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Sua mania de seguir os procedimentos de limpeza do sangue sem o uso de magia devia-se ao fato de que, assim, o bruxo podia enxergar melhor as coisas que aconteceram nos ferimentos. A magia podia tirar sua atenção de machucados menores, então Cassie preferia mil vezes o método mais simples de pegar uma boa quantidade de algodão e começar a limpar aquela sujeitar. Isso, claro, depois de colocar luvas nas mãos pois não era um louco de tratar de alguém de forma desprotegida. ' —— Eu odeio machucados na cabeça, sempre sangram mais do que realmente deveriam.' suspirou pesadamente, começando então a limpar a face alheia. ' —— Frank... certo. Pode me chamar de Cassie, infelizmente julgaram seu caso como leve e você não ganhou um medibruxo... mas eu garanto que pior não vou te deixar!' brincou, dando-lhe uma piscadela com o olho direito. ' —— Você está tonto? Com náuseas?'
Cassidy se encontrava no laboratório da universidade quando as explosões começaram. Como procedimento padrão, ninguém pôde sair do local já que este era um dos mais protegidos, tirando o banco, Hogwarts e o o prédio do Ministério. Mas assim que a saída foi considerada segura — e a entrada de moradores locais também foi liberada, o francês assumiu uma postura que há anos achou que não precisaria mais. No seu primeiro ano morando com os bruxos ingleses, Cassidy trabalhou em Hogwarts junto com medibruxos na enfermaria cuidado de todos os feridos da guerra. Não era uma parte que tinha particularmente gostado, porém foi necessário. Agora, via-se automaticamente mergulhando na postura de antes, luvas nas mãos, máscara na face cobrindo o nariz e a boca; cabelos presos em um coque apertado e o jaleco branco parcialmente fechado. Foi direcionado para uma das salas onde estavam improvisando atendimentos aos feridos mais leves e rapidamente se colocou de prontidão. Para seu alarde, um rosto conhecido. Odiava lidar com conhecidos machucados. ’ —— Pelas barbas de Merlin, vamos lá, que tal me dizer o que aconteceu, hm?’ pediu, usando a varinha para atrair uma caixinha de primeiros socorros.
' —— Vai ser chamada novamente e isso só me faz crer que um algodão não vai ser o suficiente aí.' Cassidy tão facilmente insistiu, revirando os olhos. Não iria fazer seu trabalho pela metade, ainda mais com todo aquele sangue escapando do corte. Ferimentos na cabeça, por mais superficiais que fossem, sempre sangravam muito. O bruxo então fez um movimento para que a mulher sentasse ali na cadeira disponível, seria mais fácil para fazer o feitiço e cuidar daquele tanto de sangue. ' —— Não é porque seu corte é pequeno que ele é menos importante, Victoire. Ainda mais na testa! Céus! Eu esperava um desastre assim de mim, sabe?' provocou-a com um tom jocoso, dando-lhe uma piscadela. Da caixinha de primeiros socorros, uma boa quantidade de algodão foi tirada para limpar o excesso de sangue, mas a varinha já era requisitada pois um feitiço simples podia fechar o corte. ' —— Vocês estão obliviando todas as pessoas? Ou só os trouxas que encontram, amor?'
