Barbarians’ Combat Methods 101 || Tournament POV
Ouvia bem as palavras do príncipe, tentando se interpretar qual era o real objetivo daquele evento. À primeira vista era bastante simples: Derrotar os cinco Constructos. Não podia ver nenhuma dificuldade ali, era claro que as máquinas não eram totalmente perigosas, a família real com certeza não iria querer colocar em risco a vida de uma selecionada que não fosse familiarizada com combates. Além do mais, Ellarya havia perdido a conta de quantas vezes já havia participado de combates, combates de verdade, onde poderia terminar em sua morte e em que quando se atingia seu rival, era sangue que vazava de seu golpe. Para ela aquilo não era um grande desafio, na verdade nem achava que precisaria fazer uso da fúria, conseguiria terminar em poucos minutos, mas aquele não era o propósito do desafio. Ver a demonstração do Príncipe Arthur só deixava aquilo mais óbvio.
Ellarya nunca foi de se encantar facilmente por rapazes, havia sido criada em um contato intenso com diversos rapazes, o bastante para saber que a maioria era no mínimo desagradável. Estar sempre muito imersa na família Byl também havia lhe proporcionado encontros com representantes de outras Guildas, o suficiente para saber que mesmo aqueles que agiam de forma menos bruta que os Bárbaros constantemente se escondiam por trás de gestos encantadores e rostos bonitos. Mas tinha que admitir que aquilo a atraia e fascinava, ver a maneira com qual o Príncipe se movia e duelava. Ainda que fosse de forma muito mais polida do que o que a selecionada estava acostumada, Ella ainda conseguia notar a força e habilidade do jovem. Ellarya tinha que afastar-se da admiração e focar-se nos objetivos, quando o príncipe mudou suas estratégias para aspectos mágicos tornou-se claro que o ponto daquilo não era oferecer uma luta, e sim um show.
Ella desviou o olhar para as outras selecionadas, sabia que entre elas havia uma gama de poderes e habilidades, meninas que possuíam truques e magias de deixar a plateia de queixo caído. Ela não tinha nada daquilo. Tinha a brutalidade e habilidade dos Bárbaros, tinha sua agilidade de Genasi de Ar, e tinha sua determinação em fazer aquilo dar certo, teria que dar certo. “Agora preparem-se para Ellarya Byl, a selecionada dos Bárbaros” o sobrenome de Jaala a fez estremecer um pouco, sabia bem o que isso significa, era um lembrete de que estava diretamente interligada ao líder e este não queria ser decepcionado. Não usava armadura, sabia que o metal pesado só iria torna-la mais lenta, e tinha noção de que teria que se destacar pela velocidade.
Cinco contra um, era um número complicado. Não por ser uma batalha difícil, porém seu extinto seria invocar a fúria e atacar todos de uma vez, mas isso não seria um show que geraria um entretenimento bom. Enquanto pensava no melhor plano, o círculo que os Constructos formavam fechava-se ao seu redor, se não se cuidasse teria ataques de todos os lados, foi então que bolou o primeiro plano. Não conseguia voar como outros Genasis do Ar com maior treinamento, mas conseguia pular muito alto. A garota saltou por cima dos corpos de metal, saindo do círculo e parando em outro canto da arena, atrás dos Constructos que carregavam as balestras. Perfeito, os robôs usavam armas de distância e aparentemente seu salto foi um sinal para que os mesmos atiravam, um sorriso surgiu os cantos dos lábios da selecionada. Sempre adorou armas de distância, apesar de muitos de seus companheiros de Guilda afirmarem que tal armas eram para fracotes, apenas tinha algo especial em como aquelas flechas trabalhavam usando o ar como sua forma de transporte. Ella até considerou usar um arco-e-flecha quando se aprontava para aquele evento, mas não achou que combinaria com o propósito daquilo. Bem, se ela não podia usar armas daquele tipo, os Constructos também não poderiam.
