O dia que eu descobri que minha vida
e uma fic do wattpad.
Um dia eu, 𝐉𝐀𝐌𝐄𝐒 𝐃𝐄 𝐇𝐄𝐒𝐒𝐄 estava preocupado com a prova de química; no outro, descobri que sou príncipe da América do Norte Unida. Parece piada, mas não é. Cresci achando que meus pais eram só dois fazendeiros meio chatos, mas na verdade, eram funcionários do palácio — e meus verdadeiros pais são o rei Zircon e a rainha Kestrel. De repente, fui jogado no meio de nobres, regras que ninguém me explicou, e um irmão mais velho que me odeia com tanta intensidade quanto gente odeia fila de banco. Eu não sei usar o garfo de salada, quase vomito falando em público e ainda sinto falta da minha antiga rotina com pizza, futebol e séries ruins. Por favor alguem me ajuda.
Olá caro invasor de privacidades alheias. Sabia que não é legal ler o diário dos outros? Te darei apenas uma chance para respeitar minha privacidade e deixar esse caderno no lugar que você achou. Mas se você realmente é um mal caráter sem vergonha na cara e quer continuar lendo só pela fofoca, fique em paz… Os santos que irão te torturar e queimar no pós vida, não eu.
Meu nome é James de Hesse. Tenho 19 anos, gosto de música, pizza, séries ruins... e, aparentemente, sou príncipe. É.
Então, até os meus 16 anos, minha vida era basicamente normal. Cresci no meio do nada, ajudando na fazenda, jogando futebol com os amigos e acreditando que "meus pais" — ou melhor, impostores traidores e completamente sem coração — eram só dois cidadãos muito, muito normais. Dava até orgulho da normalidade deles, sabe. Os pais do meu vizinho Roger tinham sido presos na semana passada por vender pózinho branco duvidoso, então os meus não estando no xilindró já era lucro. A gente tinha rotina. Almoço de domingo, brigas por causa de quem deixou o prato de macarrão na pia sem lavar, tudo na normalidade.
Aí um belo dia, do nada, dois estranhos aparecem na nossa casa vestidos como se tivessem saído de uma peça de teatro; confesso que eu quis rir, mas minha mãe me olhou com aquela cara, e eu tratei de ficar na minha. A moça parecia querer chorar só de olhar pra mim, e o cara tinha aquele olhar de “eu sou importante demais pra estar aqui”. Resultado? Eles eram meus pais de verdade. Você não leu errado, é isso mesmo. A rainha Kestrel e o rei Zircon. Do reino inteiro da América do Norte Unida. Sabe aquele reino gigante que você estuda na escola e pensa "uau, deve ser complicado ser da realeza"? Pois é. Eu.
"James", eles disseram, "você é nosso filho. Chegou a hora de voltar pra casa.". Eu só tinha voltado para casa pra pegar uma lata de Pepsi e depois voltar pra casa do Fletcher pra terminar a partida de futebol. Realmente pensei se era brincadeira, se era sequestro, ou se eu tinha finalmente perdido a sanidade por causa da prova de geografia da próxima semana.
Descobri que o senhor e a senhora Smith nem eram meus pais de verdade — eram funcionários do palácio! Funcionários! Aqueles vagabundos passaram 16 anos fingindo que eram meus pais! Eu não sei se fico mais bravo porque mentiram pra mim ou impressionado pela atuação digna de Oscar. Eu sei que é pecado, mas hoje em dia eu espero que eles caiam da bike e ralem o joelho.
Mas beleza, né? Vamos lá. Agora eu sou um "príncipe". Não que alguém tenha me dado um manual de instruções ou um botão de "ativar modo nobre", ou me dado uma aula de como não vomitar falando em público (também teria servido pras aulas de debate da escola, mas isso é outra história). Mas nãaaaao, eles só me jogaram na corte e esperaram que eu agisse como se soubesse onde era o garfo de salada.
Ah, e aí tem o Hakon, meu "irmão mais velho". Ele me odeia. Não me odeia pouco, tipo “não gosto de dividir brinquedo”. Me odeia como quem odeia declarar imposto de renda, ou segunda-feira. Mas ninguém me explicou por que ainda. Só sei que ele me olha como se eu fosse uma barata tocando trompete no trono dele.
Então é isso. Um dia eu estava pensando na prova de química, e no outro estava pensando em como não morrer de vergonha na frente de cem duques, três condes e uma plateia inteira me julgando por segurar a taça de vinho errado. Minha vida virou uma novela — e eu nem recebo salário de ator. Mas, bom, se é pra ser príncipe, que seja do meu jeito. Um tropeço de cada vez.
PODER:
Desconhecido. Infelizmente ainda não tive tempo de me tornar um golden retirever, e nem pretendo. Poder estranho o dessa família furry…
post it 1: 𝙿𝚛𝚎𝚌𝚒𝚜𝚘 𝚍𝚎 𝚞𝚖 𝚃𝚢𝚕𝚎𝚗𝚘𝚕. 𝙴𝚜𝚜𝚎 𝚖𝚘𝚕𝚎𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚊𝚘 𝚌𝚊𝚕𝚊 𝚊 𝚋𝚘𝚌𝚊.
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄𝒐𝒆𝒔 𝒃𝒂𝒔𝒊𝒄𝒂𝒔
Nome completo: James Edward Zweibrucken de Hesse
Reino de origem: Reino da America do Norte Unida (RANU)
Título/Posição: principe.
