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@expres-s4vel
Meia-noite.
Sabe o que isso significa? Significa que, exatamente agora, eu daria qualquer coisa para atravessar a tela do celular e chegar até você. Não para viver um grande momento, mas para colecionar os pequenos: encontrar o brilho dos seus olhos, sentir sua respiração de perto, ouvir o som da sua risada sem que um alto-falante a transforme, te abraçar como quem finalmente encontrou o lugar onde queria estar.
Queria deitar ao seu lado e ficar em silêncio por alguns minutos, apenas te admirando. Descobrir detalhes que nenhuma câmera consegue mostrar. O jeito que você desvia o olhar quando sorri, a expressão que faz enquanto pensa, a forma como seus olhos mudam quando alguma mensagem minha aparece.
Maldita tela... Ao mesmo tempo em que me aproxima de você, ela também me lembra de tudo o que ainda nos separa. Ela me entrega suas palavras, mas esconde seus suspiros. Me mostra suas fotos, mas não o brilho verdadeiro dos seus olhos. Me permite ouvir sua voz, mas nunca sentir a paz da sua presença.
Se eu pudesse atravessá-la agora, não pediria nada além de alguns instantes ao seu lado. Porque, no fim, o que eu mais queria era descobrir como você fica quando o assunto... sou eu.
- Expres_s4vel
*O sabor de cada processo*
Há coisas na vida que parecem iguais à primeira vista, mas nunca são.
O café, por exemplo. O grão pode vir da mesma terra, da mesma planta, do mesmo lugar. Ainda assim, cada marca entrega um sabor diferente: mais forte, mais suave, mais amargo, mais encorpado. Não é apenas o grão que define o que chega à nossa xícara. É o processo. É o tempo da torra, o cuidado no preparo, a medida certa, os ingredientes que entram..e, principalmente, os que não entram.
Com o chocolate acontece o mesmo. O cacau está ali, presente em todos eles, mas cada um carrega uma identidade. Alguns são doces, outros intensos; alguns marcam a memória, outros simplesmente não combinam com o nosso paladar. E não significa que um seja pior do que o outro. Significa apenas que foram feitos por processos diferentes.
Talvez as pessoas também sejam assim.
Por fora, todos parecemos feitos da mesma matéria: sentimentos, medos, sonhos, cicatrizes e desejos. Mas cada pessoa foi atravessada por caminhos diferentes. Cada uma recebeu seus próprios ingredientes da vida, enfrentou suas próprias fases, aprendeu de formas distintas a amar, a se proteger, a partir e a ficar.
E, assim como cada pessoa tem seu próprio processo, cada relação também tem sua própria medida.
Nem toda relação precisa de mais ingredientes para se tornar especial. Existem vínculos que já são bons exatamente como são. Já possuem confiança, carinho, presença, respeito e uma estrutura construída com o tempo. Mas, às vezes, na ansiedade de tornar algo ainda melhor, acabamos tentando acrescentar demais: mais cobranças, mais expectativas, mais intensidade, mais explicações, mais exigências.
E nem sempre acrescentar é melhorar.
Há relações que não precisam ser reinventadas, testadas ou forçadas a se tornar outra coisa. Algumas só precisam continuar sendo cuidadas na medida certa. Porque até o que é bom pode perder o sabor quando recebe tempero demais.
Talvez o segredo esteja em reconhecer quando uma relação precisa de cuidado e quando ela só precisa de espaço para continuar sendo aquilo que já é.
E, ao mesmo tempo, nem todo vínculo foi feito para durar para sempre.
Às vezes, uma relação chega ao fim de uma forma tranquila. Ela cumpriu o que precisava cumprir, deixou o que precisava deixar e se encerrou. Mas nós, por medo da saudade ou por dificuldade de aceitar o fim, tentamos acrescentar algo: mais palavras, mais insistência, mais explicações, mais tentativas de salvar o que já terminou.
E, muitas vezes, é aí que estragamos aquilo que poderia ter permanecido bonito na memória.
