sometimes even good boys need a little help 𔘓 | lust for life book of smuts!
descrição: Eddie é um jovem doce e dedicado que precisou fazer um bico como atendente na cafeteria Le Coin Doux, um lugar que vendia sobremesas tão deliciosas quanto o menino, e é lá que ele encontra o homem que será seu namorado futuramente, o tatuador e body piercer Richie Tozier, que é sempre um namorado tão bonzinho, pra na cama ser agressivo do jeitinho que o garoto adorável gosta.
tag's: dom/sub relationship, established relationship, praise kink, spit kink, size kink, deep throat (pesada), bondage, multiple orgasms, overstimulation, orgasm control/denial, use of toys and dirty talk.
número de palavras: +/- 17400k
• a criação desse capítulo teve como intuito focar no começo da relação do Eddie e do Richie, como se conheceram e em como eles introduziram a prática do bdsm em seu relacionamento.
• o Eddie vai ser superestimulado durante toda a cena, o que consequentemente o fará chorar e implorar muito. Como eu sempre aviso, se esse tipo de conteúdo não te agrada, peço para que por favor, não leia! ♡
O relógio na parede era grande e rosa, que refletia as luzes do estabelecimento, e de acordo que os segundos passavam, o tique-taque ficava mais intenso dentro da cabecinha de Eddie.
O garoto com seus cabelos caindo sobre a testa, os fios castanhos bem clarinhos e com poucos cachos adoráveis tinha seus olhos enormes seguindo com afinco o movimento suave do ponteiro vermelho dos segundos, desejando que aquilo influenciasse para que a hora passasse mais depressa.
Le Coin Doux estava vazia, as mesinhas de mármore branco manchadas por anéis de xícara, as cadeiras de veludo rosa empurradas para baixo, a vitrine de doces quase vazia restando apenas um pedaço de torta de limão e três bombas de chocolate. O expediente dele terminava em dez minutos.
Num dia normal, Eddie ficaria imensamente feliz pelo fim do expediente exaustivo, por poder finalmente tirar aquele avental com rendinhas falsas nas bordas que a gerente obrigava todos a usar, por poder guardar o bloquinho de pedidos e a canetinha, por poder atravessar a rua e entrar no estúdio do Richie.
A questão era que ele não poderia fazer isso hoje. Pelo menos não com a raiva que sentia do namorado naquele momento. Querem saber o motivo dessa raiva? Bem...
Não era segredo pra ninguém que Eddie era cobiçado por boa parte dos clientes que frequentava o local, e quem poderia julgá-los? Eddie tinha aquele jeitinho adorável e meigo que conseguia fazer todos caírem aos seus pés como dominós, apesar de Richie ser o único com quem o garoto realmente se importasse.
Seu namorado, Richie Tozier, era um homem atraente de vinte e nove anos que era dono de um estúdio de tatuagens na mesma rua da cafeteria em que Eddie trabalhava. E certo dia ele chegou no estabelecimento acompanhado por uma amiga ruiva que claramente também era tatuadora, durante todo o tempo em que ficou no café, lançou olhares nada discretos na direção de Eddie, que o retribuiu algumas vezes com um sorriso meigo e um tanto tímido.
Richie tinha olhos castanhos, usava óculos de grau com armações quadradas e finas, tinha um cabelo de um tom de castanho tão escuro que chegava a ser preto em certas luzes. Aquele homem passava os dedos enormes pelo cabelo o tempo todo, principalmente quando estava nervoso ou concentrado, e o resultado era aquele caos bonito que fazia Eddie querer enfiar as mãozinhas ali e puxar.
Ele podia ver de longe o brilho do piercing transversal que ele tinha na orelha esquerda e diversas tatuagens finas pelo braço esquerdo. Apenas o esquerdo. O direito era limpo e sem nenhuma manchinha, nem uma tatuagem, nem um risco de caneta, a pele clara e lisa, com algumas sardas perto do ombro
Eddie sempre fora estritamente profissional em todos os trabalhos que tivera, por mais que fossem apenas bicos, tanto que aquela foi a primeira vez em que ele cogitou passar seu número para um cliente. Mas se manteve firme e disposto a dificultar as coisas um pouco para o mais alto, já que havia deixado tão óbvio seu interesse por ele.
Não passou o número do seu celular, mas teve uma surpresa no final do expediente quando Richie apareceu na cafeteria novamente, se oferecendo para acompanhá-lo até em casa. Eddie aceitou e eles conversaram durante todo o caminho e apenas quando chegaram no prédio que Eddie morava, o mais novo ao invés de escrever seu número de celular no dorso da mão do tatuador, marcou os horários em que trabalhava na cafeteria. Se Richie o quisesse, ele que fosse atrás.
E ele foi. No dia seguinte ele apareceu na cafeteria com um ursinho pequeno nas mãos, entregando para o gatoto de um jeitinho meio acanhado que Eddie achou completamente adorável. Richie veio com uma desculpa de que: "Consegui pegar naquelas máquinas malditas. Achei que parece com você, mas tudo bem se não aceitar." Claro que Eddie aceitou.
Richie começou a frequentar a Le Coin Doux todos os dias no horário do turno de Eddie. Pedia um café expresso duplo, cheio de açúcar, e uma bomba de chocolate que ele sempre guardava para comer depois, alegando que gostava de doces mas que "O atendente já era doce o bastante". Eddie fingia que não ouvia, mas a pontinha das orelhas corava e o sorrisinho bobo escapava antes que ele pudesse controlar. Desde então os dois começaram a se encontrar e sair sempre que podiam, apesar de parecerem tão opostos um do outro, eles tinham lá suas semelhanças.
Eddie admitia que tinha sido ele mesmo a pedir que as coisas entre os dois fosse um pouco devagar, mas isso apenas porque não queria acabar com um coração partido. Se sentia inseguro por conta de todas as coisas que as pessoas costumavam falar sobre Tozier, e ao mesmo tempo ficava confuso porque o homem era o completo oposto quando estavam juntos.
Provavelmente pelas tatuagens e risada alta demais, os outros clientes não gostavam muito quando Richie aparecia por lá, eles reviravam os olhos, trocavam olhares de desdém, alguns até se levantavam e iam embora antes mesmo de terminar seus pedidos. Eddie odiava aquilo. Odiava a forma como tratavam Richie como se ele fosse um marginal ou alguém perigoso, quando na verdade o tatuador era a criatura mais gentil que Eddie já tinha conhecido.
Richie segurava a porta para estranhos. Richie dava dinheiro para os moradores de rua da região e nunca deixava Eddie ver, como se tivesse vergonha da própria bondade. Richie tinha um sorriso fácil e uma paciência absurda com clientes nervosos que quase desmaiavam na cadeira de tatuagem. Richie ligava toda noite para a mãe doente, mesmo depois de ela ter lhe dito coisas terríveis quando ele se assumiu bissexual.
Mas as pessoas olhavam para os braços cobertos de tatuagens, para as roupas quase sempre muito escuras, para a risada que ecoava alto demais, e já decidiam tudo o que precisavam saber.
"Por que você continua vindo aqui?" Eddie perguntou uma vez, depois de um cliente fazer questão de pedir para ser atendido por outro funcionário porque "aquele tatuado ali na mesa do canto tá me deixando desconfortável".
Richie apenas deu de ombros, os ombros largos subindo e descendo devagar. "Porque você está aqui."
E era isso. Sempre era isso.
A campainha da porta tilintou mais uma vez e Eddie ergueu os olhos do balcão, já sabendo quem era. O relógio rosa marcava 17h55. Cinco minutos para o fim do expediente e ele estava atrás do balcão da cafeteria, de avental branco com os braços cruzados, testa franzida, enquanto Richie entrava pela porta com um olhar de cachorrinho que se perdeu na mudança, totalmente arrependido da discussão que tiveram no dia anterior.
No momento atual, as coisas entre Richie e Eddie não estavam tão boas, os dois tinham um relacionamento praticamente perfeito, mas as coisas nem sempre são flores.
Eles tinham tido uma discussão boba sobre o novo chefe de Eddie, que parecia bastante interessado nele, e, no calor do momento os dois acabaram falando besteiras, assim como pode acontecer com qualquer um, mas tinham coisas que Eddie não se arrependia de ter dito.
Claro que ambos conseguiam ser um pouquinho ciumentos um com o outro e no fundo gostavam um pouco disso. Eddie, por exemplo, se sentia amado quando o nanorado o segurava possessivamente pela cintura na frente de todos e marcava seu pescoço. Mas aquela pequena crise de ciúmes de Richie fez Eddie sentir como se o homem não confiasse nele, o que acabou virando uma enorme bola de neve, resultando num Eddie irritado de um lado e num Richie arrependido e sem jeito de outro.
O garoto mais baixo fingiu não perceber a presença do namorado quando ele entrou, não se dando o trabalho nem mesmo de erguer os olhinhos para ele, mas percebeu pela visão periférica que ele escondia algo atrás dos braços. "Oi, gatinho." Eddie quis chorar ao ser chamado pelo apelido daquele jeitinho. "Você não vai nem olhar pra mim, amor? Eu sei que fui meio cuzão, mas assim você me deixa triste..."
Eddie mordeu o lado de dentro da bochecha com força, os dentes pequenos afundando na carne macia para impedir qualquer reação. Ele não queria ceder. Não queria olhar para aquele rosto bonito e ver os olhos castanhos atrás dos óculos brilhando com aquele brilho arrependido que sempre fazia o coração dele derreter.
"Você tem que ir embora." Eddie disse, a voz saindo firme apesar do nó na garganta. "A cafeteria já vai fechar."
"Ainda faltam cinco minutos." Richie respondeu, e Eddie ouviu os passos pesados se aproximando do balcão. "Deixa eu ficar esses cinco minutos com você, por favor."
Eddie respirou fundo antes de erguer a cabeça e olhar em seus olhos castanhos e gentis, ficando preocupadinho quando notou pequenas olheiras sob seus olhos. Mas Richie apenas sorriu gentilmente quando seus olhares se encontraram.
Ele coçou a nuca meio sem jeito, querendo mais que tudo abraçar seu garoto e pedir desculpas pra ele, ficando ainda mais chateado ao pensar que Eddie deveria se mudar oficialmente para o seu apartamento essa semana, mas a discussão acabou adiando um pouco as coisas. "Eu comprei uma coisinha pra você..."
"Pode largar no balcão e ir embora." Eddie respondeu em meio à um suspiro, encarando as próprias unhas enquanto os dedos finos apertavam o avental.
"Eu não quero largar no balcão. Eu quero entregar na sua mãozinha."
"Só isso, amorzinho. Juro. Você pega, olha, e se não gostar, eu vou embora e só volto amanhã. E no outro dia. E no outro. Até você me perdoar."
Eddie apertou os olhos com força, os cílios longos se comprimindo contra as bochechas rosadas. Ele odiava o quanto aquilo funcionava. O quanto o homem sabia exatamente quais palavras usar para abrir uma frestinha na muralha que Eddie tentava construir.
Richie acabou mostrando o que escondia, um coelhinho marrom de pelúcia que segurava um coração muito fofo e um cartão rosa que estava preso nele. Eddie havia visto a pelúcia outro dia na vitrine de uma loja e comentado que tinha achado uma graça, que ficaria bonito sobre sua cama. "Eu passei em frente a loja hoje, vi na vitrine e lembrei que você queria muito, gatinho." Eddie não resistiu em esticar o braço sobre o balcão e deslizar a ponta do polegar no nariz rosinha e macio do coelho, o recebendo de bom grado quando Richie o entregou.
Eddie pegou o cartãozinho e percebeu que tinha algo escrito com a calígrafia meio torta do namorado com os dizeres: "Me desculpa meu amor, sinto sua falta todos os dias. Eu te amo muito, Eddie. ♡"
O garoto ficou parado ali por um longo momento, os dedinhos pequenos apertando o coelhinho contra o peito como se fosse a coisa mais preciosa do mundo inteirinho, os olhões castanhos marejados fixos naquelas letras tortinhas que compunham o nome mais lindo que ele já tinha visto escrito: seu nome, no meio de um pedido de desculpas.
Eddie mordeu o lábio inferior com força, a pele delicada ficando vermelhinha sob a pressão dos dentes, e levantou o olhar na direção do namorado. Richie estava do outro lado do balcão, os braços apoiados no mármore branco, os dedos enormes tamborilando uma música nervosa contra a superfície fria, o olhar castanho atrás das armações quadradas tão cheio de esperança que doía de ver.
"Você é um idiota." A vozinha de Eddie saiu falhando no final, umedeceu os lábios com a pontinha da língua antes de continuar. "Um idiota que não sabe conversar direito e fala cada besteira..."
"Eu sei, amor. Eu sei disso tudo." Richie concordou num instante, a cabeça fazendo um movimento tão rápido que os cachos escuros balançaram sobre a testa. "Sou o maior idiota do mundo e você é perfeitamente lindo até quando tá com raiva de mim."
O tique-taque do relógio rosa preenchia o silêncio constrangedor que se instalou entre os dois, os ponteiros marcando 17h57, três minutos para o fim do expediente, três minutos para Eddie decidir se continuava com aquela birra toda ou se deixava o coração mole vencer a razão.
"Você realmente comprou só porque eu disse que achei bonitinho?"
"Passei na loja, vi aquele nariz cor-de-rosa e lembrei do seu narizinho cor-de-rosa quando você chora." Richie deu de ombros, tentando parecer despretensioso, mas a pontinha das orelhas corou num vermelho tão forte quanto o das cadeiras de veludo da cafeteria. "E lembrei que você merece tudo de melhor mesmo quando eu sou um babaca."