Idade: 19 anos (1 de junho)
Status atual: solteiro.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒔𝒊𝒄𝒐𝒍𝒐𝒈𝒊𝒄𝒐
O príncipe James de Hesse apresenta uma personalidade instável, impulsiva e marcada por traços de imaturidade emocional, embora demonstre níveis elevados de empatia, criatividade e senso de justiça pessoal. Age majoritariamente por instinto e emoção, com tendência a desafiar estruturas hierárquicas e protocolos estabelecidos, seja por irreverência deliberada ou por simples desatenção. Possui inteligência verbal e social acima da média, frequentemente mascarada por comportamento caótico e autodepreciativo. Propenso a sarcasmo, reações teatrais e apego afetivo intenso, ainda que mal gerenciado. Reluta em aceitar responsabilidades, mas reage com força inesperada quando colocado sob pressão, especialmente em defesa de aliados. Monitoramento contínuo é recomendado — James é um risco moderado à estabilidade institucional, mas um ativo valioso em contextos que exigem autenticidade, coragem e improviso.
✦ Análise complementar recomendada para perfis emocionalmente instáveis.
✦ 𝒑𝒐𝒅𝒆𝒓 𝒓𝒆𝒈𝒊𝒔𝒕𝒓𝒂𝒅𝒐
O indivíduo em questão não apresenta habilidades manifestas, não demonstra interesse em desenvolvê-las e, conforme observado em múltiplos relatórios, trata o tema com evidente desdém e sarcasmo, o que tem levantado preocupações entre membros da corte e conselheiros arcanos. Apesar de sua linhagem teórica permitir algum nível de afinidade mágica, não há registros de reações espontâneas ou mesmo tentativas deliberadas de canalização energética. O comportamento é interpretado ora como negação, ora como desprezo inconsciente pelas expectativas atribuídas a ele. O caso é agravado pela existência de comparações diretas com seu irmão, Hakon de Hesse, cuja transformação licantrópica (controle total, forma alfa, estabilizada) é vista como símbolo de poder e legitimidade — fato que James classifica, em suas próprias palavras, como “muito zoado”. A ausência de manifestação mágica não só compromete sua posição simbólica como também levanta hipóteses de bloqueios psicológicos, herança diluída ou rejeição ativa do dom. Avaliação arcana contínua é sugerida, com prioridade moderada e abordagem não confrontacional.
Nível de controle: inexistente.
✦ 𝒆𝒔𝒕𝒂𝒅𝒐 𝒆𝒎𝒐𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒅𝒐
James de Hesse apresenta um estado emocional volátil, com oscilações frequentes entre euforia defensiva e episódios de insegurança silenciosa. Demonstra um padrão recorrente de evitação emocional por meio de humor, ironia e distrações comportamentais, especialmente quando confrontado com expectativas ou vulnerabilidades pessoais. Apesar da aparência descontraída, há indícios claros de exaustão psíquica, sentimento de inadequação crônico e um conflito interno latente entre o desejo de ser levado a sério e o medo de não estar à altura. Afetivamente carente, mas resistente à exposição direta de fragilidade, o príncipe utiliza o caos como forma de controle — transformando o imprevisto em armadura emocional. Risco moderado de descompensação emocional em situações de isolamento, fracasso público ou confronto familiar direto. Recomenda-se vigilância empática, com enfoque em confiança e validação não hierárquica.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒄𝒐𝒎𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍 𝒆𝒎 𝒄𝒓𝒊𝒔𝒆
Em estados de crise, James de Hesse adota um comportamento instintivamente reativo, frequentemente marcado por fuga emocional, verbalização impulsiva e uso exacerbado de sarcasmo como mecanismo de defesa. Demonstra dificuldades em processar ordens ou instruções formais, especialmente se proferidas sob tom autoritário, reagindo com deboche, ironia ou aparente indiferença — embora registros internos indiquem elevada carga emocional reprimida. Pode alternar entre agitação (movimentação constante, fala acelerada, gestos excessivos) e apatia repentina (silêncio prolongado, olhar distante, retração física), sugerindo desregulação emocional temporária. Em situações de estresse extremo, apresenta tendência à autoimagem distorcida, verbalizações depreciativas e sabotagem de tarefas estratégicas, ainda que posteriormente demonstre arrependimento e desejo de reparar danos. Curiosamente, em contextos onde terceiros estão em risco, sua resposta se torna significativamente mais centrada, revelando coragem instintiva e foco inesperado. A presença de vínculos afetivos confiáveis no ambiente atua como fator estabilizador relevante.
