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(flashback 1976) we're on each other's team / echo & raizel
Echo caminhava na direção do St. Mungus com o coração na mão, não era ingênua e sabia que todas aquelas mínimas mudanças em seu organismo eram algo que ela fingia não acreditar. Os enjoos matinais cada vez ficavam piores e a ex-hufflepuff tinha que acordar mais cedo para ir pro trabalho numa tentativa de fazer com que eles passassem antes de dar o seu horário. O cheio forte de comida as vezes só piorava aquilo e seu apetite por vezes parecia ter multiplicado, ainda que muitas vezes acabasse correndo pro banheiro mais próximo. Sem contar sobre o seu atraso, algo que já havia lhe tirado o sono há alguns meses.
O término com Mike fazia com que ela ficasse ainda mais preocupada com o resultado daquele teste, sabia que precisava tirar aquela dúvida de uma vez por todas, mesmo já sabendo qual seria a resposta. Não estava preparada, nem para receber a notícia, nem para contar, nem para aceitar. Só conseguia pensar em como contaria para seus pais, ainda que soubesse que eles provavelmente lhe dariam um apoio sem tamanho, assim como haviam lhe dado quando ela resolver ir pra Hogwarts, ou até mesmo quando ela decidiu se mudar de vez para Inglaterra e arrumar um emprego no mundo bruxo. Mas o pior mesmo era como contar pra Mike, seu ex-namorado ou seja lá o que tivesse sido, com quem havia terminado apenas há algumas semanas e ainda estava se recuperando daquilo.
Respirando fundo e criando coragem para definitivamente entrar no hospital e pedir um dos healers do local para fazer o teste, a loira caminhou ainda que sentisse que suas pernas estavam levemente bambas. Assim que entrou, foi direto ao balcão principal e deveria estar mais pálida do que o normal, porque a moça que estava ali logo a encaminhara para uma healer e com o pouco de coragem que conseguiu juntar, ela disse o porque estava ali. A healer encarregada de fazer a poção para o teste de gravidez foi extremamente simpática com McBrennan e por um momento ela conseguiu se acalmar um pouco. Mas assim que o resultado saiu, a única coisa que a loira conseguia fazer era encarar a parede a sua frente, completamente paralisada. Não era pra estar tão surpresa, já sabia que aquela seria a resposta, mas finalmente cessar sua duvida e vir a certeza de que Echo estava sim esperando uma criança, era algo que ela não sabia muito bem como lidar.
A primeira reação de Echo foi correr pro banheiro mais próximo, se enfiando em uma das cabines e deixando que as lágrimas rolassem. Não sabia exatamente porque chorava, se era porque agora ela carregava uma parte de Mike com ela, ou se porque não se achava capaz de cuidar de uma criança, ou se não sabia se ele ia querer ajuda-la. As inúmeras incertezas na vida dela a partir daquele momento faziam com que o medo lhe consumisse e seu choro que antes era silencioso, passou a ser acompanhados de soluço. O desespero era claro, não sabia o que fazer dali em diante.
Eu não estou bêbada, Echo. Na verdade eu não fico bêbada tem umas três semanas. Não tem problema nenhum deixar Tams comigo, agora é bem seguro.
Três semanas? Isso é muito tempo pra você. Quer dizer, fico feliz em saber que você está lidando melhor com o álcool.
Tem certeza que não tem problema mesmo ela ficar com você? Posso ver com o Stu ou com outra pessoa.
I love the opportunity to do lots of different kinds of projects - independent films and big studio epics as well. I’d love to be able to do a mixture.
(flashback, november 1978) feels like a coming of age / echo & tristan
Aquela sem dúvidas era a época mais agitada do ano no Ministério da Magia, os corredores e elevadores eram lotados de rostos novos. Ex-alunos de Hogwarts, recém formados, enchiam o local com seus olhares repletos de esperanças de enfim encontrar o seu lugar no mercado de trabalho bruxo, de finalmente poder fazer aquilo que mais lhe agradava, sem a pressão de provas e matérias que não lhe interessavam. Echo se deixava contagiar por aquele novos ares que pairava pelo o local, ainda que houve uma certa preocupação quanto aos ataques que andavam acontecendo por ali. A energia que aqueles adolescentes lhe passavam, aquela certeza de que tinham um futuro brilhante pela frente, que tinham tudo planejado e que era apenas seguir aquela rota que daria tudo certo.
