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Jack Falahee + Glamour Magazine 2015
My kink is to be in love and be loved
i’m into girls and guys but i’m also really into pasta
lay it all on me. + Matheus
O problema ali não era ele ou Jack serem dois fãs insanos de coisas aleatórios que simplesmente os divertiam, mas Matheus ainda tinha que escutar que aos vinte e cinco anos aquela fase já deveria ter passado e que muitas vezes era loucura ele continuar acompanhando uma pessoa que sequer sabia de sua existência, mas, que culpa ele tinha se a cantora em questão demonstrava apoio a qualquer tipo de causa e era talentosa demais para que ele deixasse passar a oportunidade de acompanhá-la por todos os lados? Talvez sua fase nunca passaria, assim como a fase do outro homem. Ele nunca tinha conhecido pessoalmente alguém que gostasse daquelas coisas japonesas? Ele não tinha certeza, mas deveria ser. Assim como também não tinha encontrado alguém que parecia viver aquela fase de adolescência já na casa dos vinte, quase chegando aos trinta, com a vida meio que resolvida e curtindo desenho ou uma cantora pop. Se ele quis abraçar o recém desconhecido, ninguém precisava saber. — Que diferente! — Foi seu comentário mais sutil, já que ele não fazia ideia sobre o que estava comentando. — Eu nunca assisti nada, nem as crianças que eu dou aula, então... eu não sei do que você tá falando. — Um pequeno bico se projetou nos lábios do brasileiro. — Ao menos estamos no mesmo barco.
I demand unconditional love and complete freedom. That is why I am terrible.
Tomaz Salamun (via thelovejournals)
lay it all on me. + Matheus
“Não sou do tipo fã insano” e foi a partir desse instante que Matheus passou a julgar todas as suas loucuras e insanidades pela cantora pop citada, ou por todas as suas escolhas de vida, ou qualquer coisa que envolvesse gostar demais e sair enfiando os pés pelas mãos e acabara fazendo mais besteira do que deveria; Matheus era até um tantinho racional, mas ele cometia o tipo de besteira que ele se arrependia quando alguém dava aquele singelo puxão de orelha que o fazia lembrar que ele não tinha lá muitos limites. Ainda mais quando se tratava da mulher citada.
O brasileiro respirou fundo, de priori, ele até evitou os olhos escuros do outro homem como quem tentava, de maneira falha, esconder o quão envergonhado estava por ter quase dez camisas diferentes com a estampa da Lady Gaga e com CDs repetidos de diversas formas importadas que ele já havia encontrado pelas lojas; talvez ele fosse um pouco demais. — Ganhou, mas acho que te perdi? — Foi aí que os olhos se voltaram ao rosto do mais velho e como quem já estava se rendendo a própria loucura ele bufou baixo e assumia toda a sua singela loucura. — Eu sou o fã insano que acorda e dorme ouvindo Lady Gaga e tem milhões de camiseta, eu sou tipo aquelas pessoas esquisitas que gostam de boyband, sabe? — O riso veio fraco, mas não menos envergonhado, embora ele estivesse até atuando um pouco – porque na verdade ele gritava à quatro ventos o quanto adorava aquela mulher. — Esse sou eu, o fã bem louco com mil camisetas no guarda-roupa.
seduce me with quality movie soundtracks
lay it all on me. + Matheus
Matheus chegou a revirar os olhos, mesmo que um pouquinho, para poder mostrar o quão absurdo era a súbita vontade do outro em lhe agradar. O americano não precisaria se esforçar tanto já que Matheus estava se divertindo sem qualquer dificuldade ou esforço por parte do outro. O conforto entre os dois era palpável e talvez fosse mesmo aquela de profissões quase iguais que os deixava mais a vontade ainda, levando em consideração que a formalidade era algo que ambos sequer precisavam.