✦𝒑𝒂𝒅𝒓𝒐̃𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒊𝒏𝒕𝒆𝒓𝒂𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒔𝒐𝒄𝒊𝒂𝒍
O príncipe James de Hesse estabelece alianças predominantemente com base em afinidade emocional e validação interpessoal, demonstrando maior lealdade àqueles que reconhecem seu valor subjetivo e inflaram positivamente sua autoestima do que àqueles que representam estabilidade política ou vantagem estratégica. Indivíduos que demonstram afeto genuíno, paciência com suas falhas, ou que o tratam com informalidade protetora tendem a receber sua confiança e cooperação imediatas. Seu envolvimento com figuras de autoridade é relutante, exceto quando há vínculo afetivo estabelecido (caso de tutores, figuras quase parentais ou parceiros românticos). Não apresenta discriminação ativa contra forasteiros ou figuras periféricas, mas também não os prioriza em seu círculo próximo — sua atenção é seletiva e fortemente voltada àqueles que, mesmo involuntariamente, reforçam sua sensação de pertencimento e competência. Demonstra rivalidade acentuada com perfis controladores, excessivamente racionais ou que o tratem com superioridade — particularmente aqueles que ocupam posições legítimas de poder que ele sente, consciente ou não, estar usurpando.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒐𝒍𝜾́𝒕𝒊𝒄𝒐 𝒓𝒆𝒍𝒊𝒈𝒊𝒐𝒔𝒐
O sujeito apresenta uma relação ambígua e protocolar com o Magisterium, a Fé Azul e demais instituições formais. Embora utilize frequentemente a linguagem religiosa em expressões cotidianas e demonstre respeito por símbolos, rituais e figuras clericais, não há indícios de fervor espiritual ativo ou envolvimento direto em práticas devocionais aprofundadas. A postura religiosa de James é marcada por um resquício cultural, oriundo de sua criação no interior, mais associada à tradição e ao hábito do que a uma crença estruturada. Sua atitude diante das instituições políticas é majoritariamente cética, desconfortável e relutante, embora não explicitamente subversiva — opta por manter uma fachada de conformidade enquanto demonstra, em comportamentos informais, críticas pontuais e desconfiança. Não há, até o momento, registros de envolvimento com facções externas ou dissidentes; contudo, sua impressionável natureza emocional e histórico de alianças impulsivas representam um potencial risco de cooptação em contextos de crise moral ou isolamento afetivo. Monitoramento contínuo recomendado, especialmente em ambientes religiosos ou diplomáticos.
✦ 𝒓𝒊𝒔𝒄𝒐 𝒅𝒊𝒑𝒍𝒐𝒎𝒂́𝒕𝒊𝒄𝒐
James de Hesse apresenta alta probabilidade de envolvimento em escândalos públicos, alianças não autorizadas e condutas consideradas polêmicas, ainda que motivadas mais por impulsividade, carência emocional e desinformação do que por intenções maliciosas. Sua aversão a formalidades, desprezo tácito por protocolos e tendência a agir de acordo com o coração — frequentemente sem consultar conselheiros ou avaliar consequências políticas — o tornam um elemento instável em ambientes institucionais de alta visibilidade. Há risco elevado de envolvimento em relações afetivas politicamente delicadas, vazamentos acidentais de informação, declarações públicas inconvenientes, e apoio não intencional a figuras controversas. Recomenda-se vigilância próxima em eventos oficiais e contextos de mídia.
Classificação: alto.
✦ 𝒓𝒆𝒍𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒆𝒔𝒕𝒓𝒂𝒕𝒆́𝒈𝒊𝒄𝒂𝒔
@kallionomeupapin, PRINCESA DA GRÉCIA — Ex-namorada de James, com quem mantém um vínculo afetivo não resolvido. Embora o relacionamento tenha terminado, o príncipe ainda nutre sentimentos claros por ela, oscilando entre saudade, admiração e constrangimento. A proximidade emocional entre ambos pode comprometer decisões políticas em caso de reencontros diplomáticos. Alto potencial de recaída afetiva sob tensão.
@eunaovouembora, VERMELHA — ORIGEM: COREIA — Inicialmente considerada por James como uma presença confiável, motivado pela falsa percepção de afinidade . Acredita que pode confiar nela, mas já foi enganado em pelo menos uma ocasião significativa, o que coloca em xeque seu julgamento. Do ponto de vista estratégico, a aliança com Bora é extremamente desfavorável: ela pertence ao grupo dos Vermelhos (sem relevância política direta), não possui poderes, nem conexões diplomáticas úteis, e sua presença ao lado de James é vista com forte reprovação por figuras institucionais, incluindo os pais do príncipe. O vínculo revela a vulnerabilidade de James a relacionamentos impulsivos e alheios ao interesse estatal.
@dehvsse, PRÍNCIPE DA RANU — Meio-irmão e principal antagonista de James. A relação é permeada por tensão, rivalidade, ressentimento mútuo e cobranças constantes. Hakon representa tudo o que James não se sente preparado para ser — estruturado, obediente, legitimado. A insistência de Hakon para que James tire sua habilitação (e, simbolicamente, cresça) é interpretada como perseguição pessoal. Potencial alto de confronto verbal e político.
✦ 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒂𝒎𝒆𝒂𝒄̧𝒂
Ser comparado a Hakon em público
Ser confrontado com erros passados (especialmente de ordem diplomática)
Situações que exigem oratória formal sob pressão
Cerimônias religiosas onde ele deve se posicionar como "filho escolhido"
Questionamentos públicos sobre sua aptidão para o trono
Para uso interno da segurança em protocolos de contenção.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒔𝒆𝒏𝒔𝜾́𝒗𝒆𝒊𝒔
Há um aspecto obscuro e ainda desconhecido por quase todos, exceto poucos membros da corte, que poderia abalar severamente sua imagem e estabilidade emocional: James possui episódios de profunda vulnerabilidade psíquica que incluem crises de ansiedade e impulsos autodestrutivos, disfarçados por sua postura irreverente e humor ácido. Essa fragilidade mental tem sido gerida discretamente por conselheiros próximos, por meio de intervenções médicas e psicológicas sigilosas, visando evitar exposição pública e prejuízo à sua imagem.