McBrennan era a prova viva que as coisas não eram tão fáceis assim, que nem tudo saía como o planejado e que as vezes a vida tinha uma forma torta de fazer as coisas certas. Fazer planos não era a melhor opção naquele momento da vida, mas ela não seria quem acabaria com os sonhos daqueles jovens. Era bom ver que eles ainda acreditavam naquilo, que ainda tinham esperanças de que tudo sairia como o planejado. A galesa ainda se lembrava da primeira vez que entrou no Ministério da Magia a procura de um emprego, depois de algum tempo afastada do mundo bruxo tentando encontrar uma forma de retornar ao mundo trouxa e enfim descobrir o que gostaria de fazer para o resto da vida. E foi naqueles meses que ela percebeu que já não fazia mais parte daquele mundo e que a melhor coisa a se fazer era voltar ao mundo a qual ela descobriu com 11 anos.
Ainda se sentia envergonhada por ter flertado com o chefe de sua atual divisão, mas por sorte havia se tornado grande amiga do homem, tornando assim mais fácil a convivência com aquele momento vergonhoso de desespero em que ela havia tentado trapacear por uma vaga. E junto dessa lembrança, também vinha o seu encontro com Mike. Naquela fase da vida ela já não sabia se aquele encontro havia sido algo bom ou não, mas ele havia lhe rendido uma filha e Echo sempre seria grata ao Applebee por ter lhe dado a pequena Tamsin, ainda que ele não tivesse vindo incluso no pacote.
Naquela manhã, após deixar a filha na casa de seus pais como de costume, ela seguiu para o Ministério para mais um dia de trabalho. Seu chefe já lhe havia avisado no dia anterior que um novo estagiário ia começar a trabalhar na divisão e que ela seria a encarregada de apresentar o local pra ele, assim como também o orientá-lo nos primeiros dias. O nome do rapaz era Tristan Scamander, que tinha um sobrenome tão conhecido naqueles corredores e principalmente naquele departamento. Ela estava empolgada para conhece-lo, adorava conhecer pessoas novas e sabia que aquele ar mais jovem por perto sempre lhe fazia bem, era por isso que gostava tanto de passar algum tempo com Pippa.
Assim que colocou os pés no andar de seu departamento, ela pode avistar um rosto novo bem na entrada e tinha quase certeza que pelos cabelos claros, ele era o novo estagiário. “Olá!” Cumprimentou-o antes de entrar no local e colocar a bolsa em sua mesa, voltando poucos segundos depois. “Tristan Scamander, certo? Prazer, Echo McBrennan.” Disse com um sorriso no rosto, estendendo a mão para o mais novo. “Eu sou a responsável por você nesses primeiros dias e digamos que você está com sorte. Prometo não pegar tanto no seu pé.”
{flashback} Welcome to the tea party | Echolf feat. Tamsin
Aleksander era um desastre ao que dizia respeito a interações sociais. Quando publicara seu primeiro livro na Romênia, achara que o máximo que teria de enfrentar seriam sessões de leitura em casas de asilos, onde os idosos gostavam das histórias fantásticas dos romenos que sempre os lembravam de suas infâncias mágicas; ou mesmo sessões de perguntas e respostas para os visitantes do museu que conhecessem suas obras e desejassem tirar dúvidas sobre a mesma direto da fonte. Tudo aquilo parecia fantástico e suportável, mas, como todas as situações de sua vida, mais aquele aspecto havia saído do controle de Avramoska e, pela primeira vez, de um modo até bastante positivo. Seu livro tornou-se um sucesso gigantesco dentro da própria Romênia, logo depois quebrando as barreiras de seu país e chegando a outros espaços do globo. E aí os pesadelos começaram.
