❝So sentimental (not sentimental no).
notlikemoony:
Para quem se via rodopiando dentro de um tornado, ouvir que fizera falta era um tanto gratificante. Não apenas porque vinha se sentindo um extraterrestre desde o impasse de seus pais eclodir sobre sua cabeça, como também porque nem tivera tempo de se fazer presente na vida dos amigos enquanto estava em Colorado. Amigos muito bons, que o aceitavam e que o faziam se sentir querido. Alguns laços foram fomentados desde o primeiro e único ciclo de seus estudos em uma escola trouxa, antes de ingressar em Ilvermorny, e tinha um extremo rigor em cultivá-las ao longo dos anos. Havia uma reciprocidade que o deixava bem, mas não tivera nem chance de imergir nessas sensações. Ao menos, não naquelas férias. O grupo era pequeno, unido o bastante para que não se sentisse de fora, mas o nado naquela separação prevista de seus progenitores o tirou completamente da rota de seus intentos para aquela pausa tão aguardada de inverno. O que rendeu o resultado de se sentir extremamente deslocado e nada querido, uma soma que cabia à sua falta de notícias sobre o que o mantivera tão distante repentinamente. Trocara mensagens, mas Patrick era um ser humano de troca interpessoal e aquilo também o chateara um bocado ao ponto de se ver absurdamente sensível naquele quesito. Ele tinha pleno conhecimento de que passava boa parte do seu tempo sozinho, mas não porque gostava. Não porque intentara isolamento. Jamais! Ver-se longe do mundo vinha do reflexo de anos e anos dedicados aos seus estudos mágicos, mas, na menor chance, se misturava ao povo, como um de seus amigos sempre dizia. Quando retornava em épocas como aquela, ao seu lar em Colorado e com uma saudade imensa de amigos e de familiares, era como se nada tivesse mudado. Poderia ir e vir que tudo estaria no lugar, mas não em seu último e mais recente Natal em que os desdobramentos provaram o contrário.
Tal norte de pensamento saudosista cabia perfeitamente à Elissa. Embora gostasse daquele sentimento, que o deixava sensível, apesar do humor que tendia a ser contagiante e que estava um tanto ausente naquele encontro, declarar que sentira a falta dela o norteou para um caminho que fazia tempo que não revisitava. O caminho de um impasse que chegara a crer que deslegitimaria para todo o sempre aquela amizade e nunca se perdoaria. Retrocesso acarretado graças à réplica da mais nova que havia soado tão inocente quanto a sua. Foi-lhe impossível não recordar daquele último embaraço, que remetia ao comentado cartaz que fizera na tentativa de pedir desculpas sobre a discussão que tiveram - e que tinha Laila como personagem principal, bem como William Fraser. As coisas poderiam ter morrido ali, mas ocorrera algo mais e esse algo mais aumentou o rubor de suas bochechas. Não havia duplo sentido, em nenhuma das partes, mas o estalo daquela lembrança o deixou ainda mais envergonhado enquanto se sentia aquecido por finalmente não ser o zero à esquerda de alguma situação.
Apesar desse singelo desconforto, um sorriso estampou o rosto avermelhado de Dickinson. Um sorriso grato e ao mesmo tempo divertido sobre o ponto em que Elissa afirmara que em sua companhia poderia pisar na jaca. Comentário que o desviou daquele incidente-com-direito-a-um-cartaz e que lhe trouxe um pouco de calma. Costumavam fazer aquele tipo de coisa sempre quando se encontravam e, além do sentimento da saudade, era bom sentir uma dose singela de normalidade. Decidiu que mergulharia naquilo, apesar de seu desconforto e de sua preocupação o deixarem um tanto mais distraído. Já deveria ter cutucado seu próprio celular umas dez vezes e, em um movimento impetuoso, que quase o fizera virar a garrafa de cerveja sobre si, o colocou dentro do bolso do casaco. Não queria passar a imagem de deselegância, como se estivesse à espera de alguém ou de alguma informação mais relevante a estar na companhia de Thorne. A companhia dela era a prioridade do momento e anuiu, mais para si mesmo, se certificando de que não meteria os pés pelas mãos. Ainda sim, só retornou à situação pelo reflexo criado pelo celular da mais nova e o pegou prontamente, reconhecendo a figura de um Owen que estava muito diferente da última vez em que o vira. - Holy shit! Elissa, esse garoto está tomando qual tipo de achocolatado para crescer tão rápido? - perguntou, deslizando o indicador contra a tela do aparelho para ver todas as fotos do garotinho. Sorria e ria algumas vezes, dependendo do que via. Espiou-a brevemente, apurando a singela preocupação quanto ao crescimento daquela criança. Era quando se dava conta do buraco que existia naquela história, meramente porque não tinha tanto conhecimento. Como bom curioso, queria saber, mas sacara bem antes de que se tratava de uma curva sinuosa e que não deveria desbravá-la só porque sentia vontade. - É nisso que você tem que se agarrar. - corroborou com as palavras da ex-corvina sobre a parte de dar tudo certo no final. - E, outra, você não é uma mãe imprudente, nem nada. Você cuida muito bem de Owen. Imagino que se sinta culpada, mas