Olha só quem os ventos nos trazem… HERNÁN ENRIQUE MORALES, não é? Que curioso, por um instante, eu poderia jurar que você era MICHAEL CIMINO, mas sejamos honestos: ele jamais sobreviveria ao destino dos heróis. Os deuses me sussurraram que você tem 25 ANOS, jovem o bastante para enfrentar seu destino, mas velho o suficiente para pagar o preço da herança divina. Sendo filho de VULCANO e criado sob as leis do ACAMPAMENTO JÚPITER, a mudança para um novo lar deve estar sendo difícil para você. Talvez você precise se acostumar a ouvir seu nome seguido do título SUB-DIRIGENTE e espero que, até lá, tenha encontrado aliados dignos no ESQUADRÃO PRATA, SETOR 4. Que os deuses lhe observem e que as Parcas, por agora, sejam misericordiosas.
Ocupações: reforma, manutenção e planejamento.
Habilidades aprimoradas: Resistência física e força Ampliada
Poder: Pirocinese.
Hernán pode gerar e manipular fogo diretamente do próprio corpo, sem depender de fontes externas. As chamas surgem de suas mãos como extensões naturais de sua vontade, podendo ser moldadas em rajadas, explosões direcionadas ou ondas de calor intenso capazes de derreter metal. Ele é resistente a altas temperaturas e pode atravessar fogo comum sem sofrer danos significativos, além de absorver chamas já existentes para fortalecê-las ou extingui-las. No entanto, seu poder consome sua própria energia vital: quanto mais intenso o uso, maior o desgaste físico, podendo causar exaustão extrema, febre, tremores, desmaios e em casos extremos a morte. Suas emoções influenciam diretamente a intensidade das chamas, tornando-as instáveis em momentos de raiva ou descontrole, o que representa risco tanto para si quanto para quem estiver por perto. Embora resistente, não é imune ao próprio fogo, podendo sofrer superaquecimento ou queimaduras internas se ultrapassar seus limites, especialmente em ambientes com pouca oxigenação ou sob chuva intensa, onde suas chamas se tornam mais fracas e difíceis de sustentar.
Personalidade
Hernán é comunicativo, rápido no raciocínio e naturalmente inquieto. Costuma usar humor e sarcasmo para lidar com situações difíceis e esconder quando algo realmente o afeta. Tem um charme natural, mas não se sente completamente confiante, o que o leva a se apoiar mais em sua inteligência e rapidez de pensamento para ganhar atenção. Não é alguém excessivamente romântico, mas flerta de forma sutil e estratégica quando quer. Tem dificuldade em admitir vulnerabilidade e prefere lidar com problemas sozinho antes de pedir ajuda. Pode ser teimoso e impulsivo, especialmente quando está emocionalmente abalado, o que às vezes o coloca em risco.
Biografia
Para Hernán, seu irmão mais velho Miguel era tudo: pai, amigo e protetor. Miguel tinha sua tutela desde que completara dezoito anos, após a morte da mãe por uma doença devastadora. Apesar disso, Miguel nunca reclamava; gostava de cuidar do mais novo e sempre soube que Hernán era especial, cuidando dele com um carinho quase paternal. Mas tudo mudou no dia em que os poderes de Hernán saíram do controle. Ele desconhecia suas habilidades e não sabia como controlá-las. Sozinho em casa, Hernán não conseguiu dominar suas chamas, e o fogo rapidamente tomou conta do ambiente. Miguel, ao retornar e perceber o perigo, tentou salvar Hernán, mas acabou se sacrificando pelo irmão no incêndio.
Foi nesse momento crítico, cercado pela dor e pela culpa, que Hernán foi encontrado por Lupa, que o levou, da forma dela, para o Acampamento Júpiter. Lá, ele foi reclamado por Vulcano, seu pai divino, e começou a aprender a controlar seus poderes com disciplina e esforço diário. Apesar do treinamento, Hernán carrega a promessa de nunca mais perder o controle de seu fogo, uma promessa que nem sempre consegue cumprir, especialmente quando suas emoções estão à flor da pele.
A mudança para o Ouroboros representou um novo desafio. Longe do acampamento que conhecia e cercado por novos campistas, Hernán sente que ainda precisa se adaptar e aprender a confiar nos outros. Ele é reservado com os campistas do outro acampamento, mas aos poucos percebe que não pode enfrentar suas batalhas sozinho, e que ter aliados faz parte do preço de sobreviver e controlar a si mesmo.
