Rosen, 1994 Gerhard Richter Litografia offset sobre papel, 63x63cm
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Rosen, 1994 Gerhard Richter Litografia offset sobre papel, 63x63cm
Richard Serra, Instalação Clara-Clara no Jardim das Tulherias, outubro de 1983 fotografia de David Boeno
Samuel Beckett (1906-1989) Fotografia via Samuel Beckett Society.
W. G. Sebald (1944-2001)
Winfried Georg Sebald, ou como ele escolheu para seus livros, W. G. Sebald, ou apenas Max Sebald (apelido que adotou mais para o fim da vida), nasceu em 18 de maio de 1944, na cidade de Wertach, na Alemanha, em um contexto marcado pelos últimos momentos da Segunda Guerra Mundial. A experiência indireta do conflito, aliada ao silêncio social que permeou o enfrentamento do passado nazista no período pós-guerra, constitui um dos elementos centrais para a compreensão de sua obra literária. Esse pano de fundo histórico influenciou profundamente sua reflexão sobre memória, trauma e esquecimento, temas recorrentes em sua produção.
A obra de Sebald tem sido amplamente reconhecida por sua capacidade de tensionar os limites entre ficção, ensaio e historiografia. Mas, sua escrita instaura um problema central: a impossibilidade (ou possibilidade) de representar o trauma histórico na contemporaneidade.
Na obra de Sebald, a fotografia não opera como elemento ilustrativo, mas como um dispositivo crítico que evidencia a falha da memória e a ilegibilidade do passado, especialmente no que se refere ao Holocausto. Assim, ao invés de estabilizar o sentido, a imagem introduz uma quebra narrativa, colocando em crise a própria ideia de testemunho.
Para sustentar essa leitura, mobilizam-se contribuições teóricas de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Georges Didi-Huberman, cujas reflexões sobre imagem, história e memória permitem compreender a especificidade do gesto sebaldiano.
Sebald pertence a uma geração marcada por uma relação indireta com a Segunda Guerra Mundial, mas profundamente afetada por seus efeitos. O silêncio que permeou a elaboração do passado nazista na sociedade alemã do pós-guerra constitui um dos pontos de partida de sua obra, que se dedica a investigar formas oblíquas de acesso à memória.
Radicado no Reino Unido e professor na University of East Anglia, Sebald desenvolveu uma escrita atravessada pelo deslocamento — geográfico, linguístico e epistemológico. Esse deslocamento se manifesta formalmente na estrutura de suas obras, que combinam narrativa, ensaio, autobiografia e, de modo decisivo, fotografia.
Diferentemente de seu uso tradicional na literatura, a imagem em Sebald não cumpre uma função de confirmação do real. Ao contrário, ela introduz uma zona de indeterminação. Em Austerlitz, por exemplo, as fotografias aparecem frequentemente desfocadas, mal enquadradas ou descontextualizadas, o que impede sua leitura como evidência transparente. Como observa Georges Didi-Huberman, “a imagem nunca é o simples reflexo do real, mas um campo de tensões entre visível e invisível” (DIDI-HUBERMAN, 2012, p. 34). Essa concepção permite compreender a função da fotografia em Sebald como produtora de opacidade, e não de esclarecimento.
Essa opacidade articula-se à noção benjaminiana de história como fragmento. Para Walter Benjamin, o passado não se apresenta de forma contínua, mas em lampejos que exigem interpretação. Nesse sentido, a inserção de imagens na narrativa sebaldiana não organiza o tempo histórico, mas o desestabiliza, criando constelações entre memória pessoal e eventos coletivos.
Ao mesmo tempo, essa estratégia pode ser lida como uma resposta ao impasse formulado por Theodor Adorno acerca da representação após Auschwitz. Se a linguagem tradicional se mostra insuficiente diante do trauma, torna-se necessário desenvolver formas indiretas de abordagem. Em Sebald, essa mediação ocorre justamente pela articulação entre texto e imagem, que evita tanto a estetização quanto a simplificação do horror.
Além disso, a fotografia, em sua materialidade ambígua, evidencia aquilo que não pode ser plenamente recuperado. Em vez de funcionar como prova, ela atua como índice de perda. O que se vê, nas obras de Sebald, não é a restituição do passado, mas sua permanente evasão. Essa dinâmica reforça a ideia de que a memória, longe de ser um arquivo estável, constitui um campo de lacunas, deslocamentos e reconstruções precárias.
A sua escrita não apenas tematiza a memória, mas a reinscreve como problema formal e epistemológico. Ao incorporar a fotografia como elemento estruturante, o autor desloca a função da imagem, transformando-a em um dispositivo crítico que evidencia a impossibilidade de acesso pleno ao passado.
Dessa forma, sua obra contribui para uma reconfiguração da narrativa contemporânea, ao propor uma estética fundada na fragmentação, na opacidade e na hesitação. Longe de oferecer uma representação totalizante do trauma histórico, Sebald constrói um espaço de indeterminação no qual a memória se apresenta como processo incompleto e em constante tensão.
Essa perspectiva não apenas dialoga com debates da teoria literária, mas também se aproxima de questões centrais da arte contemporânea, especialmente no que se refere ao estatuto da imagem, ao arquivo e às políticas da memória. Assim, a escrita sebaldiana pode ser compreendida como uma prática crítica que desafia tanto os regimes tradicionais de representação quanto as formas estabilizadas de narrar a história.
Se desejar aprofundar algumas questões sobre a imagem e seu uso em Sebald, sugiro a leitura do Caderno de Leituras n.11 de 2012, com o tema Sebald: o viajante da pós-memória de João Barrento. Editado pela Chão de Feira e grátis para leitura.