Me after two glasses of wine: WHOM wants to see me NAKED
' —— Sim, nisso sim.' concordou com um pequeno sorriso tenso. Sem Hogwarts não saberia como aplicar em prática as ervas que estudava. Sabia para o quê elas serviam, como deveriam ser modificadas, porém não fazia ideia de como podia aplicar nos feridos. Os medibruxos lhe ensinaram isso e agora, Cassidy agradecia. O bruxo bufou um riso baixo, passando levemente a gase ao redor do ferimento. ' —— Você é.' as respostas dadas a Simon eram curtas demais, tão diferente do comum. Estava nervoso e precisava se concentrar para não fazer alguma besteira. Tinha visto a queimadura perto do corte, mas o curativo colocado ali em cima deveria estar cuidando daquela parte também, sua primeira missão era limpar a área para não infeccionar. Para a queimadura não havia como usar um feitiço, mas as ervas aliviariam a dor e o desconforto alheio. Tinha ficado calado ouvindo a explicação de Simon, mas a tensão irradiava de seu corpo. ' —— Urgh, Merlin, por que eu estou preso com homens tão inconsequentes? Você viu o tamanho da merda e foi pra cima?' esperava isso de Benjamin, aí Simon vai e faz igual? Seu coração acelerava ao perceber que fora as crianças, o bruxo também poderia ter se dado muito mal naquela história. Satisfeito com a limpeza, franziu o cenho ao ver o sangue ainda escapando embora tão levemente. A voz baixa soou com um Vulnerar sanentur sendo repetido as três vezes para que pudesse conter o sangue, limpar internamente a ferida e fechar aquele local. Não deveria ser algo confortável para o amigo, mas era o necessário. A mão sem a varinha caiu para segurar a dele, acariciando o torso com o polegar. ' —— Desculpe. Céus, você poderia ter morrido. Eu não faço ideia o que foi que aconteceu, não consegui nem ver o tamanho do estrago. Não nos deixaram sair daqui antes. Você deveria ter aparatado para cá.' se Hogwarts foi atacada também, aquele era um dos poucos pontos que escaparam. Mas a universidade era imensa, se foi atingida também, daquela parte não poderia saber. ' —— Numa escala de um a dez, o quanto essa queimadura está doendo? Você pode deitar um pouco mais, por favor?' Cassie pediu. Com o corte fechado, seu foco passava a ser a queimadura, provavelmente a parte mais difícil e que seria mais incômoda para tratar.
Cassidy se encontrava no laboratório da universidade quando as explosões começaram. Como procedimento padrão, ninguém pôde sair do local já que este era um dos mais protegidos, tirando o banco, Hogwarts e o o prédio do Ministério. Mas assim que a saída foi considerada segura — e a entrada de moradores locais também foi liberada, o francês assumiu uma postura que há anos achou que não precisaria mais. No seu primeiro ano morando com os bruxos ingleses, Cassidy trabalhou em Hogwarts junto com medibruxos na enfermaria cuidado de todos os feridos da guerra. Não era uma parte que tinha particularmente gostado, porém foi necessário. Agora, via-se automaticamente mergulhando na postura de antes, luvas nas mãos, máscara na face cobrindo o nariz e a boca; cabelos presos em um coque apertado e o jaleco branco parcialmente fechado. Foi direcionado para uma das salas onde estavam improvisando atendimentos aos feridos mais leves e rapidamente se colocou de prontidão. Para seu alarde, um rosto conhecido. Odiava lidar com conhecidos machucados. ' —— Pelas barbas de Merlin, vamos lá, que tal me dizer o que aconteceu, hm?' pediu, usando a varinha para atrair uma caixinha de primeiros socorros.
' —— Nunca é, sorte que eu não te dei um tapa ou uma cotovelada.' tendia a reagir de forma exagerada a sustos, então o rapaz tinha tido uma imensa sorte de não sair machucado e Cassidy extremamente culpado por feri-lo. A cadeira aparecendo foi tomada como assento pelo francês de muito bom grado, as pernas cruzadas ao se acomodar. ' —— Nem velhos, nem novos. Eu sou um desastre no amor, vai ver aí nas cartas. Pra evitar desastres é melhor nem arriscar.' soltou uma risadinha com o próprio dizer, embora fosse verdade. Preferia não abrir mais tão facilmente o coração, só fazia se machucar e estava exausto de sofrer por isso. ' —— Ah, você ficaria surpreso.' murmurou. Era difícil, às vezes até lhe parecia impossível amar a si mesmo; podia adorar a liberdade que tinha, a pessoa que havia se tornado, mas era cansativo ter forças para segurar todas as consequências disso. Principalmente quando o passado resolvia bater na sua porta, como vinha fazendo desde o início do ano. Mas seus olhos fixaram-se no espelho e Cassidy respirou fundo. A prática com a yoga lhe dava a vantagem de esvaziar a mente e focar nas sensações com uma facilidade maior. Fez então o que lhe foi instruído antes de respirar profundamente mais uma vez e soltar: ' —— Força, esperança e positividade.' respondeu. Cada palavra tinha um peso, um significado diferente em sua vida.