Entrevistas de imprensa, sessões de fotografia – as quais Alek detestava especialmente. Era um martírio caminhar pelo Beco Diagonal de Londres e deparar-se com retratos de si mesmo quando entrava nas livrarias ao longo das ruas mágicas, seu rosto encantado sempre esboçando o mesmo desespero de fugir dali ainda que aquele detalhe fosse visto somente pelo próprio autor. Mas nada era pior do que encarar a horda de pessoas lhe perguntando sempre as mesmas coisas: “De onde vem sua inspiração?” “Existe algum personagem no livro que te reflete?” Essas eram as piores coisas para Aleksander, sobretudo quando sentia que ele era sempre o único a ceder respostas, mas nunca a receber nenhuma em troca.
Quando conheceu Echo, sua perspectiva dos próprios fãs mudou. Sempre achara que sua fanbase era composta de adultos, ou de simpatizantes de magia negra, histórias de horror ou o simples mundo sobrenatural. Nunca imaginara que conheceria uma jovem de sua idade que, em horas de conversa, lhe faria colocar em perspectiva seus próprios pensamentos. Pela primeira vez naquela jornada, Alek sentiu-se o leitor e não mais o escritor, e aquela fora a razão pela qual pareceu tão simples e tão fácil convidá-la para um chá.
O lugar combinado seria o apartamento do romeno, visto que privacidade era algo pelo quê prezava. Além do mais, havia livros para discutirem e edições para serem trocadas. Diferente de prévias fãs por quem Avramoska até chegara a interessar-se por uma noite ou outra, a curiosidade provinda de McBrennan eram muito mais intelectual e tal perspectiva mudava todo o assunto. De repente ficava mais fácil ser Skender, e não apenas assumir o nome em eventos beneficentes ou sob a pressão de uma pena de repetição rápida alternando cada uma de suas frases. Ou até mesmo para aproveitar algum lado de toda aquela fama.
A chaleira apitava pairando sobre o fogão quando o som da campainha juntou-se à sinofia espalhando-se pelo cômodo. Alek sorriu satisfeito, sabia que era Echo que havia chegado. Cuidadosamente agitou a varinha em um gesto para retirar a chaleira do fogo, incubindo a mesma de colocar a água fervente nas xícaras dispostas de maneira organizada na mesa de centro conforme deixava o apartamento. Uma única olhada no relógio de bolso, aquele que era relíquia de seus pais e que mantinha consigo quase em tempo integral, constantou que McBrennan era uma jovem pontual. Novamente o leve sorriso cruzou os lábios do moreno, estava deveras ansioso para discutir tantas teorias com alguém pela primeira vez, tanto que seu caminho das escadas até o hall do pequeno prédio fora rápido e logo Avramoska abria a porta para cumprimentar a nova amiga.
– Domnişoară McBrennan, é um prazer revê-la! Espero que não tenha problemas com subir escadas pois moro no andar de cim… – E então as palavras morreram em seus lábios quando as íris verdes focaram no que Echo trazia nos braços. Aquilo não era nenhum de seus livros. Na verdade, aquilo não era livro de autor algum que Aleksander pudesse algum dia ter visto na vida. A menos que tal livro viesse com quatro membros, um emaranhado loiro de cabelos no topo da cabeça e um sorriso extremamente inocente e animado, que de nada se igualava a expressão horrorizada que de repente havia tomado conta do rosto de Alek.
Echo tinha uma filha.
Mesmo a fala dela pareceu sumir enquanto Avramoska observava os lábios dela moverem-se numa frase que ele jamais ouviu, pois sua mente ocupava-se em simplesmente tentar entender como diabos perdera a parte da conversa onde McBrennan dizia ter uma filha. Ou mesmo que a traria junto para o chá deles. Se estivesse ciente de suas ações, teria controlado o arquear mútuo das sobrancelhas ou o ligeiro horror de seus traços, porém não era como se tivesse como esconder aquilo. Seu passado lhe condenava e atualmente Aleksander simplesmente apavorava-se diante de crianças, amendrontado demais pelo que um dia havia feito para sequer conseguir não portar-se como um perfeito idiota diante das mesmas.