Nem todo fim precisa virar mágoa. Nem toda distância precisa virar guerra. Há vínculos que não precisam ser recomeçados; precisam apenas ser respeitados. Porque, assim como um café perde sua essência quando se acrescenta algo demais, algumas relações perdem a beleza quando tentamos forçá-las a continuar além do tempo delas.
Também existe algo importante em entender que nem sempre somos a pessoa certa para ajudar alguém. Às vezes enxergamos os defeitos de uma pessoa e sentimos vontade de alertar o mundo sobre ela, como se ninguém mais pudesse encontrar algo bom ali. Mas talvez o nosso processo com ela tenha terminado justamente porque não havia mais o que construir entre nós.
Isso não quer dizer que ela será igual em todos os caminhos.
Há pessoas que não combinam conosco, mas encontram em outras aquilo que precisam. Às vezes, o que falta em uma existe na outra. Às vezes, onde nós não conseguimos alcançar, outra pessoa consegue tocar. Não porque uma é melhor que a outra, mas porque cada encontro tem uma função diferente.
A vida não é feita apenas de permanências. Ela também é feita de ciclos, de despedidas e de processos que precisam terminar para que outros possam começar.
Talvez amadurecer seja entender que não precisamos temperar tudo. Nem insistir em todos os sabores. Nem carregar para sempre aquilo que já cumpriu seu papel.
Há coisas que só ficam boas quando respeitamos a medida certa.
E há pessoas que só podem continuar sendo importantes para nós quando aprendemos a deixá-las no lugar certo da nossa história.
- Expres_s4vel
Às vezes, existem bagagens que se tornam intensas demais para carregar. E a gente permanece ali, tentando entender por que aquilo pesa tanto, por que aquela dor consegue atravessar a mente, desequilibrar o corpo e transformar até os pensamentos em um lugar difícil de habitar.
Há dores que fazem chorar. Há dores que fazem a gente se sentir pequeno diante de si mesmo. Há dores que parecem querer nos convencer de que não vamos suportar. Mas, no fundo, talvez a pergunta não seja apenas “por que isso me atinge tanto?”, e sim: por que tantas pessoas ainda têm dificuldade de compreender a dor do outro?
Cada pessoa sente de uma forma. Algumas sentem demais; outras parecem sentir de menos. E não existe uma medida certa para isso. Talvez seja pelos traumas que cada um carrega. Talvez seja pela força que cada um precisou construir para sobreviver. Talvez seja apenas porque cada coração aprendeu a lidar com a vida de um jeito diferente.
Cada pessoa tem a sua própria bagagem. Cada uma sabe o peso que ela tem quando precisa carregá-la sozinha. Para alguns, pode parecer leve. Para outros, pode ser árdua demais. Por isso, não devemos julgar aquilo que não sentimos. O que pode ser pequeno para alguém pode ser um mundo inteiro desabando dentro de outra pessoa.
Às vezes, criamos uma casca enorme por fora. Sorrimos, conversamos, seguimos a rotina, fingimos firmeza. Mas ninguém sabe o que existe por trás dessa aparência. Ninguém sabe quantas vezes alguém precisou se recompor em silêncio, quantas vezes chorou escondido ou quantas vezes lutou contra pensamentos que pareciam grandes demais.
Por isso, acolher é tão importante. Escutar é tão importante. Escolher as palavras certas é tão importante. Porque dizer “isso não é nada”, “você está exagerando” ou “vai se tratar” pode ferir ainda mais alguém que já está tentando não se afundar.
A dor não precisa ser compreendida por completo para ser respeitada. Às vezes, tudo o que uma pessoa precisa não é de respostas, julgamentos ou soluções. É de presença. De um abraço. De uma palavra de afeto. De alguém que diga: “calma, eu estou aqui. Você é importante para mim. Vamos passar por isso juntos.”
Hoje, a dor voltou a me atingir. E, mais uma vez, eu consegui lidar com ela. Consegui me controlar, respirar e sobreviver ao momento. Mas isso também me fez pensar: será que precisamos lidar com tudo sozinhos?