Eddie sentiu o queixo tremer, o lábio inferior começando a tremer daquele jeitinho que ele odiava porque significava que as lágrimas estavam a caminho, e ele não queria chorar, não queria dar esse gostinho pro namorado, não queria mostrar que as palavras dele tinham furado a muralha e acertado em cheio o coração mole que Eddie tanto tentava fingir que não tinha.
"Você não pode fazer isso." O mais novo falou, sua voz saindo num fiozinho. "Não pode chegar com presente e olhar de cachorrinho arrependido e esperar que eu esqueça tudo que você disse."
"Eu não espero que você esqueça, gatinho." Richie se inclinou um pouquinho sobre o balcão, a camiseta preta esticando sobre os músculos do peito. "Eu só espero que você me deixe tentar consertar. Deixa eu te levar pra casa hoje? A gente pode pedir comida, ver aqueles filmes depressivos que você gosta tanto..."
"Você odeia meus filmes favoritos, Richie."
"Eu odeio o quão tristes eles são. Você eu amo." O sorriso apareceu no canto da boca de Richie, aquela covinha ridícula que aparecia sempre que ele fazia gracinha e sabia que estava sendo fofo. "E você me ama também, mesmo bravinho, mesmo chateado, mesmo me chamando de idiota... você me ama, não ama?"
Eddie abriu a boca pra negar, pra dizer alguma coisinha cortante que colocasse o namorado no lugar, mas nada saiu. Apenas um suspiro molhado escapou dos seus lábios, e ele se encontrou assentindo, a cabecinha fazendo o movimento mais pequenininho do mundo, quase imperceptível.
"Eu te odeio." Ele mentiu, e os dois sabiam que era mentira. "Te odeio muito."
"Eu sei, docinho." Richie esticou o braço por cima do balcão, os dedos grossos alcançando o queixo de Eddie, a ponta do polegar acariciando a pele macia ali. "Eu te odeio também."
A campainha da porta tilintou bem naquele momento, e Eddie pulou para trás como se tivesse levado um choque, o rosto todo corado, o coelhinho ainda apertado contra o peito. A gerente saiu da cozinha com um monte de caixas de papelão nos braços, dando boa noite para os dois enquanto se dirigia para a porta dos fundos.
"Eddie, você pode fechar hoje?" Ela perguntou sem nem esperar resposta, já sumindo pelo corredor. "Deixa a chave na caixinha do correio amanhã!"
Então eles ficaram sozinhos e o silêncio caiu sobre a cafeteria como um cobertor quentinho, apenas o barulho baixo da geladeira dos fundos e o tique-taque insistente do relógio rosa. 17h59. "Deixa eu te ajudar a fechar." Richie já estava contornando o balcão, o corpo se movendo com uma desenvoltura que contrastava com o tamanho, as mãos já pegando o pano de prato que Eddie usava pra limpar as superfícies. "Você guarda as cadeiras que eu passo o pano."
"Você não tem que ajudar."
"Sei que não tenho, mas eu quero."
E assim os dois foram se movendo pela cafeteria num silêncio confortável, quase doméstico, o corpinho de Eddie virando as cadeiras de veludo rosa sobre as mesas de mármore, Richie passando o pano nas superfícies com uma delicadeza que ninguém esperaria vindo das mãos tatuadas.
Quando tudo ficou pronto, os dois pararam no meio do salão vazio, a luz da rua entrando pelas vitrines, pintando tudo numa cor azulada e meio triste. Eddie estava sem o avental agora, a blusa clara que usava por baixo deixando à mostra a curvinha fina da sua cintura, o coelhinho marrom ainda preso debaixo do braço.
"Pronto." Richie disse, jogando o pano de prato sobre o balcão. "Posso te levar pra casa agora?"
"Eu ainda vou me mudar pro seu apartamento essa semana." Eddie falou de repente, a vozinha saindo tão baixa que quase se perdeu no barulho da geladeira. "A discussão não mudou isso. Só... só me deixou triste."
Richie deu dois passos na direção do namorado, os tênis fazendo um barulhão no chão de cerâmica, e quando ele chegou perto, bem perto, Eddie pôde sentir o cheiro dele, aquele cheiro de tabaco e sabonete de coco que ele amava tanto.
"Me desculpa, meu amor." A voz de Richie saiu grossa, meio enrolada, os olhos castanhos brilhando atrás dos óculos. "Me desculpa por cada coisinha idiota que eu falei, por ter sido cuzão, por ter deixado você duvidar de mim um segundinho que fosse. Eu confio em você. Eu confio mais em você do que em qualquer pessoa nesse mundo inteirinho."
Eddie largou o coelhinho em cima da mesa mais próxima e enterrou o rostinho no peito largo do namorado, os bracinhos finos se fechando em volta da cintura dele com uma força que surpreendia pelo tamanho. Richie o abraçou de volta na mesma hora, os braços enormes envolvendo o corpo pequeno completamente, uma das mãos subindo para fazer carinho nos cabelos castanhos clarinhos, os dedos grossos deslizando entre os fios macios.
"Você cheira tão bem." Eddie murmurou contra o tecido da camiseta, a vozinha saindo abafada.
"Pensei que você não gostasse do cheiro de cigarro." Richie riu baixinho, a risada fazendo o peito vibrar contra o rosto de Eddie. E ouvindo ele murmurar: "Em você fica bom..."
Ficaram assim por um minuto, apenas se aquecendo, o corpinho de Eddie encaixado perfeitamente contra o de Richie como duas pecinhas de quebra-cabeça. "Vamos?" Eddie perguntou quando finalmente ergueu o rostinho, os olhos ainda brilhando, mas agora por um motivo diferente. "Quero ir pra casa."
Richie abriu aquele sorriso bobo que mostrava todos os dentes e fazia os olhos sumirem por trás dos óculos, e se abaixou para pegar o coelhinho em cima da mesa, entregando de volta nos bracinhos de Eddie. "Ele vai morar na nossa cama, combinado?"
O caminho até o estúdio do Richie era curto, apenas atravessar a rua e caminhar alguns passos, mas Eddie pediu para darem a volta pelo quarteirão, para aproveitar o fresquinho da noite, para sentir a mão grande do namorado segurando a sua enquanto andavam devagar pelas calçadas iluminadas pelos postes amarelados.
Richie apertava os dedos entre os de Eddie de vez em quando, como se precisasse ter certeza de que ele ainda estava ali, de que a briga tinha acabado, de que o garotinho adorável continuava sendo seu.
Quando chegaram na porta do estúdio, Eddie percebeu que a luz da recepção ainda estava acesa. "A Beverly ainda tá aqui?"
"Ela disse que ia terminar um desenho hoje." Richie respondeu enquanto tirava as chaves do bolso da calça jeans. "Mas já deve estar de saída. Ela não gosta de ficar sozinha aqui muito tarde."
A chave girou na fechadura com um clique seco, e a porta se abriu para o estúdio vazio, as cadeiras cobertas por plástico filme, as prateleiras cheias de frascos de tinta colorida, as paredes cobertas pelos desenhos que Richie e Beverly faziam nos tempos livres. O lugar tinha um cheiro específico, de álcool e látex e algo metálico que Eddie associava imediatamente ao namorado. "Bevvie?" Richie chamou enquanto fechava a porta atrás de si, o trinco virando com um barulhinho alto. "Tá aí ainda?"
"Nos fundos!" A voz da ruiva veio lá de dentro, seguida por alguns passos. "Só mais cinco minutos, eu já estava de saída antes de você chegar com o... ah."
Beverly apareceu no corredor que levava para o estúdio particular de Richie, os braços cruzados, um sorrisinho malicioso no rosto salpicado de sardas, ela olhou para os dois, para as mãos dadas, para o rostinho vermelho de Eddie, para a orelha corada de Richie, e arqueou uma sobrancelha. "A briga acabou, pelo jeito."
"Bevvie." Richie alertou.
"Tô quieta, tô quieta." Ela levantou as mãos em sinal de rendição, mas o sorrisinho não saiu do lugar. "Só vou pegar minha jaqueta e dar o fora. Bom te ver, Eddie."
"Você também, Bev." Eddie respondeu sorrindo, dando um aceninho com os dedos livres.
A ruiva sumiu de volta no corredor e reapareceu segundos depois com uma jaqueta jeans cheia de patches coloridos, passou pelos dois dando um tapinha nas costas de Richie, que foi mais um empurrão, e saiu pela porta da frente com um "tranquem tudo" antes de desaparecer na noite.
Então eles ficaram sozinhos de novo e o silêncio do estúdio era diferente do silêncio da cafeteria por que parecia mais íntimo. Eddie sentiu a pele arrepiar, os pelinhos dos braços se eriçando debaixo da manga curta da blusa, e quando ergueu os olhos para encontrar os de Richie, ele sabia que o namorado tinha percebido.
"Quer subir?" Richie perguntou, a voz saindo mais grave do que antes, os olhos castanhos escurecendo um pouquinho atrás das lentes. "Ou quer ficar mais um pouco aqui embaixo?"
O apartamento de Richie ficava no andar de cima do estúdio, um lugar espaçoso que ele mesmo tinha reformado, com paredes claras, móveis escuros e uma cama enorme que Eddie já conhecia bem. Uma cama onde ele já tinha passado noites inteirinhas enrolado nos lençóis, o corpo aninhado contra o peito largo do namorado, os dois se aquecendo até o sol nascer. "Quero subir." Eddie respondeu, a vozinha saindo num fio de voz que não enganava ninguém. "Com você."
Richie sorriu, um sorriso diferente dos outros, mais lento, mais cheio de promessas, e estendeu a mão novamente. "Vem, gatinho. Vamos pra nossa casa."
Eddie encaixou os dedinhos entre os do namorado e o seguiu escada acima, o coração batendo tão forte no peito que ele jurava que o barulhinho ecoava por todo o prédio vazio. A pelúcia ainda estava presa debaixo do braço, o nariz cor-de-rosa balançando a cada degrau que subiam, testemunha muda daquela reconciliação que deixava Eddie com as perninhas trêmulas e a boquinha seca.
Richie abriu a porta do apartamento com a mesma chave, acendeu a luz da sala de estar com um gesto rápido, e os dois entraram no espaço que em breve seria completamente deles. A televisão desligada no canto, o sofá cinza cheio de almofadas, a mesinha de centro carregada de latinhas de energético, algumas canetas juntas ao caderno que o mais alto usava para trabalhar.
"Tá uma bagunça." Richie resmungou, passando a mão pelos cabelos num gesto nervoso. "Eu ia arrumar antes de você vir morar aqui, mas aí a gente discutiu e eu..."
"Para." Eddie cortou, largando o coelhinho no sofá e se virando para encarar o namorado. "Para de arrumar desculpa. Eu não ligo pra bagunça, eu ligo pra você. E você tá aqui, e eu tô aqui, e a gente não tá brigando mais, então... para."
Richie ficou parado no meio da sala, os olhos arregalados atrás dos óculos, a boca entreaberta como se quisesse dizer alguma coisa mas não encontrasse as palavras. Era raro Eddie falar assim, mais raro ainda ele tomar a iniciativa daquele jeito, e o tatuador parecia ter sido pego completamente de surpresa.
"Você... você tá muito lindo agora." Foi tudo o que Richie conseguiu dizer, a voz saindo num sussurro. "Tá tão lindo que eu não consigo pensar direito."
O rosto de Eddie ficou vermelho, mas ele não desviou o olhar. Permaneceu ali, os pezinhos descalços afundando no tapete felpudo, o peito subindo e descendo devagar, os olhos castanhos brilhando com uma coisinha perigosa que Richie conhecia muito bem. "Então para de pensar." Eddie deu um passo na direção do namorado, depois outro, os dedinhos nervosos puxando a barra da própria blusa. "E me beija."
Richie não precisou ser chamado duas vezes.
Ele cruzou a distância que os separava em um passo e meio, suas mãos subiram para segurar o rostinho de Eddie com uma delicadeza que contrastava com o tamanho dos dedos, os polegares acariciando as maçãs do rosto coradas, e quando finalmente juntou suas bocas, Eddie soltou um gemidinho tão baixinho que quase não deu para ouvir.
O beijo era macio no começo, como se os dois estivessem se conhecendo de novo, como se as palavras duras que trocaram na briga tivessem criado uma crostinha frágil que precisava ser quebrada com calma. Os lábios de Richie se moviam contra os de Eddie num ritmo lento, experimentando enquanto os dedos grossos deslizavam para a nuca do mais novo.
Mas aí Eddie abriu a boca, um bocadinho apenas, o suficiente para a pontinha da língua tocar o lábio do namorado, e alguma coisa se rompeu.
Richie gemeu contra a boca de Eddie num som rouco que veio lá do fundo do peito, e apertou os dedos na nuca do garoto com mais força, puxando sua cabeça para o lado para ter melhor acesso, para poder beijá-lo de verdade, com fome e com urgência. A outra mão desceu pela coluna de Eddie, os dedos contando cada vértebra através do tecido fino da blusa, até chegar na curvinha da cintura e apertar, puxando corpo dele para mais perto.
Eddie arqueou as costas levemente, o corpinho todo se curvando para se encaixar melhor contra o namorado, as mãozinhas subindo para agarrar os ombros largos, as unhas curtinhas arranhando o tecido preto da camiseta. Ele estava tonto, os joelhos moles, a boquinha aberta e molhada sendo explorada por Richie como se ele fosse a coisa mais preciosa e mais suja do mundo ao mesmo tempo.