Um ligeiro palavrão sussurrado em sua língua materna escapou, antes que Alek pudesse piscar e retomar o controle da situação. Echo não tinha culpa de ter uma filha e menos culpa tinha ainda de Avramoska apavorar-se com tais pequenos seres. Não era que ele odiava crianças… Uma parte sua sonhava em formar uma família, mas aquele sonho morria à cada lua cheia e era lembrado cada vez que via mães caminhando por Londres com bebês, ou pais segurando a mão de garotinhas pela calçada. Os gritos enchiam seus ouvidos e tudo o que Aleksander queria fazer era correr sem rumo para longe daquilo. O que não era diferente do que acontecia no momento.
Todavia, ciente de que Echo não receberia suas reações de modo positivo e não desejando que ela pensasse que ele havia odiado a pequena criatura em seus braços logo no primeiro contato, lhe restou pigarrear. Ele teria que sobreviver àquilo. Não podia arriscar a amizade com a inglesa por culpa de seus traumas, daquela vez os fantasmas teriam que esperar.
– Ahn, isso é… Inusitado. – Quase tímido, arriscou, afastando-se da porta para empurrá-la e criar espaço para McBrennan entrar. Havia uma mão na porta e a outra subindo quase sorrateira para seus próprios cabelos, num gesto discreto de nervosismo. – Me desculpe, eu não sabia que traria sua… Uh, é sua filha? Não deve ser bom ficar nesse clima com uma criança, então vamos subir. Eu já, ahn, disse que é um prazer revê-la? É um prazer revê-la, Echo. Echo e… E sua filha, eu acho.
Echo havia passado todas aquelas semanas pensando em seu próximo encontro com Skender, a empolgação era visível. A todo momento ela pensava em quais livros levar, já que eles possivelmente trocariam edições e claro que ela não perderia a oportunidade de levar os livros dele para finalmente conseguir seu autógrafo. Por conta do trabalho, ela nunca tinha conseguido ir em uma sessão de autógrafos do rapaz, comprando suas edições dias depois e não tendo o prazer de conhecê-lo. Mas aquilo havia mudado no dia que ela o reconheceu em um bar e mesmo sabendo que ele provavelmente odiaria que alguma fã atrapalhasse aquele momento de lazer dele pra enchê-lo de perguntas, ela não pode deixar de aproveitar a oportunidade. E por conta daquilo, agora ela estava a caminho da casa do autor para um chá. Aquilo parecia surreal demais.
O caminho inteiro até a casa de Aleksander, a loira continuava repassando em sua mente a conversa que teve com ele da outra vez, tentando lembrava se havia mencionado Tamsin em algum momento. E ela se xingou mentalmente por não lembrar, estava tão empolgada por finalmente poder compartilhar seus pensamentos com alguém que ela admirava que dar detalhes sobre sua vida pessoal parecia algo tão inútil. Pensou que deveria ter arrumado um jeito de avisa-lo que levaria a filha, mas como tudo havia acontecido de última hora, a coruja provavelmente chegaria junto com ela ou poucos minutos antes.
Todas as soluções que havia pensado, nenhuma parecia de fato resolver a situação. Deixar a filha com Mike a atrasaria por ter que se deslocar até lá e sem um aviso prévio, se quer sabia se ele estaria e não queria dar motivos para reclamações alheias. Já bastava ter que aguentar Jules falando sobre golpe do baú e Matthew a tratando mal. Sabia também que Pippa estava ocupada, assim se o ex não tivesse em casa, ninguém estaria disponível para cuidar da criança. Echo odiava depender dos outros e havia passado a odiar mais ainda quando qualquer momento que dependia deles era usado contra ela.