Nem dava para se surpreender com o rumo ruim que tudo tomava. Aquela data era um dos piores dias para si e as consequências se arrastavam durante todo o dia, Cassie só precisava sobreviver àquele momento. Ele suspirou pesadamente e desviou o olhar para o local indicado pela mais nova, concordando levemente com a cabeça. ' —— Sim, tudo bem. O pior agora que dá pra rolar é eu sentar na cadeira e ela quebrar, não é?' soltou um riso, a expressão até divertida era, embora ainda carregasse o peso de toda frustração. ' —— Ou talvez chances maiores, por estar mais animado do que o universo quer me permitir, considerando todo o azar que recaiu sobre mim hoje.' resmungou, fazendo uma careta ao voltar a andar, dessa vez para a padaria.
' —— Por imprudência sua, não cobrem. Experiência própria.' deu-lhe uma piscadela brincalhona, a risada soando baixinha e discreta. Cassidy tomava atualmente inúmeros cuidados com comportamentos arriscados ali dentro para não acabar tendo prejuízo de novo com o hospital. Não era incomum o ver avisando para as pessoas a tomarem cuidado, então não faria diferente com Henrique. ' —— Ele pode ficar com minhas lantejoulas, se por um acaso alguém comentar esse rombo feio, eu vou dizer que fui roubado por uma criaturinha fofa e todo mundo vai entender.' além do mais, não se importava. Podia colar alguma coisa quando chegasse em casa; o que não faltava eram lantejoulas, afinal. O bruxo então assentiu, compreendendo os movimentos alheios para com o Niffler. ' —— Faz sentido. Esse mocinho deve trazer muitos problemas.' sorriu para o bichinho novamente, não conseguia manter uma expressão fechada na presença dele; para não falar que o sorriso ajudava no tom jocoso ao zombar: ' —— Não conseguindo tanto quanto deveria, já que olha você aí.' o brilho malicioso reinava nos olhos de Cassie mas ele tombou a cabeça para o lado, avaliando tanto o pedido alheio sobre o cigarro, quanto a pergunta sobre seu humor. Não tinha nenhum consigo pois estava tentando diminuir a nicotina e dentro dos limites da universidade, não utilizava maconha. Então não tinha nenhum baseado também. Acabou estendendo o próprio para o mais velho, sem comentar sobre o que lhe incomodava. ' —— Por incrível que pareça, eu não tenho. Mas não me importo de dividir.' dividir o cigarro era o de menos. ' —— Eu demorei pra me habituar aqui também quando vim a primeira vez, mas você logo vai pegar o jeito. A maioria por aqui são pessoas legais.' e por serem tão legais, pelo local ser minúsculo, seria uma questão de tempo para as novas notícias de sua vida estarem espalhadas pela cidade. De um jeito ou de outro, Henrique saberia. Cassie se apoiou na janela, cruzando os braços contra o peito. ' —— É que aconteceram algumas coisas nos últimos dias. Aparentemente, eu tenho duas irmãs e isso é tão surreal... que eu não consigo acreditar. A ficha ainda não caiu.'
