“Existe um alívio que quase ninguém fala: não ser necessário. Só existir em silêncio.”— Ana Luiza
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@escritosdaluiza
“Existe um alívio que quase ninguém fala: não ser necessário. Só existir em silêncio.”— Ana Luiza
Você aí que visita meu blog, um beijo, obrigada e tchau tchau 💋✨🩶🤗🫰🏻
Gif autoral by Ana Luiza
boa tarde lu, qual sua idade?
26 ☺️
Que moça gostosa🤤
Afffffff
Que cena mais deliciosa ❤️
QUARTO 17
A torneira da pia pingava num quarto de motel barato.
Era um som pequeno e ridículo, mas naquela noite parecia ter sido inventado pra enlouquecer alguém.
Uma gota.
Silêncio.
Outra gota.
Do lado de fora, a cidade continuava acordada. Havia música vindo de algum lugar, um carro passando devagar demais, uma sirene distante... e na parede ao lado, duas pessoas discutindo em voz baixa.
Ela estava sentada no chão do banheiro, com as costas apoiadas na porta.
Ainda usava o vestido da noite.
Ainda cheirava à fumaça da boate.
Ainda tinha sangue seco em uma das unhas.
Não era dela.
Sobre a pia, havia um brinco.
Dourado e pequeno, com uma pedrinha vermelha.
Ela reconheceu imediatamente.
Não pelo brinco.
Mas pela mulher que o usava.
Tinha visto aquela mulher horas antes, no banheiro de uma boate, retocando o batom diante do espelho enquanto dizia ao telefone que estava trabalhando até tarde.
Mentira.
Todo mundo naquela cidade parecia ter uma mentira pronta pra depois das onze.
Talvez fosse por isso que ela gostava tanto de andar.
Pelos becos.
Pelas ruas do centro da cidade.
Por lugares onde ninguém perguntava seu nome.
Naquela noite antes de chegar ao motel, havia parado diante de uma vitrine e observado dois insetos acasalando no vidro, indiferentes ao trânsito, às buzinas e às pessoas que passavam.
Pensou que havia alguma honestidade naquilo.
Os insetos não inventavam compromissos.
Não usavam alianças pra convencer ninguém.
Não diziam eu te amo antes de voltar pra casa.
Seguiam apenas o próprio corpo.
Ela invejou aquilo por alguns segundos.
Depois continuou andando.
No quarto 17, encontrou o homem dormindo.
Não o acordou.
Sentou na beirada da cama e ficou olhando pra ele.
Havia imaginado aquele momento tantas vezes, que quando finalmente aconteceu, não sentiu nada.
Nem raiva.
Nem tristeza.
Muito menos surpresa.
Só uma espécie de cansaço.
Na mesinha de cabeceira, havia duas taças.
Uma vazia e a outra ainda com vinho.
No chão, um sapato feminino.
No banheiro, o brinco.
E no espelho, escrito com batom: “Você demorou!”
Ela passou o dedo sobre as letras.
Então entendeu.
Não era a primeira mulher.
Talvez nem fosse a segunda.
Havia outras... Sempre havia outras.
A cidade inteira parecia construída sobre pequenos esconderijos: quartos de motéis, becos, assentos sanitários de um banheiro de boate, bancos traseiros de carros estacionados em ruas escuras.
Lugares onde as pessoas deixavam coisas pra trás.
Anéis.
Brincos.
Preservativos.
Fotografias.
Mentiras.
E às vezes, cadáveres.
Ela abriu a gaveta.
Encontrou uma fotografia.
Depois outra...
Depois outra...
Todas de mulheres diferentes.
Todas em lugares diferentes.
Todas olhando pra mesma câmera.
Foi quando percebeu que não tinha entrado naquele quarto pra descobrir uma traição.
Tinha entrado pra descobrir quantas.
Na manhã seguinte, a polícia encontrou o homem morto.
Encontrou também vinte e três fotografias.
Durante o interrogatório, perguntaram quem havia tirado as fotografias.
Ela ficou em silêncio.
Perguntaram quantos homens conhecia.
Silêncio.
Perguntaram por que havia estado no quarto 17.
Ela respondeu:
— Porque alguém precisava testemunhar.
O delegado riu.
— Testemunhar o que?
Ela olhou pra ele.
— O sexo alheio.
Foi presa naquela mesma tarde.
Na cela, começou a escrever.
Passa a escrever a partir de uma cela, indo além das molduras quadradas que limitam o seu mundo.
Era assim que começava.
