Você, Bruno, faz sumir diariamente todas as nuvens cinzas da minha cabeça. Parece doideira o quanto a sua chegada me afetou. Eu olho pra dentro de mim mesma e vejo a necessidade de ter espaço no meu peito, na minha vida... Não pra você, pra mim mesma. Pra que eu, integrada comigo, te receba com calma e carinho. E deixe que você escolha ficar ou ir, se quiser.
Acho que eu desejava o amor mas não estava pronta pra ele.
Agora eu sinto vontade de levantar cedo. De organizar a casa interna e externa, jogar a ansiedade, os traumas, as dores fora. Limpar embaixo do carpete da alma, reconhecendo que cada sujeirinha ali me trouxe aqui. E eu me sinto, depois de muitos, muitos anos, inteira.
Agora eu consigo acreditar que eu mereço quem me ache maravilhosa, densa, engraçada, inteligente, amorosa e amável. Me relaciono com quem permanece sem alarde, quem me faz rir e pega na minha mão. Eu mereço abundância, amor, saúde, vitalidade, pessoas que torçam por mim. E me torno quem sabe dizer não e se afastar do que drena energia.
Finalmente me sinto digna de ser amada, mesmo com o caos correndo nos cômodos do pensamento.
Você me estreita com a fé (e isso também tava na minha lista), me convida a olhar pra tudo o que tem aqui dentro: o feio e o bonito e reconhecer o que eu sou e vou continuar sendo. E me prova que é mágico e sagrado o que eu ofereço pro mundo.
Tem força na minha voz e no teu silêncio. E a gente tem força juntos. Independente do que ocorra, peço a Deus que eu não te fira e nem me fira, que Ele abençoe nossa jornada (seja juntos ou separados) e entrego o nosso relacionamento nas mãos de quem sabe qual caminho é o melhor pra nós dois.
Com sorte, um dia volto aqui pra te mostrar isso e te dizer:
Tá vendo? Eu soube ali que te amaria e que você me amaria também.
Que assim seja. Assim o é. Assim está feito.