O copo foi deixado sob a mesa e com a mão livre Matheus passou a procurar pelo próprio celular entre os mil bolsos que suas vestimentas tinham; ele achava um absurdo tantos bolsos quando ele próprio não tinha tanta coisa para carregar, alguém precisava mudar as costuras das roupas ou ele ia acabar se perdendo em tantos bolsos.
Quando o celular foi achado no bolso frontal do jeans que usava, ele mostrou o mesmo para o mais velho, apenas para exibir a própria lockscreen que brilhava com a imagem da sua cantora favorita: Lady Gaga. Era aquilo que ele gostava. Ele podia sair para cantar, dançar, ou só falar dela, se ele pudesse e não pagasse de esquisito na maior parte do tempo. — Você me ganha só com o fato de gostar dela, se você gostar mesmo, aí pronto, me agradou pelo resto dos seus dias. — O riso veio fácil, como já estava costumeiro entre os dois, e então o celular foi abandonado na mesa, ao que um novo gole do café era tomado.
lay it all on me. + Matheus
— Não. Eu tenho um pouco de insônia, então eu sempre durmo pouco, mesmo. — Os olhos do brasileiro sempre se desviavam do rosto do outro, para o próprio café, ou para o lugar em que estavam; as pessoas começavam a chegar aos poucos e só agora ele sentia o cansaço do fim do dia. Era quase automático o quanto ele se sentia esgotado, não que ele pudesse reclamar, mesmo sabendo que as crianças acabavam sugando um pouco da sua energia, era normal, ele bem sabia, e não era de se admirar em como Matheus vivia cansado; talvez fosse só um pouco de saudades de casa, ou qualquer coisa do tipo.
O riso veio automático e ele precisou tapar os lábios para não rir mais alto ao ver um verdadeiro fã de Harry Potter; ele também se orgulhava da casa em que o Pottermore o havia colocado duas vezes. Duas vezes. Não tinha como aquele jogo errar e por mais que não fosse a mesma casa que a do outro, ele também carregava estufado no peito o orgulho de estar onde estava – ou deveria estar. — Eu sou Corvinal. — Ele sorriu mais largo e animado. — Lufa-Lufa é bem você, dá pra dizer. — Não que ele estivesse julgando o outro, mas pelo o pouco que já podia ver da personalidade alheia, não tinha nem como negar.
— Ah, não é tão divertido. — Matheus deu de ombros e por mais que ele fosse a pessoa mais alto astral que conhecia, ele conseguia ser um poço de tédio na maior parte do tempo, na verdade, ele até se perguntava como alguém conseguia achar engraçado qualquer tipo de piadinha sem graça que ele fazia na maior parte do tempo; ele bem parecia aqueles tiozões chatos que tentavam piadas com tudo e o sucesso nunca vinha. — Mas podemos tentar um dia, se você quiser, claro.
lay it all on me. + Matheus
— Eu acho que todo mundo consegue dormir um pouquinho a mais que eu. — Ele deu de ombros enquanto tomava o primeiro gole do café e ouvia toda a lista completa do outro homem.
Matheus até queria ter aquele tipo de gostos e hobbies, tudo o que ouvia do outro, mas parecia que por mais que os gostos fosse em comuns, ele não sentia aquela vontade de gostar de algo com tanta paixão, como o outro, se não fosse pelo próprio trabalho; talvez Matheus havia se casado com o trabalho e agora ele não tinha mais escapatória. O café foi deixado sob a mesa e o sorriso chegou a crescer com o gosto particular dele sobre Harry Potter; ali estava uma coisa que o professor adorava, assim como ele adorava assistir os filmes sempre que o Natal chegava e ele não podia nem dar uma passadinha no Brasil. Era sua maratona do feriado e ele fazia aquilo quantas vezes fossem preciso. Ele também era um fanático pelo filme. — Qual a sua casa? — E ele perguntou como se aquele fosse o ponto crucial para continuar a conversa, embora ele acreditasse e seguisse a linha de raciocínio da escritora, que todas as casas deveriam se unir, mas a rivalidade sempre deixava tudo mais divertido, claro.
