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BENÇA
21 de junho de 2020
Um passado repleto de riquezas e glórias foi manchado com sangue. Mais de quinhentos anos abdicando e lutando para ser visto como gente. E a luta continua, cansativa, e chega a parecer interminável, mas nunca devemos esquecer nossa força.
A pele preta é sinônimo de garra, luta, honra e medo. Sempre o medo. Mas não podemos deixar que nosso medo seja maior que a nossa grandiosidade e orgulho.
Não esqueceremos do passado doloroso, nunca, mas precisamos resgatar um passado bem mais remoto, repleto de reis e rainhas da nossa cor. Preto também é sinônimo de grandiosidade, riqueza e beleza.
Seguiremos subindo cada degrau por vez, o nosso momento de estar sob os holofotes está chegando. Parafraseando Djonga, seguiremos resgatando nossa origem, nossa história por completo e delas tiraremos a nossa força e jamais vão sobrar resquícios na nossa mente que vão nos fazer esquecer que somos donos do agora, mas o antes é mais importante que isso.
Somos descendetes de reis, rainhas, príncipes, princesas, guerreiros. Nossos ancestrais eram pessoas grandiosas, ricas e orgulhosas.
Devemos nos espelhar nos nossos, sempre. Nos nossos pais e nossos avós. Na nossa família. Todos lutaram para que pudéssemos chegar até onde estamos e seguiremos lutando para que a geração futura chegue mais longe do que nós.
Estamos crescendo e seguiremos andando pelo mundo sem olhar para trás, mas sempre voltando para as nossas origens. Seguiremos honrando o legado dos nossos antepassados e lutando para resgatar, também, a mesma grandiosidade e riquezas.
Decepções
20 de junho de 2020
Tenho licença para falar sobre decepções senão as que eu mesma causei? Talvez não tenha, mas o farei mesmo assim.
Das decepções que mais partem o coração, depois das próprias, estão as que recebemos das pessoas que amamos. Acredito que afirmar conhecer alguém é o primeiro passo para a decepção.
Eu posso pensar conhecer bem uma pessoa, mas nunca conhecerei o suficiente para saber o que sempre esperar dela.
As vezes chego a ser egoísta, a ponto de não perceber que, apesar de me afetar, a pessoa pode afetar outros de forma mais profunda, de forma mais vil.
E no final essa decepção recai sobre mim. Me decepciono por não perceber o que está bem na minha frente, me decepciono por não escutar conselhos de outras pessoas e, principalmente, me decepciono por não seguir os meus instintos.
Talvez as minhas decepções sejam resultados das minhas expectativas. Expectativas comigo e com todos. Expectativas que eu crio e alimento.
É certo que eu devo parar de esperar tanto de todos e começar a fazer mais por mim mesma. Assim, quem sabe, as decepções param de bater na minha porta.
Medo do incerto
19 de junho de 2020
Tenho muitos medos. Medo da morte, medo de altura, medo de barata, mas todos medos convencionais. Poderia encontrar tantas outras pessoas que compartilham dos mesmos pavores em cada esquina da cidade.
Talvez nunca tenha falado sobre isso, mas meu maior medo é sobre o futuro. Tenho medo de ser infeliz e incompleta, de não me sentir realizada e nunca conseguir alcançar os propósitos que estabeleci para a minha vida pessoal e profissional.
E se eu não for uma boa arquiteta? E se ninguém me contratar? E se meu trabalho não for bom o suficiente? E se eu não tiver um apartamento pequeno, aconchegante, com uma decoração bonita e acolhedora para compartilhar com minha esposa e amigos? E se eu não tiver um filho chamado Ícaro e uma filha chamada Gaia? E se eu não tiver um gatinho cinza chamado Anthon e uma gatinha preta chamada Ebony?
São tantos "e se's" que me cercam e intimidam, não poderia me sentir mais apavorada com a visão de um futuro frustrado.
O amanhã é tão incerto que chega a me fazer temer o mundo e a vida num geral. O medo de falhar é horripilante, como irei viver a vida sendo infeliz? Não vejo como seria possível.
Me sinto tão inteira agora e é possível que seja porque ainda tenho controle sobre tudo (listo aqui mais um medo: o fato de não poder controlar tudo). E a cada dia que passa torço, avidamente, para que o futuro esteja me guardando a felicidade plena, mesmo que meus planos não sejam exatamente como foram delineados, mas que eu me sinta completa e afortunada por todas as minhas conquistas e, principalmente, que eu seja feliz e tenha controle sobre a minha vida.