"Posso me redimir com você, meu anjo?" Richie sussurrou entre os beijos com a vozinha rouca, os olhos brilhando de tanto desejo. "Sim? Quero tanto fazer você se sentir bem."
Os lábios de Richie deslizaram da boca de Eddie para o canto, depois para a mandíbula, depois para aquela curvinha macia bem atrás da orelha que ele sabia que deixava o garoto inteirinho derretido. E funcionou, como sempre funcionava. Eddie gemeu, um barulhinho agudo e envergonhado que ele tentou abafar contra o ombro do namorado, mas Richie não deixou.
"Ah-ah." A voz grossa roncou perto da orelha de Eddie, a respiração quente fazendo os pelinhos da nuca arrepiarem. "Eu gosto de ouvir você, gatinho. Quero ouvir cada gemidinho que você der pra mim."
"Richie..." O nome saiu num sussurro trêmulo, os dedinhos de Eddie se fechando no tecido da camiseta com mais força.
Richie se afastou só o suficiente para olhar para o rostinho corado do namorado, os olhos castanhos percorrendo cada detalhe: os lábios inchados e brilhando de tanto beijar, as bochechas rosadas, os cílios úmidos e tremendo. "Olha só pra você." Ele murmurou, a ponta do polegar deslizando pelo lábio inferior de Eddie, puxando a pele macia para baixo devagarinho. "Tão lindo, tão perfeito. Como pode uma coisinha tão bonita ser minha?"
O elogio fez o corpo inteirinho de Eddie tremer, um calafrio gostoso descendo pela espinha e se instalando bem no fundo da barriga. Ele sempre foi assim, sempre derretia quando Richie falava desse jeito, sempre ficava mole e molhadinho e querendo mais, sempre esquecia qualquer resquício de vergonha para poder ouvir o namorado dizer aquelas coisinhas.
"Você merece muitas coisas boas, sabia?" Richie continuou, a mão livre descendo para agarrar a cintura fina de Eddie por cima da blusa, os dedos quase fechando toda a circunferência. "Depois de ter me aguentado sendo um babaca, depois de ter me perdoado... você merece tudo de bom, amor. E eu vou te dar isso."
Eddie abriu a boquinha para responder, mas o que saiu foi outro gemidinho quando Richie apertou a cintura dele com mais força, os dedos pressionando a carne macia por cima do tecido fino. A pressão era boa demais, forte demais, e Eddie sentiu as pernas amolecerem de vez, todo o peso de seu corpo pendurado nos ombros largos do namorado.
"Já tá mole assim?" Richie riu, mas não era uma risada de crueldade, era uma risada de admiração, de surpresa, de um homem que não conseguia acreditar na própria sorte. "Só de me beijar? Só de eu te chamar de lindo? Que coisinha mais sensível, hein, gatinho?"
"Para de provocar." Eddie tentou reclamar, mas a voz saiu manhosa, sem força nenhuma, e ele sabia que Richie não ia parar. Nunca parava quando via que estava funcionando.
"Para de provocar?" Richie repetiu como se estivesse saboreando as palavras, a boca descendo para beijar o pescoço de Eddie, os lábios abertos deslizando pela pele macia até encontrar o lugar certinho, aquele ponto que ele já conhecia de cor e salteado. "Por que eu ia parar de provocar se você fica tão molinho quando eu provoco? Se você treme todinho quando eu falo um 'gatinho' no seu ouvido?"
"Richie." Eddie arqueou o pescoço para o lado, oferecendo mais espaço, mais pele, mais tudo, as pálpebras pesadas se fechando quando sentiu os dentes do namorado morderem suavemente a curva do seu ombro. "Tá bom, tá bom, amor, chega. Me leva pro quarto."
Richie riu contra a pele molhada, a língua deslizando para lamber o lugar que acabara de morder, o gosto salgado e doce de Eddie encharcando suas papilas.
Richie obedesceu prontamente, levando o namorado já meio trêmulo em tesão para o quarto grande que eles dividiam frequentemente desde que começaram a namorar. O quarto era exatamente como Eddie lembrava: a cama larga e desajeitada no centro, os lençóis brancos ainda meio amassados do último fim de semana que passaram juntos, as paredes cinza cobertas por pôsteres de bandas antigas e alguns quadros que Beverly tinha dado de aniversário. A luz amarelada do abajur na mesa de cabeceira criava sombras dançantes pelas paredes.
Richie deitou o namorado na cama com um cuidado tão grande que parecia estar manuseando algo feito de vidro, seus braços tremendo ligeiramente com o esforço de controlar a própria ânsia. Eddie caiu nos lençóis com um suspiro, os cabelos castanhos clarinhos se espalhando como uma auréola bagunçada em volta de sua cabeça, os olhos brilhando em antecipação.
"Eu senti tanto sua falta, meu bem." Richie murmurou, ajoelhando-se na beirada da cama, os dedos grossos começando a trabalhar no botão da própria calça jeans. "Porra, tão lindo, tão desarrumadinho."
O coração de Eddie disparou no peito, as mãozinhas se fechando nos lençóis pretos enquanto observava o namorado se despir. Richie tirou a camiseta num movimento rápido, revelando o peito largo, os músculos definidos que ele possuia por pura genética e pela academia que frequentava vez ou outra, a linha fina de pelos que descia da barriga e sumia dentro da calça.
Eddie se sentia pequeno perto daquele homem, tão frágil e delicado, e ele amava cada segundo dessa sensação, por que não era acostumado a se sentir assim antes dele. Amava quando Richie o cobria com seu corpo e ele não conseguia ver mais nada além de pele quente e músculos duros. Amava quando as mãos grandes cobriam as suas por inteiro. Amava quando o namorado o chamava de "gatinho" e "coisinha" e "amorzinho" enquanto o enchia de beijos e mordidas.
"Tira isso." Richie puxou a barra da blusa de Eddie, os olhos escuros brilhando com um fogo que fazia o garoto tremer inteirinho. "Tira, amor, eu quero ver."
Eddie obedeceu com dedos trêmulos, puxando a blusa pela cabeça num movimento desengonçado que fez Richie rir baixinho, aquela risada aveludada que vibrava no peito e fazia o coração de Eddie dar pulinhos. A blusa voou para algum canto do quarto e então o garoto ficou ali, o tronco nu e corado, os mamilos róseos durinhos já só de sentir o olhar pesado do namorado percorrendo sua pele.
"Meu Deus, como eu tenho sorte nessa vida." Richie suspirou, a voz saindo num fio de admiração verdadeira. "Como pode? Como pode um ser humano ser tão perfeito?"
"Tá bom, tá bom Richie. Já entendi." Eddie murmurou, desviando o olhar, as bochechas queimando de vergonha e prazer.
Richie se inclinou sobre o corpo pequeno, os braços apoiados de cada lado da cabeça de Eddie, enjaulando o garoto num círculo. "Vou passar a noite inteira te elogiando até você acreditar em cada palavrinha."
Ele desceu a boca para o pescoço de Eddie, os lábios abertos deslizando pela pele macia, os dentes roçando de leve na jugular que pulsava descompassada. Eddie ofegou, arqueando as costas para oferecer mais com os dedinhos se enterrando nos cabelos escuros do namorado e puxando com uma força que não era páreo para o tamanho dos fios.
"Richie..." O nome saiu num gemido quando os dentes do mais alto se fecharam na carne sensível do ombro, não forte o suficiente para machucar, apenas forte o suficiente para marcar. "Por favor, amor. Eu preciso..."
"Eu sei o que você precisa, gatinho." Richie ergueu a cabeça, os olhos escuros brilhando atrás dos óculos embaçados pelo vapor dos dois corpos. "Mas primeiro, eu quero fazer uma coisinha. Uma coisa que a gente não faz há tempos e que eu adorava fazer com você."
Eddie piscou, confuso, a cabecinha cheia de impurezas demais para processar informações direito. "Você lembra..." Richie desceu uma das mãos para acariciar a costela de Eddie, os dedos deslizando devagarinho pela pele arrepiada. "de quando a gente testava quanto tempo você aguentava sem gozar? Quando eu te deixava naquela loucura, quase lá, quase lá, e aí parava? E você ficava todo molhadinho e choroso me pedindo mais?"
O corpo de Eddie inteirinho estremeceu, uma onda de calor subindo do estômago para o rosto, deixando o garoto vermelho como um tomatinho maduro. Ele lembrava. Claro que lembrava. Lembrava das noites em que Richie o levava ao limite uma, duas, três, quatro vezes até que ele não conseguisse mais pensar, mais falar, mais nada além do prazer intenso que sentia.
Quando começaram a sair, Eddie já tinha tido lá a sua cota de relações, nada sério além de um ex-namorado do Ensino Médio. Tinha certa experiência sexual, ou pelo menos achava que tinha, por que quando Richie o tocou pela primeira vez e fez com ele coisinhas que antes mal poderia imaginar, ele soube que ainda tinha que aprender bastante. E era isso que vinha fazendo por oito maravilhosos meses.
A relação de dominância entre eles era algo que ficava implicíto desde a primeira vez, e Eddie não se surpreendeu muito quando certa noite o namorado lhe chamou para ter uma conversa séria. Alegando que gostava de práticas um pouquinho sádicas e que queria ter aquele tipo de relação com o namorado, caso ele também estivesse de acordo.
Eddie lembrava daquele dia como se fosse ontem, Richie tinha chegado no apartamento depois do expediente com uma expressão tão séria que o garoto chegou a achar que algo terrível tinha acontecido. Se sentaram no sofá, com Richie segurando suas mãozinhas com aquela delicadeza que contrastava tanto com o tamanho dos dedos, e ele começou a falar.
"Eu gosto de você, Eddie. Sou completamente apaixonado, e você sabe." Richie começou, os olhos castanhos vacilando entre encarar o garoto e olhar para as próprias mãos. "E é por isso que eu quero ser honesto. Porque se a gente for continuar, se a gente for levar isso ainda mais pra frente... você precisa saber que tipo de coisa eu gosto."
Eddie se lembrava de ter ficado com o coração na mão, os dedinhos apertando os de Richie com força enquanto esperava ouvir alguma confissão terrível. "Pode falar, Richie. Tá tudo bem."
E Richie o contou sobre como gostava de controle, de saber que o parceiro estava seguro e cuidado e completamente à sua mercê, como sentia prazer em dar prazer, mas também em negar, em adiar, em esticar cada gemido até que virasse uma súplica. Explicando sobre palavras de segurança e limites estabelecidos e tudo mais que Eddie nunca tinha nem ouvido falar direito.
"Você pode achar estranho." Richie disse, a voz mais baixa do que Eddie jamais tinha ouvido. "Pode pensar que eu sou doente, ou que eu quero te machucar, ou que..."
"Para." Eddie cortou, erguendo uma mãozinha para tapar a boca do namorado. "Você não vai terminar essa frase. Eu não acho nada disso, Richie. Eu acho que você tá sendo honesto comigo, e isso é mais do que qualquer outra pessoa já fez."
O alívio que inundou o rosto de Richie naquele momento foi tão bonito que Eddie quis chorar, Richie pegou um caderninho azul de tamanho médio da gaveta da mesinha de centro, caderno que Eddie tinha comprado numa livraria semanas antes e esquecido lá, e começou a listar com uma caneta preta.
"A gente vai colocar tudo aqui." Richie explicou, a ponta da língua aparecendo no canto da boca enquanto escrevia com a caligrafia meio torta. "Tudo que a gente quer tentar. Tudo que a gente não quer. Tudo que a gente talvez queira no futuro. Assim não tem erro, assim ninguém faz nada que o outro não esteja pronto."
Então Richie anotou cada coisinha que já tinha feito antes e gostado. Eddie anotou cada coisinha que tinha curiosidade de experimentar. E no final daquela noite, os dois estavam mais próximos do que nunca.
O que ninguém esperava, nem mesmo Eddie, era que o garoto adorável fosse tão... ousado. Enquanto Richie hesitava em marcar alguns dos fetiches, talvez com medo de assustar o namorado, Eddie pegou uma caneta vermelha e fez um círculo enorme ao redor de praticamente todos os desejos do tatuador.
"Você tem certeza?" Richie perguntou, os olhos arregalados atrás dos óculos. "Isso aqui é... Eddie, isso é muita coisa."
"Eu confio em você." Eddie respondeu, a vozinha firme, os olhos castanhos brilhando com uma determinação que fazia o coração de Richie disparar. "Você me trata muito bem desde sempre e eu sei que você nunca faria nada que me machucasse de verdade. Então sim, eu tenho certeza."
Agora, deitado na cama com o corpo do namorado cobrindo o seu, Eddie lembrou da noite em que testaram aquele tipo de brincadeirinha e o quanto ele tinha gostado. Então ele se apressou em dizer: "Lembro." A vozinha de Eddie saiu tão baixa que Richie precisou se inclinar mais para ouvir, seus cabelos escuros roçando a testa do garoto. "Lembro que foi bom. Muito bom."
"Bom?" Richie repetiu, a sobrancelha arqueada por cima da armação dos óculos, um sorrisinho torto aparecendo no canto da boca. "Amor, da última vez você ficou tão mole que eu tive que te carregar pro banho porque suas perninhas não funcionavam mais."
Eddie cobriu o rosto com as mãos, as bochechas pegando fogo e um gemido abafado escapando entre os lábios. "Para de falar essas coisas."