Traços físicos notáveis
Hernán tem mãos queimadas e ásperas, resultado do uso constante de suas chamas e do trabalho nas forjas. Uma cicatriz causada pelo fogo atravessa parte de seu rosto e ombro, consequência de um acidente quando ainda era criança e não dominava suas habilidades. Como todos os semideuses do Acampamento Júpiter, ele carrega uma tatuagem no antebraço interno com a sigla SPQR. Está quase sempre com fuligem nas mãos e no rosto, resquícios do calor, das brasas e do trabalho diário nas forjas.
Arma principal
Utiliza uma espada curta feita de ouro imperial, forjada por ele mesmo nas forjas do Acampamento Júpiter. A lâmina é especialmente trabalhada para resistir a temperaturas extremas, podendo ser aquecida para intensificar ataques sem perder sua integridade. Essa resistência ao calor permite que Hernán canalize suas chamas pela espada, tornando-a uma extensão letal de seu poder pirocinético.
Pergunta de desenvolvimento
Hernán não nutre rancor direto pelos deuses, mas sente ressentimento pela demora no reconhecimento de seu parentesco divino. Ele se pergunta se, caso Vulcano o tivesse assumido mais cedo, seu irmão ainda estaria vivo: talvez ele tivesse recebido treinamento suficiente para controlar suas chamas e evitar a tragédia. Isso o faz questionar por que os deuses deixam “pequenas bombas-relógio” soltas pelo mundo em vez de assumirem seus filhos desde o início.
No início, esse ressentimento pesava sobre ele, mas hoje Hernán canaliza essa energia de forma diferente. Ele se esforça para ser um exemplo para os mais novos, ajudando-os sempre que pode e compartilhando sua experiência. Não é exatamente leal aos deuses, mas sua lealdade verdadeira é para com seus irmãos e amigos, aqueles aos quais ele pode proteger e ensinar como um dia o ensinaram.
um grupo de semideuses mais jovens estavam sentados ao redor da televisão, assistindo algum filme gravado que robyn não tinha se dado ao trabalho de identificar, mas concluiu que era entediante o suficiente para que apenas as crianças gostassem, então isso significava que ela estava ali ainda, na sala de recreação, mas preferindo passar o tempo com outras coisas. já tinha folheado o proprio diário de plantas pela quinta vez, mas como já conhecia as palavras ali de cor e salteado, não parecia algo interessante o suficiente para prender a atenção dela, o que a fez procurar outras formas de diversão naquele ambiente quase deprimente - o que acabou a levando para uma caixinha quadriculada com peças de xadrez tão antigas quanto qualquer caçadora de artemis daquele lugar. bastou duas partidas sozinhas para que ravenwood se transformasse em alguém ainda mais entediado, os olhos quase desfocados, a respiração vindo em suspiros altos e teatrais enquanto ela apoiava o queixo nas mãos, tão dramatica quanto podia, esperando para chamar a atenção de alguém. como ninguém nem percebeu a existencia dela, robyn bufou alto, extremamente irritada, e então ergueu a mão em direção à hernan, a pobre criatura que passou na frente dela. ❝ oieeeeeeeeee ❞ disse num tom arrastado, chamando a atenção dele. ❝ será que você pode ajudar uma moça entediada e que foi abandonada pela parceira de fita?❞ pediu, os lábios formando um beicinho enquanto as mãos se juntavam em prece, uma expressão tão mimada e manipuladora quanto a própria semideusa. ❝ por favorzinho? ❞ continuou, piscando os olhos como um cachorrinho de laço e tudo.
O garoto ficou parado ali, por alguns sabe-se-lá quantos minutos, observando enquanto a garota jogava xadrez sozinha. Isso era tão estranho, porque não é como se não existissem outros campistas no acampamento que poderiam sei lá, jogar junto dela. Não, Hernán, é claro, ele era péssimo em xadrez. Olhava para as peças como se fossem monstros aos quais ele tinha que combater, afinal aquele jogo não fazia muito sentido para o garoto. Embora sempre lhe falassem que era necessário estratégia e ele nunca era dos melhores obviamente.