Pedir colo não é fraqueza. Falar sobre o que dói não é buscar pena. Às vezes, abrir o coração é apenas uma forma de dizer: “eu estou cansado de ser forte o tempo todo.” E talvez exista uma coragem enorme nisso — a coragem de reconhecer que, mesmo sendo capaz de caminhar sozinho, ninguém deveria precisar atravessar todas as tempestades sem uma mão para segurar.
Porque ser forte não é não sentir. Ser forte é sentir tudo, reconhecer o peso e, ainda assim, escolher continuar.
- Expres_s4vel
Nosso corpo é como uma rosa.
À primeira vista, todos se encantam pela flor: pela delicadeza das pétalas, pela cor, pelo perfume e pela beleza que ela expõe ao mundo. Mas, para que ela permaneça ali, tão viva e deslumbrante, existe um caule que a sustenta. Um caule que, mesmo carregando espinhos, continua sendo bonito. Continua tendo sua importância. Continua sendo parte daquilo que faz a rosa existir.
Assim também somos nós.
Muitas vezes, mostramos ao mundo apenas a nossa flor: o sorriso, a beleza, a força, a luz que conseguimos transmitir. Mas por dentro ...e por todo o resto que ninguém vê com tanta facilidade.. carregamos espinhos. Medos, dores, angústias, inseguranças, lembranças e tantas coisas que, às vezes, parecem pesar demais.
Ainda assim, isso não diminui a nossa beleza.
Os espinhos não anulam a rosa; eles fazem parte dela. O caule não é menos bonito por ter marcas, nem menos necessário por carregar aquilo que machuca. É ele que sustenta a flor, que a mantém erguida, que permite que ela continue florescendo mesmo depois das tempestades.
Nós também somos assim: carregamos bagagens, cicatrizes e sentimentos difíceis, mas continuamos capazes de florescer. Continuamos sendo lindos, mesmo quando a vida nos deixa espinhos. Porque a nossa beleza não está apenas naquilo que mostramos.. ela também mora na força silenciosa de tudo o que sustentamos para continuar existindo.
- Expres_s4vel
A vida é uma grande escola disfarçada de encontros e despedidas.
Por muito tempo, eu me perguntei por que algumas pessoas entram na nossa vida apenas para partir logo depois. Por que alguém que parecia tão importante, tão necessária, tão especial, simplesmente segue outro caminho enquanto nós ficamos tentando encontrar respostas em um silêncio que não responde.
Mas talvez a pergunta nunca tenha sido "por que foram embora?".
Talvez a pergunta seja: "o que deixaram em mim antes de partir?".
Porque a verdade é que nem toda pessoa chega para permanecer. Algumas chegam para despertar.
Despertam uma fé que estava adormecida. Despertam uma coragem que nem sabíamos que possuíamos. Despertam novos olhares, novas perspectivas, novas versões de nós mesmos.
E então vão.
E nós, presos à expectativa que criamos, transformamos a ausência delas em uma prisão. Como se o valor de um encontro fosse medido pelo tempo que durou, quando na verdade existem pessoas que, em poucos dias, nos ensinam mais do que outras em anos.
Hoje eu entendo que nem toda perda é um castigo. Nem toda despedida é um fracasso.
Às vezes, a missão daquela pessoa na nossa história já foi cumprida.
Ela não veio para ficar. Veio para mostrar um caminho, acender uma luz, abrir uma porta que nós jamais teríamos enxergado sozinhos.
E quando a porta se abre, a vida continua nos chamando para atravessá-la.
Por isso, ao invés de contar quem foi embora, eu prefiro contar o que ficou.
Os aprendizados. As transformações. As cicatrizes que viraram sabedoria. As sombras que deram lugar à consciência.
Porque algumas pessoas deixam a nossa vida, mas nunca deixam de fazer parte de quem nos tornamos.
E talvez esse seja o verdadeiro propósito dos encontros: não permanecer para sempre, mas mudar para sempre aquilo que encontram pelo caminho.
- Expres_s4vel
Motoshima.
Se eu tivesse que te beijar e depois ir para o inferno, eu iria. Assim, eu poderia me gabar aos demônios de ter visto o paraíso sem nunca ter entrado nele.
William Shakespeare.