A Universidade no Séc. XXI - Para uma Universidade Nova (Boaventura de Sousa Santos)
Componente - Universidade e Sociedade - 1° quadrimestre
A ideia de Universidade Nova, assunto que vem ganhando força nos últimos anos. Durante o período militar, as universidades passaram por um momento delicado e repleto de censuras, onde o seu potencial de ensino libertador e incentivador de descobertas foi quase que extinguido, dando lugar a um sistema metódico e industrial, focado em uma cultura de massas.
Após este período, por volta dos anos 90, passou a ocorrer a ascensão das universidades privadas, estas por sua vez, possuíam o foco em uma educação técnica e voltada apenas para a vida profissional, na contramão de um dos principais ideais do ensino superior que é a formação de pessoas atuantes na sociedade, sendo a universidade o meio responsável para a formação de bons profissionais, cidadãos conscientes e pessoas livres incentivadas a questionar, compartilhar ideias e até mesmo mudar o meio em que vivem.
A partir destas mudanças, após um turbulento momento na educação, tornou-se crescente a discussão sobre qual seria o verdadeiro papel da universidade como potencial para a formação de indivíduos. Com isso, surgiram propostas como a criação de currículos mais adaptáveis, ou seja, que permitissem ao aluno a escolha de matérias optativas, além da base comum para o curso escolhido, de forma a criar uma grade de matérias personalizada de acordo com suas preferências.
Outra característica pregada pela Universidade Nova é a interdisciplinaridade, que visa criar profissionais capazes de desenvolver atividades não apenas voltadas a sua área de formação, mas sim compreender também áreas correlatas e até mesmo trabalhar em conjunto com estas. Com base na arquitetura acadêmica das novas propostas, o ensino seria pautado em duas formações com três eixos cada, sendo eles: Formação Geral – eixo linguagens, interdisciplinar e integrador; Formação Específica – eixo orientação profissional, área de concentração e integrador. Na Formação Geral são desenvolvidas habilidades comuns a qualquer área do conhecimento, sendo elas: humanas, exatas, biológicas ou linguagens. Ela é a base para a formação dos futuros profissionais e pode o estudo de uma outra língua, como o inglês, técnicas de escrita e incentivo à pesquisa. Já na Formação Específica é quase toda optativa e visa formar as especificidades deste profissional podendo se adaptar individualmente a cada um e formar profissionais distintos mesmo dentro de um mesmo curso.
Essa questão de repensar a universidade vai além da esfera pública ou privada do ensino, para isto Boaventura de Sousa Santos usa como exemplo em seu livro, duas faculdades, a USP, Universidade do Estado de São Paulo e a Faculdade Pitágoras, pertencente ao setor privado. No caso da primeira, a reforma foi negada, já a segunda obteve sucesso.
Atualmente, várias instituições contam com o sistema, como é o caso da própria UFSB a qual fazemos parte, mas também da UFABC em São Paulo e da UFBA, na Bahia. O autor finaliza o trecho explicando a principal forma de entrada nestas universidades, o ENEM, já que o exame é mais intuitivo e interpretativo do que os vestibulares comuns. Também destaca os principais norteadores que contemplam este modo de ensino, são eles: flexibilidade, articulação, autonomia e atualização.