✦ 𝒃𝒐𝒂𝒕𝒐𝒔
Diversos rumores circulam a respeito do príncipe James de Hesse, tanto entre membros da corte da Ilha quanto em círculos políticos e sociais externos. Embora nem todos possuam comprovação factual, sua disseminação influencia diretamente a percepção pública, o prestígio da linhagem e as relações diplomáticas. Os rumores são classificados abaixo por nível de difusão e risco associado:
“Ele é só uma peça de reposição” — circula entre aristocratas e membros do alto clero a ideia de que James só foi trazido de volta por conveniência política, como plano emergencial caso Hakon se tornasse inviável como sucessor.
“Está emocionalmente instável e medicado” — há boatos de que conselheiros próximos controlam sua saúde emocional com uso de estabilizantes ou intervenções psíquicas discretas, para evitar colapsos públicos.
“Tem um caso com a vermelha” — a proximidade com Bora é alvo de cochichos constantes, frequentemente carregados de conotação escandalosa e preconceituosa, dado o status marginal dela e sua falta de poderes.
✦ 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒂𝒅𝒊𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒊𝒔
James de Hesse não demonstra ambição consciente pelo trono, tampouco vocação natural para liderança política tradicional. Suas intenções em relação à Ilha de Althara e à manutenção da União entre os reinos são instáveis e contraditórias, variando conforme seu estado emocional. Embora afirme, em momentos de lucidez, que deseja "fazer a diferença", o príncipe ainda vê a coroa mais como um peso do que como destino. Há indícios de que sua permanência na esfera política seria motivada menos por senso de dever e mais por desejo de validação pessoal — especialmente frente ao irmão e aos pais. Caso pressionado sem suporte emocional adequado, há risco de evasão ou sabotagem inconsciente das próprias funções.
Militar: inexistente. Não concluiu o treinamento formal e demonstra aversão a exercícios de disciplina física e hierarquia. Zero engajamento com táticas ou estratégia bélica.
Acadêmico: abaixo da média para padrões aristocráticos. Histórico escolar irregular, com destaque apenas em disciplinas criativas ou orais. Nota-se inteligência intuitiva e capacidade analítica sob pressão, mas sem consistência ou interesse por estudos formais.
Diplomático: desempenho instável. Mostra carisma e capacidade de estabelecer conexão emocional rápida com indivíduos, inclusive de outras culturas, mas com alto risco de informalidade excessiva, gafes públicas e desprezo por protocolo. Quando emocionalmente seguro, pode surpreender positivamente com autenticidade e espontaneidade. Em situações adversas, tende a se desestabilizar.
▌ASSINATURA: T.N.S. Chefe de Segurança do Castelo de Treatan Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
* O olhar de Esmera era cuidadoso ao observar o rapaz, movida pela suspeita de que, sendo ainda mais jovem que ela, talvez estivesse enfrentando dilemas muito semelhantes aos que a atormentavam naquela experiência. Embora não fosse adequado classificar alguém pela idade, também era consciente de que certas percepções só se desenvolvem com o tempo. “ ── O certo seria "duas verdades e uma mentira", não duas mentiras... ” Gracejou com um sorriso que suavizava a própria preocupação, enquanto dava um passo mais próximo, fazendo questão de marcar sua presença. “ ── Você não está sozinho e precisaria nascer de novo pra conseguir ficar feio. ” Apontou como se aquilo fosse a coisa mais evidente do mundo, deixando claro a intenção de confortá-lo. “ ── Mas, o que foi que aconteceu? ” Franziu ligeiramente o cenho, demonstrando o cuidado que tinha ao abordar suas aflições.
— Quer saber o que rolou? Tá, lá vai. — James era excelente quando o assunto era meter o bedelho onde não era chamado e abrir a boca em momentos bem delicados. Tinha altíssimas dificuldades em guardar as coisa para si mesmo, mas em sua defesa, tudo aquilo já o estava deixando lelé das ideias. — Imagina que você tá numa boa na sua casa, e do absoluto nada chega uma galera estranha falando que a sua vida foi uma mentira. — Havia algum tempo que os parafusos na cabeça de James estavam soltinhos, e era exatamente aquele o motivo. — Eu nao sei em quem confiar… na verdade eu nao confio em mais ninguém. Eu quero meus amigos, terminar a escola, ir pro baile de formatura. Coisa de gente normal! — Não que fosse o fim do mundo, mas para James era exata isso. — Eu quero minha mãe mas nem isso eu tenho. — Não via Kestrel como mãe, mas sim como ladra manipuladora de pessoas honestas.