— Então, você é mais caseiro? Se um dia eu te convidar para ir à balada, você vai me dizer que prefere ficar em casa com a televisão? — Os olhos semicerraram-se bem pouquinho e se antes eles eram tão grandes agora sequer parecia que Matheus tinha olhos enormes e negros, mas o sorriso, ah, esse não deixava os lábios em momento algum. — E eu tenho vinte e cinco anos, só pra tirar da sua cara essa dúvida que deve estar acabando com você.
lay it all on me. + Matheus
— Na verdade, eu acho que não contei né? — E nem era uma coisa que ele saia contando para todo mundo, de qualquer forma, as pessoas sempre acabavam notando por conta do sotaque ainda forte nas palavras do brasileiro ou em como os próprios traços denunciavam um tom mais brasileirinho, isso para não dizer o inglês ainda sem jeito – alguns anos ali e ele ainda se embaralhava, era comum; era só uma questão de tempo para ele conseguir sair atropelando as palavras como o outro fazia, mas Matheus se virava bem, ele entendia praticamente todo mundo e quando não entendia, apenas balançava a cabeça e estava tudo ótimo. Ele conseguia um riso aqui e um outro ali, por conta daquilo.
— Eu não decidi sozinho, eu ganhei uma proposta de emprego, depois que fiz meu intercâmbio, e nem pareço tão novo assim? Quem vê você falando desse jeito parece que você é extremamente velho e você parece bem menos cansado que eu, o que só te deixa mais jovem. — O que era verdade, claro.
Matheus podia não dizer mas ele também não iria negar o quanto o outro homem era bonito e parecia bem mais jovem que ele suspeitava do que seria, talvez a barba o deixasse um tantinho mais velho, mas aquilo não fazia de Matheus uma pessoa extremamente nova. Seus vinte e cinco anos eram regados de tanta bagagem nas costas que ele mal acreditava no que ouvia. — E, acredite, o Brasil tem mais malucos que aqui!
O silêncio só aconteceu, em seguida, por conta do garçom que agora se aproximava com o pedido de ambos, e com um sorriso extremamente largo nos lábios, Matheus o agradeceu, voltando toda a sua atenção ao próprio café enquanto o garçom deixava a mesa depois de servir o homem ao seu lado. — O que você gosta de fazer?
lay it all on me. + Matheus
O sorriso sequer deixava os lábios de Matheus ao que ouvia o outro homem; era de se admirar a quantidade de pessoas que realmente se voltavam para aquele tipo de especialização, e ele, suspeito como era em amar crianças, seria bobagem negar que os olhos escuros até brilhavam pela admiração que sentia pelo trabalho alheio. Matheus era professor de uma escola pública um pouco longe do café em que estavam, e ele sabia o quanto seus alunos sofriam com a falta e atenção que recebiam até dos pais e saber que mais gente se voltava para aquele tipo de campo era o que o fazia sorrir com facilidade; era saber que sua paixão nunca era tão solitária como ele achava que a vivia sozinho.
— Não, eu já terminei a faculdade. — O cardápio foi ignorado por alguns segundos, ainda embabascado com o outro homem e com o típico sorriso bobo que não deixava os lábios mais cheios por nada. Ele chegou a balançar a cabeça quando se deu conta de que ainda encarava o homem mais velho, e finalmente se rendendo a falta de paciência do garçom – afinal, ele também teria – quando pediu por um café exatamente igual ao da sua companhia menos pelo donuts, a fome não lhe era prioridade agora.
— Eu fiz Letras, no Brasil, mas sempre quis ser professor para as crianças, eu não consigo me cansar. — Antes mesmo que Matheus pudesse se empolgar ambas as mãos cobriram o rosto de forma para abafar o riso, quando voltou a encará-lo. — A gente prometeu não falar de trabalho, desculpa!