há uns dias venho me sentindo mal. como se estivesse sentimental demais, tudo a flor da pele. tudo me dói, machuca, dilacera. e eu choro, como se a única coisa que fosse aliviar sejam as gotas que escorrem firmes e pesadas pelos meus canais lacrimais. não sei controlar. a angústia do mundo todo está dentro do meu peito, rasgando, destroçando em pequenos filetes a pele macia em carne viva. sangra, percorre as entranhas menos cabíveis do meu corpo e afinca. a dor segue seu curso entremeando flashes de erros em minha mente enquanto ela grita pedindo que pare. por favor. não quero pensar isso. mude o pensamento. o que eu faço? cérebro estúpido me reduzindo ao pó em menos de um minuto. a saudade somada aos poucos momentos bons misturada com o pesar de um diálogo que não aconteceu dissolve-se ao lema da vida: o tempo. ele tá correndo, fazendo seu tique taque a todo instante. a vida é um sopro disseram, tenho medo dessa frase. o que será de mim após tantos erros por falta de diálogo? quando vou criar coragem e encarar o que está na minha frente? abre o olho, dizem. mas eu me sinto vendada o tempo inteiro. não quero que a vida seja assim. aí está. infelizmente é. quero acordar desse abismo antes que ele me conduza, consuma e coma cada célula do meu corpo até não haver mais nada. quero ser capaz de bater de frente e assumir “eu errei, eu acertei, eu tentei”. o choro de nada serve a não ser me deixar frágil. odeio isso. não quero que vejam essa parte de mim. antes as lágrimas resolvessem tudo, mas não, só destroçam. a garganta que antes fora um caminho para a deglutição agora espanta com o grumo formado sob o peso da solidão. quero colo. não quero que desgrudem de mim. preciso de uma distração antes que enlouqueça. a cabeça que antes sustentava-se sobre o pescoço agora parece ter despencado para o lado de tanta dor. para, por favor. o que é isso? ansiedade? medo? trauma? seja o que for, tá doendo. não quero isso. desculpa. desculpa. desculpa. eu te amo. me perdoa. vou melhorar. eu preciso. por mim, por nós.
perdida num turbilhão de palavras não ditas











