bullstrode:
Recuperado das suas faculdades mentais, Guillermo conseguiu planejar melhor suas próximas palavras. Como se o livro de seus pensamentos estivesse aberto e com uma linguagem permissível de leitura. Queria algo bom, algo filosóficos, mas que também representasse exatamente o que queria com aquilo tudo. Tão estranho, tão novo, e talvez familiar. De anos atrás com outra pessoa, em outro momento. “Mas é a curiosidade que nos mantém todos os dias. Quem perder a curiosidade, perde o interesse; e não tem uma coisa que você possa me falar para amainar a que eu sinto. Fez sentido? Talvez não. Vou tentar de novo? Com certeza.” Não agora, não quando tudo parecia querer confundi-lo. Cada estímulo parecia pertencer a categorias opostas de uma tabela estranha, colocando-o em dois estados de espíritos que conflitavam entre si. Pisar em ovos, quem diria, estava num chão coberto deles e naqueles poucos minutos de conversa o corpo tremia e falhava, exaurindo-o de toda a farsa que tão naturalmente carregava (e não sabia onde começava ou terminava). Suas mãos continuaram a alisar a pele macia de suas costas, os dedos fazendo padrões reconfortantes. Trocando e mudando e deixando a mente mais suave, menos de correnteza e mais de riacho tranquilo no meio das árvores. “Mentira. Primeiras impressões são fortes para mim, sabia? E a nossa, daquele vez, não me permitiu deixar menos vestida do que traje completo de inverno.” Não que Guillermo fosse alguém superficial, só era um tanto presunçoso. Dono do próprio nariz que tinha um sexto sentido para as pessoas. Com o tempo, a primeira vez mudava, mas era… Era complicado. Ekaterina, no entanto, buscava suas reações mais simples. Da natureza intuitiva do espanhol. Tanto que parou, as mãos voltando para a lombar em busca de puxá-la um tanto mais para perto. De ajustar a coluna e encurtar a distância entre os lábios. Oh, como queria beijá-la! E, a incerteza do que tal ato faria, colocava-o frustrado no mesmo instante em que estava na posição certa para o ‘abate’. A resposta nunca veio porque até o mais controlado dos homens não resistiria a isso. Guillermo semicerrou os olhos e segurou seu pescoço com uma mão, encaixando na curva da mandíbula. Puxou-a contra si, os lábios pressionados firmemente no beijo que não tinha mais como adiar.
Os dedos dela enroscavam-se na barba alheia, vagando ali com curiosidade enquanto ele falava. Ela riu, baixo. Só não queria que ele fosse embora, pensou, mas não atreveu-se a falar novamente. Não, já tinha se exposto o suficiente para uma noite só. O sorriso continuou firme em seus lábios rosados mesmo depois que a risada se acabou. Algo sobre a presença dele a deixava daquele jeito... boba. Era esquisito, como sempre era esquisito sentir coisas que nunca tinha sentido antes. Ekaterina estava quase pondo o dedo na conclusão que mais temia. Estava se apaixonando por ele, isso é, se já não estivesse apaixonada. Era difícil ter certeza de algo que nunca sentira. Não sabia nem ao certo como era, mas se sentia como nos filmes. Boba. Com o coração palpitando. Um pouco de suor nas palmas das mãos. Arrepios pela pele. Sentia o ofegar dele em sua pele. Algumas vezes podia jurar que sentia o corpo dele tremer. Mas, duvidava que fosse o mesmo sentimento. Talvez fosse muita libido acumulada, muito provavelmente. Porque, veja, era Guillermo. O espanhol poderia ter qualquer garota que quisesse, e escolheria ela? Estaria apaixonado por ela? A ideia não parecia ter nenhuma fundação, ou possibilidade de ser verdade. Sentia o toque gostoso em suas costas, os dedos naquela carícia que estava acostumada a receber dele. Como se ele ensinasse que houvesse mais em toques que apenas as formas de expressão que ela conhecia. Que existiam toques de carícia, toques sexuais. Era muito acostumada a ter seu espaço e evitar o toque alheio que não realmente entendera aquilo até estar com ele. E era bom. Sentia falta. Se via mandando mensagens para ele, só para matar um pouco das saudades. “Eu não te conhecia ainda, Gil’.” ela riu, sentindo a frustração permear as palavras alheias. Era engraçado. Gostava da primeira noite deles. Gostava de ter quase adormecido em seus braços, num ponto aleatório do mapa. Gostava como confiar nele, mesmo que parcialmente, tinha lhe vindo a ser algo tão natural. A cabeça ficou nesses pensamentos por pouquíssimos segundos, pois logo sentiu o toque alheio. A puxando para mais perto. Fazendo-a sentir todo o corpo dele embaixo do dela quando suas coxas se acomodavam melhor ao lado dele. Foi impossível não arfar. O ar quente envolvendo os dois, os olhares curtos, rápidos, por entre abrir e fechar de olhos. Quis sorrir quando ele finalmente o fez. Quando ele finalmente a beijou. Mas, estava muito ansiosa para aquilo. Só pode sentir suas mãos descendo para sua blusa, puxando-o para perto enquanto deixava os lábios encostarem-se com os dele, a língua invadindo sua boca. O beijo molhado, as bocas em momentos que revezavam, por ora capturando ou sendo capturadas, as línguas se tocando. Damn it, não era só o beijo que estava molhado.


















