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@enfloresceraa
@motoshima //Instagram @_motoshima, segue.
Já sentiu como se a madrugada fosse o momento ideal para você? Não há cobranças, barulhos, pressões nem pessoas ao seu redor. O mundo lá fora está em silêncio e você sente que pode realmente respirar, sentir o ar entrar pelos seus pulmões e sair desse sufoco que você chama de rotina. Na madrugada tudo é intenso, tudo é mais nítido e sentido. É uma sensação de paz momentânea.
- Garoto Sincero.
teu ritmo passante veio até mim, e pelo o compasso usual eu sabia que te conhecia de algum lugar
numa fotografia eu pude notar, naquele ano que passava devagar.
mas aí o tempo passa.
você me fita com seus olhos cor de âmbar e eu vejo algo que me agrada e me acalma.
você entrelaça os dedos nos meus e me convida a te acompanhar, eu aceito sussurrando "apocalypse" em teu ouvido.
reencontro.
embarcamos juntos com tudo o que podemos desfrutar
mas em ritmo lento sem esquecer de me ajudar
você ilumina a minha vida com partículas de marte
e eu admiro a insanidade cadente do teu céu.
eu te apresento leminski e você me presenteia com toda poesia.
eu não quero desgrudar.
o teu abraço se encaixa ao meu em um extenso ornamento poético
em um compasso acertado o teu corpo se encaixa ao meu
e eu me sinto tão bem.
entre o real e o abstrato, cada vértebra do meu ser hoje compreende que o amor não se procura, ele simplesmente acontece.
[conexão]
me sinto longe de mim
as coisas deveriam ser mais simples
por que isso agora?
é difícil fingir
a distância do eu
doeu
há uns dias venho me sentindo mal. como se estivesse sentimental demais, tudo a flor da pele. tudo me dói, machuca, dilacera. e eu choro, como se a única coisa que fosse aliviar sejam as gotas que escorrem firmes e pesadas pelos meus canais lacrimais. não sei controlar. a angústia do mundo todo está dentro do meu peito, rasgando, destroçando em pequenos filetes a pele macia em carne viva. sangra, percorre as entranhas menos cabíveis do meu corpo e afinca. a dor segue seu curso entremeando flashes de erros em minha mente enquanto ela grita pedindo que pare. por favor. não quero pensar isso. mude o pensamento. o que eu faço? cérebro estúpido me reduzindo ao pó em menos de um minuto. a saudade somada aos poucos momentos bons misturada com o pesar de um diálogo que não aconteceu dissolve-se ao lema da vida: o tempo. ele tá correndo, fazendo seu tique taque a todo instante. a vida é um sopro disseram, tenho medo dessa frase. o que será de mim após tantos erros por falta de diálogo? quando vou criar coragem e encarar o que está na minha frente? abre o olho, dizem. mas eu me sinto vendada o tempo inteiro. não quero que a vida seja assim. aí está. infelizmente é. quero acordar desse abismo antes que ele me conduza, consuma e coma cada célula do meu corpo até não haver mais nada. quero ser capaz de bater de frente e assumir “eu errei, eu acertei, eu tentei”. o choro de nada serve a não ser me deixar frágil. odeio isso. não quero que vejam essa parte de mim. antes as lágrimas resolvessem tudo, mas não, só destroçam. a garganta que antes fora um caminho para a deglutição agora espanta com o grumo formado sob o peso da solidão. quero colo. não quero que desgrudem de mim. preciso de uma distração antes que enlouqueça. a cabeça que antes sustentava-se sobre o pescoço agora parece ter despencado para o lado de tanta dor. para, por favor. o que é isso? ansiedade? medo? trauma? seja o que for, tá doendo. não quero isso. desculpa. desculpa. desculpa. eu te amo. me perdoa. vou melhorar. eu preciso. por mim, por nós.
perdida num turbilhão de palavras não ditas
É como dizia Leminski: o tempo parecia pouco, e a gente se parecia muito.
E, sabe essa frase nunca fez tanto sentido quando se trata de nós dois.
Por que, de fato, foi o que aconteceu.
E se nós tivéssemos mantido a calma, como eu mencionei no inicio, hoje você ainda estaria aqui?
Ou eu me encontraria com essa grave lesão que nenhum band-aid é capaz de cicatrizar?
Mesmo tendo convicção de que tudo tem seu devido tempo, eu não medi esforços quando me entreguei a você.
Em um espaço tão curto de tempo nos envolvemos excessivamente.
Andamos em passos largos. Fomos ligeiros demais.
Como se a carência gritasse mais alto que qualquer sentimento implorando pelo toque um do outro.
Não tive tempo de pôr minha armadura e me lancei indefesa, como quem não temia ao perigo que iria enfrentar.
Minha intuição astuta me convenceu de que valeria a pena correr o risco.
Porque, afinal, eu sempre valorizei o baque da queda quando se tratava de você.
E toda essa pressa assídua pelo amor se transformou em um adversário insistente em nossas vidas.
Mas você não estava disposto a lutar contra ele.
E então você me magoou.
Eu te magoei de volta.
E este foi o ciclo.
Erramos quando tivemos pressa demais. Erramos quando não controlamos a raiva ou o ciúme exagerado. Nos magoamos sem saber que poderíamos ter sido melhores um para o outro.
A sensação da adrenalina parecia ser o bastante, quando, na verdade, tudo que precisávamos era de um pouco mais de tempo.
Passou a ser revoltante quando você assumiu que desastres como nós dois nunca dariam certo.