Fred estava sentado em um parapeito de forma despojada. Trajava uma túnica azul e amarela e um ekete africano. As mãos pousavam sobre o colo viradas para cima em um ato de abertura para se conectar com seu mundo interior e exterior. Sobre sua cabeça uma fumaça vermelha se transformava em corações antes de desfazer-se continuas vezes. Uma mesa expositora atrás de si revelava alguns objetos de seu trabalho: o tarot, búzios, bola de cristal e alguns livros de ritualisticas e adivinhação. Quando um desavisado estava passando próximo ele se levantou em um salto, dando a volta na pessoa e sussurrando com uma voz aveludada — Trago seu amor em 7 dias! — anunciou antemão, utilizando do clima de são valentim que inundou a cidade para prosperar seus negócios. — Não é mandinga e nem amarração, se não eu estava casado! — ele soltou uma risada com a própria piada trágica, mas decidiu continuar com sua lábia sibilando o real objetivo do trabalho da festividade em questão — Faço com que você veja seu passado e seu futuro, que entre em contato com o seu verdadeiro amor-próprio, para que possa se abrir para o próximo. Aceita uma carta?
Cassidy não só se assustou como tropeçou por causa disso. O bruxo franziu o cenho, o olhar alarmado para o jovem até que finalmente compreendeu o que era aquilo. Por causa dos ataques aos nascidos trouxas, andava sempre em alerta total, mas claro, no momento não se tratava disso. Um olhar curioso cruzou a face do bruxo, não queria um amor do passado, que os deuses o livrassem disso, mas reconectar-se consigo mesmo? Isso estava interessado. Pegou o cartão para dar uma olhada, mas já estava convencido a tentar o que o outro poderia oferecer. ' —— Se você prometer não trazer nenhum amor antigo meu, eu topo. Podemos focar em me fazer entrar em contato com o meu amor-próprio?'
Seu interesse por animais ia para além dos mais comuns, se estendia até as criaturas mágicas também. Provavelmente o único que tinha medo eram as cobras, de resto? Cassidy adorava. O sorriso era direcionado então para o Niffler, a criaturinha fofa demais para Cassie não se derreter na visão do ladrãozinho. ' —— Ainda vai acabar com a cara amassada e sem dentes.' zombou do bruxo mesmo que ainda olhasse para o bichinho. Quando subiu o olhar para Henry, foi para revirar os olhos. O cigarro voltou a ser levado para os lábios e uma tragada longa foi tomada antes que soltasse a fumaça para o lado da janela. ' —— Eu sei, e ele é fofo demais pra eu ter raiva, mesmo sabendo que ele me roubou.' garantiu. Seu sapato agora podia estar com algumas lantejoulas a menos mas o bruxo não se importava muito. ' —— E de quê adianta tirar dele se você não vai saber de quem ele roubou?' subiu as sobrancelhas ao perguntar com curiosidade. De fato, como o bruxo poderia saber? O Niffler certamente não ajudaria, já que ele provavelmente preferia dificultar tudo para ficar com as peças. A pergunta de Henrique era perigosa, Cassidy não poderia responder a verdade, porém, se tentasse mentir, o outro saberia, o brasileiro lhe conhecia bem o suficiente para isso, afinal. ' —— No geral eu estou bem. Mas ah, isso quer dizer que eu estou conseguindo te evitar com sucesso.' era um deboche e uma mentira, não estava tentando evitar o mais velho pois realmente tinha ocupado seu tempo com as duas pessoas novas em sua vida, as irmãs. Juntando isso ao trabalho? Não lhe restava tempo para vagar pelos corredores, na primeira vez que fazia, encontrava-o. ' —— Como tem estado? Se adaptou à Montrose?
