“não dá, eu ainda sou o filho favorito da minha mãe. não quero perder esse privilégio” não sabia como detinha do cargo, mas provavelmente tinha a ver com kitt ser o filho que se adaptava melhor ao estilo de vida adotado pela família. todo caso, tinha plena consciência que sua irmã era mais amada do que ele. apenas balançou a cabeça em um meio sorriso, sabendo que onde estava envolvido era perigoso demais para qualquer um. tinha seus próprios medos em acabar colocando seus familiares naquele tipo de coisa novamente, lembrava claramente do avião particular que os levou embora da tailândia quando era criança e da sensação de náusea constante por parte de seus pais. estava incrivelmente mais silencioso que o normal naquele dia. “que romântico ~ mas ainda falta energia em você. por que não diz logo um vai se foder? é poético!” encarou o moreno, quase que o desafiando a falar algo naquela linha. todo caso, já tinha a resposta na ponta da língua como sempre. “você tem? e eu achando que você me chamar de bonitinho era o mais longe que você conseguiria ir..” estava curioso com os métodos dele, mas não adiantava ficar insistindo. não era assim que ele funcionava. haviam outros botões para serem pressionados primeiro. “o que acontece se eu não sair? vai me chutar pra fora?” questionou, ignorando as duas primeiras vezes em que fora alertado. era muito bom no jogo de fingir que nada estava acontecendo, observando o que havia de novidade no seu feed do twitter. “ai meu deus, um vídeo de gatinhos! desculpa, você falou alguma coisa?” tentou fazer a linha de desentendido enquanto assistia compenetrado a dois filhotes felinos brincando com um novelo. de vez em quando esses momentos lembravam o rapaz do porquê seus pais terem lhe apelidado de kitt. “você me xinga todos os dias, eethie. a última coisa que você tem é controle” fez uma pausa dramática apenas para cutucar a ferida aberta dele em seguida. “ou vai dizer que você teve autocontrole na noite do baile? pois eu acho que não” sorriu debochado, deixando o aparelho em cima da mesa de cabeceira do garoto, ainda deitado exatamente no mesmo lugar. “você perguntou o porquê de eu vir para cá e eu respondi, simples. não pedi para você se envolver” deu de ombros, finalmente deixando o lugar que havia ocupado anteriormente. não pretendia dar uma resposta tão direta quanto aquela, mas sua boca funcionava mais rápido que o cérebro às vezes. mecanismos de defesa, certo? “enfim, já saí da sua cama, pode ficar tranquilo ~” ajeitou os amassados em sua camisa e caminhou em direção a ele, ficando frente a frente. pela primeira vez, havia notado que a diferença de altura entre eles não era tão grande assim. era até animador quando isso acontecia. “não é, mas eu gosto de fazer você ficar vermelho, nerdzinho” sorriu curto, levando ambas as mãos até as bochechas de ethan e as acariciando por alguns segundos com seus polegares antes de casualmente depositar um beijo rápido em seus lábios. de duas, uma: ou o rapaz iria matá-lo ali mesmo, ou nada iria acontecer. se fosse para ser expulso da casa do yang, que fosse depois disso. não estava ali para buscar um consolo ou qualquer coisa do tipo, apenas gostava de estar na companhia dele ultimamente. “dessa vez não posso jogar cerveja em você, que tristeza”
filho favorito. ethan pensou a respeito por um tempo, chegando a conclusão que, de certo, ele não era o filho favorito dos seus pais. havia aceitado todas as questões da adoção e engolido todos as suas inseguranças quanto ao abandono, porém, sabia que existia uma diferença muito grande entre ele como filho e sua irmã mais nova. crianças normalmente conquistavam todos os corações com mais facilidade. não que o yang estivesse buscando algo do tipo. “mas é que o ‘vai se foder’ é muito expressivo pra eu ficar gastando ele com você, só faço isso quando o coração manda.” debochou, revirando os olhos. não era totalmente mentira, porque embora fosse bastante boca suja, raramente chegava a aqueles extremos. não que kitt não fosse um alvo ideal para tal. “existem muitas coisas sobre mim que você não sabe.” deu de ombros, casualmente. “e eu sinceramente prefiro assim.” admitiu, em baixo tom, referindo-se a muito mais do que somente sua personalidade. ethan tinha uma trajetória difícil, não apenas uma personalidade conturbada, e preferia que as pessoas continuassem distantes disso. eram coisas demais para lidar, e nem ele estava disposto a entrar naquele mérito. “ah, como eu queria poder te chutar mesmo.” os braços cruzados se apertaram mais, impaciente. não era sempre que precisava usar anto do seu autocontrole. pelo menos, não quando estava em sua casa. “como você é irritante. eu deveria ligar para callie, você é um problema que era ela quem tinha que estar lidando, não eu.” suspirou, exausto. e ainda que reclamasse, ele não tinha coragem para fazê-lo. “xingo, mas nunca parece o suficiente.” suspirou, passando os dedos por entre os fios do cabelo. não poderia negar que surpresa fora algo que tomou conta de sua cara ao escutá-lo. em algum momento kitt acabaria entrando naquele assunto, ethan só não entendia porque ficara tão surpresa. talvez fosse a ficha caindo de que, embora fosse sempre o provocado, kitt não havia feito muito para tirá-lo de seu autocontrole naquela noite. “eu não sei do que você está falando.” engoliu em seco, tentando disfarçar as bochechas incomodamente vermelhas. aquela era a desculpa mais antiga do mundo, a amnésia. mesmo assim, não teve vergonha em utilizá-la. aquele não era um assunto que ethan estava confortável para começar a falar, principalmente quando se lembrava do que estava prestes a fazer antes do garoto chegar. “com você aqui a última coisa que eu consigo ficar é tranquilo.” murmurou, em partes aliviado por vê-lo abandonar os seus lençóis. porém, isso logo acabou no que notou o passo em sua direção. um pé fora posto para trás, mas o yang não conseguiu retroceder nem um único passo. a forma como a carícia alcançou suas bochechas o deixou sem reações, derretendo-se em silêncio conforme os olhos o seguiam discretos, relativamente entregues. já não tinha mais para onde correr desde o momento em que percebeu quando havia sido ele mesmo a tomar a iniciativa de beijá-lo pela primeira vez, mas tinha que admitir que o toque em seus lábios o pegara desprevenido. teria se prolongado naquilo se não fosse ele mesmo a se afastar, felizmente. ethan precisou reunir muita força de vontade e autocontrole para não puxa-lo de volta para si. “você não deveria fazer isso. nem a parte da cerveja e nem a parte do beijo, então, não faz mais isso.” escorregando sua mão pela cintura do garoto, o afastando de si em um gesto um pouco incerto antes de voltar ao que fazia segundos atrás.