Depois escrevia sobre os insetos que acasalavam.
Sobre as putarias devassas.
Sobre as traições envergonhadas.
Sobre as vinganças cunilínguas que nunca chegaram aos jornais.
Escrevia sobre homens que se diziam religiosos e mulheres que diziam não acreditar em Deus, mas rezavam antes de cometer alguma coisa.
Escrevia até a mão doer.
Um dia, uma carcereira perguntou:
— Você era o que antes de vir pra cá?
Ela levantou os olhos do papel.
— Presidiária, talvez?
A mulher franziu a testa.
— Não. Antes disso.
Ela sorriu.
— Religiosa.
A carcereira não acreditou.
Ninguém acreditaria.
Mas era verdade.
Trabalhava em uma igreja durante 8 anos.
Conhecia os pecados de quase toda a cidade.
Sabia quem traía quem.
Quem batia.
Quem mentia.
Quem se arrependia apenas porque tinha sido descoberto.
Sabia também que as pessoas não confessavam seus pecados pra serem perdoadas.
Confessavam porque queriam que alguém soubesse.
E ela sabia.
Por isso começou a fotografar.
Por isso começou a guardar.
Por isso o quarto 17 não foi o primeiro.
Nem o último.
Meses depois, quando já tinha aprendido o horário em que o sol entrava pela pequena janela da cela, recebeu uma carta sem remetente.
Dentro havia apenas uma fotografia.
Ela reconheceu o quarto imediatamente.
A torneira.
A pia.
A cama.
O espelho.
O quarto 17.
Virou a fotografia, e no verso havia uma única frase:
“Você esqueceu de fotografar quem estava atrás da câmera.”
Ela ficou olhando para aquilo durante muito tempo.
Depois sorriu.
Pegou o lápis.
E escreveu no fim da página:
Despirocas, ao seu dispor.
Foi a primeira vez, desde que entrou naquela cela, que começou a escrever sobre si.
E, dessa vez, não pretendia contar toda a verdade.
💌
Ana Luiza - 10.08.26 | @escritosdaluiza
Se nascemos condenados a morte, por que temos tanto medo do que vão pensar de nós?
abismoadois
Um conto erótico. Não sei ja postou?
Olha só, vou deixar uma coisa bem clara... Meu blog não é voltado pra putaria. Já escrevi sim conteúdo +18 leve, mas isso nunca vai ser frequente aqui.
Posta um conto seu
Tudo que posto aqui é meu, então não entendi?????
Hi. Favorite color & movie?
Cor: preto
Filme: Ponte para Terabítia | Abismo do medo
QUARTO 17
A torneira da pia pingava num quarto de motel barato.
Era um som pequeno e ridículo, mas naquela noite parecia ter sido inventado pra enlouquecer alguém.
Uma gota.
Silêncio.
Outra gota.
Do lado de fora, a cidade continuava acordada. Havia música vindo de algum lugar, um carro passando devagar demais, uma sirene distante... e na parede ao lado, duas pessoas discutindo em voz baixa.
Ela estava sentada no chão do banheiro, com as costas apoiadas na porta.
Ainda usava o vestido da noite.
Ainda cheirava à fumaça da boate.
Ainda tinha sangue seco em uma das unhas.
Não era dela.
Sobre a pia, havia um brinco.
Dourado e pequeno, com uma pedrinha vermelha.
Ela reconheceu imediatamente.
Não pelo brinco.
Mas pela mulher que o usava.
Tinha visto aquela mulher horas antes, no banheiro de uma boate, retocando o batom diante do espelho enquanto dizia ao telefone que estava trabalhando até tarde.
Mentira.
Todo mundo naquela cidade parecia ter uma mentira pronta pra depois das onze.
Talvez fosse por isso que ela gostava tanto de andar.
Pelos becos.
Pelas ruas do centro da cidade.
Por lugares onde ninguém perguntava seu nome.
Naquela noite antes de chegar ao motel, havia parado diante de uma vitrine e observado dois insetos acasalando no vidro, indiferentes ao trânsito, às buzinas e às pessoas que passavam.
Pensou que havia alguma honestidade naquilo.
Os insetos não inventavam compromissos.
Não usavam alianças pra convencer ninguém.
Não diziam eu te amo antes de voltar pra casa.
Seguiam apenas o próprio corpo.
Ela invejou aquilo por alguns segundos.
Depois continuou andando.
No quarto 17, encontrou o homem dormindo.
Não o acordou.