Richie se afastou um pouco, o peso de seu corpo sumindo da cama, e Eddie já sentiu falta do calor, da segurança de estar preso debaixo daquele homem. "Vou descrever cada coisinha que eu vou fazer com você essa noite, e você vai ficar ouvindo bem quietinho, porque eu sei que você adora quando eu conto antes."
Os passos pesados de Richie se afastaram em direção ao armário embutido no canto do quarto, a porta de madeira rangeu ao abrir, e Eddie ouviu o barulhinho familiar de plástico e silicone se mexendo na caixa de brinquedos. Seu coração deu um pulo tão forte que ele jurou que dava para ver o peito pulsar.
Richie voltou para a cama com a caixa branca nas mãos, os dedos grossos abrindo a tampa com uma calma proposital, arrastando cada segundo como se tivesse todo o tempo do mundo. Colocou a caixa aberta em cima da mesa de cabeceira, bem no cantinho onde Eddie podia ver, onde a luz amarelada do abajur iluminava cada objeto ali dentro.
"Vamos ver..." Richie murmurou, os olhos percorrendo o conteúdo da caixa com a mesma atenção que dava aos desenhos que fazia para os clientes. "O que a gente vai usar hoje?"
Eddie mordeu o lábio, as mãozinhas ainda apertadas nos lençóis, os dedos pequenos puxando o tecido branco sem nem perceber. Deus, aquilo era um universo de possibilidades, e cada objeto ali dentro causava uma sensação diferente que muitas vezes pareciam demais para Eddie, como o vibrador rosa-bebê que eles tinham comprado juntos numa sex shop do centro, ou os anéis penianos que Richie gostava de usar quando queria estender o prazer do namorado ao máximo.
Richie tirou os óculos devagarinho, dobrou as hastes com cuidado e colocou em cima da mesa, ao lado da caixa, sem as lentes, seus olhos sempre pareciam maiores, ele piscou algumas vezes para acostumar a visão e focou a atenção inteirinha no namorado.
"Primeiro..." Ele enfiou a mão na caixa e puxou um vibrador de tamanho médio, a ponta arredondada e brilhante, a cor de um azul clarinho quase doce, quase inocente. "Isso aqui vai te abrir um pouquinho. Deixar você bem molhadinho pra mim."
O ar escapou dos pulmões de Eddie num whoosh, os olhos castanhos arregalados fixos no objeto que Richie girava entre os dedos como se fosse a coisa mais casual do mundo. "Você lembra como a gente faz?" Richie perguntou, trabalhando nas calças brancas do namorado. "Eu vou chupar bem o seu rabinho antes de tudo, então não precisa ficar nervoso, meu bem."
Richie notou o nervosismo no corpinho do namorado, a forma como os ombros pequenos se ergueram num movimento tenso, como os dedinhos apertaram os lençóis com mais força, como a respiração ficou curta e rápida. Ele largou o vibrador azul em cima da cama e se inclinou para frente, as mãos enormes encontrando o rosto de Eddie, os polegares acariciando as maçãs do rosto coradas.
"Ei." A voz saiu macia, um contraste tão grande com a conversa de segundos atrás que Eddie piscou, confuso. "Olha pra mim, gatinho. Respira comigo."
Eddie obedeceu, os olhos castanhos encontrando os de Richie, a pupila do mais alto tão dilatada que mal dava para ver o tom castanho ao redor. Inspirou quando Richie inspirou, expirou quando Richie expirou, uma vez, duas vezes, três vezes, até que o coração parasse de bater tão descompassado contra as costelas.
"A gente não faz nada que você não queira." Richie murmurou, os lábios roçando a testa de Eddie, a barba por fazer arranhando a pele macia. "A gente para na hora que você pedir. A gente usa a palavra se precisar. Você lembra qual é?"
Eddie assentiu com a cabecinha, a garganta seca, as palavras presas em algum lugar entre o peito e a boca. "Vermelho." Ele conseguiu sussurrar finalmente. "Vermelho pra parar tudo."
"Pra... pra diminuir o ritmo. Pra desacelerar."
"Muito bem." Richie deu um beijinho na ponta do nariz de Eddie, depois em cada bochecha, depois nos lábios, um beijo rápido, quase inocente. "Você é tão bom, sabia? Tão bonzinho, eu te amo, você sabe não sabe?"
O elogio fez Eddie se sentir quente por dentro, um quentinho gostoso que começou no peito e se espalhou para o resto do corpo, afrouxando os músculos tensos, amolecendo as articulações. Ele suspirou contra a boca de Richie, os bracinhos subindo para se enrolar no pescoço do namorado, puxando o homem para mais perto.
"Eu sei, eu também." Eddie disse, a voz ainda um fiozinho, mas mais firme agora. "Tô bem, amor. Pode continuar."
Richie sorriu contra os lábios de Eddie, aquele sorriso que fazia os olhos virarem duas fendas atrás das lentes dos óculos (que ele tinha esquecido de recolocar, mas tanto faz, ele estava perto o suficiente para ver cada detalhe do rostinho do namorado). "Isso é o que eu gosto de ouvir."
Ele se afastou o suficiente para trabalhar na calça branca de Eddie, os dedos grossos desabotoando o botão com uma paciência que beirava a tortura, puxando o zíper devagarinho, devagarinho, o barulhinho dos dentes do zíper se separando preenchendo o silêncio do quarto. Eddie ergueu o quadril para ajudar, a pele da barriga ficando exposta quando Richie puxou o tecido para baixo.
"Olha só." Richie murmurou, os olhos percorrendo o corpo do namorado com uma fome mal disfarçada. "Tão lindo, tão perfeitinho... você não tem nem ideia do que você faz comigo, não é?"
A calça branca voou para algum canto do quarto, junto com a blusa que já estava no chão, e Eddie ficou apenas com a cueca azul clarinha que ele tinha comprado pensando em Richie, imaginando como o homem iria gostar de ver aquela cor tão suave contrastando com a pele pálida e os lençóis brancos.
E ele gostou. Richie fez um barulhinho na garganta, algo entre um gemido e um suspiro, e desceu as mãos para as coxas de Eddie, os dedos enormes contornando a carne macia, subindo devagar até alcançar o elástico da cueca.
"Posso tirar?" Ele perguntou, e o fato dele perguntar, o fato dele sempre perguntar mesmo depois de oito meses juntos, mesmo depois de todas as vezes que fizeram isso, fez o coração de Eddie se encher de um amor tão grande que quase doía.
"Pode." Ele sussurrou. "Tira, Richie."
Richie puxou o tecido para baixo com o mesmo cuidado que usava para desembrulhar um presente, expondo a pele clara das coxas, o pauzinho de Eddie já duro e latejando, a cabeça rosada brilhando com uma gotinha de pré-gozo.
"Jesus." A palavra saiu num sussurro rouco, quase uma prece. Richie inclinou a cabeça, os olhos grudados na visão do namorado nu debaixo dele, e Eddie sentiu o rosto queimar de vergonha e excitação, uma combinação que só Richie conseguia provocar. "Como pode alguém ser tão bonito? Como pode?"
"Para de ficar olhando." Eddie murmurou, tentando fechar as pernas, mas Richie não deixou, as mãos segurando os joelhos e mantendo o garoto exposto.
"Ah, não tô muito afim..." Richie respondeu, a voz firme agora, menos elogio e mais ordem. "vou olhar o quanto eu quiser. Você é meu namorado, não é? Meu namorado perfeito, meu anjinho adorável."
Eddie mordeu o lábio, os olhos marejados, e assentiu. "Uhum, seu." A palavra saiu num fio de voz, mas foi o suficiente. Foi mais que o suficiente.
Richie se abaixou, os lábios encontrando a barriga de Eddie, beijando a pele macia em movimentos lentos, a língua deslizando para molhar o caminho, os dentes roçando de leve na linha fininha e imperceptível de pelos que descia do umbigo. Eddie arqueou as costas de leve, os dedinhos se enterrando nos cabelos escuros do namorado, puxando sem força, apenas para sentir, apenas para ter alguma coisa para segurar enquanto Richie o devorava com aquela boca quente e molhada enquanto os beijos desciam.
Eddie simplesmente amava quando Richie usava a boca em sua entradinha, na verdade ele amava quando o namorado usava a boca em qualquer lugar de seu corpo, mas ali, naquela região tão sensível, era algo que fazia Eddie ver estrelinhas. Os lábios de Richie percorreram o caminho devagar, os beijos abertos e quentes deixando um rastro molhado pela pele arrepiada do garoto, descendo pela barriga, pelos quadris, até alcançar a curva macia onde a coxa encontrava o tronco.
"Tão macio." Richie murmurou contra a pele, os lábios roçando a virilha de Eddie, o hálito quente fazendo os pelinhos finos se arrepiarem. "Você é sempre tão macio e cheiroso..."
Eddie prendeu a respiração quando sentiu a língua de Richie deslizar pela base do seu pauzinho, um movimento lento e úmido que subiu toda a extensão até a cabecinha rosada, onde a pontinha da língua contornou a fenda com uma precisão quase cruel. Ele arqueou os quadris, um gemidinho agudo escapando dos lábios entreabertos, os dedos se fechando com mais força nos cabelos do namorado.
"Assim?" Richie perguntou, os olhos erguidos para encontrar os de Eddie, a pupila escura e brilhante, o rosto tão perto das partes íntimas do garoto que ele podia sentir cada palavra como uma vibração na pele sensível. "É assim que você gosta, gatinho?"
"Sim." A resposta saiu num fio de voz, trêmula, quase um soluço. "Sim, assim mesmo, Rich..."
Richie sorriu, aquele sorrisinho torto e cheio de malícia, e desceu a boca novamente, mas dessa vez passou direto pelo pauzinho duro de Eddie e continuou descendo, os lábios abertos deslizando pela pele macia das bolsas, pela curva do períneo, até chegar no lugar que ele tinha prometido beijar.
Eddie ofegou e seus quadris se ergueram da cama num movimento involuntário quando sentiu a língua quente e molhada tocar sua entradinha, primeiro num contato leve, quase tímido e depois mais firme com a pontinha da língua pressionando a pele sensível que se contraiu imediatamente em volta dela.
"Relaxa, amor." Richie murmurou contra a pele, os lábios vibrando naquele lugar tão íntimo, uma das mãos enormes subindo para segurar o quadril de Eddie, os braços contornando as coxas e impedindo que ele se afastasse. "Relaxa pra mim, deixa eu fazer isso."
Eddie tentou relaxar, mas era difícil quando cada movimento da língua de Richie enviava ondas de prazer por sua coluna inteirinha, quando cada pressão fazia seus dedos dos pés curvarem, quando cada sucção leve tirava um gemidinho agudo da sua garganta que ele não conseguia controlar.
A língua de Richie deslizava em movimentos lentos e circulares, explorando cada centímetro da pele sensível, molhando tudo com uma paciência que beirava a devoção. Ele gemia baixinho contra o corpo de Eddie, vibrações que se espalhavam pelo garoto como pequenas ondas de choque, e Eddie sabia que Richie estava gostando tanto quanto ele, que aquilo também dava prazer ao tatuador, que sentir o gosto do namorado na língua era uma das coisas favoritas do mundo para aquele homem.
"Richie... mais." O nome saiu num gemido prolongado, Eddie arqueando as costas, os dedos se enrolando nos lençóis agora porque ele não conseguia mais nem segurar nos cabelos do namorado de tão mole que estava. "Por favor, amor..."
"Mais o quê?" Richie ergueu a cabeça, os lábios brilhando de saliva, o olhar pesado e escuro. "Da minha língua? Ou você quer outra coisa, gatinho?"
"Sua língua, por favor, mete ela em mim... eu gosto tanto." Sua sanidade já estava meio afetada para que ele falasse aquilo e som que escapou da garganta de Richie foi algo entre um grunhido e um gemido abafado, Eddie sentiu os dedos grossos apertarem suas coxas com mais força, a ponto de quase marcar a pele macia. O tatuador se abaixou novamente, mas dessa vez não houve hesitação, não houve aquele vai-e-vem provocante que tanto torturava o garoto.
Dessa vez, Richie enfiou a língua de verdade, a pontinha quente e molhada pressionou a entradinha de Eddie com uma firmeza que fez o garoto ver estrelinhas amarelas atrás das pálpebras fechadas, penetrando devagar e abrindo caminho através da resistência natural do corpo que se contraía e relaxava em espasmos inconscientes. Eddie gemeu um som choroso e prolongado que ecoou pelas paredes do quarto, os dedos dos pés curvando-se com força nos lençóis brancos, as mãozinhas se fechando em punhos apertados.
"Tá gostoso assim?" Richie perguntou contra a pele, a língua ainda enterrada, as palavras saindo abafadas e vibrantes. "É assim que você quer, meu amor? Quer que eu lamba seu cuzinho todinho?"
Eddie não conseguiu formar palavras, não conseguia pensar em mais nada além daquela língua grossa e quente se movendo dentro dele, abrindo e fechando, explorando cada dobra, cada centímetro de carne sensível que se apertava em volta do músculo macio. Ele balançou a cabecinha num movimento que podia significar sim ou não ou por favor não para nunca, mas Richie pareceu entender porque o ritmo aumentou.
A língua deslizava para dentro e para fora num movimento que imitava outra coisa, outra parte do corpo de Richie que Eddie já conhecia bem, e o garoto sentiu a barriga se contrair, o pauzinho duro e latejante escorrendo pré-gozo na barriga, as bolas se contraindo contra o corpo. Ele estava perto, tão perto de gozar só com a língua do namorado enfiada em sua bundinha, e isso era ao mesmo tempo vergonhoso e a coisa mais excitante do mundo.