Ella deixou sua espada de lado quando a chuva de flechas começou a voar em sua direção, foi então que Ella fez uso de sua velocidade. Pegou cada uma das flechas que cortavam o ar pelo tubo, antes que a atingissem. Era incrível como podia nem estar vendo aquilo, mas sabia que o cabelo começava a tomar uma coloração de esbranquiçada, uma vez que estava usando seus poderes. Suas mãos queimaram um pouco, mas havia pego todas as 10 flechas. A garota juntou todas nas duas mãos, antes de torce-las, quebrando-as de uma vez. Era um gesto um tanto bruto, mas queria mostrar que apesar de possuir braços muito mais finos do que seus companheiros de Guilda, ainda possuía uma força bruta... E bem, apenas realmente gostava de quebrar coisas. Agora que estavam sem flechas, as armas daqueles Constructos eram inúteis e não demorou muito para Ellarya brandir sua espada contra eles, decapitando ambos em um só golpe, um golpe nada simétrico ou bonito, apenas poderoso e bruto. A garota chutou as cabeças robóticas para a plateia, com um sorriso orgulhos enquanto observava-os brigando para ver com quem ficava o pedaço de metal, achou cômico como a situação seria diferente caso fosse uma cabeça real. Estava no pique, podia sentir todos os seus sentidos aguçados, preparados para o campo de batalha ainda que fossem poucos os rivais agora. Sentia o instinto de entrar em fúria, mas sabia que acabaria muito rapidamente e de forma desenfreada, então precisava se concentrar. Foi fácil derrotar os arqueiros com a espada, precisava de um desafio maior. Sendo assim a garota ergueu a própria espada, mostrando-a para a plateia e para o príncipe, antes de atira-la aos pés do mesmo. Agora estava sem arma alguma e ainda haviam três Constructos contra uma Ellarya desarmada.
Viu o Constructo que carregava a lança correndo em sua direção, a ponta apontada para ela. A Bárbara disparou em uma corrida em sua direção, em uma ação que provavelmente parecia não fazer o menor sentido para quem estava assistindo, mas ela tinha um plano. Ao chegar perto o bastante, as mãos da selecionada agarraram o cabo lança antes que esta atingisse seu estomago. A velocidade da corrida permitiu que tivesse impulso para pular e atingir o tórax de metal do Constructo, lançando-o para longe. Agora possuía a lança do robô nas mãos, mas não demorou muito para que a lançasse em direção de um dos Constructos com espada, atingindo-o no pescoço metálico. Pegou a espada do “falecido” robô para que pudesse duelar a sua cópia. Os barulhos de espadas se chocando era como música para os ouvidos de Ella, ainda que não demorasse muito para que assumisse uma forma mais brutal, decepando o braço do robô que segurava a espada, mas é claro que não parou por ali. Atingiu-o de novo e de novo, até que grande parte do metal estivesse estilhaçado.
Mas é claro que não havia terminado, havia ganhado um pouco de tempo ao chutar o Constructo da lança para longe, mas apesar de desarmado o robô ainda estava perfeitamente ativo. Era apenas injusto duelar contra alguém sem arma, então mais uma vez Ellarya virou-se para o príncipe, lançando-o mais uma espada. “Outro presente para Vossa Alteza” anunciou, em um tom bem-humorado, não achava que o presente seria tão valorizado uma vez que tecnicamente aquelas armas já eram do castelo de qualquer maneira. Ellarya virou-se a tempo de ver o ultimo Constructo se aproximando, e não demorou muito para que aplicasse um golpe contra o mesmo, paralisando o braço do robô. Em sua mente passou a ideia de como era fácil quebrar um braço humano daquele jeito... Por que não um robótico? Aquilo exigiu um esforço bem maior do que em um humano, mas a fez sorrir largo ao quebrar os mecanismos do membro do Constructo. Partiu para outro golpe, então, mobilizando o corpo humanoide no chão. As pernas de Ella mantinham o corpo do Constructo contra o chão, enquanto as duas mãos seguravam as laterais de sua cabeça, torcendo-a. Exigiu bastante força física e por um momento Ella pensou que aquilo não daria certo com a cabeça do robô, mas quando seus dedos já estavam adquirindo uma cor esbranquiçada por conta do esforço, a garota conseguiu arrancar a cabeça de metal da maquina. Seu fôlego de Genasi do Ar permanecia intacto, mas as bochechas de Ella adquiriam uma tonalidade esverdeada por conta do esforço, enquanto a mesma erguia-se vitoriosa com a cabeça nos braços. Não achava que havia tido tantos aplausos assim após uma luta, já que tais coisas eram tão comuns aos Bárbaros, mas sentia que podia se acostumar com aquela sensação gostosa provinda da validação.