Tempestade divina
18 de junho de 2020
Nunca havia pensado em quem poderia ser minha pessoa favorita. Como podemos dar esse título para um único alguém? Tal mérito me parece importante demais para oferecer sem antes pensar de forma incessante sobre.
É provável que eu tenha uma coleção de pessoas favoritas e cada uma tem um motivo especial para estar nesse nível. Os enumero dos meus amigos ao meu amor, não necessariamente nessa ordem. E como poderia eu não dar o devido destaque ao meu amor? Eu a adoro como uma divindade e a adoro como mulher.
A minha pessoa favorita tem a gargalhada mais adorável e os olhos miúdos que sorriem com os lábios. Tem as palavras mais doces que soam como o delicado tilintar dos sinos das portas do paraíso, eu sempre me sinto nas nuvens.
Talvez ela não saiba, mas eu a cultuo e o meu sacrifício à ela é o meu amor. Dou tudo o que é meu através de cada toque e espero que ela receba em plena alegria e resolva me agraciar de volta com dádivas divinas, mas um simples olhar apaixonante também me completa.
A minha pessoa favorita é linda, inteligente e amorosa na mesma proporção, talvez falte um pouco de autoconfiança para entender que ela realmente pode ter o mundo aos seus pés, pois a mim ela já tem.
Eu amo como somos opostas em tudo e mesmo que ela seja calmaria total, também pode ser uma tremenda tempestade. Ela sempre deixa rastros por onde passa, mesmo que imperceptíveis a olho nu, sempre estarão lá e eu posso sentir.
E eu poderia passar horas falando sobre qualquer coisa que diz respeito a ela, mas acredito que não é necessário, ainda temos um futuro nos esperando para eu poder listar todas as pequenas coisas que adoro nela e que a tornam a minha pessoa.
Sensação de estar se apaixonando
17 de junho de 2020.
Nunca pulei de paraquedas, mas equiparo a sensação de se apaixonar com o começo de uma queda livre, que a gente torce para nunca ter fim, até porque sempre saltamos sem os paraquedas, levando na mochila apenas expectativas.
A adrenalina corre por todo o corpo, o coração pulsa forte, quase saindo do peito e a gente pede aos Deuses do amor que a superfície nunca seja parte do cenário. Chegar ao chão é o mesmo que confrontar a realidade nua e cruel.
O início sempre me assustou, assim como o meio e, principalmente, o fim. Talvez seja porque não consigo compreender sentimentos. É certo que eu amo sentir a ardência da paixão, as borboletas no estômago, o nervosismo que se transporta para as palmas das mãos. Gosto de ter os sorrisos e pensamentos involuntários que sucedem cada ato da outra pessoa, mas me amedronta entrar em um mundo desconhecido e, sempre, novo e único.
O início de uma paixão é como sentir a liberdade. Cabelos balançando contra o vento, sorrisos estonteantes em meio a corridas incansáveis e intermináveis por lindos campos floridos que abrigam as mais belas flores com as fragrâncias mais deleitosas, para que possamos apreciar cada detalhe delas.
A sensação de estar se apaixonando transmite força e torna invencível. Armaduras não são necessárias, você pode se despir de tudo e ainda se sentirá cheio e completo de tanto sentir.
É tão bom ter cada parte do corpo formigando sob o efeito da necessidade do toque da pessoa que causa cada uma das emoções e sensações incompreensíveis.
Li uma vez, em uma matéria, que a paixão é como uma droga. A urgência de ter e estar com a pessoa sempre é, basicamente, vital. Nos alimenta, mantém vivos, entorpece o nosso corpo e conserva a nossa sanidade, ou nos faz perder qualquer resquício dela.
Se eu pudesse encapsular o começo de uma paixão, o faria. Imagine só como seria ter sobre a palma da mão o topor causado pelas vibrações inebriantes, a ânsia de sempre querer mais e nunca se sentir satisfeito.
O estado alterado da consciência me assusta, mas me seduz na mesma intensidade. A paixão é divina e ninguém deveria se resguardar de sentir.
Desfrute do ápice e quando o clímax for alcançado, torça para não acabar a overdose de sentimentos, ou a morte poderá te destruir.
Se atire em queda livre e deseje que cada parte do seu corpo permaneça intacta durante a descida, mas, principalmente, torça para que ela nunca acabe.
Família
16 de junho de 2020
Não sei muito bem em que momento tudo se perdeu. No início éramos felizes e unidos, sempre presentes um na vida do outro, sempre sorrindo, sendo amorosos, sentindo orgulho e, principalmente, incentivando uns aos outros.
