Deixou o telefone escorregar da mão e ficou deitado chorando algum tempo, em silêncio, fazendo a cama vagabunda sacudir. Ele não sabia o que fazer, não sabia como viver. Cada coisa nova com que deparava na vida o impelia numa direção oposta, que também lhe parecia correta. Não havia uma narrativa controlando as coisas: ele se via como uma bola metálica puramente reativa num tabuleiro de pinball onde o único objetivo era manter-se vivo apenas para manter-se vivo.
Jonathan Franzen em “Liberdade”, Ed. Cia das Letras, p. 345























