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me esquece devagar como se precisasse pensar em mim para a vida ser um pouco menos terrĂvel
object without desire
Sensibilidade
Larissa Rosa
deixa eu te dizer antes que o momento se perca nâalgum mundo paralelo e as coisas deixem de fazer sentido. deixa eu te tocar como se nunca mais fĂŽssemos nos ver porque a efemeridade me possui e afoba. eu quero que vocĂȘ saiba do meu amor nesse exato minuto em que te vejo perdido entre fotografias, porque o sentir vive em fase metamĂłrfica e em horas poderĂĄ se tornar algo completamente diferente do que penso agora. nĂłs conversamos o tempo todo alĂ©m das palavras. busco seu colo cerca de dez vezes ao dia e me entrelaço em vocĂȘ antes de dormir. eu nunca gostei do excesso de proximidade atĂ© sentir suas mĂŁos no meu cabelo, desde entĂŁo nunca tive tanto medo do fato de nĂŁo residir temor algum em amar. jĂĄ nĂŁo digo que te amar Ă© uma certeza porque se tornou imutĂĄvel, sentir vocĂȘ em cada poro Ă© um fator comum das minhas cĂ©lulas. e te digo sem pausa pra que vocĂȘ sinta cada terminal nervoso implĂcito, e te digo repetidamente como a rotina de quando vocĂȘ chega e me escondo na curva do seu pescoço. eu colo o lĂĄbio no seu ouvido pra te dizer todas as coisas belas. do lado de dentro muros tentam se reerguer, vocĂȘ teima em destruir a obra antes da metade. nĂłs parecemos enredo de cinema argentino mas a verdade Ă© que nosso amor Ă© feito pra se moldar em qualquer fresta. a Ășnica coisa que ouso fazer Ă© segurar seu rosto e pedir para nĂŁo me deixar desfazer todos os verbos que nos fizeram. vocĂȘ Ă© aquela do tom, do cĂcero e de tantos outros que nĂŁo Ă© preciso mencionar.
sentir me dĂłi em cada rastro de pele. nĂŁo negarei que vezenquando me vem o Ămpeto de renunciar todo e qualquer afeto porque amar me pĂ”e em carne viva. nĂŁo negarei que nos Ășltimos dias isso me tomou porque a espera me faz triste. o mundo me transborda, meu amor. o mundo me transborda e eu sĂł sei implodir. vocĂȘ me transborda porque eu te amo como se parte de mim fosse feita para esse fim. vocĂȘ me toca como se nĂŁo houvessem remendos e campos minados dentro do peito. eu te toco como quem se entrega pelos olhos. vivemos nesse desassossego que ninguĂ©m renega, porque eu quero tirar seu juĂzo enquanto vocĂȘ tenta me libertar. sinto suas mĂŁos apertando meus braços como se alguĂ©m pudesse partir a qualquer momento. meus braços te rodeiam o pescoço para calar todas as negaçÔes. diria que Ă© dependĂȘncia mĂștua, se nĂŁo fosse uma escolha. direi um tanto de coisas, belas, desconexas, contraditĂłrias. bem sabe todos os silĂȘncios que faço e os chamados que neles moram. vocĂȘ diz com os olhos um tanto de promessas que nĂŁo ousamos mencionar, aceito todas. eu calo tristezas porque minha dor te dĂłi tambĂ©m, vocĂȘ as lĂȘ antes do tĂ©rmino de cada rascunho.
o momento se perdeu no meio do segundo parĂĄgrafo, o sentir tornou-se distinto, ainda que essencialmente imutĂĄvel. eu quero que vocĂȘ saiba que dentro de mim moram tristezas, silĂȘncios e abismos. vezenquando todos eles me tomam de uma sĂł vez, sinto ganas de fugir, tornar-me pĂł. nesses momentos eu nada sei. eu fecho os olhos e falo sĂł, sou sĂł em cada canto, enxergo tristeza em cada vĂŁo. absolutamente todas as coisas sĂŁo capazes de me tocar e o mundo me dĂłi sem pausa, sĂŁo coisas essas que vocĂȘ sabe. as certezas se esvaem, o seu amor sempre fica.
G.
nem o choque entre os planetas explicam a agonia de nĂŁo pertencer. quedas. estou caindo e meu pĂ©s movimentam-se sem ter onde pousar. os ombros, os mĂșsculos, os lĂĄbios e todo peito triste, jĂĄ nĂŁo suportam a mĂŁo pesada de um deus que me olha e nega a minha existĂȘncia.
amar, como eu amo, Ă© quebrar os prĂłprios ossos e nĂŁo aceitar a dor da culpa.
v.