Dizer que não estava habituado ainda a toda a infraestrutura da Universidade de Montrose era pouco. Se perdia quase que diariamente, saltando de laboratório em laboratório e sala de aula em sala de aula, mas o pior não era ele se perder, mas sim deixar escapar uma das criaturas que estava estudando. Estava com uma aluna quando esta abriu a jaula de um dos nifflers que tinha ali, e agora, o bichinho tinha escapado, e não apenas no laboratório, afinal também a porta deste estava aberta. Desatando a correr atrás do niffler, Henrique nem chegou a tirar a bata, tinha se esquecido o quão rápidos eles conseguiam ser quando procurava, coisas brilhantes. Este parou junto dos sapatos com purpurinas e o brasileiro achou a oportunidade perfeita para o apanhar, quase se jogando ao chão, as mãos em volta do animal preto. “Graças a Merlin por esses sapatos.” Disse, deitado no chão antes de olhar para cima e se aperceber que se tratava de @fletchercass. “Oh, oi!”
O celular em mãos travava mais do que Cassidy tinha paciência para aguentar. O bruxo só estava em busca de uma foto do bonsai que fizera para as crianças do lar de Grunhilda, não havia motivos para aquela porcaria ficar tão lenta daquela forma. Parado no meio do corredor, o francês fumava um cigarro comum perto de uma das janelas. Foi quando sentiu o cutucar em seu pé e o pequeno Niffler foi avistado roubando uma de suas lantejoulas do salto. Ele provavelmente ficaria sujo com a purpurina também, mas o pelinho escuro mostraria o de poderiam limpá-lo. Distraído do celular, começou a procurar alguns niques dentro do bolso da calça quando percebeu um vulto escuro aparecer abruptamente, lhe fazendo endurecer a postura com o susto. Os olhos castanhos caíram para ver então a figura de Henrique deitado no chão segurando a criaturinha, arrancando de si então um suspiro. ' —— Eu poderia ter chutado sua cara no susto, sabia?' disparou, bufando um riso em seguida. ' —— Parece que me enganei quando pensei que não ia mais ter que inclinar a cabeça pra te encarar.' o tom malicioso acompanhava aquela frase torpe mas Cassie não acrescentou mais nada, só tirou a mão do bolso ao puxar o níquel, estendendo para o pequeno animal. ' —— Se eles aprendessem a usar a fofura pra pedir e roubar coisas, estaríamos ferrados.'
“Sente, é? Duvido. Agora, por tua culpa, terei que vagar solitário em busca de uma companhia para aquecer meus lençóis frios.” disse, mantendo o tom jocoso em seu timbre. A expressão que marcava o rosto do mais novo roubou uma risada de Upton. “Se ele veio ou não por sua causa não temos como saber, e mesmo que ele confirme minha suposição, é difícil de acreditar em quem mente sempre que tem uma oportunidade.” disse, franzindo o cenho. Ele mesmo era um excelente mentiroso, mas costumava usar esse dom apenas no exercício de sua profissão. “Caramba Cassidy que tesão é esse em derrubar minha muito elevada autoestima?” questionou, falsamente ofendido, quando era óbvio que estava apenas brincando. “Tu acha que eu vou fuçar a vida do cara? Que isso, invasão de privacidade da cadeia e sou muito novo pra apodrecer em Azkaban.” o sorrisinho que mantinha no canto dos lábios claramente invalidava suas palavras. Benjamin realmente usaria da informação para investigar o sujeito, mas faria tudo da maneira mais discreta possível. Assim, fez uma nota mental com o nome e o possível departamento ao qual Alves pertenceria. “Agradeço o seu préstimo.” respondeu lançando uma piscadela em direção ao mais jovem. “Maconha não faço questão. Há um nível de porcaria que aceito em meu corpo moldado pelos deuses.” disse, claramente em um tom debochado. No entanto, os anos na polícia o tinham feito extremamente contrário a drogas em geral. “Se a cachaça não é meu presente principal então o que seria? Tu tá me fazendo criar expectativas, Fletcher, só pra me frustrar em seguida.”