Santos... Ele devia ter espalhado os ossos de São Corven para que estivesse pagando por seus pecados até hoje. Não bastava que sua humilhação fosse pública e que todos tivessem conhecimento de sua condição, James também tinha de estar na Althara e aparecer nos piores momentos. "O que não quer dizer muita coisa. Você ao menos tem habilitação?" parou para encará-lo, apoiando-se numa das pernas. Não era necessária análise minuciosa para desvendar o mais novo, já que ele fazia questão de dar voz a todos os pensamentos, mesmo aqueles que faziam com que parecesse fraco. O que pensaria Zircon se soubesse que o próximo rei da RANU não era capaz nem mesmo de diferenciar leste e oeste? Que espécie de conquistar seria, se estivesse à mercê de seus generais? Por um momento, Hakon se preocupou, não com o reino que tinha considerado seu desde sempre, mas com o garoto diante dele. Era esperando que fosse Hak aquele a querer a cabeça do mais novo, porém, estava começando a achar que outros veriam em James um alvo fácil. "Passe isso pra cá" pediu, já se apossando do mapa, sem muita cerimônia. "Onde é que está tentando chegar? Ao menos tem noção de norte e sul? Você ficaria melhor com uma bússola"
— Eu posso dirigir com um acompanhante habilitado ao meu lado. — Repetiu as exatas palavras do instrutor de direção. Ele havia tentado tirar a habilitação, duas vezes. Mas na primeira tentativa bateu no poste, e na outra, numa vaca. — Você também não tem cara de que dirige. E olha que já tá na terceira idade! — Quando você tem 19 anos, qualquer pessoa acima dos 30 já poderia pedir assento preferencial no transporte público. — Todo seu. — Não fez objeções quando Hakon tomou-lhe o mapa das mãos. James poderia ter faltado as aulas de geografia mas não era tão burro. Cogitou o mapa ser adulterado, mas não achava que os vermelhos fariam aquilo. — Eu quero encontrar qualquer coração. Vai me dizer que também não quer um tempo longe dessas câmeras? — Era o unico motivo que verdadeiramente movia o príncipe a participar daquela pataquada. — Bússola… — Murmurou a palavra com confusão. — Eu vi uma dessas no museu metropolitano quando minha escola fez excursão pra lá. Ainda existem? — Ora seria uma relíquia historica! — Você não usa Waze?
Bora virou-se de lado, como se o chamado tivesse puxado um fio invisível amarrado ao tornozelo. Quando James a chamou, ergueu uma sobrancelha — só uma — e o sorriso que despontou nos lábios parecia gentil. E era. ❛ Conversar? ❜ Repetiu, com um tom leve demais para quem acabara de cometer uma pequena traição cartográfica. — ❛ Eu acho que vossa Alteza deve ir para a floresta agora, procurar seu medalhão. E não conversar... ❜ Deu mais dois passos, agora mais próxima, e inclinou-se um pouco como quem ia contar um segredo de grande importância. ❛ Mas posso abrir uma exceção. Só por hoje. Porque você me chamou de sacerdota. E isso foi, de certo modo, fofo. ❜ Endireitou-se, cruzando os braços com ares de quem já sabia que ele não fazia ideia do que carregava nas mãos. ❛ Se quiser conversar, venha andando comigo. Ainda preciso abençoar… outros mapas. ❜ E piscou. A piscadela foi breve, quase imperceptível, enquanto ela se direcionava para a floresta, para acompanhá-lo, e, certamente, também o atrapalhar.
— conversar. — afirmou, sorrindo minimamente para a vermelha. — bom, eu prefiro conversar do que ir pra floresta. Dessa vez você não vai tá lá comigo… —Da ultima vez que o Sacerdote o levou pro meio do mato ele só não se borrou todo porque sabia que se ele fosse de submarino, pelo menos não iria encarar a jornada do pós vida sozinho. — Ah, ok dona Sacerdota. — Dessa vez, o título veio na brincadeira; se ela achou fofo, então ele usaria mais vezes. Seguiu Bora imediatamente, parcialmente curioso para ver o que era aquela tal benção dos mapas. — então ahn… de onde você é? E o que faz aqui? — Nao queria conversar nada em especial. Apenas conhecer Bora melhor.
𝐩𝐫𝐨𝐦𝐩𝐭: meu Caçador acredita que o seu está atrás do medalhão da mesma pessoa e um clima de rivalidade surge entre eles
Se conhecesse melhor aquela região, um mapa não seria necessário, e ele odiava depender de um. Haviam pequenos círculos em torno dos lugares que o príncipe julgava que poderiam ter sido escondidos os medalhões, catalogados em razão da facilidade de acesso, considerando que a maioria podia ser bem preguiçosa. Como até então não tinha avistado outros Caçadores, julgou que a dinâmica seria rápida e tranquila. Entretanto, assim que ergueu os olhos do mapa, avistou o despontar de James, dobrando o papel como se quisesse evitar que o irmão tivesse acesso a suas anotações. "Eles autorizaram a participação das crianças também?" já era um absurdo que o jovem estivesse na Althara, mas isso ele compreendia como o desespero de Kestrel por fazê-lo parecer mais maduro do que era para o trono.
Direita, esquerda, leste, oeste… virar a esquerda assim que encontrar uma pedra coberta de musgos. Teria sido uma excelente dica se não tivesse identificado pelo menos umas sete delas! Mas pelos Santos, ele havia mesmo sido feito de idiota mais uma vez?! Seus dois últimos neurônios estavam tentando não entrar em colapso, quando ouviu uma voz familiar ao redor. Sabe, não tinha certeza dos perigos de Althara (com exceção de mulheres, algo que James morria de medo), mas já que existia aquele negócio de signos e tarot, o príncipe não duvidava da existência de fantasmas também. Estava prestes a ameaçar a voz com um tabuleiro ouija, quando percebeu que não era um fantasma: era muito mais assustador. “ Eu tenho dezenove anos!” Ora, insistiam em chamar um homem formado de criança! Daqui a pouco Hakon iria fiscalizar seu RG antes de deixa-lo beber uma Pepsi. “ Esse mapa maldito tá de brincadeira comigo… Pode ver se ele tá de cabeça pra baixo? Eu não sei pra que lado é leste.” Talvez devesse ter prestado mais atenção nas aulas de geografia.
