as you wish, my king @the cavalcanti’s
Era notável a mudança em sua aparência, a jovem notara assim que os saltos tocaram o piso fora do quarto. Como não notariam? Os olhos azuis brilhando em um tom escuro, imbuídos de uma malicia sem vergonha, bem como o sorriso, apesar de aparentar a inocência, era nada mais uma capa sob a vontade sádica. Os cabelos encaracolados batiam de forma suave contra os ombros, presos com uma delicada tiara dourada incrustada de pequenas perolas. A cor negra das madeixas contrastavam com o vestido vermelho em um tom de vinho profundo, destacando os diversos bordados e detalhes dourados que enfeitavam o vestido. O decote generoso que empinava as mamas pálidas era um dos atributos mais atraentes, com o medalhão de perolas pendendo a letra ‘B’, era impossível de não chamar atenção de quem passasse. Hoje a noite, Andromeda encarnara aquela que recebera o titulo de ‘The Most Happy’, a que viria ser a mãe da famosa Elizabeth I ‘A Rainha Virgem’; hoje Andromeda era Ana Bolena. Impetuosa, selvagem, aventureira e apaixonada, a segunda jovem esposa de Henrique VII; um dos casos mais apaixonantes de toda a Inglaterra. Desempenhar papeis era comum para Andromeda, e com este não fora diferente. Ao adquirir uma nova ‘casca’ garantira de acrescentar diversas personalidades, a postura reta e ao mesmo tempo sedutora que Bolena era conhecida pela corte, o sorriso cheio de segundas intenções e os olhos misteriosos. Tocando as perolas do colar em meditação profunda, da qual fora retirada rapidamente, os olhos azulados se iluminaram ao ver uma figura lhe esperando a frente. O sorriso somente se alargara ainda mais, divididos entre a malicia e a diversão, enquanto caminhava lentamente em direção a figura, apreciando e analisando cada detalhe de sua anatomia. Ao chegar a sua frente, a jovem se inclinara em uma saudação exagerada, antes de falar em um tom zombeteiro e luxurioso. “Vossa Majestade, que prazer em vê-lo.”
A delusória efígie majestosa ostentava a coroa no vértice do crânio, cujo elemento emblemático era referência a criatura digna de ter à sua verídica aparência reproduzida por Hímeros. O Incubus usufruía do título da realeza, cuja personificação era o Rei Henrique VII da Inglaterra. Soberania que fazia jus a cerne do varonil, do contrário, ele não iria representar a figura de um perdedor. A majestade responsável por derrotar Ricardo III com seu exército possuía a dita aparência replicada pelo Cavalcanti, o homem de disfarce sedutor atraía olhares de forma espontânea. Porém, não era novidade à criatura esbelta, pois cativar a atenção e luxúria do súditos era o seu objetivo. O escopo para àquela noite era atrair o maior número de vítimas ao abate, usufruindo de linguagem metafórica ao citar o famigerado abate. Afinal, o macho jaz à mercê das preferências de suas irmãs. Ou seja, tudo dependia da vontade de suas cúmplices. A tríade representava o vínculo psíquico, portanto, a ação provém do consenso. As duas mulheres gozavam de pleno poderio sobre ele, logo aquela noite em específico não seria uma exceção à regra. Portanto, o macho jaz a espera de suas duas acompanhantes. As íris masculinas, porém, orlavam a superfície do salão de forma voraz a criaturas que agradavam à sua visão. Atiçando-lhes a cobiça através de seu poder, fazendo-os usufruir do vislumbre da luxúria ao direcionar o olhar à sua criatura. O Rei desfrutava de um sorriso crápula ao fazê-lo, ocultando a sombra do molde de seus lábios após sentir em seu âmago a aproximação de uma de suas Rainhas. De costas ao gênese de feudatários - referência entregue aos demais presentes no baile por Hímeros -, a íris do soberano percorreram a representação de Ana Bolena. O sorriso antes invisível em seus lábios, tornou-se contemplável ao peregrinar a íris pela anatomia sinuosa da famigerada irmã. Mirando-a nos olhos após contemplar à fala e notória luxúria e sarcasmo em sua fala. “Recíproca é a verdade, minha rainha.” Tomou-lhe a mão direita para depositar um beijo cortês, tocando a superfície da mão da fêmea com luxúria. Preservando o contato visual imaculado em seu ato, voltando-se a ostentar a perfeita postura depois da ação. Não cultivou, porém, distância alguma à outra. Deslizando os dígitos da mão direita pela cintura fina, envolvendo-a. Mais uma vez o famigerado regozijo tornou-o seu sustentáculo. A presença de Minerva era perceptível ao macho, conduzindo-o a peregrinar a íris pelo salão para finalmente encontrar à sua segunda companhia.















