Bora parou diante da suíte 129, respirando fundo antes de criar coragem para bater. O corredor estava vazio, silencioso demais para aquela hora da noite. Tinha atravessado praticamente o castelo inteiro depois que um dos guardas a procurou, dizendo que Baek-Ho queria vê-la — sem maiores explicações, como sempre. Por que, afinal, ela sempre aceitava esses convites? Ainda sentia no corpo o efeito do dia anterior, quando tinha passado horas lendo ao lado dele, fingindo desinteresse enquanto as páginas avançavam, mas, no fundo, com as malditas borboletas se agitando dentro de si a cada silêncio confortável, a cada olhar que ele deixava escapar por cima do livro. Quando abriu a porta e encontrou Baek, tão absurdamente à vontade, com aquele sorriso de quem parecia ter esperado exatamente por ela, suspirou uma vez. Ele a chamou, com aquele tom animado e confiante, e ela se deu conta, tarde demais, que já tinha cruzado a porta e estava sozinha com ele. O quarto parecia ainda maior à noite, e a cama enorme, tão diferente da beliche que ela dividia na ala oeste, com outras três pessoas. Ali, o espaço e o silêncio eram todos dele — e agora, dela também. ❛ Liberdade? ❜ Repetiu, num tom cético, olhando em volta, como se as câmeras fossem saltar das paredes. Quando ele puxou o assunto da fanfic, ela não conseguiu evitar o riso, soltando o ar de um jeito nervoso, mas já se aproximando, como sempre fazia. ❛ Tive sim… algumas ideias. ❜ Era diferente do picadeiro, quando olhos estavam fixos neles. E ainda que devesse temer aquela proximidade depois do exílio da azul, e desaparecimento do vermelho, Bora estava animada demais para se apegar a estes detalhes. ❛ Tipo… o protagonista chamou a mocinha tarde da noite pro quarto dele… ❜ Deu um passo à frente, bem devagar, até ficar próxima o bastante pra sentir o calor dele. Era desconcertante, mas também, muito empolgante. Ela se empertigou, sem se incomodar em reagir à presença dele. E então mordiscou o lábio inferior, olhando-o sob a camada de cílios. ❛ E aí, você não acredita… ele empurrou ela na cama. ❜ Sorriu, abrindo um pouco mais os lábios, como quem se diverte com a própria audácia, mas logo desviou o olhar, disfarçando a tensão que subia pela garganta. Olhou ao redor, como se de fato estivesse tentando lembrar que aquilo ali não era um espaço seguro — não totalmente. Mas então voltou a encará-lo, inclinando-se levemente na direção dele, o suficiente para que a distância ficasse desconfortavelmente curta. ❛ Não sei se vai ser drama, romance… ou… ❜ Ela deixou a frase suspensa, levantando a mão e beliscando levemente o tecido da camisa dele, sem nem perceber que fazia isso. Logo soltou, recuando um passo como se nada tivesse acontecido. ❛ Ainda, hun, estou decidindo. ❜ Virou de costas, fingindo observar qualquer coisa do outro lado do quarto, enquanto o coração batia rápido demais para o horário e para a situação. Foi quando viu o peso de mesa, pegando-o na mão. Frio. Estável. Testou seu peso, tentando se concentrar apenas nele. ❛ O que Vossa Alteza deseja comigo, para ter mandado me chamar? Precisa que eu conte uma história para dormir? ❜ Se manteve de costas para ele, analisando as coisas sobre sua mesinha, para evitar que ele constatasse seu suspiro sôfrego.