❛ Aqui está seu mapa, senhor caçador. ❜ Ela entregou o pergaminho cuidadosamente enrolado, com um laço elegante. Por fora, tudo parecia normal. Mas dentro… trilhas desenhadas com caneta cor de vinho e setas que levavam para pontos inexistentes, era o que James encontraria. Nada pessoal, apenas cumprindo tarefa do Sumo Sacerdote! ❛ Boa sorte. Espero que encontre seu coração antes que o coração se perca de você… ❜ Desejou, falsamente, ainda que gostasse muito daquele garoto à sua frente.
Aparentemente, James tinha escrito bem grande “idiota” em sua própria testa. E bom, meio que era verdade, pois o garoto sequer desconfiou da vermelha. “ Ahn, obrigado senhora sacerdota.” Olhou o mapa com curiosidade, e depois para Bora com os olhos castanhos brilhando. Desde a situação na floresta, James adquirira um certo encanto pela vermelha, e agora, estava entre dois amores, como em uma comedia romântica da sessão da tarde. Quem era sua verdadeira alma gêmea: Lili ou Bora?! Nesses filmes, o protagonista sempre sabia, no fundo, a resposta. E pra falar a verdade, James também. “ Espera!” Chamou, erguendo a mão para Bora. “ Será que a gente pode conversar antes?”
O franzir do cenho feminino, não incomum ao se tratar de James, denunciou sua confusão. "Na minha casa...?" Àquela altura era difícil não imaginar que existia um problema de comunicação enraizada na relação dos dois, independentemente de qual título tivessem. A morena passou duas mechas de cabelo atrás das orelhas, gesto esse que era reflexo da própria agitação - uma que apenas crescia ao se dar conta de que nada estava saindo como planejado. "Esse é o local do jogo! Um dos mais importantes das nossas vidas, Jay. Ele vai trazer todas as respostas que estamos buscando." A frustração transpareceu no tom feminino, seu nervosismo acentuado a cada instante que se passava. Era realmente aquilo? Era ele o amor da sua vida? Mas se sim, como ele poderia estar tão alheio à importância daquele momento? "Uma maldição, oras. Se não cumprirmos os desejos dos santos! Eles têm o direito de nos castigar por isso." Ou ao menos fora isso o que haviam lhe dito. E, como uma grande devota, Kalliope preferia não irritar as divindades. Ao que parecia, porém, o príncipe não partilhava da mesma opinião. E o frágil coração feminino pareceu partir-se em um milhão de pedaços diante do questionamento masculino. Seus olhos, marejados pela tristeza, não escondiam a dor do que ela poderia ter descrito como o fim do mundo. "Então o problema não é a minha beleza, é que a minha presença te causa tanta repulsa que a ideia de me beijar faz você preferir enfrentar uma maldição que pode ser extremamente séria?" Não havia ironia em seu tom, apenas uma mágoa dilacerante. "Eu sabia que não significava nada para você, só não achei que chegaria ao ponto de você preferir desafiar os santos a ter que me beijar novamente."
O bichinho do bom senso imediatamente disse para James: pare. Nada de falar de banheiro de novo, ok? Definitivamente, não era o melhor tópico para começar uma conversa com sua ex-namorada — principalmente quando seus sentimentos por ela ainda estavam vivinhos da silva. — Pelos santos, Lili! É tipo tarô? Ou signos?! — Essas coisas revelavam bastante, ou pelo menos foi isso que ele ouviu falar. Ele sabia que as garotas levavam isso bastante a sério, mas, quando tentou falar do assunto com elas, foi chamado de esquerdomacho. James ainda não sabia o significado daquilo, mas tinha quase certeza de que não tinha nada a ver com o fato de ele ser canhoto. — Hm, entendi. Mas, assim... que tipo de castigo seria? — Porque, se for algum tipo de exílio, talvez valha a pena. E nem seria um castigo, na verdade. Para ele, seria ótimo sair daquela terra de maluco, e seu irmão poderia, enfim, proclamar o trono famoso pelo qual era tão obcecado. Mas, se fosse o clássico "queimar na lava eterna", o negócio ficava mais complicado.
Foi apenas quando os olhos castanhos da princesa marejaram que ele percebeu o quão ruim sua comunicação era. Imediatamente, tentou reverter a situação que ele mesmo havia provocado. — Não, não, não! Não é nada disso, Lili! Você é linda, legal, inteligente, cheirosa... e eu gosto de você, sim! E você beija bem também! — tentou se explicar com um sorriso nervoso. — Eu já te disse que você é bonita? Porque você é! — Que os santos o ajudassem! De fato, aquela era Lili — dramática, como ele bem se lembrava. Não que ele se importasse; na verdade, achava até bonitinho... quando ela não estava com uma marreta nas mãos.
