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Eu acho muito curiosa a arbitrariedade da certas leituras sobre as manifestações que ocorreram ao redor do mundo nos últimos anos. O Michael Hardt tenta juntar todas as manifestações numa categoria só. Ele diz que uma das características das manifestações, desde 2011, foi que elas influenciaram umas as outras. Um exemplo que ele dá é o de que as manifestações no Brasil se inspiraram, ou foram afetadas, pelas manifestações na Turquia. Qual é a prova de que isso aconteceu, segundo ele? Havia pessoas nas manifestações exibindo a bandeira da Turquia.
Confesso que é difícil levar a sério uma análise com esse grau de rigor... Bandeiras da Turquia onde? Quando? Mas, como ele está vendo o mundo do lugar do Cosmopolita, ela pode se dar ao luxo de fazer esse tipo de afirmação frouxa. Muito provavelmente, ele tem um informante nativo que lhe passa informações que ele julga inquestionáveis.
A questão da liderança, propriamente, é evidentemente complicada. A liderança é violenta? A liderança é tão violenta quanto a ação dos movimentos sociais. O líder aparece num processo de luta interna no qual ele vence ou se impõe sobre outras potenciais lideranças. Existe um viés de gênero? Certamente. Em muitos movimentos vemos a emergência de uma liderança masculina. Mas, assim como o viés racial, isso é algo que pode ser corrigido ou questionando no interior dos próprios movimentos, que devem estar suficientemente dotados de um aparato crítico para gerir suas questões internas.
De minha parte, ainda acho a liderança algo essencial em um processo de disputa política no interior das democracias representativas.
A liderança, que não precisa necessariamente ser uma única pessoa, é necessária para duas tarefas essenciais em um processo de transformação social: em primeiro lugar, a liderança decodifica as demandas difusas e contraditórias do coletivo em propostas concretas; e em segundo lugar, a liderança negocia, faz o papel de ligação entre o coletivo e agentes do poder do Estado, ela trás as contra-propostas e as coloca em discussão. E esse papel de ligação é também um papel fiscalizador. A liderança tem uma função fundamental de verificar se os acordos firmados estão sendo cumpridos.
Sem a figura da liderança o poder constituído não tem com quem dialogar e, sobretudo, não tem quem os fiscalize. As demandas difusas são facilmente defletidas por quem detém o poder.
A importância da liderança ficou bastante claro exatamente no caso das manifestações dos últimos anos. Enquanto as manifestações sem líderes como o Occupy Wall Street, que fez um barulho mundial sem absolutamente nenhum resultado concreto (o governo dos EUA manteve o paco de ajuda aos bancos e manteve os bônus dos executivos dos bancos, que foi pago com dinheiro público); e as manifestações no Egito, que derrubaram do poder e colocaram na cadeia uma figura que se perpetuava na direção do país com a ajuda do exército para menos de dois anos depois conduzir ao poder um general desse mesmo exército (dependente dos EUA), na Espanha o movimento dos Indignados criou uma liderança com cara, voz e um partido, e agora ameaça chegar ao poder, com sérias possibilidades de controlar os recursos necessários para efetuar mudanças efetivas, amplas e mais duradouras.
Nesse universo a tecnologia também garante a grande racionalização da não-liberdade do homem e demonstra a impossibilidade “técnica” da criatura ser autônoma, de determinar a sua própria vida. Isso por-que essa não-liberdade não parece irracional nem política, mas antes uma submissão ao aparato técnico que amplia as comodidades da vida e aumenta a produtividade do trabalho. A racionalidade técnica protege, assim, em vez de cancelar, a legitimidade da dominação, e o horizonte instrumentalista da razão se abre sobre uma sociedade racionalmente totalitária
Hebert Marcuse, O homem unidimensional, p. 154.