O sorriso envergonhado que havia aparecido em seu rosto no momento em que Skender abriu a porta, foi trocado por um torcer de lábios. A reação alheia havia sido muito pior do que a ela tinha imaginado. Sabia que ele não acreditaria e que ele ficaria espantado. Mas havia algo a mais na expressão dele, algo que ele parecia esconder só que com a surpresa do momento, ele não tinha consciência de suas ações. E naquele momento, ela voltou a se xingar novamente. Deveria ter arrumado um jeito de avisar.
Sabia que tinha pessoas que não sabiam lidar com crianças e que ele poderia muito bem ser uma delas, mas estava tão acostumada com todos se apaixonando pela pequena em seus braços tão rapidamente que as vezes esquecia disso. Esquecia que em algum momento da vida ela mesma não sabia como lidar, que ela esperava ter uma criança lá pelos trinta anos e que tudo havia mudado quando descobriu a gravidez. E que todo o apoio que tivera a sua volta foi fundamental para a adaptação dela.
A ex-lufana não sabia nem por onde começar a explicar o fato dela estar parada a porta alheia com uma criança nos braços ao invés de um par de livros, ainda que esses estivessem em uma das bolsas que ela carregava. Queria pedir desculpas, perguntar se ele preferia que ela voltasse outra hora ou simplesmente falar qualquer coisa e não deixar que aquele silêncio estranho existisse ali. Ela que sempre sabia o que falar, não fazia ideia do que falar.
Quando finalmente ouviu a voz alheia, ela soltou um suspiro de alívio. “I know, I’m sorry.” Disse fazendo uma leve careta, ela realmente sentia muito por aquela situação. Ele parecia mais uma vez extremamente confuso com aquilo e por um momento ela desejou saber o que passava na cabeça dele. Mas com o convite alheio, enfim adentrando o local. “É, minha filha. Me desculpe, não era minha intenção trazê-la. Mas houve um imprevisto e meus pais precisaram deixar a cidade e eles que ficariam tomando conta dela pra que eu pudesse vir aqui. E eu não tinha como quem deixa-la e não queria desmarcar. Me desculpe, eu pensei em lhe enviar uma coruja falando sobre, mas seria inútil já que ela chegaria quase junto comigo.” O tom de vergonha era claro na voz de Echo. Ela tinha a necessidade de se explicar pra ele, parecia tão errado pega-lo de surpresa daquele jeito.
“É um prazer revê-lo também.” Disse abrindo um sorriso, ainda com toda aquela situação estranha, ela realmente estava feliz de encontrar com ele novamente. “Como prometido, trouxe alguns livros pra finalmente ter seu autógrafo neles.” Puxou o assunto que havia levado ela até ali, numa tentativa de mudar o foco daquilo.
Ele não foge por mal é só que… Prefere evitar conflitos, você deve conhecer o Mike mais do que eu, tenho certeza, então sabe como ele é. É horrível, Echo, cansativo demais. Como você consegue ser mãe e trabalhar? Eu não conseguiria, tenho certeza.
De certa forma, mas o Freddie é bem compreensivo com isso, as vezes ele fica quietinho só me vendo ler, esperando uma pausa pra poder falar comigo. Esse fim de semana é do Mike? Se não for eu posso te fazer uma visitinha, caso não for incomodar, claro. Oh, Merlin é testemunha do quanto ensinei ele a usar a fralda, felizmente ele aprendeu.
É, eu sei. As vezes é melhor evitar conflitos mesmo. Cansativo é, mas você tem que pensar que o que está fazendo é para o bem do seu futuro, então pra conseguir algo lá na frente é necessário batalhar. Com muita ajuda, sério. Se eu não tivesse as pessoas que tenho ao meu redor, eu não seria nada.
Isso é ótimo, é bom quando a pessoa é compreensiva assim, mostra que ela está nessa junto com você. Não, esse fim de semana é meu. Claro que pode fazer uma visitinha, não é incomodo algum. Pensei que Tams ia parar de usar fralda e ele ainda não ia ter aprendido a colocar, mas ainda bem que no fim deu tudo certo, assim ele não depende de você pra isso.