"Já vai gozar?" Richie ergueu a cabeça de repente, a língua saindo com um barulho molhado que fez Eddie gemer de frustração. "Não vai gozar ainda não, gatinho. A gente mal começou."
"Não... não para..." Eddie tentou protestar, a voz saindo num gemido choroso, os quadris se movendo no ar em busca de contato, de qualquer coisa que preenchesse o vazio súbito que a língua de Richie tinha deixado. "Por favor, amor, eu tava tão pertinho..."
"Eu sei que você tava." Richie se endireitou, o corpo grande se movendo com uma delicadeza que contrastava com seu tamanho, e alcançou a caixa branca na mesa de cabeceira, os dedos grossos vasculhando o conteúdo até encontrar o que procurava. O vibrador azul clarinho brilhou sob a luz amarelada do abajur quando ele o ergueu, mostrando para Eddie como se fosse um presente. "Mas eu quero você mais molhadinho do que isso, assim isso aqui vai entrar sem esforço nenhum."
Eddie mordeu os lábios com os olhos brilhantes fixos no objeto nas mãos do namorado, o coração batendo tão forte que ele podia sentir as pulsações na garganta. Richie apertou um botão na base do vibrador, e um zumbido baixo preencheu o silêncio do quarto, a ponta arredondada vibrando suavemente, quase docemente, como se o brinquedo fosse uma coisa inocente e não um instrumento de tortura prazerosa.
"Deita de ladinho pra mim, amor." Richie instruiu, a voz macia mas firme, a mão livre guiando o corpo de Eddie para a posição desejada. "Coloca a perninha de cima um pouquinho levantada. Isso... assim, bem assim."
Eddie se deixou guiar, o corpo mole e maleável nas mãos do namorado, os músculos relaxados pela salivação e pela excitação que já corria em suas veias há tanto tempo. Ele sentiu a ponta gelada do vibrador tocar sua entradinha e estremeceu inteirinho, um arrepio gostoso descendo pela espinha.
"Vai devagar." Eddie sussurrou, os dedinhos se fechando no travesseiro. "Por favor, vai devagar."
"Vou, gatinho. Vou bem devagarinho." A ponta do vibrador tocou a entradinha de Eddie com uma suavidade que beirava a crueldade, a vibração baixa fazendo a pele sensível formigar antes mesmo de qualquer penetração. Richie pressionou tão devagar que Eddie conseguia sentir cada milímetro do brinquedo entrando, a grossura gradual se alargando sua entradinha molhada à medida que avançava, a vibração se espalhando por dentro como pequenas ondas de choque.
"Calminha, meu anjo." Richie instruiu, a mão livre descansando no quadril de Eddie, os dedos grossos fazendo círculos calmantes na pele macia. "Inspira fundo e solta devagar. Isso... assim mesmo, tão bem comportadinho."
Eddie obedeceu, puxando o ar pelos lábios entreabertos num suspiro trêmulo, sentindo o vibrador entrar mais um pouco, até que a parte mais larga finalmente entrou no buraquinho rosado e o brinquedo deslizou para dentro com uma facilidade que o surpreendeu.
"Ah, muito bem, tá doendo?" Richie perguntou, parando o movimento, a base do vibrador pulsando suavemente contra a pele de Eddie.
"Tá... tá bom." Eddie murmurou, os olhos marejados, o corpo se acostumando à sensação de estar preenchido, à vibração constante que fazia suas entranhas tremerem, ele agarrava o travesseiro com força, sua perninha já meio dormente por estar levantada a um tempo. "Pode... pode continuar."
Richie começou a mover o vibrador devagar, puxando quase todo para fora antes de empurrar novamente, num ritmo lento e hipnótico que fazia Eddie gemer baixinho a cada investida. Sua mão nunca parava de acariciar o quadril do namorado, o polegar desenhando círculos na pele arrepiada, um contraste tão grande com o brinquedo de silicone que preenchia Eddie por dentro.
"Olha só como você fica lindo assim." Richie murmurou, os olhos grudados no lugar onde o vibrador desaparecia no corpo do namorado, a visão da pele rosada se esticando em volta do brinquedo azul. "Toda essa sua bundinha apertadinha em volta desse troço inútil... parece que foi feita pra ser preenchida, sabia? Isso aqui é melhor que meu pau, amorzinho?"
Eddie enterrou o rosto no travesseiro, balançando a cabeça em negação com as bochechas queimando, um gemido abafado escapando dos lábios. As palavras de Richie sempre tiveram esse efeito nele, esse poder de fazer seu corpo reagir antes mesmo que seu cérebro processasse o que tinha sido dito.
"Olha pra mim." A ordem veio firme, e Eddie obedeceu na mesma hora, virando o rostinho para o lado, os olhos castanhos encontrando os de Richie. "Me responde: Isso aqui é melhor que o meu pau? Qual você prefere?"
O vibrador aumentou de velocidade, Richie girou o botão na base com o polegar, e Eddie soltou um grito agudo quando a vibração se intensificou, espalhando-se por dentro dele como fogo. As mãozinhas se fecharam nos lençóis com força, os nós dos dedos ficando brancos, o corpo inteirinho tremendo enquanto o prazer subia como uma maré que ele não conseguia conter.
"Eddie. Me responde." A voz de Richie mudou um pouquinho, havia uma aspereza ali, uma impaciência que não estava presente antes. Os olhos castanhos, sem as lentes dos óculos para suavizar, pareciam perfurar o garoto com uma intensidade que fez até a temperatura do quarto parecer mais alta.
"Eu..." Eddie começou, mas a palavra morreu na garganta quando o vibrador girou dentro dele, a ponta pressionando um ponto tão sensível que sua visão embaçou por um segundo. "Eu prefiro... prefiro você, Richie. Sempre você."
"Então por que você não consegue ficar quieto?" Richie puxou o vibrador quase todo para fora, deixando apenas a pontinha dentro, e Eddie soluçou com a perda, os quadris se movendo para tentar recuperar o preenchimento. "Por que você fica se mexendo desse jeito? Por que suas mãozinhas não param de agarrar nas coisas?"
O garoto olhou para as próprias mãos, os dedos pequenos e trêmulos enroscados nos lençóis, as unhas curtinhas arranhando o tecido branco. Ele não tinha percebido que estava fazendo aquilo, não tinha notado como seu corpo se mexia sem controle, buscando prazer em cada movimento. "Eu não sei..." Eddie murmurou, a vozinha saindo num fio. "Eu não consigo... eu não consigo parar, amor. É tão gostoso e..."
Richie fez um barulho na garganta, algo entre um suspiro e um grunhido de frustração, e largou o vibrador em cima da cama. O brinquedo continuou vibrando contra o lençol, um zumbido solitário quase triste, enquanto o tatuador se inclinou sobre o corpo pequeno do namorado, as mãos enormes encontrando os pulsos finos.
"Você quer que eu te ajude a parar?" A perguntou veio num sussurro, os lábios de Richie roçando a orelha de Eddie, a barba por fazer arranhando a pele sensível do pescoço. "Porque eu posso te ajudar, gatinho. Posso te deixar tão quietinho, tão paradinho... você não ia conseguir se mexer nem se quisesse."
O coração de Eddie deu um pulo tão forte que ele sentiu o sangue zumbir nos ouvidos. Ele sabia o que Richie estava sugerindo, sabia porque já tinham falado sobre aquilo nas páginas do caderninho azul, sabia que a caixa branca na mesa de cabeceira tinha mais do que apenas os usuais brinquedos de silicone.
"Você... você quer me amarrar?" A perguntinha saiu num fio de voz, os olhos castanhos arregalados encontrando os de Richie.
"Eu quero que você pare de se distrair." Richie respondeu, os dedos grossos ainda envolvendo os pulsos de Eddie, o polegar esfregando a pele macia onde os ossinhos se destacavam. "Eu quero que você fique quietinho e sinta cada coisinha que eu fizer em você. Sem se mexer, sem agarrar nada, só sentindo. Você consegue fazer isso por mim, amor? Ou você precisa de ajuda?"
Eddie mordeu o lábio, os olhos marejados, a respiração curta e irregular. Ele sabia que conseguia. Ou pelo menos queria acreditar que conseguia. Mas também sabia que Richie estava certo, que suas mãozinhas não paravam quietas, que seu corpo se mexia sem controle, que ele ficava tão perdido no prazer que nem percebia o que estava fazendo.
"Eu... eu acho que preciso de ajuda." A confissão saiu num sussurro envergonhado, Eddie desviando o olhar, as bochechas coradas de vergonha e excitação. "Desculpa, Richie. Eu não consigo... eu não consigo ficar quieto quando você me toca. E eu juro que eu tento.
Richie soltou um suspiro antes de se inclinar e beijar os lábios doces do namorado. O beijo foi macio, num contraste tão grande com tudo o que estava acontecendo que Eddie sentiu a cabeça girar, os lábios de Richie se moveram contra os seus com uma lentidão gostosinha, a língua deslizando para dentro de sua boca aberta num movimento que não pedia permissão, só tomava o que queria.
"Eu sei que você tenta." Richie murmurou contra a boca de Eddie, os lábios ainda roçando os do garoto a cada palavra. "Eu sei que você é bom e muito obediente... mas às vezes até os meninos bons precisam de um pouquinho de ajuda, não é?"
Eddie assentiu com a cabecinha, os olhos ainda marejados, o coração batendo tão forte que ele jurava que dava para ver o peito pulsar. Ele observou, com a respiração presa, Richie se afastar e alcançar novamente a caixa branca na mesa de cabeceira, os dedos grossos vasculhando o conteúdo até encontrar o que procurava.
A corda que Richie puxou para fora era branca e grossa, feita de um algodão macio que ele enrolou o comprimento em volta dos próprios dedos, esticando para testar a resistência, o barulhinho do tecido se tensionando fez um arrepio subir pela espinha de Eddie.
"Você confia em mim, certo?" Richie perguntou, os olhos castanhos encontrando os de Eddie novamente. "Você confia que eu vou parar se você pedir?"
"Confio." A resposta saiu num tom baixo mas firme enquanto o garoto ajeitava o próprio corpinho na cama confortável. "Eu confio em você, Richie."
"Então me dê seus pulsos, gatinho." Eddie estendeu os bracinhos na direção do namorado, os pulsos finos e brancos unidos como se já estivessem esperando pela corda. Ele não tremia, ou talvez tremesse sim, mas não era de medo, nunca era de medo com Richie, era apenas a excitação de se entregar completamente sabendo que estava seguro nas mãos daquele homem.
Richie enrolou a corda em volta dos pulsos de Eddie com delicadeza, cada volta sendo ajustada com cuidado, nem muito apertada para machucar, nem muito frouxa para escapar, o algodão branco contrastava com a pele pálida do garoto, macio contra os ossinhos saltados, e quando Richie deu o nó final, puxou uma vez para testar e pareceu satisfeito.
"Tenta soltar." Ele instruiu, recuando um pouco para observar Eddie puxar os pulsos em direções opostas, sentindo a corda ceder apenas o suficiente para mostrar que ele não conseguiria se libertar sozinho.
O nó estava bem firme, e havia alguma coisa naquela sensação, na incapacidade de mover as mãos livremente, que fez um calor gostoso se espalhar pelo seu peito. "Não solta." Ele murmurou, os olhos brilhando. "Não solta, Richie."
"Eu sei que não, amor." Richie sorriu, aquele maldito sorriso cretino, e passou os dedos grossos pelos cabelos bagunçados de Eddie, afastando os fios clarinhos da testa suada. "Eu que prendi, lembra? Uma pena que você não vai poder ver como fica bonitinho de braços presos... parece um presentinho todo embalado pra mim."
Eddie mordeu a bochecha internamente com o rosto pegando fogo, as mãozinhas amarradas apoiadas na barriga. Ele se sentia exposto de uma forma diferente agora, não apenas nu, mas vulnerável, à mercê de Richie de um jeito que ia além do físico.
"Richie..." O nome saiu num sussurro, quase um pedido, embora Eddie não soubesse exatamente o que estava pedindo.
"Shhh." Richie colocou um dedo sobre os lábios de Eddie, pressionando suavemente. "Agora você fica quietinho, gatinho. Você pediu ajuda, eu tô te ajudando. Então você deita aí, bem paradinho, e me deixa fazer o que eu quiser com esse seu corpinho gostoso."
Ele empurrou Eddie de volta contra os travesseiros com uma mão no peito, o gesto firme mas não bruto, e o garoto se deixou cair nos lençóis brancos, os bracinhos amarrados erguidos sobre o próprio peito.
Richie se ajoelhou entre as pernas abertas de Eddie e passou os olhos pelo corpo do namorado lentamente, os olhos castanhos percorrendo cada curva, cada pedacinho de pele exposta. Ele estendeu a mão e tocou a ponta do dedo na barriga de Eddie, deslizando para baixo em linha reta devagarzinho, o que fez o garoto sentir o contato como uma queimadura.
"Você não sabe o que faz comigo." Richie murmurou, mais para si mesmo do que para Eddie, os dedos grossos alcançando a base do pauzinho duro e contornando a grossura com uma leveza que fazia o corpo de Eddie tremer. "Desde a primeira vez que eu te vi meu bem, fiquei tão encantado por você e esse seu jeitinho. Tentando parecer durão pra todos..."
"Eu também..." Eddie conseguiu responder, a voz saindo num fio. "Você foi a única pessoa que eu quis de verdade."