— Epa, epa, epa — ele colocou as duas mãos na frente do peito enquanto se aproximava e a garota solicitava sua ajuda. — Ajuda no que exatamente? Dependendo do que for não vai rolar não, quebrei meu dedo mindinho — mentiu descaradamente, sabendo que ela saberia que aquela não era verdade. — Você precisa me falar antes no que estou me metendo...
⟡˙⋆˖ ☘︎ ݁˖⋆˙⟡ Pelo visto Hernan não estava familiarizado com sua situação, pensar ou não em uma possibilidade não mudava muito as chances de ela acontecer, deppis de um tempo Gwyneth percebeu que, pelo menos para ela, estar ciente de todas as possibilidades era menos pior. A avaliação de todos os locais que ela entrava já era automática a esse ponto, os olhos sempre escaneavam os cantos em busca de pontas soltas e acidentes prontos para acontecer. Pelo menos disso ela desenvolveu algo que se provou útil aos demais campistas e que hoje servia em forma de aula teórica.
"Depois de tantos anos com a minha sorte... ou falta dela... eu entendi que é melhor estar preparada pra qualquer coisa." Ela responde com um leve levantar de ombros e um sorriso tão leve quanto, depois de decidir o que faria, arremessou suavemente o galho de hibisco na mão para o fogo, que o consumiu rapidamente.
— Ahhhhh, você recebeu alguma maldição? É isso? Acho que agora as coisas estão fazendo sentido — ele encarou a garota a sua frente, como se todos os seus pensamentos se alinhassem. Não era algo estranho de acontecer com semideuses, afinal os deuses realmente acreditavam que podiam mandar e desmandar na vida das pessoas assim. Tudo aquilo era inacreditável. — Mas você não precisa falar sobre se não quiser, ok? Eu entendo que pode ser um assunto sensível.
os olhos de morana se estreitaram um pouco, se tornando analiticos enquanto observava o garoto ao seu lado, concluindo que deveria ser algum rapaz novo demais, só assim para justificar o quanto ela falava rápido demais; os jovens sempre tinham aquele ar de exasperação, algo que a caçadora havia aprendido ao longo dos anos, desde o momento que abraçou a imortalidade, ou melhor, algo parecido com a imortalidade. não disse nada sobre ele a incomodar ou não, uma vez que a caçadora mal o conhecia, além dela ser paciente o suficiente para não se incomodar ou irritar-se com facilidade, mesmo que o rapaz falasse rapido demais e lhe parecesse do tipo barulhento. ❝ esqueceu-se? talvez você não tenha vindo ajudar ou participar dos festejos? ❞ questionou um tanto quanto curiosa, apesar da fala permanecer calma, em uma clara tentativa de acalmar o que quer que fosse o motivo do semideus continuar falando tão rapido daquele jeito e também para desviar sobre não ter respondido o que achava dele. ❝ estão oferecendo vinho ali. ❞ indicou com a cabeça. ❝ podes beber? ❞ perguntou, a voz confusa por um momento, se perguntando se o rapaz tinha idade o suficiente para realizar tal feito.
— Festejos? Nahhhh, estou fugindo deles. Apesar de estar aqui. A gente meio que leva tudo isso a sério, sabe? Mas sei lá. Curto, mas não curto tanto assim — respirou fundo enquanto olhava para a garota a sua frente. Ele normalmente era sincero enquanto falava e isso vivia lhe trazendo problemas. — Eu posso, mas não quero. Obrigado. Uma gota de álcool e eu literalmente pego fogo. Já tentei antes, mas não deu muito certo.
⟡˙⋆˖ ☘︎ ݁˖⋆˙⟡ O estado de concentração que antes havia conseguido, apagando consideravelmente seu entorno, havia quebrado no momento em que sua pergunta foi respondida. Os olhos da garota percorreram sua volta, como que a garantir que não estava ouvindo coisas, e rapidamente encontrou Hernan não muito distante.Sua cabeça precisou pensar por um momento, como responder mais claramente o questionamento e, sem chegar a uma boa conclusão, teve que se contentar com o que veio.
"Bom... quase tudo..." sabia que a resposta não seria de grande ajuda, mas sua rotina já havia incorporado uma constante analise de como tudo que fizesse podia lhe trazer algum problema, tanto que transformou isso em sua atividade no acampamento com aulas teóricas. "Nesse exato momento estou ponderando o que seria mais provável: uma fagulha da fogueira, escapar para meus pés OU meu cadarço ficar preso em um dos troncos e causar uma queda... minha cabeça ou o ombro batendo naquela mesa." Tentou exemplificar, apontando para os itens conforme falava sobre os mesmo, cogitou se isso ajudaria a dar uma luz no fim do túnel.