Sentou na beirada da cama e ficou olhando pra ele.
Havia imaginado aquele momento tantas vezes, que quando finalmente aconteceu, não sentiu nada.
Nem raiva.
Nem tristeza.
Muito menos surpresa.
Só uma espécie de cansaço.
Na mesinha de cabeceira, havia duas taças.
Uma vazia e a outra ainda com vinho.
No chão, um sapato feminino.
No banheiro, o brinco.
E no espelho, escrito com batom: “Você demorou!”
Ela passou o dedo sobre as letras.
Então entendeu.
Não era a primeira mulher.
Talvez nem fosse a segunda.
Havia outras... Sempre havia outras.
A cidade inteira parecia construída sobre pequenos esconderijos: quartos de motéis, becos, assentos sanitários de um banheiro de boate, bancos traseiros de carros estacionados em ruas escuras.
Lugares onde as pessoas deixavam coisas pra trás.
Anéis.
Brincos.
Preservativos.
Fotografias.
Mentiras.
E às vezes, cadáveres.
Ela abriu a gaveta.
Encontrou uma fotografia.
Depois outra...
Depois outra...
Todas de mulheres diferentes.
Todas em lugares diferentes.
Todas olhando pra mesma câmera.
Foi quando percebeu que não tinha entrado naquele quarto pra descobrir uma traição.
Tinha entrado pra descobrir quantas.
Na manhã seguinte, a polícia encontrou o homem morto.
Encontrou também vinte e três fotografias.
Durante o interrogatório, perguntaram quem havia tirado as fotografias.
Ela ficou em silêncio.
Perguntaram quantos homens conhecia.
Silêncio.
Perguntaram por que havia estado no quarto 17.
Ela respondeu:
— Porque alguém precisava testemunhar.
O delegado riu.
— Testemunhar o que?
Ela olhou pra ele.
— O sexo alheio.
Foi presa naquela mesma tarde.
Na cela, começou a escrever.
Passa a escrever a partir de uma cela, indo além das molduras quadradas que limitam o seu mundo.
Era assim que começava.
Depois escrevia sobre os insetos que acasalavam.
Sobre as putarias devassas.
Sobre as traições envergonhadas.
Sobre as vinganças cunilínguas que nunca chegaram aos jornais.
Escrevia sobre homens que se diziam religiosos e mulheres que diziam não acreditar em Deus, mas rezavam antes de cometer alguma coisa.
Escrevia até a mão doer.
Um dia, uma carcereira perguntou:
— Você era o que antes de vir pra cá?
Ela levantou os olhos do papel.
— Presidiária, talvez?
A mulher franziu a testa.
— Não. Antes disso.
Ela sorriu.
— Religiosa.
A carcereira não acreditou.
Ninguém acreditaria.
Mas era verdade.
Trabalhava em uma igreja durante 8 anos.
Conhecia os pecados de quase toda a cidade.
Sabia quem traía quem.
Quem batia.
Quem mentia.
Quem se arrependia apenas porque tinha sido descoberto.
Sabia também que as pessoas não confessavam seus pecados pra serem perdoadas.
Confessavam porque queriam que alguém soubesse.
E ela sabia.
Por isso começou a fotografar.
Por isso começou a guardar.
Por isso o quarto 17 não foi o primeiro.
Nem o último.
Meses depois, quando já tinha aprendido o horário em que o sol entrava pela pequena janela da cela, recebeu uma carta sem remetente.
Dentro havia apenas uma fotografia.
Ela reconheceu o quarto imediatamente.
A torneira.
A pia.
A cama.
O espelho.
O quarto 17.
Virou a fotografia, e no verso havia uma única frase:
“Você esqueceu de fotografar quem estava atrás da câmera.”
Ela ficou olhando para aquilo durante muito tempo.
Depois sorriu.
Pegou o lápis.
E escreveu no fim da página:
Despirocas, ao seu dispor.
Foi a primeira vez, desde que entrou naquela cela, que começou a escrever sobre si.
E, dessa vez, não pretendia contar toda a verdade.
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Ana Luiza - 10.08.26 | @escritosdaluiza
Já escreveu contos eróticos? Escreveria?
Já
sem inspiração pra escrever? vamos conversar 😁
Não é isso... Esses dias ando muito ocupada, mas amanhã cedinho atualizo aqui.
Em alguma fase da vida já curtiu sexo casual?
Não
tão fofinha você, vontade de morder.
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
posta uns dark romance aí
Vocês não valem nada 🤣🤣