você optou em se dar importância também e isso é awesome demais da conta. Inclusive, importante, já que a senhorita é uma mãe formidavelmente decidida. - devolveu o aparelho a amiga e notou a presença do garçom mais uma vez. Logo, a porção de batatas estava entre ambos e Patrick não demorou muito para entupi-las com os temperos disponíveis. - Depois disso, comerei um hambúrguer daqueles. Espero que esteja disposta. - confessou de um jeito divertido. Pegou uma das batatas e se deliciou, bebericando a cerveja de novo em seguida. - C'mon, really? Ok, sou meio suspeito para falar porque eu adoro todas as estações do ano, but Colorado fica lindo no inverno. É que você nunca foi pra lá, mas tenho certeza de que mudaria facilmente de opinião. A vista é toda montanhosa e essas montanhas ficam salpicadas de neve. Elas são o entorno da cidade. No verão também é bom, dá para fazer trilhas e mal posso esperar por isso. - e esperava que desse certo, o que lhe rendeu uma breve insegurança. Não tinha refletido sobre a verdade de que suas futuras férias poderiam ser um problema e tanto. Afinal, agora era uma pessoa, por assim dizer, de duas casas e teria que se revesar. Considerando que Journey o enxotara por visitar a família secreta de Keegan, bem, lá estava de novo a questão de que teria que escolher lados e seguia nem um pouco disposto a isso. E nem tinha intenção de se fazer omisso porque retornar aos EUA, agora que se mantinha meses no Reino Unido, era uma missão quase desesperadora. Agora, nem sabia como isso seria e sentiu, pela primeira vez naquele dia, uma onda de estresse assomá-lo tão abruptamente ao ponto de tensionar seus músculos.
Alisava a testa repetidas vezes quando escutou o chamado de Thorne e sentiu o toque dela brevemente em sua mão. Conhecia aquele tom e aquele toque. Ambos cuidadosos. Sinal de que não estava sendo tão contido quanto esperava. Nem que tentasse muito ele conseguia disfarçar o que sentia e achava que era completamente capaz disso. Uma lorota, pois, logo menos, se deixou render por aquela chateação que o vinha corroendo o tempo inteiro. Não havia conversado com ninguém sobre aquilo, até porque passara aqueles dias de férias dedicado a conter os danos irreparáveis. Nem havia notado o quanto estava pesado, muito além do cansaço de noites mal dormidas e do jet lag. - Meus pais estão se separando. Meu… Pai traiu minha mãe. Por anos. - revelou, suas feições se moldando em uma expressão de desolação. O sorriso morreu rapidamente tão quanto sua diminuta animação por estar na companhia da melhor amiga. Coçou a barba ligeiramente e deixou a mesma mão percorrer sua nuca tensa. - Pareço um adolescente não sabendo contar isso para a amiguinha, mas, depois de anos, essa é a minha realidade. Foi péssimo. Muito péssimo. Nunca notei o quanto traição pode atingir certos limites. - até porque era muito leigo naquele assunto e só conhecia um viés que fora experienciado por si várias vezes. As outras, escutava da boca de alguém ou via na ficção - e na ficção tudo ficava bem. - Mudanças drásticas e nada positivas, me identifico. - anuiu positivamente e bebeu um gole maior da cerveja. Ergueu a mão para o alto, chamando o garçom e indicando que queria mais uma. - Esse é o motivo de ter retornado mais cedo, não as turmas que ainda não sei a quantidade. Não sei o que farei nos dias seguintes. Morrer de tédio provavelmente, but posso visitar outros lugares desse mundo bruxo que não conheço ainda. Há vários pontos históricos que muito me apetecem. - e aquilo parecia um plano bom para quem não sabia realmente o que fazer uma vez que o preparo para o início das aulas só faria no fim da semana. - Anyway, vamos focar na senhorita. Falta pouco para ter esse diploma, pense assim. Obviously que nos encontraremos sempre que quiser. Ainda preciso levar Owen em algumas aventuras. - a consolou, dando duas palmadinhas suaves no ombro da mais nova. - Supimpa! Já vou providenciar minha melhor roupa. - seus olhos se contraíram em resposta ao murmúrio que ela poderia ter achado que havia passado despercebido. Respirou fundo e foi a vez dele tocar o dorso dela brevemente. Tinha que falar e assim o fez. - Li a edição especial do Profeta. Não precisa se aprofundar em nada, mas sei o quanto o assunto deve ter rebatido em William e sinto muito. - poderia mencionar Georgia também, mas era provável que caçasse o contato dos pais da adolescente para fazer isso de uma forma mais decente e menos invasiva. - É muito triste e fiquei horrendamente chocado. Ainda mais com o causante. Acredita que esse tal de Nicholas me deu um presente de Natal? Em outras palavras, uma jarra com uma Marca Negra e uma serpente dentro. Ah! E uma carta. Aquele rapaz realmente conseguiu me assustar. - suspirou e apertou os olhos para afastar a lembrança daquela serpente tomando posse de sua mesa de trabalho. Não houvera como responder aquilo. Ao menos, não ainda, mas tinha completa consciência de que precisava tomar providências. Isso, se Azkaban não tivesse tomado primeiro já que a acusação contra o Mackenzie era gravíssima.