— Ei, ei, ei, calma — Hernán esticou as mãos para a frente, indicando que a garota parassem de criar situações hipotéticas por alguns segundo. — Porque essas coisas iriam acontecer? Não são coisas horríveis a se pensar? Tipo, se acontece por acaso tudo be- Quer dizer, não é tudo bem. É preocupante. Mas por acaso até entendo. Mas agora ficar imaginando coisas... Você já tentou afastar esses pensamentos? — encarou a garota com certa curiosidade e espanto.
Open Starter.
Onde? Próximo a fogueira.
Quando? Após o anoitecer.
⟡˙⋆˖ ☘︎ ݁˖⋆˙⟡ Sentar a margem da fogueira era levemente perigoso para Gwyneth, com sua sorte ainda pegaria fogo em seus cadarços e tostaria algum enfeite das proximidades em consequência. Mas o estalar das chamas ardendo e consumindo os galhos que jogavam a ela era calmante, mesmo que não seguisse um ritmo contínuo, observar o dançar das fagulhas estava sendo um passa tempo para seus pensamentos antes agitados, que como mágica pareciam se calar.
"Será que se eu arremessar mais que um punhado de hibisco consigo diminuir meu azar ou vai sair pela culatra e piorar mais ainda?" Se perguntou em voz alta, deixando o olhar cair sobre os galhos que segurava há uns bons minutos nas mãos, deixando que os dedos brincassem suavemente com os pequenos galhos da planta.
Apesar de estar perto do fogo quase que o dia inteiro e ser quase que uma chama ambulante, Hernán não se sentia tão protegido por ele. Pelo contrário, se pudesse, apagaria todas as chamas que encontrasse na sua frente e aquela fogueira não era diferente. Talvez se ele fingisse que tinha sido um acidente, não colocassem mais gravetos para aumentar as chamas. — Azar do que exatamente? — uma pergunta inútil, afinal muitos ali tinham azar, ele inclusive. Mas talvez assim ele conseguisse esquecer um pouco os seus próprios pensamentos.
– Espera aí, espera aí. Você tá me dizendo que os faunos... são inúteis? - a feição de Adam demonstrava mais do que um espanto. Ele parecia horrorizado. O álcool já fazia efeito, mesmo com poucos goles. - Como vocês chegam ao acampamento então?
— Quem? Eu? Você me ouviu dizer algo? Eu não disse absolutamente nada — piscou os olhos diversas vezes ao encarar o cara enorme a sua frente. É claro que ele estava mentindo, era mais fácil assim. Tudo o que Hernán não queria era encrencas, mas as encrencas sempre o achavam. — Andando, vocês não? Eu adoro andar, caminhar, etc.
"Essa é exatamente a primeira coisa que alguém culpado diria. Você sabe disso, não sabe?" Lale semicerrou os olhos e aproximou-se um passo do filho de Vulcano, como se realmente fosse confrontá-lo. Quando estava próxima o suficiente, porém, esticou um sorriso de canto e relaxou os ombros. "Relaxa, Hernán. Eu estava só brincando com você." Ela piscou bem humorada e ergueu a caneca de vinho, inclinando-a na direção dele. "Quer um gole?" Seria bom para aliviar a tensão, caso ele estivesse mesmo preocupado que a filha de Circe pudesse lançar algum feitiço nele ou algo do tipo. "Ajuda? Sempre! Eu adoro um bom parceiro de crimes. Mas, então, você não vai achar ruim se eu quiser ficar um tempinho mais solta? Pela seriedade da tradição e tudo mais."
