Por mais que não conseguisse lembrar-se quando tornara-se tão próxima a Frank, sabia que era do qual nunca conseguiria fugir, nem se quisesse. A começar pelo carinho que seus pais tinham pelo pai do outro, parecia algo que estava passando de geração para geração. Para Lily, Frank estava em algum ponto entre seus primos e seus irmãos, amava-o com tanta intensidade, independente do fator sanguíneo não existir naquela equação. — Sério?! — Perguntou surpresa e, também, repentinamente orgulhosa de sua escolha. — Não sei se “segurando” é a palavra certa, mas… — Deu de ombros, a pausa alongando-se com um suspiro cansado. De todo jeito, o esboço de um sorriso aparecera em seus lábios por conta dos beijos que recebera. — Não precisa agradecer. Estou checando todo mundo, sabe? O problema de ter uma família enorme é que parece que a tarefa nunca acaba. E simplesmente ter notícias não é a mesma coisa de ver as pessoas, senti-las, sabe? Escutar o coração batendo. — Continuou, soltando-se do outro lentamente para enfim fechar a porta atrás de si e tomar a liberdade de adentrar o cômodo e largar-se na cadeira mais próxima. — Dos males, o menor, eh? — Referia-se ao corte mencionado pelo outro. — Mas é bom saber que estão bem, de verdade. — Acrescentou enquanto vasculhava a mochila atrás do pote de biscoitos e então oferceu-o a Frank. — Eu não sei… Juro para você. Enquanto estava no hospital, não havia tempo para pensar, estava meio que fazendo tudo no automático. E acho que não fiz besteiras, fico feliz por isso. Mas ao mesmo tempo eu não sabia de ninguém, só estava lá, ajudando as pessoas e morrendo de medo de algum dos meus ser um que não resistiu as ferimentos… Foi totalmente horrível ter que contar com a sorte de todo mundo.Enquanto pedia aos céus para não acontecer mais nada… — Enquanto falava, Lily corria os dedos pelos fios flamejantes, bagunçando-os distraidamente. — Quando escolhi medibruxaria, nunca imaginei passar por uma situação dessas. E espero não ter que passar de novo. Enfim. De modo geral, acho que estava melhor no hospital, quando não sabia de nada. A falta de informação de vez em quando é uma benção, sabe?
Quando olhava para Lily, tinha a sensação de que tinha feito a escolha certa ao deixar ser acolhido pela família. Os Weasley’s tinham uma fama ruim no passado mas, de certa forma, era a melhor fama que poderiam ter. Eram uma família honesta e viviam da forma que conseguiam. Hoje em dia, todos eram bem sucedidos de milhares formas e Frank ficava feliz de ouvir sempre a história deles da boca de vovó Molly e vovô Arthur. Assentiu algumas vezes em resposta a pergunta surpresa da mais nova e acabou por continuar assentindo para o que estava falando a seguir. “Obrigado por eu estar na lista de pessoas a visitar. Falando nisso, tenho que visitar seus avós. Eles estão bem?” Ergueu ambas as sobrancelhas e pegou os doces de Lily nas mãos para levá-los a cozinha. Como não era longe da sala, ele iria voltar rapidamente pois só queria fazer um chá para os dois comerem junto com os biscoitos. “Essa é a melhor parte, escutar o coração batendo. Realmente está fazendo o certo, pumpkin. Tem que mostrar seu amor pelas pessoas.” Parecia bastante hipócrita falar isso, mas era o que sentia. “O pânico de ser uma medibruxa em uma situação de emergência, uh? As vezes eu só acho que eu me acovardei pelo fato de escolher ficar cuidando do Caldeirão Furado. Quero dizer, puder fazer pouco para ajudar as pessoas nessa situação de emergência. E mesmo assim, não é o que você ama fazer, Lils?” Ergueu ambas as sobrancelhas novamente enquanto andava novamente para a sala, os biscoitos em um pratinho junto com duas canecas flutuantes. “Ignorância é uma benção.”