Sabe qual é a parte legal de ser futuro rei? Tem uma galera que faz o que você quiser! James não sabia por que os reis e rainhas e sei lá o que usavam aquilo pra meter bomba nos outros, quando podiam pedir café da manhã na cama, o novo PlayStation (ele havia ganhado um esse mês!) e cheesecake de sobremesa todo dia. Nesse quesito, o garoto estava no paraíso! Mas bom, tinham as responsabilidades também, e elas eram um saco! Agora mesmo, haviam lhe dito que alguém esperava sua presença no salão principal, e mesmo que Hesse estivesse bem concentrado no novo Final Fantasy, ele tinha que comparecer. Pelo menos, estava levando sua bola de basquete nas mãos para jogar quando a chatice acabasse. Chegou no salão com os olhos na bola enquanto ele batia ela no chão; mas o semblante despreocupado não durou muito, pois assim que adentrou o ambiente, a imagem que ele tanto se esforçava para evitar estava ali como naquele filme ‘Atividade Paranormal’: Hakon. — Ahn meu Deus… — Murmurou, segurando a bola nas suas mãos e olhando para trás apenas pra ver a porta sendo batida. — Hmm… bom dia?
O silêncio no quarto real foi abruptamente interrompido por um grito e o som seco de algo sendo arremessado com força. "VOCÊ ESQUECEU DE NOVO, BORA!" O sapato cruzou o aposento com precisão militar e aterrissou direto na testa da dama de companhia, que soltou um suspiro resignado enquanto caía de joelhos para recuperar o salto real. ❛ Perdão, Alteza! Já estou indo! ❜ Ainda massageando a testa e sem esperar resposta, Bora saiu em disparada pelos corredores do castelo com o sapato numa mão e uma lista mental interminável na outra. Sabia que a princesa Jiyoung tinha um talento para exageros — e uma pontaria que parecia melhorar com a raiva. Mal teve tempo de organizar os pensamentos antes de dois guardas, impassíveis, surgirem em seu caminho. "Você, vermelha. Por aqui." ❛ Eu juro que devolvo o sapato depois! ❜ Tentou protestar, mas os olhares deles não deixavam espaço para piadas. A jovem engoliu em seco, permitindo-se ser guiada pelas passagens internas do castelo até uma trilha estreita que levava à floresta vizinha. O ar ali era mais úmido, denso — como se a floresta soubesse mais do que revelava. As folhas estalavam sob seus passos nervosos até que, em meio à névoa tênue, duas figuras aguardavam: o príncipe James, aquele a quem o trono caiu em seu colo, e o Sumo Sacerdote, sereno como quem já sabia demais. Bora parou a poucos passos deles, respirando fundo. ❛ Eu… não tenho mais certeza se estou aqui por castigo ou promoção. ❜ Murmurou, ainda ofegante.
É cada palhaçada que inventam! Quando ele morava no interior as coisas não eram assim. A regra é clara: se alguém te leva pra floresta ou você vai perder seu BV ou você vai ser esquartejado em vários pedacinhos e jogado para ser comida de coelho no meio do mato. James sabia, ele já havia assistido muito Fatos Desconhecidos no BlueTube. Mas quando o Sacerdote chamou seu nome e o levou para o meio do nada, James imaginou algo ainda pior: bom, você sabe a fama que esses padres da igreja tem né? Principalmente com garotos mais novos. E foi ali que ele teve certeza que se ele fosse um personagem de filme de terror, ele seria daqueles bem burros que morrem nos primeiros cinco minutos. Não sabia se ele rezava pra algum Santo ou se os Santos tavam com um balde de pipoca no colo assistindo o burro pagar por sua burrice, mas de repente, ele teve um lapso: se iria ser rei — por livre e espontânea pressão — não poderia se deixar ser arrastado de um lado pro outro. “ Eu ordeno…” Gritou bem do nada, parando de repente. “ Ahn… ordeno falar com meu advogado.” Era isso que eles diziam nas séries, né? E parecia funcionar, por mais que James sequer tivesse um advogado. “ Se não você sofrerá as consequências reais.” Kestrel ficaria orgulhosa do seu garoto. Mas o Sacerdote olhou pra ele com um olhar confuso, e depois, para uma garota que… Pera, de onde ela tinha saído?! “ Se a gente sair dessa vivo a gente já tá no lucro.”
As orbes femininas foram imediatamente atraídas à figura do príncipe, quase que impelidas em sua direção. E não foi necessário mais do que uma fração de segundo para que reconhecesse os mesmos olhos que preenchiam seus sonhos mais profundos - incluindo aqueles que povoavam sua mente durante o dia. A temperatura pareceu decair vinte graus, provocando-lhe um arrepio que a teria feito tremer dos pés à cabeça, não tivesse o frio sido imediatamente substituído por um calor repentino. Um fogo tão intenso que tingiu as maçãs de seu rosto, arrancando-lhe um pigarrear desconfortável. Com o rapaz era sempre assim: extremo. "Banheiro? Ahn, que banheiro?" Seu cenho franziu-se, ainda atordoada pela visão do ex. "Você não veio aqui por conta do jogo?" E foi nesse instante que Lilli teve a certeza de que a duquesa estava certa. Porque se James não decidira adentrar aquela porta por conta do jogo, então certamente o destino havia lhe posto ali para encontrá-la. Para que ela soubesse quem ele era. Ou melhor, o que ele representava em sua vida: seu felizes para sempre. "Não... Aqui nós temos que... cumprir o que for dito. O desafio. No papel. Ou sofrer uma maldição." Sua fala pausada denunciava os pensamentos ainda acelerados. "Hum, é, este papel." Ela indicou, alcançando o primeiro bilhete encantado que conseguiu. Seu olhar delongou-se no de Edward por mais um segundo, antes de desviar para as palavras impressas a sua frente. "Beije a outra pessoa como se ela fosse o seu grande amor." Anunciou, praticamente sem ar perante o que parecia ser mais uma confirmação do que suspeitava.