O namorado deixou um beijo em sua bochecha quentinha e abriu aquele sorriso que não chegava aos olhos porque esses estavam escuros demais, cheios de uma fome que transcendia qualquer coisa leve. Ele alcançou o vibrador abandonado na cama, o brinquedo ainda zumbindo baixinho, e ligou novamente na potência máxima.
"Você vai poder gozar a qualquer momento apartir de agora." Ele avisou, a ponta do vibrador pressionando a entradinha de Eddie que já estava molhada e pulsando. "Mas não vai poder fazer nada a não ser sentir, não vai poder agarrar nada, não vai poder segurar em mim ou se mexer muito... você consegue fazer isso por mim, gatinho?"
Eddie assentiu, a cabecinha afundando no travesseiro, os olhos chorosos fixos no teto. Ele sentiu o brinquedo entrar de forma lenta, cada milímetro uma tortura deliciosa, e gemeu, um som prolongado que vibrou na garganta e saiu pelos lábios entreabertos.
O brinquedo deslizou para dentro com uma facilidade que o surpreendeu, seu corpo já estava tão preparado e tão molhado pela saliva e lubrificante que a grossura gradual não ofereceu resistência. Quando a base finalmente encostou na sua pele, Richie girou o vibrador, a ponta pressionando a próstata num ângulo perfeito que fez Eddie ver estrelas.
"Ah... ah, puta merda, Richie..." O nome saiu num gemido, os bracinhos amarrados se esticando para cima, os dedos se abrindo e fechando no vazio. "Isso... isso tá..."
"Tá o quê?" Richie começou a mover o vibrador para dentro e para fora no mesmo ritmo hipnótico que já tinha usado antes, mas agora com a intensidade da vibração no máximo. "Tá bom? Tá gostoso? Fala, amor. Eu quero ouvir sua vozinha."
"Tá muito gostoso." Eddie soluçou, os olhos marejados, o corpo inteirinho tremendo. "Tá tão gostoso, por favor, continua assim... por favor, Richie."
Então seu namorado aumentou o ritmo, suas investidas ficando mais rápidas e profundas, o vibrador deslizando para dentro e para fora com uma facilidade que beirava o pornográfico, deixando Richie completamente enfeitiçado com o que acontecia no meio das pernas trêmulas do namorado.
O barulho era obsceno, aquele som molhado e repetitivo do vibrador entrando e saindo do corpinho de Eddie preenchia o quarto inteirinho, misturado aos gemidos agudos do garoto e à respiração pesada de Richie. Era uma sinfonia suja que só os dois podiam ouvir, um segredo guardado entre aquelas quatro paredes pintadas de branco.
"Cada vez que eu acho que você não pode ficar mais apertado..." Richie murmurou, os olhos grudados no espetáculo diante dele, a visão da pele rosada se esticando em volta do silicone azul, a forma como o corpo de Eddie se contraía em volta do brinquedo cada vez que ele puxava para fora. "você prova que eu tô errado. Esse seu cuzinho não quer deixar o brinquedo sair, sabia? Toda vez que eu puxo, ele engole de volta."
Eddie não conseguia pensar em mais nada além daquele prazer avassalador que crescia dentro dele como uma planta invasora, tomando conta de cada célula e de cada pedacinho da sua consciência. As lágrimas começaram a escorrer silenciosamente pelos cantos dos olhos, descendo pelas têmporas e se perdendo nos cabelos castanhos.
Ele costumava ficar assim quando o prazer era demais, a resposta de seu corpo sensível a uma sobrecarga sensorial, uma válvula de escape para tanta sensação acumulada. As lágrimas doces escorriam pelas bochechas rosadas enquanto sua boca se abria num gemido contínuo, os olhos vidrados fixos em algum ponto do teto que ele não enxergava mais.
Richie percebeu, claro que percebeu, por que ele percebia tudo quando se tratava de Eddie, a mudança na respiração, o tremor dos músculos, o lacrimejar dos olhinhos. E a visão do namorado chorando de prazer, todo amarradinho e vulnerável debaixo dele, era algo que fazia seu pau doer de tão duro dentro da cueca.
"Meu Deus, meu gatinho." Ele sussurrou, a voz grossa e cheia de admiração, os dedos apertando o vibrador com mais força, a base batendo suavemente contra a pele de Eddie a cada investida. "Você fica tão bonito chorando assim, tão lindo desmontando todinho só com um brinquedo. O que será que vai acontecer quando eu te comer de verdade, hein?"
Eddie soluçou um som agudo e molhado que escapou da garganta junto com mais lágrimas, os olhos castanhos brilhando como duas estrelas úmidas. Suas mãos amarradas se fecharam em punhos, as unhas curtinhas cravando nas palmas das mãos numa tentativa desesperada de se ancorar em alguma coisa.
"Richie..." O nome saiu num gemido prolongado, quase um choro, os quadris de Eddie se movendo num ritmo descoordenado para tentar acompanhar as investidas do vibrador. "Tô perto... tão perto, amor, por favor, me deixa..."
"Eu falei que você podia gozar quando quisesse, lembra?" Richie cortou, a voz calma demais para o caos que seus olhos escuros escondiam. "Depois de tanto tempo longe de você eu não te negar nada, pode vir meu anjo, pode gozar bem gostoso pra mim e–"
Mas antes que ele pudesse terminar a frase, Eddie se contorceu debaixo dele com o corpo pequeno arqueando, a boca aberta num grito silencioso, as lágrimas escorrendo em rios fininhos pelas bochechas.
O orgasmo o atingiu como um trem desgovernado, forte e avassalador, em ondas de prazer que se espalhavam da próstata para o pauzinho duro que jorrou gozo na sua própria barriga, para as pernas que tremiam incontrolavelmente, para o cérebro que se apagou por alguns segundos preciosos.
A questão era que Richie continuou movendo o vibrador dentro de Eddie, mais devagar agora, sentindo cada contração do corpo do namorado em volta do brinquedo, observando com deleite a forma como o garoto se contorcia e gemia e chorava.
"Você foi tão lindo, meu anjo." Ele murmurou, a voz cheia de orgulho, inclinando-se para beijar as lágrimas salgadas que molhavam as bochechas de Eddie. "Gozou tão bonitinho pra mim... parece até que nunca tinha gozado na vida."
Eddie soluçou, ainda tentando recuperar o fôlego, os olhos marejados encontrando os de Richie. Ele estava sensível demais, a vibração do brinquedo dentro dele agora quase dolorosa depois do orgasmo, e ele abriu a boquinha para pedir para parar, mas Richie foi mais rápido.
"Mas a gente não terminou não, gatinho." O tatuador disse, os dedos grossos girando o vibrador devagar dentro de Eddie, fazendo o garoto gemer em protesto. "Você acha que eu vou te deixar descansar depois de só um? Depois de todo esse tempo que a gente ficou sem se ver direito? Achou mesmo, amorzinho?"
"Não... não consigo..." Eddie tentou protestar, a voz saindo num fio, os bracinhos amarrados se movendo fracamente como se tentassem empurrar Richie para longe, mas sem força, sem vontade real. "Tá muito sensível, Richie, por favor, me dá um tempinho..."
Richie parou os movimentos do vibrador, mas não tirou o brinquedo de dentro do namorado, só continuou segurando ele ali, pulsando contra a próstata já hipersensível do menino que continuava tremendo, os olhinhos pedintes por carícias do mais alto.
Richie observou Eddie por um longo momento, a forma como o peito pequeno subia e descia em ondas irregulares, como os olhos castanhos brilhavam marejados, como os lábios inchados tremiam a cada contração involuntária do corpo. Ele parecia uma pintura, uma obra de arte viva e trêmula, toda exposta e vulnerável naquela cama bagunçada.
"Olha pra mim, gatinho." A voz saiu macia, mas não era um pedido, era uma instrução, uma ordem que Eddie obedeceu na mesma hora, os olhos encontrando os de Richie com uma dificuldade visível, como se focar exigisse um esforço sobre-humano. "Você tá se sentindo bem?"
A pergunta pareceu estranha para Eddie, confusa em meio ao nébula de sensações que ainda tomava conta do seu cérebro. "O quê? Claro que sim, mas..."
Richie inclinou-se e deixou um beijo suave na testa suada de Eddie, depois outro na ponta do nariz, depois nos lábios trêmulos. "Então eu vou trocar o brinquedo, tá bom?"
Ele se afastou o suficiente para alcançar a caixa branca na mesa de cabeceira, os dedos grossos vasculhando o conteúdo até encontrar o que procurava. Quando se virou novamente para Eddie, segurava um plug de silicone preto, maior que o vibrador, mais grosso, com uma base larga e arredondada que reluzia sob a luz amarelada do abajur.
Eddie sentiu o estômago se contrair, uma mistura de medo e excitação que o deixou tonto. "Richie... isso é..."
"É um pouco maior, eu sei." Richie cortou, a voz calma, quase doce, enquanto rolava o plug entre os dedos, aquecendo o silicone entre as palmas das mãos. "Mas você vai gostar, lembra da primeira vez que a gente usou o vibrador? Você ficou com tanto medo, quase chorou antes de eu colocar... e depois não queria que eu tirasse."
Eddie mordeu o lábio, lembrando. Tinha sido assustador no começo, a sensação de estar preenchido de uma forma tão estranha, por que aquilo não o preenchia da mesma forma que Richie fazia, mas também parecia mais do que o suficiente. E o namorado tinha sido tão paciente, tão gentil, tinha parado sempre que Eddie pedia, tinha esperado o tempo que fosse necessário.
"Esse aqui é só um pouquinho maior." Richie continuou, mostrando o plug para Eddie, deixando que o garoto visse o tamanho, a grossura, a forma como o silicone se alargava gradualmente até a base. "Mas ele não vibra. Ele só fica lá dentro, bem quietinho, preenchendo você todinho. E enquanto ele estiver aí dentro, eu vou poder te chupar, te beijar, te tocar sem me preocupar em ficar movendo nada."
"Você... você vai me chupar?" A perguntinha saiu num fio de voz, Eddie sentindo o pau dar uma pequena pulsação de interesse.
"Vou chupar você inteirinho, gatinho." Richie sorriu ao passar as mãos pelo corpo de Eddie. "Vou chupar seu pau, e lamber seus peitinhos, vou beijar sua boca... mas o tempo todo você vai sentir esse plug bem fundo dentro de você."
Ele aproximou o plug do rosto de Eddie, deixando que o garoto sentisse o cheiro do silicone limpo, visse a forma como a luz brilhava na superfície lisa. "Sim? Deixa eu colocar?"
Eddie demorou apenas um segundo para assentir com a cabecinha, os olhos ainda marejados, o coração batendo tão forte que ele jurava que dava para ver o peito pulsar. "Pode... pode colocar. Mas não se apressa tanto, Richie."
"Eu sei, eu sei, vou com calma." Richie deixou o plug de lado por um momento e alcançou o vidro de lubrificante na mesa de cabeceira, aquele com cheiro neutro que Eddie gostava, o barulhinho da tampa abrindo ecoou no silêncio do quarto, e Richie derramou uma quantidade generosa do líquido transparente sobre o plug, espalhando com os dedos até que todo o silicone estivesse brilhando e escorregadio.
"Tira o outro, primeiro." Eddie murmurou, lembrando que o vibrador ainda estava dentro dele, agora desligado, mas ainda presente.
"Claro, meu bem. Como eu pude esquecer?" Richie sorriu e alcançou a base do vibrador que ainda estava enfiada no corpo de Eddie, seus dedos envolvendo o silicone com cuidado, e puxou devagar.
O brinquedo saiu num movimento e Eddie gemeu com a sensação de estar vazio novamente, o ar entrando em contato com a pele sensível e molhada. Ele se sentiu exposto de uma forma diferente, quando Richie deixou o vibrador de lado e pegou o plug novamente, o garoto prendeu a respiração. "Tá tudo bem, gatinho." Richie instruiu, a ponta do plug pressionando a entradinha de Eddie, a grossura já maior do que a do vibrador desde o início. "Inspira... e solta devagar. Isso... isso mesmo, Eddie."
O plug começou a entrar, e ele o sentiu como uma pequena morte e ressurreição. A grossura gradual alargava seu corpo de uma forma que o vibrador não conseguia, preenchendo espaços que Eddie nem sabia que existiam, empurrando as paredes internas para os lados numa pressão constante e inescapável que fez ele soltar um soluço. "A-ah, meu Deus..." Eddie sussurrou, os olhos arregalados, a boca aberta num suspiro contínuo.
"Assim, amor." Richie confirmou, a voz calma, os dedos firmes mas suaves, girando o plug devagar para ajudar na penetração. "Tá entrando bem gostoso... seu corpinho tá aceitando muito bem, como se tivesse sido feito pra isso."
Quando a parte mais larga finalmente ultrapassou seu cuzinho, Eddie soltou um gemido prolongado, com os olhos se enchendo de lágrimas novamente. A sensação era demais, o preenchimento era quase completo e a pressão constante contra a próstata inchadinha fazia suas pernas ficarem molengas como gelatina, ele apertou as mãos em punhos.
O plug assentou no lugar com um clique silencioso, a base larga encostando suavemente na pele de Eddie, e o garoto soltou um suspiro trêmulo. O silicone quente pulsava contra suas paredes internas a cada batida de seu coração, um lembrete constante de que ele estava cheio e prontinho caso Richie quisesse se enfiar dentro dele, entrando de uma maneira prazerosa demais.
"Porra, Eddie..." Richie murmurou, os olhos grudados no plug preto contrastando com a pele rosada de Eddie, a visão obscena e linda ao mesmo tempo. "Você fica tão perfeito quando deixa eu brincar com você assim, meu anjo."
