? Esse nome não me parece estranho?” Ela tentou ser simpática. O homem era bonito, vestia um belo terno Hugo Boss e os olhares que lançava para o corpo da loira deixavam claro seu interesse. Devi gostava de ver o desejo nos olhos alheios e não evitou corresponder aos sorrisos. Até que ele a convidou para jogar. Mesmo que quisesse recusar, o cara parecia bastante empolgado, como se a vitória sobre a loira gostosa já estivesse certa. Tão bonito... Mas ela odiava esse tipo de presunção em um homem.
Assim, aceitou e deixou que ele a guiasse para a enorme escada de mármore preto com a mão nas costas e descendo. Pretensioso, revirou os olhos. Depois da 4ª rodada ganha, já estava entediada. Havia descoberto de onde conhecia aquele nome e não queria continuar com aquele joguinho. “Por que você não assume a derrota para podermos ir direto aos negócios, Artie?” Indagou impaciente. Ele era filho de um antigo fornecedor espanhol que falhara com a Black Sheep um pouco antes dela se tornar vice. Cortez revesava entre falar algo útil e cantá-la. Uma vez que começava a falar sobre números, Devi de tornava totalmente profissional. Ou, quase sempre, mas aquele homem estava a irritando de verdade.
Voltou a prestar atenção no movimento do cassino (sem deixar de fingir que estava interessada nas propostas do fornecedor, claro) e não demorou para encontrar uma cabeleira castanha conhecida no andar de baixo. Não era incomum a loira se envolver com alguns fregueses do cassino, mas nunca ia além de uma noite. Ok, quem sabe duas. Ela se cansava rápido das conversas fiadas, dos cortejos semelhantes. Talvez (muito provável) fosse apenas uma desculpa para não se apegar.
Porém, com aquele homem era diferente. Já tinham passado da segunda noite a algum tempo e Devi sentia necessidade de ter mais dele. Notou uma faixa envolta da mão dele e ficou curiosa. Seria muita descortesia com Cortez deixá-lo falando sozinho? Hunf, as vezes ela se arrependia de colocar o trabalho em primeiro lugar sempre. Continuou ouvindo o fornecedor, mas sem tirar os olhos do moreno no bar, que não muito tempo depois olhou para cima. Devi sorriu e deu uma piscadela, voltando seu olhar para o cara a sua frente.
Na verdade, sua presença me é agradável.
Acho que aprendi a deixar a grosseria para lá. Pode me roubar, sou toda sua.
Claro. Um dia levei uma surra da minha chefe porque fui pra cama com o marido dela.
Não deveria fazer isso, eu não estava brincando quando disse que podia te roubar para mim.
Eu sinto muito, tem umas mulheres tão ciumentas, né? Ainda bem que isso não vai acontecer aqui, eu não tenho marido.
Certo, senhorita. Todas as pessoas andam irritadas.
Verdade, você me parece o tipo de mulher com quem eu odiaria comprar uma briga. Nunca subestimei a força de uma mulher.
E você tem que aguentar o mal humor alheio toda hora e ainda consegue ser adorável assim? Acho que vou te roubar para mim, principessa.
Isso porque você é uma mulher, claro.
Poxa, assim fico sem jeito. Ele não tem nada demais, eu só gosto de gastar com marcas, talvez esse seja meu maior pecado, mas quem liga? Dinheiro foi feito pra ser gasto mesmo, afinal, quando eu morrer não vou levar nada mesmo.
É, eu sei que sem você nada funciona lá, sem você o caos iria reinar, mas pense com carinho, tire pelo menos um final de semana fora, você merece, lidar com esse povo, lidar diretamente com o Caleb é mais desgastante do que parece, e se precisar de companhia sabe que eu to sempre disponível.
Não é para ficar sem jeito, você se veste muito bem e parece ser uma rainha. Concordo, até porque faço o mesmo com lingeries. Ainda vou falir depois de um desfile da victoria secrets. Eu comprei uma de um milhão de dólares e ainda nem tive a oportunidade de usar.
Tudo bem, mia regina. Prometo que no próximo final de semana ninguém verá nem sombra de Devi na Goat Skull. Eu sei, por isso te amo tanto.
Iria ser uma briga bem bonita. Anda irritada, senhorita? Quer conversar?
Gentlemen prefer the blondies. E pare de se subestimar, moça.
Eu diria mais que irritada, não nasci para aguentar desaforo. Mas com mais algumas doses que você vai me servir, eu ficarei bem.
Preferem porque acham que somos burras e fáceis como nos filmes americanos, depois ficam irritadinhos quando acham uma mulher loira que não abre as pernas para um sorriso e ainda é forte o suficiente para derrubá-los em dois segundos.
Ah, eu poderia estar atrasada o quanto for, ainda mais que quando vim pra ca eu renovei todo meu guarda roupa, eu faria um escandalo… Eu já nem gosto de uma briga né.
E mande todos pro inferno, tire uma semana de férias, faça uma viagem pro leste, pega um sol, veja homens bonitos, faça bastante sexo e volte revigorada.
Seu guarda roupa me dá inveja. Tenho que admitir que faria um escândalo se me vestisse como você.
Não posso fazer isso, pelo menos não nesse momento. Sabe o que é aquele lugar sem mim? Nada. Acha que quem resolve os problemas técnicos, dobra qualquer briga com maestria e ainda tem tempo para lidar com um líder idiota?
Isso é verdade. Mas hoje não estou para aguentar essas coisas.
Obrigada, senhorita. Mas acho que o título de lindas daqui já estão com você, Lis e Sasha.
Se quiser, eu soco a cara de qualquer um que tente passar a mão em você. Vontade de socar gente babaca é o que não me falta hoje.
Talvez estejam com as duas e você, eu fico humildemente com o segundo lugar. Morenas arrasam.
Nossa, e você simplesmente continuou andando? Eu faria um escândalo!
E me diga, como foi sua semana?
Estava atrasada, fazer escândalo só ia me atrasar ainda mais porque eu tinha que ir em casa mudar de roupa.
Irritantemente ruim. Caleb está me tirando do sério! E ninguém, além de você, fala comigo apenas para conversar, todos querem alguma coisa ou só fazer eu perder tempo.
Sem problemas. Mas é que fico constrangida com os velhotes me olhando…
Mas eu tô gostosa, não é?
Eles sempre olham e nós somos forçadas a pelo menos sorrir, afinal eles pagam nosso salário. Io te entendo.
É a mais linda dentre todas.