' —— Duvido que demore muito, cinco minutos e você arranja uma forma de esquentar os lençóis.' zombou, o sorriso acompanhando aquele deboche. E realmente Benjamin tinha razão. Não tinha como saber e muito menos como confiar no que Henrique dizia. Estava cansado de ser idiota e cair nas mentiras do bruxo, ficar triste por isso, já nem sabia mais no que acreditar. ' —— Falando por experiência, hein?' foi o que resolveu dizer, já que concordar com o amigo só faria aquele ego enorme inflar ainda mais. ' —— Alguém tem que tentar enfiar agulhas nessa sua bolha de autoestima, por Merlin! Ela precisa murchar um pouco ou Montrose não vai suportar não.' Cassie teimou, lhe dando uma cotovelada no braço. ' —— Porque olha aí! Mesmo comigo tentando fazer isso aí diminuir, ela continua grande demais! Maconha tem benefícios maravilhosos, mais benefícios do que malefícios, você não sabe o que está perdendo.' revirou os olhos. Não demorou muito sem um sorriso nos lábios, felizmente a presença de Benjamin era como um bálsamo em suas agonias. Sorrir, era inevitável. ' —— Você quem está criando expectativas aí, não vai ser minha culpa se o presente não for o que está esperando. Na minha concepção, é maravilhoso.'
“Uhum. Tudo bem. Fique a vontade.” murmurou enquanto observava o mais velho tomar o rumo do banheiro minúsculo. Como era muito raro encontrar Cassie com aquele tipo de humor mais taciturno Lucy começava a se preocupar com o que o motivava. Optando por deixá-lo lidar consigo mesmo, ao menos por alguns instantes, Lucy tratou de pegar colheres para que pudessem desfrutar do sorvete, e dos demais doces trazidos pelo mais velho. Ao retornar ao sofá, tratou de retirar suas coisas de cima do mesmo, entre elas o diário de terapia e o cd que carregava consigo para todo lado mesmo que ainda não tivesse parado para ouvi-lo. Colocou-os na mochila, que manteve aberta e apoiada a mesinha de centro. A ver Cassie aproximar-se ela apontou para o lugar ao seu lado no sofá. “Hum, folga, e faltei aula mais cedo.” o que não era comum a ela, especialmente quando estava a poucos meses de sua formatura. “Nada demais, só preferi ter a companhia de Han Solo por hoje.” informou, dando de ombros como se fizesse pouco caso da situação, contudo, a verdade era que Lucy possuía muito pouco ânimo nas últimas semanas, o que a impelia a querer ficar sozinha pela maior parte do tempo. “Mas e você? Além de salvar meu date com Han trazendo sorvete e guloseimas, o que serei eternamente grata…” a Weasley fez uma ligeira mesura para o mais velho logo antes de entregar a ele o sorvete e uma das colheres. “… o que o fez vestir o terno mais bem alinhado que já vi?”
Não tardou a se acomodar no sofá também, as pernas para cima do estofado. Estava exausto, estressado e sentia-se tão afetado pelo clima horrível do dia que talvez nem tivesse sido uma boa ideia ir até a casa de Lucy; só iria estragar o restinho do dia da mesma. A única coisa que fez o bruxo olhar para a ruiva foi a menção de desta ter faltado aula. Por essa, Cassidy não esperava. ' —— Você faltou aula?' questionou, erguendo as sobrancelhas. Não era algo que podia ignorar, mas também foi só isso que comentou. Cassie aceitou o sorvete, tomando uma grande colherada e a levando para a boca. O doce gelado ao menos servia para lhe ajudar a sair daquela tristeza infinita, adorava a sobremesa, sempre se sentia um pouquinho melhor quando a comia. ' —— Ao menos não estraguei seu encontro totalmente, hein?' se esforçou para sorrir. Lucy estava se esforçando para lhe deixar à vontade, sorrir era então o mínimo que podia fazer para ela também. ' —— Uma merda de uma reunião. Na universidade. Eu iria falar sobre os ajustes do meu projeto mas o chefe do departamento acabou cancelando de última hora. Foi em vão o terno e ainda quase o estraguei com essa chuva, ponto pra mim.'