Eddie tentou responder, mas o que saiu foi outro gemido, os quadris se movendo num movimento inconsciente, testando a sensação do plug se mexendo lá dentro. Cada contração muscular fazia o silicone pressionar contra seu pontinho de uma forma que tirava seu fôlego.
Richie se endireitou, os olhos escuros percorrendo o corpo do namorado com uma fome que fazia a pele de Eddie arrepiar. "Eu prometi que ia te chupar todinho, não foi? Mas antes..." Ele se moveu com uma rapidez que surpreendeu Eddie, as mãos enormes agarrando as coxas do garoto com uma força que beirava a brutalidade e puxando, puxando mesmo, sem cerimônia, arrastando o corpinho de Eddie para baixo na cama até que o menino estivesse exatamente onde Richie queria.
O movimento foi tão brusco que Eddie soltou um grito abafado, os bracinhos amarrados batendo contra o peito, os olhos arregalados encontrando os de Richie. "Caralho, Richie... avisa antes..."
"Por quê?" Richie se inclinou sobre o garoto, os braços apoiados de cada lado da cabeça de Eddie, o corpo grande o enjaulando numa posição estranhamente excitante. "Você gosta quando eu te pego assim, não gosta? Quando eu te mostro quem é que manda aqui?"
Eddie abriu a boquinha para responder, mas as palavras morreram na garganta quando Richie desceu a boca e a prendeu num beijo. Não era um beijo macio como os anteriores, esse era sujo, com a língua grossa invadindo a boca de Eddie sem pedir permissão e explorando cada cantinho.
Ele gemeu contra a boca de Richie, os olhos se fechando, o corpo inteirinho se rendendo àquela invasão deliciosa. As mãos amarradas se moveram para tocar o rosto do namorado, mas a corda impediu, os dedos apenas roçando a pele sem conseguir se firmar.
Richie se afastou da boca de Eddie com um barulho molhado, os lábios brilhando, a respiração pesada. "Fica quietinho." Ele ordenou, a voz grossa, e então se ergueu o suficiente para cuspir.
A saliva quente caiu no peito de Eddie numa linha prateada que escorreu pelo esterno e se espalhou pelos mamilos róseos. O garoto observou o namorado se abaixar novamente e capturar um dos mamilos entre os lábios.
O grito que escapou de Eddie foi agudo e manhoso, ecoando pelas paredes do quarto como um alarme do prazer que sentia. Seus mamilos eram sensíveis, não um pouco sensíveis, não razoavelmente sensíveis, mas extremamente sensíveis, a ponto de às vezes doer quando a camiseta roçava neles do jeito errado. E Richie sabia disso, ele tinha notado desde a primeira vez que tocou no peito de Eddie, tinha percebido como o garoto se contorcia quando sua língua passava por ali, e desde então ele fazia questão de usar aquilo a seu favor.
Sua língua grossa se enrolou em volta do mamilo esquerdo, pressionando e puxando, sugando com uma intensidade que fazia Eddie delirar. A saliva quente se espalhava pela pele sensível, e cada movimento da boca de Richie enviava choques elétricos direto para o pau de Eddie, que já estava duro novamente mesmo depois de ter gozado tão intensamente minutos atrás.
"Richie... Richie, por favor..." Eddie não sabia o que estava pedindo. Para parar? Para continuar? Para mais toques? Para menos toques? Seu cérebro havia se transformado em uma névoa de sensações, a única coisa clara sendo a boca do namorado no seu peito e o plug pulsando dentro dele.
Richie alternou entre os dois mamilos, chupando um enquanto beliscava o outro com os dedos grossos com uma atenção meticulosa. Vez ou outra, ele mordia de leve, apenas o suficiente para fazer Eddie arquear as costas, e então lambia o lugar mordido, a língua macia acalmando a pele irritada.
"Você não tem ideia de como é gostoso te chupar assim." Richie murmurou entre uma mamada e outra, os olhos erguidos para encontrar os de Eddie, o rosto pressionado contra o peito do garoto. "Fica todo trêmulo e todo choroso... seu pau escorrendo só de eu lamber seus peitinhos. Aguenta mais um pouquinho, sim?"
"Sim, senhor." Richie voltou a mamar em seus peitinhos, os dedos se esfregando levemente em seu pauzinho sensível que estava completamente encharcado. "Hum, p-porra!" Eddie gemeu exaltado ao ser pego de surpresa e Richie o repreendeu quando acertou um tapa em sua coxa. "D-Desculpa... desculpa."
Richie não falou nada, apenas continuou a chupar seus mamilos como se sua vida dependesse disso, gemendo prazeroso contra a pele e apreciando o gosto em sua boca. Isso e juntando a maneira em que sua entradinha se contraía cada vez mais ao redor do plug, sabia que não iria conseguir segurar por muito tempo.
Seu namorado havia dito que precisava ele esperar apenas mais um pouco, tinha que ser um pouquinho mais paciente. Se ele havia dito aquilo era porque estava realmente se saindo bem, que tinha aguentado mais tempo do que no orgasmo anterior, e isso era o que confortava Eddie, pelo menos.
Mas se tornou uma tarefa muito difícil manter-se firme quando Richie desceu os beijos babados e começou a chupar seu pau com a precisão de quem sabia exatamente o que fazia, a boca quentinha engolindo todo o seu comprimento de uma forma que beirava a insanidade. Eddie gemeu excitado, balançando os quadris, as pernas estremecendo de modo que nunca fizera antes.
"Richie!" Eddie o chamou em um tom de alerta, as mãozinhas presas tentando alcançar a cabeça do namorado para segurá-lo e tentar parar os movimentos.
"Ei, gatinho, olhe pra mim." Richie pediu em um tom calmo e doce, mas fazia uma punheta contínua, acelerada demais, numa rudeza que fazia o menino ofegar.
Eddie olhou para ele com lágrimas escapando de seus olhos, os dedos trêmulos apertando as palmas e os quadris tentando de alguma maneira escapar daquela estimulação para não acabar desobedecendo o dominador. Seu namorado voltou a se sentar no espaço entre suas pernas, assim podendo mover os dedos mais agilmente.
"Você pode gozar no momento em que quiser, meu amor, mas eu quero que aguente mais um pouquinho. Você está sendo perfeito e eu sei que consegue segurar mais um pouco, sim?"
"Não consigo." Eddie chorou apertando os pulsos presos com força contra o peito. "Eu quero muito ser bom, mas não posso segurar mais..." ofegou falando tão baixinho, que parecia estar falando consigo mesmo.
"Só mais um pouquinho." Foi tudo o que Richie falou, sendo um completo filho da puta ao que começou a mover o plug dentro dele enquanto ainda continuava com a punheta gostosinha, tirando o brinquedo até a ponta para então o enfiar até a base.
"Por que v-você tá fazendo isso comigo?" Ele perguntou em meio ao choro, seu corpo tendo pequenos espasmos quando Richie deslizava o polegar por sua cabecinha molhada. "Tá m-muito sensível... amor, por favor, eu não quero desobedecer..." falava entre os soluços, suas pernas se abrindo mais sem nem mesmo se dar conta disso.
Porém, chegou em um ponto em que Eddie simplesmente não pôde suportar mais. Seus lábios se abriram e seus olhinhos se arregalaram na tentativa falha de avisar que estava vindo, avisar que do modo que Richie metia aquele brinquedo nele estimulava ininterruptamente seu pontinho, e que aquilo estava causando em Eddie uma sensação diferente na qual ele não era capaz de compreender.
O membro de Eddie se contraíu contra os dedos de Richie com força, antes que relaxasse e gozasse fortemente contra eles. Tamanho era o alívio de Eddie por finalmente estar vindo, que não percebeu como estava mais molhado que o de costume, não reparando em como aquele orgasmo era líquido e dilacerante.
Não só havia gozado, como um orgasmo intenso havia lhe atingido em cheio como se lhe arremessasse contra uma parede, tanto que ele nem tinha ideia do que estava fazendo e de como aquilo estava afetando o seu dominador de uma maneira absurda. Apenas sentia a mão grande ainda se movendo contra seu membro, de um modo que apenas prolongava seu orgasmo e a sensação de ainda estar gozando.
Richie deveria estar supostamente irritado por Eddie não ter conseguido se segurar quando ele tinha pedido diretamente para que o fizesse. Mas, porra, como ele poderia fazer aquilo quando o submisso tinha acabado de esguichar pela primeira vez por sua causa?
Ele ficou ali, imóvel, com os olhos grudados no espetáculo diante dele como se fosse a coisa mais fascinante que ele já tinha visto na vida inteirinha, e talvez fosse. Os dedos grossos ainda estavam molhados, escorrendo com o líquido transparente que jorrava do pauzinho de Eddie em espasmos cada vez mais fracos, o corpo do garoto tremendo inteirinho.
"Eddie..." O nome saiu num sussurro rouco, cheio de admiração, e Richie finalmente ergueu os olhos para o rosto do namorado.
O menino estava uma bagunça. Os cabelos castanhos clarinhos colados na testa suada, as bochechas rosadas e molhadas de lágrimas, os olhos vidrados e marejados, a boquinha aberta num suspiro contínuo que parecia não querer se fechar nunca mais, ele olhava para o teto, mas não parecia ver nada.
"Amor." Richie chamou novamente, mais macio dessa vez, uma das mãos subindo para afastar os cabelos da testa de Eddie. "Amor, volta pra mim. Volta, gatinho. Aqui, presta atenção."
Eddie piscou uma vez, duas vezes, os olhos lentamente encontrando os de Richie com uma dificuldade visível, sua consciência voltava em fragmentos, primeiro o teto branco, depois a luz amarelada do abajur, depois o rosto do namorado flutuando acima do seu, os olhos castanhos brilhando com uma preocupação doce.
"Desculpa." Ele pediu meio grogue, juntando as coxas com força. "Juro que tentei segurar mais um pouquinho e ser bom pra você." fungou, esfregando o rosto molhado pelas lágrimas no travesseiro.
Eddie desviou o olhar para a própria barriga, para os lençóis debaixo de si, e viu os respingos transparentes espalhados pela pele, o líquido escorrendo em pequenas poças nos lençóis brancos. Era diferente do gozo normal, mais líquido e mais claro, havia muito mais do que o normal.
"Eu..." Eddie começou, mas a voz falhou, um soluço escapando da garganta antes que ele pudesse controlar. "Me desculpa, Richie. Me desculpa, eu tentei segurar, eu juro que tentei..."
"Shhh, shhh, calma, calma." Richie interrompeu o fluxo de palavras, inclinando-se para capturar os lábios trêmulos de Eddie num beijo macio e carinhoso. "Não tem nada pra se desculpar, amor. Nada mesmo."
"Mas você pediu..." Eddie insistiu, a voz molhada, as lágrimas escorrendo novamente, mas agora eram lágrimas de frustração, de vergonha, de medo de ter decepcionado o namorado.
Richie colocou um dedo sobre os lábios de Eddie, silenciando o garoto com um olhar firme, mas não duro. "Escuta aqui, gatinho. Você não fez nada errado. Você ouviu o que eu disse? Nada. Pelo contrário, você foi perfeito. Mais que perfeito. Você acabou de fazer algo que a gente nunca tinha conseguido antes, mesmo tentando várias vezes..."
Ele abriu a boca para argumentar, mas Richie não deixou, beijando-o novamente, dessa vez por mais tempo, com mais língua, até sentir o corpo do garoto relaxar debaixo do seu.
"Você ouviu o que eu disse?" Richie perguntou contra os lábios de Eddie. "Repete pra mim."
"Eu... eu não fiz nada errado." Eddie repetiu, a voz ainda trêmula, mas um pouquinho mais firme.
"Perfeito." Richie confirmou, beijando a pontinha do nariz de Eddie.
O garoto sentiu o peito se aquecer num orgulho bobo florescendo no meio da confusão de emoções que ainda tomava conta dele. Ele ainda estava sensível, ainda estava cansado, mas a vergonha estava diminuindo, substituída por algo mais confortável. "Você não tá bravo, né?" Eddie perguntou, a vozinha pequena, os olhos castanhos buscando os de Richie como se procurasse por qualquer sinal de decepção.
Richie soltou uma risada baixa e aveludada que fez o peito vibrar. "Gatinho, eu tô tão longe de bravo que eu não sei nem te explicar. Eu tô achando que você é a coisa mais linda que já pisou nessa terra e eu não mereço nem amarrar seus sapatos."
"Você não precisa falar essas coisas..." Eddie murmurou, desviando o olhar, as bochechas coradas.
"Mas eu quero falar. E vou falar o quanto eu quiser." Richie segurou o queixo de Eddie, forçando o garoto a olhar para ele novamente. "Por que eu te amo."
Ele se afastou, os dedos grossos finalmente se movendo para o botão da própria calça jeans, que estava tão apertada que parecia que ia explodir a qualquer momento. O barulhinho do metal se desfazendo ecoou no silêncio do quarto, e Eddie prendeu a respiração, os olhos grudados nas mãos de Richie.
"Mas acontece que eu tô com um probleminha aqui." O tatuador murmurou, puxando o zíper devagar com os olhos nunca deixando os de Eddie. "E eu sei que você está muito cansadinho, e com razão, então deixa eu usar sua boquinha, sim?"
Eddie nem pediu para que o namorado o desamarrasse, ele apenas se pôs de joelhos na cama com as pernas protestando, e deitou de barriga para cima com a cabeça pendurada nas laterais do colchão. O movimento foi tão natural, tão automático, que Eddie nem pensou duas vezes.