Echo! Não, nunca fugiria de você, Applebee errado. É só que as coisas andam complicadas demais. Quando não estou trabalhando, estou estudando. Não tenho visto nem mesmo o Freddie direito. E a Tams então… Estou morrendo de saudades dela.
E você, como está a vida dividida entre trabalho e deixar a Tams com o Mike?
Acho bom mesmo, já basta um Applebee fugindo toda vez que faz algo errado. Imagino que devem estar complicadas mesmo, nunca estudei e trabalhei ao mesmo tempo, mas sei muito bem como é se dividir em duas tarefas que exigem muito.
Poor Freddie, perdendo a namorada pros livros e pro trabalho. Te garanto que ela também está morrendo de saudades de você. A parte mais difícil disso é deixar ela com ele, nunca se sabe como vai voltar. Pelo menos agora ele sabe colocar a fralda direito, foram meses pra aprender a ajeitar um pano e um alfinete.
Olha só se não é a senhorita sumida. Por um acaso anda fugindo de mim? Da última vez que fui buscar a Tams, você não estava em casa. E faz uns dias que não te vejo por aqui.
Muito ocupada?
(flashback 1976) trying to push this problem up the hill when it's just too heavy to hold / mcbee
Echo já sabia o que estava acontecendo quando Mike terminou com ela, tinha quase certeza do que estava por vir, mas o choque do término havia sido tão grande pra ela que se quer tinha conseguido pensar em comentar sobre aquilo. Ainda mais quando não tinha certeza se era real ou só coisa da sua cabeça. Ela era esperta o suficiente para saber que era real, mas era muito mais fácil acreditar que não era verdade. Era nova demais para carregar aquela responsabilidade, não ia dar conta daquilo e daria menos ainda agora que Mike havia terminado o que eles tinham. Havia sido extremamente imatura em sua última conversa com o rapaz, coisa que ela raramente era. Mas ela amava tanto ele, era praticamente inconcebível a ideia de que ele não sentia o mesmo por ela e esse era o principal motivo pelo qual aquilo não ia se tornar mais sério. Seu vasto conhecimento sobre romances, já havia lhe alertado que um coração partido doía, mas ela podia jurar que era algo que não aconteceria com ela ou que se acontecesse, ela saberia como lidar. Mas a dor que ela sentia era ainda maior do que a dor que ela imaginava que os personagens sentiam.
Tinha se passado apenas algumas semanas do término, mas agora ela tinha certeza do que estava acontecendo: a loira esperava uma criança de Mike. Enquanto caminhava pelos corredores do Ministério, a moça que sempre carregava um sorriso no rosto, agora mantinha um expressão apreensiva. Não sabia como contar, não sabia nem por onde começar. Se quer sabia se ele ia querer conversar com ela depois do episódio do término. A cada passo que dava na direção do departamento alheio, sua vontade era de na verdade correr o mais rápido possível na direção contrária. O que ele pensaria dela? Como seria a reação dele? Ele pensaria que aquela era a forma dela de conquistar ele de volta? Por mais que doesse pensar que eles não tinham mais nada, ela nunca faria aquilo com ele. Mike era um dos seus melhores amigos, ela não usaria aquela gravidez para isso, por mais que a possibilidade deles voltarem a ter algo fosse grande e que o coração despedaçado de McBrennan insistisse em ter essa esperança, como se ele quisesse ser mais uma vez despedaçado caso o Applebee não quisesse ter mais nada com ela. Respirou fundo antes de entrar no departamento e sentiu o coração acelerar quando viu o ex-lufano parado há alguns metros. Sentiu a boca secar, o corpo inteiro tremer e para tentar disfarçar todos aqueles sinais, ela tentou sorrir, antes de se aproximar dele. “Mike...” A coragem tinha sumido, junto com as suas palavras. “Nós, hm, precisamos conversar.” Disse de olhos fechados, não conseguia encara-lo, se fizesse isso nunca teria coragem de falar.