Pensar no seu aluno o ajudou a recordar de que devia entregar algumas coisas para Elissa. Puxou a mochila para si e começou a tirar alguns embrulhos de lá. - Já que comentei sobre presentes, vamos falar dessa coisa boa. Nada de serpentes! - bateu palmas alegremente porque se havia uma, de várias, coisas que o empolgava, eram presentes. Ainda mais os natalinos. - Sei que você não é enfermeira, mas achei esse presente ideal. Mais pela mensagem que pela profissão. É uma oração e o pingente remete ao trabalho de enfermeiras ao longo das guerras trouxas. - empurrou um pequeno embrulho arroxeado na direção de Elissa. - O de Owen, well, resolvi contaminá-lo com mais Star Wars, com esses dois presentes. - fez uma pausa abrupta e liberou um muxoxo. - Jesus! Depois de ver aquelas fotos, acho que pagarei mico em um dos presentes. Aonde estava com a cabeça de que Owen ainda era um bebê? - riu fracamente, sentindo suas bochechas esquentarem. - Espero que goste, Elissa. Foi comprado às pressas, sorry, mas é de coração.
Por toda sua rotina ser moldada em torno de seus horários no Mungus, era quase impossível para Elissa manter relações fora do convívio hospitalar e familiar. Embora a ex-corvina fosse o tipo de pessoa que agregava outras ao seu redor, manter certo convívio era complicado; como bem acontecia com sua relação com Patrick. Mesmo que estivessem morando no mesmo país haviam se encontrado pessoalmente pouquíssimas vezes. De certa forma era o suficiente, principalmente porque os dois tinham interesse em manter aquele vínculo de amizade vivo, fato que não acontecera com nenhum outro colega de sua época de escola. Elissa não os culpava, uma vez que ao terminar Hogwarts seguira em uma viagem de um ano em outro continente. Podia morar no Reino Unido desde os seus três anos de idade, mas continuava ligada as suas raízes latinas. Por ter crescido sob a tutela de sua família materna fora privada de um convívio maior com a outra parte de sua descendência, porém, assim que tornara-se maior de idade sequer pensara duas vezes antes de tirar um ano para conhecer mais a fundo suas raízes. Fora uma experiência enriquecedora. Aumentara seus laços com a família paterna e conhecera mais sobre si mesma. Uma experiência que em nada se arrependia.
O único ponto negativo era que acabara se distanciando de quem costumava manter laços afetivos. Além de Patrick, só lhe restara um pequeno e restrito grupo de amigas. Grupo do qual acabara se distanciando quando se envolvera com Theodore. O Fraser a distanciara de todas as pessoas próximas, tornando-a dependente da companhia dele. Fora um relacionamento conturbado com um viés abusivo que demorara meses para perceber, e quando percebera era tarde demais, afinal, encontrava-se grávida. Elissa sabia que a amizade com Patrick só não fora afetada por seu relacionamento com Theodore porque nunca chegara a apresentá-los. Não tinha dúvidas que Theodore arranjaria mil empecilhos para sua amizade com Dickinson e que o intimidaria sem dó para manter distância. Era por essa e por outras que parte de si sempre seria grata pela morte de Theodore. A existência dele era-lhe tóxica em um alto nível. O que vivera nunca seria esquecido, fato que a fizera se distanciar das pessoas em geral por um determinado tempo. Encontrara apoio na família e dedicara-se unicamente em cuidar do filho recém-nascido. A ideia de fomentar laços de amizade só se fizera presente uma outra vez ao voltar ao ambiente de trabalho. Todas as suas atuais relações mais próximas se mantinham dentro das paredes do Mungus. A única exceção, além de sua família, era Patrick. Uma amizade que quase fora arruinada por um passo em falso dado por si.