Referências
ADORNO, Theodor W. Prismas: crítica cultural e sociedade. São Paulo: Ática, 1998.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1987.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens apesar de tudo. São Paulo: Editora 34, 2012.
SEBALD, W. G. Austerlitz. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
SEBALD, W. G. Os anéis de Saturno. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Sem Título, sem data. Amadeo Luciano Lorenzato (1900-1995) óleo sobre caixa de papelão 20x20x14cm
BARROCO, AINDA | Abertura dia 09/04 no Museu Ferroviário
O que sustenta uma imagem quando ela é tensionada entre o gesto e o risco de desaparecer?
Convidamos todos para a abertura da exposição "Barroco, ainda", do artista Alan Cichela. Através de desenhos em nanquim que exploram o drama e a instabilidade, Alan nos convida a pensar o barroco não como história, mas como a própria condição da imagem contemporânea.
Abertura: 09 de abril, às 19h. Destaque: Roda de conversa com o artista na noite de abertura. Local: Museu Ferroviário de Tubarão. Entrada gratuita.
A Ventania, 1915-17 Anita Malfatti (1889-1964) Óleo sobre tela, 51x61cm
Claridade Fraca, 2023 Keita Morimoto Acrílico e óleo sobre tela, 192x164cm
Calvin e Haroldo Bill Watterson Nanquim e aquarela sobre papel, dimensão não informada.
Ilustração para a capa do álbum The Essential Calvin and Hobbes: A Calvin and Hobbes Treasury: 2. Lançado originalmente em 1 de janeiro de 1988, sendo assim a ilustração original, provavelmente, é desenhada ano anterior, cerca de 1987. No Brasil foi traduzido como O essencial de Calvin e Haroldo: uma coletânea especial. Com a data de lançamento de 1 de novembro de 2018.
"O livro é uma compilação das tiras de E Foi Assim Que Tudo Começou e Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama, além de uma história inédita de 12 páginas, totalmente colorida. O prefácio é assinado por Charles M. Schulz, criador do Snoopy. O leitor irá se deleitar com momentos engraçadíssimos do garoto e seu tigre de pelúcia, além de se emocionar com momentos tocantes que refletem fases do aprendizado infantil. Um título indispensável para os fãs de carteirinha de Calvin e Haroldo." Citação da Editora Conrad.
Sobre o autor a editora escreve o seguinte:
"Bill Watterson é o criador das histórias de Calvin & Haroldo, um garoto de seis anos e seu melhor amigo, um tigre de pelúcia chamado Haroldo, e desenhou as tiras da dupla diariamente de 1985 a 1996. Ele não dá entrevistas e raramente posa para fotos, e seu endereço e telefone são bem guardados. Watterson disse uma vez que é impossível continuar mantendo indefinidamente seu altíssimo padrão de qualidade num trabalho para publicação diária, afinal não tem equipe e sempre trabalhou só. Também nunca aceitou vender os direitos da história para camisetas, bonecos e desenhos de TV."
Aos poucos, a mística por trás da sua vida reclusa se torna maior que sua obra.
Informo a todos que seguem bravamente este blog que abri um novo projeto nesta mesma plataforma. Estou migrando meu portfólio com os meus trabalhos artísticos para esse novo endereço, você pode acessar clicando no link +Sobre no menu do lado esquerdo, ou clicando aqui.
Nesse site/portfólio você pode encontrar uma série de trabalhos escolhidos desde o ano de 2020 e alguns objetos anteriores a essa data, todos listados no menu esquerdo, além de um sobre e um curriculum artístico atualizado. Meus trabalhos artísticos tem uma velocidade muito menor em comparação ao meu trabalho como ilustrador, por isso acredito que deixar ele organizado, mesmo que em um plataforma livre, seja interessante. Nesse novo blog que nomeei de alancichela-arte você pode acessar trabalhos como esse:
Estudo de retícula: Noah Digital painting Variable dimension 2025
Mas também quero aproveitar o espaço do blog para registrar ensaios, pensamentos e ideias soltas que acabo transformando em artigos (espero).
Por outro lado quero voltar a escrever neste blog, pois, afinal, era a proposta inicial, ser um local onde iria organizar minhas influências, notas e pesquisas em um local virtual, que poderia ser acessado de qualquer lugar. Por conta disso estou mudando o layout devagar, mas você já pode ver algumas mudanças nele.
Obrigado pelas visitas e reblogs. Espero que possamos trocar uma ideia se ela surgir. Um forte abraço.
A.C.
Toro, aliás Les Bijoux de Mme de Sade, 1983 Tunga (1952-2016) Ferro maciço ø 3,33 cm, ø10 cm e ø30 cm [conjunto 61 x 21 cm]
Sem título, 1955 Charles Allmon Fotografia, dimensão variável
Sem título da The New York Collection para Estocolmo, 1973 Richard Serra (1938-2024) Litografia, 24,3x22,9cm - 30/300
Martin, 2019 Ai Weiwei Ferro fundido, 230.5x352x238cm
1000 Nomes, 2009 Anish Kapoor Técnica mista com pigmentos Dimensões variáveis
Cage P19-4, 2020 Gerhard Richter Impressão giclée montada em Diasec em painel composto de alumínio, 100.1 × 100.1 cm edição de 200
Lago Vierwaldstättersee , 2021 Gerhard Richter Impressão híbrida em cores em tecido BFK Rives de 260g 69,5 × 100 cm - Edição de 500