Amore mio!
Capítulo 1
Violeta está em seu escritório quando Eugênio chega, e sem bater na porta, adentra a sala da esposa e coloca dois bilhetes em cima do novo contrato que ela lia.
- Pode começar a arrumar as suas malas, meu amor... Iremos partir daqui a uma semana.
- Eugênio, endoidou de vez? Do que está falando? - murmura Violeta, até que ela olha os bilhetes e não consegue parar de sorrir - Florença? - Violeta tinha o sonho de realizar um cruzeiro pela Itália com seu marido.
- Só pra começar. Depois vamos para Veneza, Verona, Roma e Milão…
- Você enlouqueceu mesmo. Assim vamos passar muito tempo fora... e a Tecelagem, vai fechar as portas?
- Já está tudo encaminhado, querida - Eugênio revela seu plano tranquilamente - O Rafael e Dona Iara vão cuidar do novo fornecedor e eu já assinei o restante dos contratos para não acumular pendências enquanto estivermos fora. Combinei também com a Verinha… Ela vai passar alguns dias aqui na fábrica, colocando em prática tudo o que aprendeu em seu estágio em Londres. Estou tão orgulhoso da nossa menina! - Disse pomposo.
- Você pensou mesmo em tudo, né? - Violeta sorri. Amava muito o homem à sua frente e tudo aquilo que construíram juntos.
- Eu sempre penso em tudo, benzinho. Nós vamos viajar em lua-de-mel, comemorando 14 anos do nosso primeiro beijo, vivendo como se fosse um sonho.
- Você é um sonho! O melhor marido do mundo! Que me faz sentir calores mais fortes que o da menopausa. - Violeta ri e passa os braços em torno do pescoço de Eugênio, olhando-o de um jeito apaixonado. - Eu te amo, Eugênio.
- Eu também te amo, sua chata de galocha - Ele devolve o olhar de paixão, e lentamente aproxima seus lábios dos lábios vermelhos dela, em um beijo intenso.
-x-
- Vamos logo, Violeta, com essa sua demora toda, vamos perder o navio, pombas! - Disse impaciente.
- Estou indo, só falta fechar a mala.
- Como assim? Mas a sua mala já não estava pronta?
- Papagaios… Estava, mas eu tinha que conferir se não faltava nada, oras - explica Violeta.
- Se faltar, a gente compra lá. Não sei por que vocês mulheres são tão complicadas e precisam levar a casa inteira na mala...
- Porque a gente tem que levar as nossas coisas e tudo o que vocês, homens, não levam e depois nos pedem! Ah, Eugênio, não me encha as medidas, minha mala nem está tão grande assim... São só três.
- É, pensando que nós vamos ficar bastante tempo fora, até que você não exagerou...
- Eu nunca exagero, querido. Então, não era você que estava com pressa, Doutor Eugênio?
- Sim, sim, mas acho que dá tempo de fazer mais uma coisinha - ele dá um beijo apaixonado em Violeta, sorri e só então vai abrir a porta.
Com um sorriso de encantamento nos lábios, ela o segue.
Chegando ao porto, eles vão direto para a fila de embarque. Enquanto esperam a sua vez, Eugênio passa os braços em torno da cintura de Violeta.
- O que foi? — ela questiona, sorrindo.
- Só estou olhando o quanto minha mulher é linda...
- Ah, Eugênio... - ela murmura de um jeito apaixonado. Mesmo após anos, ainda sentia um frio na barriga todas as vezes que ele a chamava de “minha mulher”.
- Linda! - Eugênio sussurra novamente, e se aproxima mais para beijá-la.
Violeta empurra delicadamente o rosto dele:
- Aqui não...
- Por quê? - Ele prontamente reclama manhoso.
- Eugênio, nós estamos no meio do porto. Olha o tanto de gente envolta. Vamos ficar nos comportando como um casal adolescente, soltando fogo pelas ventas, sem noção de limites? - ela repreende.
- É que ao seu lado eu me sinto como um adolescente, apaixonado e amando pela primeira vez, benzinho...
- Eu também, meu amor. Mas se controla um pouquinho, pelo menos até chegarmos em nossa cabine…
- Está bem, mas lá você vai ter que me recompensar, Violeta Barbosa.
Quando é dado o aviso de que o navio vai partir, Violeta segura e aperta levemente a mão de Eugênio e eles ficam se olhando, e sorrindo, cheios de expectativa para mais uma aventura juntos.
Sempre juntos.
Sempre insieme.
-x-
Violeta estava apoiada no parapeito do enorme navio. Observava suavemente a imensidão de água à sua frente junto com o barulho das ondas… O balançar do navio… E achava graça do cheiro salino do oceano. Fechou os olhos, sentindo a brisa suave em seu rosto, quase como um carinho.
Suspirava, não só pelo pôr do sol alaranjado à sua frente. Mas, para ela, ainda era difícil acreditar que depois de tudo o que passou, poderia viver aqueles momentos de felicidades ao lado do homem que amava. Inevitavelmente, lágrimas caíam do seu rosto.
- Violeta, querida, está chorando? - Pergunta Eugênio que abraçava sua esposa por trás
- Meu amor, estava lembrando de tudo o que vivemos até chegar aqui. Só isso… Mas não quero deixar essas lembranças atrapalharem nossa viagem. Eu estou muito feliz, Eugênio.
- Vem cá, meu amor - Ele entrelaça seus dedos com os de Violeta, e traz a mão dela para junto de seus lábios, percorrendo o dorso da mão dela com beijos. Desce até o pulso beijando, e então olha para Violeta com um sorriso. Ela também está sorrindo, com os olhos brilhando. Ele sutilmente tira a mão do bolso e entrega uma caixinha de veludo vermelho para sua esposa:
- Mandei fazer especialmente para usarmos durante nossa viagem - explica.
Ela abre o presente. Há duas pulseiras de ouro com uma imagem em relevo.
- É São Valentim, o protetor dos apaixonados - Eugênio diz, pegando uma das pulseiras. Pedi ao Padre Toninho, quem fez o nosso casamento, para abençoá-las antes de viajarmos - Ele coloca a corrente no braço de Violeta, que depois segura a imagem em relevo entre os dedos e lê o nome gravado no verso:
- Mas aqui está escrito Eugênio...
- Sim. E na minha está escrito Violeta. Igual em nossas alianças. Nós somos um do outro, não somos? - ele esclarece, pegando a outra pulseira para colocar também.
Violeta o ajuda a fechar a corrente, depois o abraça forte e lhe dá vários beijinhos estalados nos lábios:
- Eugênio... Você me deixa sem palavras... — é só o que ela consegue dizer.
- Seu olhar e seu sorriso já dizem tudo que eu preciso.
- Ai, Eugênio... como você consegue ser sempre tão romântico?
- Nem eu sei direito. Eu só queria expandir nossa felicidade e flutuar no oceano com a mulher da minha vida - ele ri. - Ti amo, amore mio.











