i should be over all the butterflies but i'm into you. appirling (flashback, july 1977)
A vida era feita de decisões. Decisões que haviam sido tomadas, decisões que foram ignoradas. Pequenas, grandes, muito importantes. Decisões próprias ou de terceiros que, de uma forma ou de outra, acabavam influenciando em vidas que alheias. Haviam ainda aquelas pessoas que decidiam as coisas por puro impulso, e ás vezes se arrependiam, ás vezes davam sorte; Freddie não. Frederick fazia cálculos, montava teorias, criava suposições. Imaginava cada pequena probabilidade de sua ideia dar errado ou certo, pesava os prós e os contras, e jamais fazia algo se não tivesse total certeza do que estava fazendo. Ele era o Stirling inseguro, o mais covarde entre seus irmãos, era verdade, mas aquele era Freddie, o que estava sempre com um pé atrás, que não tinha palavras duras para proferir, que evitava conflitos. Ele sempre fora adulto demais para seu corpo jovem, o que muitas vezes era recebido com estranheza por parte de sua família, de seus amigos e colegas.
Então, naquele dia, estar agindo com uma parcela bem grande de insegurança sobre o que estava fazendo (não por não saber se queria ou não ter Pippa ao seu lado, mas por estar em dúvida sobre como ela reagiria), aquela era uma novidade e tanto para o rapaz. Seu coração batendo forte e acelerado contra seu peito era uma das provas do seu nervosismo. Entretanto, seu aperto nas mãos de Pippa era firme, não a ponto de machucá-la, mas para mostrar que sua ideia não era sair correndo dali. Ele queria mostrar suas convicções.
A maior parte dos alunos já havia retornado para o castelo após a formatura. Haviam apenas alguns que ainda permaneciam com a intenção de apreciar um pouco mais o que ainda lhes restava da paisagem incrível dos jardins de Hogwarts, e para aproveitar o dia lindo que fazia. Era estranho estar se comportando daquela forma em meio a pessoas que ele mal conhecia, mas Freddie sabia que se deixasse aquela oportunidade passar, ainda mais depois que já havia iniciado seu pequeno discurso, tudo poderia acabar dando errado, e ele não poderia correr o risco de perder Pippa e acabar se arrependendo depois.
“Minha cabeça está tão cheia, que se eu dissesse tudo o que está se passando agora, sairíamos daqui somente na semana que vem.” Ele sorriu, nervoso, mas a brincadeira havia sido uma tentativa de descontrair o clima. Precisava se acalmar e continuar colocando em palavras o que estava sentindo. Tarefa difícil, mas necessária. “Mas para que a minha ideia de futuro se concretize, eu precisaria de uma resposta sua. Não é minha intenção te pressionar sobre qualquer assunto, ou apressar as coisas sem saber e acabar estragando tudo, então…” Freddie respirou fundo, suas mãos ainda segurando as de Pippa quando se aproximou mais um pouco para poder ver o rosto da garota que ele amava há tantos anos, mais de perto. “Se estiver se sentindo desconfortável com essa situação, ou se achar que eu estou exagerando, por favor, me diga. Só que, por algum motivo, eu sei que não posso evitar de te perguntar isso nesse momento, porque a ideia de sair daqui sem uma resposta, ou sem ao menos uma tentativa que for, me incomoda. Então, hm, Pippa… você me aceitaria como seu namorado?”
Pippa poderia dizer para qualquer pessoa que ela possuía dois melhores amigos na vida: Skylar e Frederick. Ela poderia também incluir seu irmão, Mike, na lista. Não por ele de fato ser seu melhor amigo, mas por ele saber tudo que apenas seus melhores amigos sabiam graças ao dom dele. Mike constantemente entrava na mente da pequena Philippa – perto do mais velho ela era, de fato, muito pequena, talvez aparentasse ser ainda uma criança do alto de seu pouco mais de um metro meio de altura. E uma vez dentro da mente de Pippa, Mike vasculhava tudo até encontrar algo para irritá-la, chantageá-la ou, por raras vezes, animá-la. Entretanto, mesmo com tal mania idiota de fazer isso com a garota, Pippa amava Mike, amava seu irmão. E o amava mais ainda por ele ter lhe dado o presente maravilhoso que era Tamsin tão pouco tempo depois de perder sua mãe. Aquele pequeno bebê havia devolvido basicamente toda a alegria da família Applebee, que se dissipara com a morte de Georgina.
O último ano havia sido uma loucura para Pippa e ela tinha certeza que não teria conseguido chegar até a formatura se não tivesse Freddie a seu lado. E não apenas no quesito matérias, mesmo que muito importante a ajuda dele durante as aulas, não era só isso. Fora o afeto e o carinho de Freddie que havia dado forças para Pippa superar a morte de Georgina, a jovem encontrou-se completamente sem chão após perder a mãe. Tams e Freddie foram os responsáveis por Pippa não enlouquecer e deixar que a dor tomasse conta de tudo.
Ainda era estranho para ela ter chegado ao fim de seu tempo em Hogwarts, parecia surreal saber que não voltaria mais para o Castelo em setembro, que não mais encontraria seus amigos, que teria que tomar uma decisão sobre o que faria, se permaneceria em casa com seu pai e irmão ou tentaria arranjar um lugar para morar em Londres. E, a sua maior dúvida, que residia em como as coisas com Freddie ficariam.
Os demais alunos passavam por eles sem demonstrar interesse nos dois jovens de mãos dadas ali, estavam mais preocupados em voltar para o Castelo para começar as despedidas. Mas o coração de Pippa importava-se apenas com o que aconteceria naqueles momentos seguintes com o que Freddie queria tanto falar. A garota riu com a maneira desajeitada com a qual ele começou a falar. “Eu não me importaria de ficar aqui até semana que vem com você.” Respondeu suavemente demonstrando que não teria problema algum se ele se enrolasse por mais alguns minutos ou dias para enfim colocar para fora tudo o que queria. Ouviu atentamente o que ele continuava dizendo, a cada nova palavra o coração de Pippa dava um solavanco e seu corpo parecia congelar. “Então...?” Incentivou Freddie a continuar falando, não aguentaria se ele parasse por ali. Mesmo nervosa com o que poderia acontecer, seu sorriso ficou ainda maior com a aproximação dele. Segurando firme as mãos dele nas suas, Pippa concentrou-se no que ele dizia.
E por um momento ela acreditava não ter escutado direito, parecia ser surreal demais estar realmente ouvindo o que tanto desejava ouvir: que Freddie também gostava dela da mesma maneira que ela gostava dele, não mais como amigos. E que queria ser seu namorado. Os momentos seguintes foram uma confusão de assentir com a cabeça demonstrando que sim, o aceitava como seu namorado; tentou dizer sim por algumas vezes, mas a única coisa que saiu foi um embolado de sons que não faziam sentido algum; e então finalmente o abraço, Pippa sem nem pensar ou avisar saltou para cima de Freddie, enlaçando seu pescoço e levantando seus pés do chão. Quando enfim retornou à ficar de frente para ele, após conseguir se controlar melhor, ela pôde enfim responder com clareza. “Sim. Claro que sim!” Disse antes de aproximar-se para colar seus lábios aos dele.