E eu sabia muito bem. Por que não guardou pra si? Precisava mesmo falar?
Nosso amor não foi o suficiente para te fazer ficar.
Eu chorei implorando pra você não ir. Você chorou ao dizer que era insuficiente pra mim.
No entanto, todo esse amor desatinado e intenso se esvaiu ao vento.
E não tem coisa mais dolorosa que te olhar de longe e saber que não nos pertencemos mais.
Dói perceber que deixamos a oportunidade de consertar tudo escapar entre nossos dedos.
Caramba, cara, você arruinou a droga do meu coração.
Era tudo, menos amor.
falei que era amor, mas era cedo demais, e mais uma vez me precipitei. imaginei flores, vi cores, que honestamente, não deveriam existir. havia ali um paradoxo. a nossa sintonia nada mais era que atração física que ao misturar-se com encanto distorceu os meus sentimentos.
— A minha pressa pelo amor estava se tornando assídua.
há uns dias venho me sentindo mal. como se estivesse sentimental demais, tudo a flor da pele. tudo me dói, machuca, dilacera. e eu choro, como se a única coisa que fosse aliviar sejam as gotas que escorrem firmes e pesadas pelos meus canais lacrimais. não sei controlar. a angústia do mundo todo está dentro do meu peito, rasgando, destroçando em pequenos filetes a pele macia em carne viva. sangra, percorre as entranhas menos cabíveis do meu corpo e afinca. a dor segue seu curso entremeando flashes de erros em minha mente enquanto ela grita pedindo que pare. por favor. não quero pensar isso. mude o pensamento. o que eu faço? cérebro estúpido me reduzindo ao pó em menos de um minuto. a saudade somada aos poucos momentos bons misturada com o pesar de um diálogo que não aconteceu dissolve-se ao lema da vida: o tempo. ele tá correndo, fazendo seu tique taque a todo instante. a vida é um sopro disseram, tenho medo dessa frase. o que será de mim após tantos erros por falta de diálogo? quando vou criar coragem e encarar o que está na minha frente? abre o olho, dizem. mas eu me sinto vendada o tempo inteiro. não quero que a vida seja assim. aí está. infelizmente é. quero acordar desse abismo antes que ele me conduza, consuma e coma cada célula do meu corpo até não haver mais nada. quero ser capaz de bater de frente e assumir “eu errei, eu acertei, eu tentei”. o choro de nada serve a não ser me deixar frágil. odeio isso. não quero que vejam essa parte de mim. antes as lágrimas resolvessem tudo, mas não, só destroçam. a garganta que antes fora um caminho para a deglutição agora espanta com o grumo formado sob o peso da solidão. quero colo. não quero que desgrudem de mim. preciso de uma distração antes que enlouqueça. a cabeça que antes sustentava-se sobre o pescoço agora parece ter despencado para o lado de tanta dor. para, por favor. o que é isso? ansiedade? medo? trauma? seja o que for, tá doendo. não quero isso. desculpa. desculpa. desculpa. eu te amo. me perdoa. vou melhorar. eu preciso. por mim, por nós.
perdida num turbilhão de palavras não ditas
sob à luz das estrelas
eu fumei um baseado pensando em você
e busquei desesperadamente afogar as minhas mágoas numa garrafa de whisky para te esquecer
mas é claro, eu não consegui.
sabe Leoni, eu queria simplesmente excluir as memórias com a mesma facilidade que você teve em me quebrar.
sim baby, você me quebrou.
arruinou.
você expôs a pior e a mais temida versão de mim.
a que era frágil.
e logo depois você riu, revelando ao mundo que não se importava.
eu ainda consigo lembrar daquela noite que você gritou comigo e me chamou de patética
tenho de admitir, eu sou mesmo uma.
quem diabos gostaria de estar em meu lugar?
você é o tipo de cara pelo qual eu nunca gostei de me envolver.
os problemáticos incompreensíveis.
mas, por alguma razão, eu não quis me manter longe.
porque, por algum motivo, eu quis ser a solução.
como eu pude ignorar todos os alertas?
como eu cogitei desvendar os seus enigmas?
eles dizem que você não é bom para mim e que o nosso relacionamento é tóxico.
minha mãe não gosta de você e nem das coisas ruins que faz para mim.
eu queria conseguir ouvi-los, Leoni.
mas ainda há algo que me acorrenta à você.
eu repito várias vezes na minha cabeça que eu te odeio e que isso é doentio.
mas eu apenas me vejo perdida. estacionada. sem saber o que fazer.
a dor parece não ter fim. ela está cravada em meu peito e me destrói um pouco mais a cada instante.
por que você fez isso comigo, baby?
eu tenho de concordar com eles.
infelizmente.
você é mau, Leoni.
eu não posso permitir que você me quebre outra vez.
eu não estou mais sóbria
quais as consequências que um vinho pode causar?
olhos de ressaca e estado de embriaguez?
eu não posso imaginar
eu só vejo a dor
comparada ao vazio que você deixou
joelhos ralados de sangue
pele coberta de ferimentos
mesmo de longe você pode me maltratar
é loucura
como eu posso gostar?
nosso amor é dos loucos
do tipo que vem
e vai
mas nunca se acaba
numa oscilação confusa
eu me pergunto
o que é que eu faço?
se o teu abraço ainda é a minha casa
e os teus tons avermelhados
ainda são a minha religião
você se vai
e eu fico
sem saber como seguir
tentando me refazer
do perigo
que é sentir