Benny Morris, e o racismo israelense
Semana passada o historiador israelense Benny Morris esteve no Roda Viva de Direita. Esse Roda Viva sob controle da Veja. Morris foi escolhido a dedo porque deu uma guinada para o conservadorismo nos últimos 10 anos ou por aí. Morris ganhou notoriedade no final dos anos de 1980 revisando a historiografia nacionalista sionista. Ele acabou com alguns grandes mitógrafos da construção do Estado Judeu, gente amada e venerada. Na dinâmica política israelense, isso o colocava mais perto da esquerda, da esquerda crítica do projeto de colonização sionista. Mas em meados dos anos 90, no entanto, ele mudou de posição. Nos últimos anos, ele tem versões revisadas de seus livros, muito disso se deve ao fato de que a principal fonte de contestação das suas posições políticas atuais é sua própria obra historiográfica. Ele cansou de ouvir citações de seus livros contra ele mesmo. O painel que o entrevista no Roda Viva não é dos melhores. Mas deu bem para entender sua concepção do conflito E deu para perceber como ele está eivado de racismo anti-árabe do início ao fim. O fundamento de seu pensamento é um estereótipo maligno e animalizado dos árabes. Eu queria fazer alguns comentários sobre alguns pontos básicos do debate, à medida que eles foram aparecendo. Mas vale a pena assistir o Roda Viva. 1. Os árabes começaram a Primeira Guerra (entre árabes e israelenses) por que deram o primeiro tiro? A ONU impõe a partilha, sem a anuência dos países árabes, e os grupos terroristas judeus como o Irgum e etc continuam (não começam, continuam) a aterrorizar e massacrar vilas e cidades palestinas como vinham fazendo há quase 10 anos. Na própria obra do Morris você pode encontrar descrição de massacre após massacre, incluindo estupro de israelenses contra mulheres árabes. Esse foi o caráter inovador de sua obra. Todo mundo sabia desses massacres, mas eles foram negados até que Morris provou com ampla documentação. Mais tarde, esses massacres foram confirmados pelos próprios participantes e há vários relatos dessas incursões genocidas feitos pelos próprios ex-soldados israelenses para TV e documentários, nos quais eles se orgulham do que fizeram. Não tem nenhum arrependimento. Os países vizinhos se unem para defender os árabes desses abusos com caráter genocida. E eles são os culpados porque atiraram primeiro em quem já estava atirando constantemente? É um argumento meio infantil do Morris, que é lamentável. 2. Ele também não fala das provocações de Ben Gurion aos árabes entre 1943-46 que levaram a escalada da tensão na região. Sua intenção era explicitamente provocar um conflito para justificar a anexação de territórios palestinos que ele achava que deveria ter. Ele tomou mais de 11 cidades, e destruiu mais de 500 vilas palestinas, resultando nos 700 mil refugiados. Tá no livro dele “The birth of palestinian refugee problem”, ao menos na versão original. Esse é o livro que ele mais queria revisar porque é o livro que justifica o direito dos refugiados palestinos. 3. A mesma justificativa para que Israel tenha armas atômicas o Irã também pode reivindicar. Ele está cercado de países árabes financiados pelos EUA; já sofreu um golpe Estado planejado pelos EUA e outras tentativas, e é constantemente ameaçado tanto pelos EUA como por Israel. 4. Todos os acordos propostos pelos ingleses foram rejeitados pelos árabes, e também a proposta da ONU. Correto. Esse argumento é geralmente levantado para sugerir uma má vontade ou irracionalidade ou fanatismo por parte dos palestinos, enquanto Israel aparece perfeitamente racional e generoso. O território palestino pertencia aos palestinos árabes. Eles compreendiam a terra como deles. Os judeus não tinham nada, reivindicavam o território inteiro e conseguiram mais da metade. Um grupo que não tinha nada e repente tem metade do que pediu é evidentemente mais fácil concordar em fazer concessões do que um grupo que tinha tudo, e de repente perdeu 55% do que tinha. Israel está fazendo concessões sobre o que já pertencia aos palestinos enquanto aos palestinos está sendo pedido que abram mão do que já era deles. 5. É impossível um Estado islâmico democrático. Correto. Por motivos análogos, mas não os mesmos, é também impossível um Estado Judeu democrático. Não é possível uma democracia baseada em diferenciação étnica e no racismo. Israel é uma etnocracia racista e liberal, não uma democracia. E não é porque ele não pertence aos cidadãos, mas a uma parte deles, os judeus. Como ele deixou claro, os israelenses árabes são vistos como inimigos internos, como indesejados, como ilegítimos, da mesma forma como os judeus eram vistos na Europa. Quem disse que a história ensina algo? Além disso, ele minimiza o efeito desse racismo na qualidade da cidadania dos árabes. Eles simplesmente são segregados, e não participam da vida nacional em igualdade. Ter direitos formais iguais não significa que você consiga exercê-los. Eles são subrepresentados, e tem acesso negado a recursos que só os judeus tem acesso. Acho repugnante como ele tenta justificar o racismo judeu contra os árabes como algo natural. É o colonialismo em sua expressão mais pura. 6. Se expulsar o outro para a sobrevivência é algo que pode ser feito por conta da necessidade de sobrevivência, os árabes não tiveram razão em resistir a ocupação dos judeus? 7. Por que será que ninguém tem a coragem de perguntar por que Israel precisa ser um Estado Judeu? Por que ele não pode ser uma democracia republicana como as democracias ocidentais? A resposta é clara, mas eu queria que ele colocasse essa justificativa em palavras. 8. Por que os judeus venceram todas as guerras? Porque eles formaram uma sociedade militarista mais que qualquer outra no planeta depois de 1945, e voltada para a guerra. 9. Ele admite que a proposta da solução de dois Estados por parte de Israel não é sincera. Ele reconhece que Israel quer anexar West Bank. Parabéns. 10. Sou contra boicotes contra Israel. Boicotes são ruins, eles isolam os boicotados, cria ressentimentos e torna ainda mais difícil qualquer possibilidade de diálogo no futuro. Vide o boicote americano a Cuba ou Irã. É um erro. 11. Os árabes são violentos porque os sírios mataram 130 mil? Ou porque Saddam Hussein matou os curdos? Minha resposta seria uma pergunta: de quem vocês fugiram e por que, a ponto de preferir enfrentar esse povo árabe violento do que permanecer onde estavam?