— Por que vocês gostam de colocar palavras na minha boca??? Afff. Tá ok, então eu sou culpado. Mas quais são meus crimes? Preciso saber de todos antes de ser julgado. E talvez eu precise de um advogado — ergueu as mãos em sinal de rendição, a voz claramente mais alta que o normal. Ele era um péssimo ator. — O que tem nesse copo ai? — perguntou com um certo receio, mas aceitou o copo da mesma forma, terminando tudo num gole só. — Espero que isso tenha sido só vinho, certo? — deu uma piscadinha enquanto encarava a garota a sua frente erguendo o copo. — Eu pareço alguém que se preocupa com tradições?
se houvessem estátuas de mármore pelo acampamento, elas provavelmente pareceriam mais animadas e energéticas do que uma certa caçadora. morana sabia sobre as festividades romanas; na verdade, aprenderá apenas o básico há séculos atrás, quando não tinha um nome e vivia escondida nas paredes frias daquele antigo convento, aonde tudo era em torno de como a religião havia salvo o povo pagão da misericórdia divina. claro que a semideusa não tinha mais aqueles mesmos pensamentos da sua juventude, mas ainda assim, lhe era um conceito estranho tamanha festividade. mas, ao invés de julgar os novos colegas romanos, se culpava por não ter usado o tempo que tivera para aprender mais sobre a história, afinal, acreditava ser uma bobagem estudar sobre o passado quando se tinha a infinidade quase absoluta à sua frente; um erro terrível, morana concluiu para si mesma enquanto observava em um canto do anfiteatro, tão imóvel quanto uma pedra. ❝ deve ser incômodo demais estar amarrado tanto tempo com um desconhecido. ❞ os pensamentos da filha de hades escapou dos lábios finos antes mesmo que ela pudesse se segurar, fazendo-a arregalar os olhos em veemência por si própria, olhando em volta para certificar-se de que ninguém tinha lhe dado ouvidos. percebeu então, tarde demais, que não estava sozinha, os olhos negros disparando para baixo enquanto ela acenava uma única vez, meio pedido de desculpas meio reconhecimento da companhia. ❝ perdoe-me, às vezes os lábios são mais rápidos do que a própria mente. ❞ desculpou-se naquela mesma voz rouca e ligeiramente envelhecida, com o sotaque antigo que nunca conseguiu perder, mesmo após tantos anos. ❝ há algo que eu possa ajudar? ❞ questionou rápido, numa tentativa de mudar o foco da situação para alguma coisa que fosse fácil para ela.
— Na realidade, eu não me incomodo com ninguém. As pessoas que se incomodam comigo, acredita? Eu pareço alguém que incomoda as pessoas? Você está se sentindo incomodada? Pode ser sincera, eu aguento — a mentem de Hernán funcionava a mil por hora, ele quase não pensava antes de falar. Sempre tinha sido assim e agora não seria diferente. — Ah, não se preocupa, eu entendo bem o que você quer dizer. A minha funciona assim também — estreitou os olhos ao perceber o sotaque da garota a sua frente. Apesar de tudo e de conviver com filhos de deuses há anos, ele ainda não havia se acostumado com isso. Com pessoas, ele queria dizer. — Na realidade, não. Não sei bem o que vim fazer aqui, acho que esqueci.
"Nem adianta me olhar assim. Você também não está com a sua dupla agora!" Por respeito a tradição, Lale sabia que não poderia ficar assim por muito tempo, mas havia se separado para poder pegar mais um pouco de vinho e aproveitou para dar uma voltinha rápida. Uma piscadinha para um gatinho ali, uma fofoquinha acolá, não fazia mal, certo? Era um festival, afinal! E Lale era conhecida por aproveitar o máximo que podia de momentos assim. "Se não chamar atenção de ninguém sobre mim, também não chamo sobre você. E ainda garanto que a gente fique mais um tempinho soltos. Temos um acordo?" Sua magia poderia fazer com que tivessem uns minutos extras, sem deixar ninguém incomodado com isso. Ilusões eram ótimas em momentos assim, pois ela podia garantir que algum superior a enxergasse bem presa a sua dupla, como se jamais tivesse saído do lugar por um tempo.
— Ei, ei, ei! Calma lá, porque estou sendo ameaçado? Eu nem falei nada!! Sou totalmente inocente!!!!! — levantou as mãos em sinal de rendimento, preocupado que ele talvez tivesse feito algo que não se lembrava. Festivais, festas, coisas assim o deixavam perdido, principalmente porque tinha que interagir melhor com as pessoas ao invés de ficar mais tempo nas forjas. Alias, onde estava sua dupla? Ela só lhe dava trabalho. — Não tenho intenção nenhuma de te atrapalhar, no que quer que você esteja fazendo. Quer falar sobre isso? Você precisa de ajuda?