Elissa voltou a fitar o melhor amigo e um sorriso singelo tocou o canto dos seus lábios. Patrick era o tipo de pessoa que gerava certo encantamento ao seu redor; ele era confiável, amável, prestativo. Não era à toa que em certo momento sentira mais do que deveria por ele. Felizmente acreditava que fora algo passageiro, e a normalidade moldava uma outra vez a relação entre eles. – Nem me fale. – um biquinho contrariado tomou os lábios da ex-corvina. – Ele está crescendo rápido demais e queria congela-lo em sua fase bebê adorável. Não que ele esteja menos adorável, obviamente. – disse como uma típica mãe coruja. – Você lembra quando fomos te visitar? Ele só engatinhava, agora ele já anda e sobe em todas as coisas. Crianças nessa idade requerem uma atenção redobrada. – O sorriso em seus lábios alargou-se com alguma facilidade. Certamente precisava ouvir que não era um desastre como mãe. Fazia o seu melhor por Owen, mas seguia temendo falhar com o filho, da mesma forma que seus pais falharam consigo. – Você sabe como encher minha bola. – disse em um tom brincalhão enquanto voltava a pegar o celular. Checou rapidamente e continuava sem mensagem, o que era excelente. – Até o momento creio que esteja conseguindo conciliar todas as coisas, mas me sinto meio exausta. Vou precisar de longas férias depois que essa maratona maluca se encerrar. – comentou enquanto retirava as luvas que mantinham suas mãos aquecidas naquele tempo gelado dos infernos. O olhar de Thorne recaiu sobre as batatas fritas e fora impossível refrear um gemido de apreciação. – Paddy você quer mesmo entupir minhas artérias não é? Tudo bem eu o acompanho. Sorte que estou faminta! – a ex-corvina deliciou-se com o sabor das batatas abarrotadas de condimentos. Um crime contra a alimentação saudável que estava muito feliz em cometer. – Imagino que o Colorado realmente seja exuberante, as fotos que você costuma postar sempre me deixam muito curiosa, talvez faça uma visita no próximo inverno. But, you know, minhas raízes latinas me fazem desejar por sol, praias de areias branquinhas e mar azul a perder de vista. Eu sinto saudades de Porto Rico. Se tudo der certo, nas próximas férias de verão levarei Owen para conhecer a minha família paterna. O lugar é realmente incrível. Você deveria fazer uma visita! Nunca mais vai querer saber de qualquer outro destino praiano. – suspirou saudosista. Realmente sentia falta de Porto Rico, mas principalmente de sua abuela. As relações entre suas famílias paterna e materna não eram das melhores, mas Elissa amava a todos igualmente.
Embora perdida em lembranças saudosistas, Elissa não deixou de perceber o tensionar nos ombros de Patrick. Thorne curvou-se ligeiramente para a frente, para que ficasse mais próxima do melhor amigo. Surpreendeu-se ao ouvi-lo contar qual era o problema. Até onde recordava-se, Keegan e Journey viviam uma relação estável e feliz. Tivera contato com ambos pouquíssimas vezes, mas a harmonia parecia notável. De repente todo o comportamento de Patrick passou a fazer bastante sentido. – Eu sinto muito, Paddy. – disse com sinceridade. Nunca era fácil acompanhar uma relação de anos se findar e tudo tornava-se um tanto mais complicado quando existia uma traição por trás. Elissa apertou a mão de Patrick em um gesto de conforto. Enquanto o fitava se perguntava até onde o tópico traição o fazia se relacionar mais do que deveria com o que acontecia entre os pais. – Estou certa em supor que seus pais nunca deram indícios de que as coisas não iam bem? É normal que você encontre alguma dificuldade em processar os acontecimentos recentes. Sua realidade familiar mudou de um dia pro outro, não é um crime se sentir atingido pelos fatos. – Thorne deixou que uma respiração profunda a escapasse. – Não negarei que estou surpresa, seus pais pareciam bem estáveis. Como Journey está lidando com a situação? E, principalmente, como você está lidando com essa novidade? – podia notar pelo semblante amuado de Patrick que aquela separação estava cobrando bastante dele. – O divórcio já é uma certeza? – e intimamente sabia que aconteceria porque até onde conhecia Journey ela não lhe parecia o tipo de pessoa que aceitaria ser passada para trás, ainda mais por tanto tempo. – Aparentemente 2026 soube como deixar um impacto logo em seus primeiros dias. – murmurou e dessa vez era sua voz que