A posição deixava sua garganta completamente exposta, um alvo perfeito, a boquinha aberta e molhada esperando para ser usada. Os bracinhos ainda estavam amarrados, descansando sobre sua barriga suja de gozo e saliva, mas isso não importava, ele não precisava das mãos para o que estava prestes a fazer.
Richie fez um barulhinho na garganta, algo entre um gemido e um grunhido de aprovação, e se moveu para se posicionar sobre o rosto de Eddie. A visão de cima era de tirar o fôlego, o rostinho do namorado pendurado para trás, os olhos castanhos marejados olhando para ele de cabeça para baixo, a boquinha aberta num convite silencioso, a língua rosada descansando no lábio inferior.
"Olha só pra você." Richie murmurou, a voz grossa, os dedos grossos acariciando as bochechas coradas de Eddie com uma suavidade que contrastava com o que estava prestes a acontecer. "Não precisei nem pedir, não é, gatinho? Você já sabe o que eu quero."
Eddie cantarolou um som satisfeito e abafado quando o polegar de Richie deslizou por seus lábios, pressionando a língua para baixo, explorando a umidade da sua boca com uma intimidade que fez o garoto arrepiar inteirinho.
"Sua boquinha é tão pequena, tão apertadinha." Richie continuou, o olhar fixo na forma como os lábios de Eddie se esticavam em volta do seu dedo. "Vai me engolir todinho? Essa sua gargantinha vai aguentar?"
Eddie balançou a cabecinha num movimento que podia significar sim ou não ou tanto faz, por favor só enfia logo. Então, ele se posicionou sobre o rosto de Eddie, um joelho de cada lado da cabeça do garoto, e segurou a base do próprio pau com uma mão, a outra descansando na testa suada do namorado. A cabecinha vermelha e brilhante tocou os lábios de Eddie com uma suavidade que beirava a tortura, deslizando de um lado para o outro, molhando a pele ressecada com o pré-gozo que escorria em pequenos fios prateados.
"Abre mais, gatinho." Richie instruiu, o polegar pressionando o queixo de Eddie para baixo. "Mais. Isso... assim. Agora coloca a língua pra fora."
Eddie obedeceu, a pontinha rosada da língua deslizando para fora dos lábios, tremendo ligeiramente com o esforço de manter a posição, o mais alto gemeu ao ver aquilo, a visão da língua molhada esperando para recebê-lo, e finalmente empurrou o quadril para frente.
A cabecinha entrou na boca de Eddie com uma facilidade que surpreendeu os dois, os lábios do garoto se esticando em volta da grossura gradual, a língua pressionando a parte de baixo do pau de Richie num movimento instintivo de deglutição. Eddie gemeu, a vibração percorrendo todo o comprimento do membro do namorado, e Richie revirou os olhos.
"Caralho, Eddie." Ele sussurrou, seus dedos se fechando nos cabelos castanhos do garoto com mais força. "Sua boca é quente demais. Molhada demais. Como pode?"
Ele empurrou mais fundo, devagar, dando tempo para Eddie se ajustar, para a garganta se acostumar com a grossura que avançava. O garoto sentiu o pau de Richie pressionar o céu da boca, depois a língua, depois a entrada da garganta, e ali ele hesitou, os olhos marejados encontrando os de Richie num pedido silencioso.
"Respira pelo nariz, meu bem." Richie instruiu, a voz macia apesar do fogo nos olhos. "Inspira fundo e relaxa a garganta. Isso... isso mesmo. Você consegue."
Eddie obedeceu, puxando o ar pelas narinas num suspiro trêmulo, sentindo a garganta se abrir e os músculos relaxando numa rendição completa. Richie empurrou mais um pouco, a cabecinha ultrapassando a barreira da garganta, e Eddie engoliu em volta dela num movimento automático que fez os dois gemerem ao mesmo tempo.
"Puta merda, Eddie, que boquinha gostosa do caralho." Richie sussurrou, a voz cheia de admiração, os olhos grudados na visão do seu pau desaparecendo na boca pequena do namorado.
Lágrimas escorriam dos olhos de Eddie por pura sobrecarga sensorial e por estar sendo completamente dominado daquela forma íntima e suja. Ele não conseguia pensar, não conseguia fazer nada além de sentir o peso do pau de Richie na sua garganta, o gosto em sua língua, o cheiro do namorado invadindo suas narinas.
Richie começou a se mover, puxando o quadril para trás até que apenas a cabecinha estivesse dentro da boca de Eddie, e então empurrando novamente, afundando até a base num movimento lento. "Olha aqui pra mim." Richie ordenou, os dedos puxando os cabelos de Eddie para forçar o contato visual. Eddie obedeceu na mesma hora, os olhos castanhos encontrando os de Richie de cabeça para baixo, as lágrimas escorrendo pelas têmporas e se perdendo nos lençóis. "Quero ver seus olhinhos enquanto eu fodo essa sua boquinha."
O ritmo aumentou, as investidas ficando mais rápidas, mais profundas, o pau de Richie deslizando pela garganta de Eddie com uma facilidade que beirava o obsceno. O garoto gemia em volta do membro a cada investida, as vibrações percorrendo todo o comprimento do pau de Richie, fazendo o tatuador gemer baixinho.
"Porra, Eddie..." Richie gemeu, a cabeça jogada para trás, as mãos segurando o rosto do namorado com mais força. "Você chupa tão bem. Tão gostoso. Parece que nasceu pra isso, sabia? Parece que sua boquinha foi feita pro meu pau."
Eddie sentiu o orgulho florescer no peito mesmo naquela posição vulnerável, mesmo com a garganta sendo usada daquela forma. Ele queria ser bom, queria agradar, queria mostrar para Richie o quanto ele amava aquilo, amava ser usado, amava ser dominado, amava a sensação de não ter controle nenhum sobre nada além de respirar e engolir.
Richie puxou o pau para fora da boca de Eddie num movimento rápido, e o garoto ofegou, o ar entrando em contato com a garganta dolorida e bem usada. Um fio de saliva conectava seus lábios inchados à cabecinha vermelha do namorado, e Eddie lambeu os lábios automaticamente, saboreando o gosto que restava. "Você quer mais?" Richie perguntou, a voz grossa, os olhos escuros brilhando. "Quer que eu goze na sua boquinha, amor? Quer engolir?"
"Na minha boquinha." Eddie respondeu num sussurro, a voz falhada, rouca. "Quero você na minha boca, Richie."
Richie gemeu, um som rouco que veio lá do fundo do peito, e enfiou o pau novamente na boca de Eddie com uma só investida, afundando até a base num movimento que fez o garoto engasgar. Ele não parou dessa vez, apenas começou a mover os quadris num ritmo frenético, seu pau deslizando pela garganta do garoto com uma velocidade que deixava o garoto tonto.
"Vou gozar." Richie avisou, a voz falhando, os dedos se fechando nos cabelos de Eddie com força. "Vou gozar na sua boquinha, gatinho. Você vai engolir tudinho, não vai? Não vai desperdiçar uma gota?"
Ele não conseguia fazer nada além de gemer em volta do pau que preenchia sua boca completamente, mas fez o que pôde, um aceno de cabeça, as mãozinhas amarradas se apertando, os olhos suplicantes encontrando os de Richie.
Quando Richie gozou, o primeiro jato atingiu o fundo da garganta de Eddie, quente e grosso, e o garoto engoliu instintivamente, a garganta se contraindo em volta da cabecinha num movimento que fez Richie gemer alto. O segundo jato veio logo depois, e o terceiro, ele engoliu cada um, o gozo escorrendo pela sua garganta abaixo num fluxo quente e salgado que ele recebeu com prazer.
Richie ficou parado por um momento, o pau ainda enterrado na boca de Eddie, os ombros sacudindo com a intensidade do orgasmo. Quando finalmente puxou para fora, um fio de gozo e saliva conectou os lábios inchados do garoto à cabecinha sensível do namorado.
"Abre a boca, mostra a linguinha pra mim." Richie ordenou, a voz ainda grossa, e Eddie obedeceu, a boquinha aberta mostrando a língua rosada coberta de branco, a bochecha interna manchada. "Engoliu tudo?"
Eddie engoliu mais uma vez, a garganta se movendo num movimento que fez Richie sorrir. "Tudo." O garoto respondeu, a voz falhada, a boca vazia agora. "Engoli tudinho, amor."
Richie pegou o namorado trêmulo no colo como se ele fosse frágil demais, e Eddie não era frágil, mas depois de tudo ele estava um pouquinho. Eddie se aninhou contra o peito largo do tatuador, o rostinho enterrado na curva quente do pescoço, as perninhas moles penduradas para cada lado, os bracinhos ainda amarrados pressionados entre os dois corpos.
"Tá tudo bem, gatinho." Richie murmurou, a voz macia, os lábios roçando a testa suada de Eddie. Ele sentia o coração de Richie batendo forte contra o seu, o calor do corpo do namorado aquecendo sua pele arrepiada, as mãos grandes acariciando suas costas em movimentos lentos e circulares.
"Vou te desamarrar agora, tá?" Richie avisou, os dedos grossos encontrando o nó da corda branca. "Fica paradinho."
O nó se desfez com um puxão seco, e a corda caiu dos pulsos de Eddie, o garoto gemeu quando o sangue voltou a circular nas mãozinhas, uma sensação de formigamento gostoso que se espalhou pelos dedos, e ele esticou os braços, flexionando os músculos dormentes.
"Consegue se mexer?" Richie perguntou, pegando uma das mãos de Eddie e massageando os dedos um por um, pressionando as juntas, esticando os tendões. "Tá doendo? Tá formigando?"
"Tá... tá formigando um pouquinho." Eddie respondeu com a voz ainda falhada e os olhos ainda marejados. "Mas não dói. Só... só parece que minhas mãos não são minhas."
Richie riu baixinho, a risada fazendo o peito vibrar contra o rosto de Eddie. "Isso passa, amor. Daqui a pouquinho você já vai estar se mechendo como uma pulguinha saltitante de novo."
"É, provavelmente." Eddie murmurou, um sorrisinho cansado aparecendo no canto da boca.
Richie continuou massageando as mãos de Eddie, alternando entre uma e outra, até que o garoto conseguiu fechar os dedos em volta dos dele com uma força quase normal. Então o tatuador se moveu, ajustando Eddie no colo, e alcançou a base do plug que ainda estava enfiado no corpo do namorado.
"Vou tirar agora, gatinho." Ele avisou, a voz macia, os olhos buscando os de Eddie. "Talvez doa um pouquinho, mas passa rápido."
Eddie mordeu o lábio, assentindo com a cabecinha, os bracinhos se enrolando no pescoço de Richie para se segurar. Ele sentiu os dedos grossos envolverem a base do plug, sentiu a pressão leve para fora, e então o silicone começou a deslizar devagar, cada milímetro saindo do seu corpo num movimento molhado e obsceno.
O barulhinho que o plug fez ao sair foi molhado, um som sujo que ecoou no silêncio do quarto, e Eddie gemeu quando sentiu o ar entrar em contato com a pele sensível e dilatada, a sensação de vazio quase tão intensa quanto a sensação de preenchimento tinha sido.
"Pronto, pronto." Richie murmurou, jogando o brinquedinho sujo em cima da mesa de cabeceira e voltando a abraçar Eddie com força. "Já passou. Tá tudo bem."
Eddie soluçou novamente com o rosto enterrado no pescoço de Richie, o corpo tremendo em espasmos pequeninos que ele não conseguia controlar. A sensação de estar vazio era estranha, quase dolorosa, e ele sentiu um pouquinho de falta de estar preenchido, de ter aquele lembrete constante de que ele pertencia a alguém.
Ele se aninhou mais no colo de Richie, as perninhas se fechando em volta da cintura do namorado, os bracinhos enrolando no pescoço, o rostinho enterrado na curva quente onde o ombro encontrava o pescoço. Ele estava tão cansadinho, o corpo todo pesado e mole como se tivesse corrido uma maratona.
Richie começou a balançar Eddie devagar, um movimento de ninar que fazia o garoto suspirar em contentamento. As mãos grandes percorriam suas costas em movimentos suaves, acariciando a pele arrepiada, pressionando os músculos tensos até que eles relaxassem.
"Desculpa." A palavra saiu tão baixa que quase não deu para ouvir, a boca de Richie pressionada contra o cabelo macio de Eddie. "Desculpa por ter sido tão ciumento, meu amor."
"O quê?" Eddie se afastou o suficiente do peito do outro para olhar em seus olhos, a testa franzida em confusão. "Do que você tá falando, Richie?"
"Da briga." Richie explicou, a voz rouquinha, os olhos castanhos brilhando. "Eu fui um idiota ciumento que não soube lidar com um cara dando em cima de você. Eu fui um babaca que preferiu brigar ao invés de conversar e fiz você se sentir culpado por algo que claramente não foi sua culpa."
"Amor." Eddie interrompeu com a voz firme mas macia, os polegares fazendo um carinho leve nas bochechas do homem. "Para. Para agora."
Ele se ajeitou melhor no colo do namorado, deixando beijinhos estalados em seu rosto e apertando os braços em seu pescoço num abraço. "Tá tudo bem, Richie, você já se desculpou, eu já aceitei e você fez eu me sentir muito bem hoje. Não precisa ficar tão grilado com isso." Ele deixou mais um beijo estalado, dessa vez nos lábios do homem.
"Merda, eu te amo tanto, meu gatinho." Ele sussurrou contra os lábios doces de seu menino, o apertando nos braços.