Haviam coisas a se explicar sobre aquele momento, a primeira delas era que Dougie estava a ponto de ter uma crise de ansiedade, a segunda era que ele estava talvez pela primeira vez, se abrindo daquela forma para alguém, e a terceira era visível, ele não estava mentindo, nem mesmo em uma palavra do que dizia. — As vezes ter apenas uma dessas coisas é bem pior do que não ter nenhuma delas, acredite… — Sorriu torto tentando aliviar a situação, mas logo era como se aquele sentimento estranho e ao mesmo tempo prazeroso dentro dele começasse a explodir em centenas de cores, sons e formas, mas não era algo organizado, muito pelo contrário, era uma bagunça, era tudo uma bagunça infernal. Isso era se apaixonar, uma bagunça infernal à qual apenas o fato de ter outra pessoa ali, já trazia a paz em meio ao caos. Era assim que Dougie se sentia, ouvir o que o outro lhe dizia era como observar o caos e encontrar um padrão organizado, era bom, tão bom que sem perceber, seu corpo inteiro já estava começando a se acalmar, ele nem mesmo havia percebido que sua crise de ansiedade começava a andar para trás na medida em que Eli avançava com as palavras. E agora tudo o que lhe restava fazer era dar sua resposta. — É engraçado que… aquela noite, quando eu encontrei você na festa e eu fingi que era seu namorado… acho que pela primeira vez eu parei por um segundo e pensei… “Eu tô apaixonado pelo Elijah não é?” … Eu poderia ter dado qualquer desculpa pra me livrar daquele sujeito mas alguma coisa em mim me fez querer demais dizer que você era meu namorado… então… se agora você me pergunta se eu quero namorar com você, eu já te dei a resposta desde aquele dia… Eu quero demais ser seu namorado! — Riu torto — E… eu sei que nenhum de nós dois leva jeito com isso, mas eu quero tentar se você tentar comigo, e se por acaso algum dia isso der bem errado e você partir meu coração… vai ser uma honra ter meu coração partido por você. E mesmo eu tendo minhas manias de organização, eu prometo não surtar com sua bagunça e… tomar leite com chocolate com você toda noite, não brigar pra escolher o filme que a gente vai poder assistir junto todo domingo enquanto come alguma coisa, inclusive… não fazer bullying com você por você claramente ser da Lufa-lufa e eu ser da Corvinal que é a melhor casa! — Riu baixo, passando as mãos pelos braços do mais velho e as repousando em seus ombros — Eu amo você… e sou apaixonado por cada detalhe que faz de você quem você é, ok?
Há quatro anos atrás ele teria acreditado em cada palavra de Dougie e sequer questionaria, não iria sentir como se ele não merecesse tudo aquilo. Porque a verdade é que, depois que iniciou os estudos na Itália e deixou para trás a vida correta que levava, Elijah passou a crer que o amor nunca mais lhe alcançaria. Havia se tornado imundo demais para um sentimento tão puro habitar dentro de si. Suas ações banhadas no pecado da luxúria com certeza afastariam a simplicidade daquele sentimento. Mas o loirinho na sua frente chegara abruptamente para mostrar-lhe o quão errado seu julgamento era. Como advogado, iria pender para o lado da lógica e da razão mas ali o coração é que tomara a frente para assumir a responsabilidade e lhe levar por um caminho que não esperava. Engolindo em seco, Elli sorriu. Os olhos estavam marejados mas recusava-se a chorar por ouvir as palavras alheias, não iria desmanchar-se assim na frente do menino que tinha dito tantas coisas sobre si que sequer percebera que ele entendia ou que até sabia. "Não diz isso, seu imbecil. Eu não vou quebrar o seu coração, vou cuidar dele. É a minha missão especial e, como você disse, eu sei dar valor as coisas. E dou ainda mais valor as minhas missões a mim concedidas." declarou com uma firmeza que não realmente possuía. Mas ele bateu no braço do namorado -- Deus, como era estranhamente incrível poder nomeá-lo dessa forma -- e rodeou a cintura do mesmo com seus braços. "Você viu meu cachecol que eu sei! Dizer que não vai fazer bullying é a mesma coisa que já estar fazendo!" ele reclamou, fungando baixinho. E foda-se, usava delineador, não podia mesmo desmanchar-se em lágrimas ali. Piscando para afastá-las, Elli deslizou uma mão para cima, pousando no peito esquerdo do rapaz. "Okay..." concordou, sorrindo um tanto abobalhado. "... isso quer dizer que você está preso comigo e mesmo quando eu fizer algo estranho na rua, você não vai atravessar para o outro lado como eu sei que é o que deseja fazer? Ah, e que agora o seu colo é meu por direito e eu posso reclamá-lo onde e quando eu quiser? Os assentos do metrô são duros mesmo." debochou, não segurando a risada contente antes que o abraçasse pelo pescoço, respirando fundo para recolher aquele perfume adorável. "Prometo tentar ser o namorado que você merece, apesar de eu saber que não sou digno de te ter."