soava amuada. Elissa levou a cerveja aos lábios e sorvou um longo gole. – Eu o acompanharia nesses passeios, mas, infelizmente estou atolada de trabalho até o pescoço. – uma careta pontuou suas feições. - Há vários lugares que você deveria visitar, há outras vilas mágicas muito mais interessantes que a boa e velha Hogsmeade, e que são o sonho de qualquer historiador. Se distrair é uma boa pedida no momento, Paddy. – Thorne comeu mais algumas batatas e as mastigava enquanto o ouvia. – Owen vai adorar se aventurar com você. E ugh também preciso começar a pensar em roupa para essa bendita formatura. – Uma respiração ruidosa escapou a Elissa ao perceber que não havia atualizado Patrick sobre a situação de William. Sequer fazia ideia de em quais termos ficara a relação dos dois. – Hm, desculpe não tê-lo informado sobre William antes. Aiden fez questão de deixar a história longe das páginas do Profeta. Resumindo; houve um problema digno de famílias medievais e ele se encontra no Mungus a quase um mês. Foi lá que ele teve acesso a edição especial do Profeta, e a reação não foi das melhores. Nós tivemos que estender a internação. No momento sou a responsável por ele no hospital, e as coisas tem sido insanas nas últimas semanas. – certamente não conseguiria explicar em palavras o quanto estava preocupada e consternada com toda a situação. – Eu também sinto muito. Nenhum desses adolescentes merecia nada disso. – como se tudo já não estivesse ruim o suficiente, ainda teria que informar a William do último desdobramento daquele caso. Não negaria que possuía certo receio da reação do adolescente. Norte de pensamento que foi interrompido pela voz de Patrick. – Nicholas fez o que? – a irritação estava presente em seu tom de voz. Aquela era mais uma prova de que Nicholas se encontrava fora de controle. - Isso é sério? Pelas barbas de Merlin onde diabos errei com esse garoto. Ugh. – tarde demais percebeu que tinha dito mais do que deveria. Normalmente evitava citar seus pacientes fora do hospital, não apenas por causa do sigilo médico-paciente, mas porque não queria constranger ninguém. Bufou exasperada. – Teoricamente eu não deveria dizer nada a você, mas, Nicholas não me é um estranho. Eu costumava ser assistente no caso dele. O conheço bem, por assim dizer. E sinto muito pelo que ele fez a você. Apenas não dê a ele a ideia de que ele consegue intimida-lo, é onde ele ganha força. – embora tivesse deixado de conviver com Nicholas há meses, não era difícil supor que o ambiente familiar o tinha levado de volta para a sua época de bully. Era difícil aceitar que ele era a pessoa por trás do que acontecera a Georgia quando meses atrás percebera o quanto ele se importava com a meia-irmã. Rejeição era realmente algo com o qual o Mackenzie não sabia lidar.
Continuava naquela linha de raciocínio quando a voz de Dickinson voltou a chamar sua atenção. O sorriso naturalmente despontou nos lábios de Thorne. A ex-corvina esticou as mãos para pegar os presentes que eram colocados à sua frente. Abriu o primeiro e o sorriso em seus lábios aumentou de tamanho. – Ugh, você sabe como dar presentes. Eu amei! Inclusive pretendo usar agora mesmo. – murmurou enquanto empurrava os cabelos pro lados e se esforçava para fechar o cordão ao redor do pescoço. – Ficou bom? – perguntou ao conseguir fechá-lo, em seguida concentrou-se nos outros presentes. Uma risada suave lhe escapou ao notar os móbiles temáticos. – Para sua sorte ele ainda dorme em um berço, então serve bastante. É adorável, Patrick. – o outro presente também se encaixaria bem no quartinho de Owen. – Você está tornando o meu filho o seu jovem Padawan. – tocou com a ponta do indicador o nariz do mais velho. – Estava mesmo pensando em mudar a decoração do quarto dele, será totalmente Star Wars daqui pra frente. Muito obrigadas pelos presentes, Paddy, é sempre bom ser lembrada. – um sorriso afável tomou os lábios de Elissa. A ex-corvina curvou-se em direção a própria bolsa, de onde tirou um embrulho pequeno. Não tivera muito tempo para compras, mas lembrara-se de todo mundo que era-lhe importante. Empurrou o embrulho em direção a Patrick. – Faço minhas as suas palavras; é só uma lembrancinha, mas é de coração. Não tive muito tempo para ir as compras devido ao furacão que passou pela minha vida nas últimas semanas. Espero que você goste.