“ O seu banheiro. Aquele do seu quarto na… Na sua casa!” O que diabos ele estava falando?! Ok, ele havia lembrado do banheiro da ex namorada, mas naquelas horas a melhor coisa que você faz é calar a boca! Mas James interrompeu a sua silenciosa auto tortura psicológica para franzir o cenho. Pera, quê? “ Jogo? Que jogo?” Tomara que seja o novo League of Legends, ou algum do PS5. James queria um de aniversário de dezesseis anos, mas acabou ganhando um reino. “ Pera, como assim maldição?” Tipo passar um final de semana inteira numa cabana com seu irmão mais velho? Que mundo cruel. Esperou ansiosamente Lilli abrir o papel, se perguntando qual jogo seria aquele; queria que fosse Mario Party mas azuis tradicionais não tinham um gosto tão refinado. Quando a princesa grega proferiu o desafio, o sangue do príncipe norte americano gelou. Não que não a achasse linda ou que… bom, que não houvesse superado o crush que tinha nela, mas a ideia de beijar a sua ex namorada que terminou com ele porque ele foi jogar bola com o Fletcher parecia meio doida; Lilli poderia ficar bem brava. “Pode ser na bochecha?” Não imaginou que poderia soar ofensivo — só não queria deixar a princesa grega desconfortável mais uma vez. “ Quer dizer, não que você não seja linda. Você é! Mas vai que você tem um namorado novo, ou ainda me odeia… Você tem um namorado novo?” Dessa vez, a curiosidade era genuína.
"Essa coisa toda fede a Vermelhos" reclamou, franzindo o nariz em seguida, como se pudesse num inspirar absorver com o olfato todos os odores da atmosfera. Como se a Fé Rubra tivesse cheiro. Mesmo a dita tenda da vidente, que só poderia se ocupada por uma azul com poderes (possivelmente uma leitora de memórias, a julgar pelo que havia lhe dito), tinha um ar de heresia que fazia pinicar o corpo inteiro do príncipe. "Você sabe, charlatanismo puro. Da pior espécie. Quem foi que teve a péssima ideia de trazer um picadeiro pra cá? O Conselho Mundial de Líderes deve ter encontrado dificuldades para achar bons idealizadores esse ano"
— Vocês tem cada ideia errada, né? — Novamente, James deu com a língua nos dentes. Provavelmente Kestrel não imaginou que deixar um garoto 16 anos vivendo como uma pessoa normal (isso que vocês ouviram, herdeiros: normais, ao contrário de vocês, bando de maluco) iria dar nisso. — De onde eu venho tem um negócio chamado signos. Se seu Sol, Lua e Ascendente não for compatível com o do seu crush, ela e as amigas fofocam sobre você e te largam. Pelo menos as meninas. — Deu de ombros. Nuca tinha entendido o que ser pisciano tinha a ver com a Bia ter perdido o crush nele, mas isso eram águas passadas; e meninas eram estranhas.
Night Circus, o beijo ou a maldição w/ @diariodoprinceso
Punhos cerrados, o olhar preso à porta carmesim e a respiração presa em seus pulmões com uma expectativa que parecia prestes a sufocá-la. Era esse o momento, aquele que poderia mudar toda a sua vida. Segundo a duquesa da Suíça, a magia que pairava sobre o evento prometia transformar tudo. Trazer respostas, entrelaçar destinos. E o jogo em questão seria decisivo. "O amor da sua vida provavelmente está dentro daquela tenda." Ela anunciara com tamanha convicção que Kalliope não teve outra alternativa senão assentir - mal sabia ela que minutos mais tarde as jovens riam de quão fácil era manipulá-la, completamente indiferentes ao nervosismo que instauraram no coração da princesa. Então, antes que acabasse postergando aquele encontro uma vez mais, ela alcançou a maçaneta e mergulhou de coração aberto no futuro que o destino lhe reservara.
Pelos santos, onde ficava o banheiro daquele lugar? James sabia que tinha que passar por uma ou outra humilhação real na corte, mas isso não incluía fazer xixi nas calças! Até onde ele sabia, os únicos reis que faziam isso eram os velhotes sem dentes e com 27 amantes pra limpar a bunda deles. Já havia perguntado a diversos guardinhas e cada um o mandava para um canto diferente; até o presente momento, onde ele procurava uma privada numa tenda! Bom, não era ali que se misturavam várias culturas? Vai que uma delas tinha o costume de fazer xixi em tendas… Ou era assim que De Hesse pensava para se convencer que não era tão burro. Estava distraído com seus próprios pensamentos intrusivos quando ouviu a porta da tenda se abrindo, e se apressou em dizer: — O banheiro não é aqu… — Se interrompeu quando percebeu quem era; e por um minuto, não conseguiu se mover. — Ahn… quer dizer… — Gaguejou, finalmente conseguindo se mover e passando a mão no cabelo em nervosismo. — O masculino. Não sei onde fica o das meninas, mas deve ser… ahn… Do lado do buffet. — Idiota! Que ele tinha ataque de panico quanto tentava falar em público ele sabia, mas isso não deveria acontecer com ela.