Diary of Echo | Oh, you make me feel so weak.
Terça-feira, 14 de fevereiro de 1978
Sempre achei engraçado aquela história de que as pessoas tem tendência a gostar de quem não dá a mínima pra elas ou que ao menos não sente o mesmo. Parecia uma coisa boa nos livros, algo que dava um bom desenvolvimento ao personagem principal. Mas ninguém nunca me contou, nem por meio de livros, que ser o protagonista dessa história, dói.
Sei que não deveria sentir pena do Flint por todo aquele tempo que ele passou tendo uma obsessão por mim, mas acho que finalmente entendi o que ele sentia quando eu o rejeitava. É estranho se colocar no lugar dele, ainda mais quando ser colocada no lugar dele não foi algo que eu quis fazer, simplesmente me colocaram lá sem chances de ir para outro lugar. E dói. Dói saber que o que você sente por alguém nunca vai ser correspondido na mesma intensidade, que talvez aquele sentimento nunca exista para a outra pessoa. E cada um tem uma forma de viver esses momentos de dor e você não pode julga-los por isso. Alguns choram, alguns apenas sofrem em silêncio, alguns tentam machucar outras pessoas, alguns tentam seguir em frente e outros só se afundam nessa tortura sem saber o que fazer.
Flint escolheu me machucar, ele achou que talvez me machucando, no caso em forma de ameaças e cartas anônimas, eu sentiria um pouco da dor que ele sentia. Não estou dizendo que isso justifica tudo que ele fez, mas as coisas parecem começar a fazer sentido. Ele desistiu da ideia de que um dia eu pudesse sentir o mesmo por ele e resolveu se jogar na ideia de que se eu sofresse tanto quanto ele, talvez ele pudesse seguir em frente e ser feliz de alguma forma. Existem pessoas que sentem prazer na dor dos outros, talvez ele seja uma dessas.
O ponto em que eu quero chegar é: eu deveria aceitar que Mike não sente e nunca sentiu o mesmo que eu sinto por ele todos esses anos. E que eu posso ser feliz sem ele, que eu posso sair desse estado de tortura. Que eu posso finalmente respirar e não sentir dor por isso. Não sentir que falta algo. Que eu posso ser como as protagonistas do livros que eu li, que eu posso sim usar isso ao meu favor, usar isso para o meu amadurecimento. Mas porque é tão complicado fazer tudo isso? Por que é tão dificil simplesmente deixar ele ir? Por que é tão doloroso aceitar tudo isso e seguir em frente? Por que é tão mais fácil criar a fantasia dentro da mente de que um dia quem sabe ele vai perceber que gosta de mim da mesma forma como eu gosto dele? Por que o caminho certo é sempre o mais dificil?
Eu não o culpo por não sentir o mesmo, isso não é algo que se escolhe fazer. Eu não escolhi ama-lo, assim como ele não escolheu não me amar da mesma forma. Eu só queria ser forte o suficiente para conseguir fazer essa dor parar de existir, fazer meu coração parar de perder o compasso quando vejo ele entrando na minha sala para buscar Tamsin. Eu só queria conseguir aceitar que não tem mais volta.
Echolf’s moodboard: Echo’s point of view.
How would you prefer to die?
Eu parei de pensar em como quero meu futuro faz um bom tempo, então nem sobre como eu gostaria de morrer eu gosto de pensar.
What is the ultimate gesture of total trust?
Acredito que não exista só um gesto, acho que confiança é algo que você conquista aos poucos, com vários gestos. E demonstrar confiança é algo também que pode acontecer com vários gestos. Não existe só um meio disso, existem vários...Cabe a você saber qual é o melhor pra cada momento e pra cada pessoa que entra na sua vida.
fb: se imagina casada? sendo mãe?
Claro que sim. Assim que eu encontrar o amor da minha vida, vou me casar e então formar uma família.
Mas espero que isso demore um tempo pra acontecer, porque não sei se estou preparada pra isso apesar de querer muito.