"Hoje, em todo lugar, tenta-se desmantelar o arquivo fotográfico, quer dizer, o conjunto das práticas, instituições, relações de onde surgiu inicialmente a fotografia do século XIX, para reconstruído no quadro das categorias já construídas pela arte e sua história". Não é difícil imaginar quais os motivos de semelhante operação, mas o que é mais difícil de entender é a indulgência para com o tipo de incoerência que isso produz".
( R. Krauss, Espaços discursivos da fotografia. in 'O fotográfico', p. 56.) Numa contestação ao Peter Galassi, o que acho que a Rosalind Krauss quer dizer é que tentar enquadrar a fotografia do século 19 na categoria de arte é forçar a barra. A fotografia era produzida para outro espaço, o arquivo, e não para o museu, que - segundo a Krauss - era o espaço que moldava o campo da arte de então. Além disso, a fotografia não era feita por artistas, no sentido de que sejam autores. E o conjunto das fotografias de um fotógrafo dificilmente poderia ser qualificado de obra (no sentido de ter uma coerência). Ela coloca em dúvida, por exemplo, que Atget tenha sido um artista e tenha construído uma obra. Enfim, é preciso ler o artigo. Controverso. O que parece que está claro é que há uma tensão entre os historiadores da fotografia e os teóricos da arte em relação ao estatuto de fotografia.
Zhang Huan, Homeland. © Zhang Huan.
Fast forward to the 1:40 mark for the action.
Wolfgang Tillmans books for download.
Writers at Work …
1. William Faulkner
2. Susan Sontag
3. J.K. Rowling
4. Anne Sexton
5. John Steinbeck
6. Jack Kerouac
7. George Orwell
8. George Bernard Shaw
9. Stephen King
10. Maya Angelou
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New York based artist, Cindy Sherman, is famous for her photographs of women in which she is not only the photographer, but also the subject. She has contributed her own footage to the programme by recording her studio and herself at work with her Hi-8 video camera. It reveals a range of unexpected sources from visceral horror to medical catalogues and exploitation movies, and explores her real interests and enthusiasms. She shows an intuitive and often humorous approach to her work, and reflects on the themes of her work since the late 1970s. She talks about her pivotal series known as the `Sex Pictures’ in which she addresses the theme of sexuality in the light of AIDS and the arts censorship debate in the United States.
John Milius, the writer of Apocalypse Now, interviewed by Francis Ford Coppola.
US History 101
If you don’t like what someone has to say, argue with them.
Noam Chomsky (via austinheathmusic)
How much inequality is too much? To find out more and get teaching resources linked to the film, go to www.whypoverty.net 740 Park Ave, New York City, is home to some of the wealthiest Americans. Across the Harlem River, 10 minutes to the north, is the other Park Avenue in South Bronx, where more than half the population needs food stamps and children are 20 times more likely to be killed. In the last 30 years, inequality has rocketed in the US -- the American Dream only applies to those with money to lobby politicians for friendly bills on Capitol Hill. Director Alex Gibney Producer Blair Foster Produced by Jigsaw Productions & Steps International
Hiroshi Sugimoto on memory
Wolfgang Tillmans talks about his work.