Talvez tudo tenha se degradado no momento em que crescemos. Nossos pensamentos começaram a díspar e as discussões vinham com mais frequência. As nossas reuniões não eram mais as mesmas e continuam não sendo, me sinto incomodada em estar presente, não me sinto bem ou, até mesmo, acolhida.
Entendo que existem vários significados para família e, a partir disso, consegui entender que a minha família é composta por pessoas que me querem bem, que torcem pelas minhas vitórias e não aqueles que não se importam comigo, me apedrejam por todas as minhas escolhas, mesmo que tenham o mesmo sangue correndo pelas veias.
Acredito que devemos deixar para trás as pessoas que não nos querem bem, elas não agregam valor algum a nossa real família, elas não agregam valor a nossa vida. Elas não são a nossa família.
Família não é um laço sanguíneo. Família é amor, compreensão e, principalmente, suporte. Meus amigos também são a minha família, são as pessoas que mais me conhecem no mundo, me apoiam e incentivam a correr atrás dos meus sonhos.
A concepção de família talvez seja diferente para cada um. Eu, como jovem da comunidade LGBT, sempre tive medo de mostrar quem eu sou e não ser acolhida pela família consanguínea. Mas depois que a gente cresce, consegue superar muitos medos e, simplesmente, não se importar mais com os julgamentos daqueles que um dia juraram amor infindável.
Sempre procurei e encontrei apoio nos meus amigos. Crescemos juntos e nos descobrimos juntos. Somos uma família de verdade, uma família grande, barulhenta e cheia de brigas.
Eu acredito que família é onde a gente se sente bem em estar. Família somos nós mesmos, são nossos amores, nossas amizades e todos aqueles que nos querem bem e nos desejam o bem da forma mais pura e verdadeira. Família é amar e ser amado.
É provável que minha última frase soe clichê, mas família é amor.
Primeiro beijo
15 de junho de 2020
Acho que nunca ouvi sequer uma história sobre um primeiro beijo que realmente foi deleitável. Afinal, qual pré-adolescente conseguiria ter um primeiro beijo que realmente valesse a pena contar a história?
O meu primeiro beijo, aquele que se configura como "um beijo de verdade", foi com um garoto, algo extremamente estranho e desconfortável. Não repetiria nem em um milhão de anos.
Eu não senti nada. Minha respiração não ficou descompassada, meu coração não bateu mais rápido e os meus olhos não fecharam. Sempre imaginei que um primeiro beijo causasse essas sensações espontaneamente.
Não consigo prolongar a descrição de tal peripécia medonha ou de como não saboreie sentimentos aprazíveis. É bem simples, rápido e claro. Foi entediante e imemorável.
Precisei me aventurar nas minhas lembranças esquecidas no fundo de um poço escuro para poder escrever sobre isso. Mas, apesar de todo o desagrado, o primeiro beijo me adiantou aprendizados sobre o que fazer e não fazer ao beijar alguém.
Meu primeiro beijo abriu portas para outros primeiros beijos e isso sim é memorável. Beijar uma garota pela primeira vez foi excepcionalmente fabuloso.
Pensando nisso, talvez, mas só talvez, eu deva um grande agradecimento para o meu primeiro beijo.
Então, primeiro beijo, obrigada por abrir as portas para um mundo esplendoroso e repleto de lábios femininos fantásticos que me foram propiciados depois de você.
Memória mais feliz da infância
14 de junho de 2020
Não consigo retratar apenas uma memória feliz da minha infância, porque tenho várias delas, mas todas no lugar mais feliz da minha infância. Então acho que cabe a mim escrever sobre o lugar que me trouxe as lembranças mais felizes desse momento da minha vida.
Lembro-me de sentir a felicidade irradiar pelo meu corpo quando os finais de semana, enfim, chegavam.
Final de semana, naquela época, significava ir ao sítio da vovó, reencontrar meus primos e passar horas e horas correndo pelo campo ou nadando no rio e inventando brincadeiras que ninguém entenderia.
A diversão já começava no início da viagem, quando meus pais e eu, dentro do carro, seguíamos o nosso caminho cantando ou conversando sobre algo bobo, algo que pudesse me incluir ao diálogo.
Eu sempre ficava ansiosa para chegar ao início do nosso destino: a porteira. Era uma felicidade sem tamanho quando meus pais deixavam eu abrir o grande portão de madeira que demarcava a entrada do meu paraíso pessoal.
Naquela época o motivo de tanta euforia, para fazer algo tão simples, era poder se vangloriar por ter aberto o portão, não importava o horário (confesso que durante a noite dava medo). Agora, depois anos, consigo entender que, além do primeiro motivo, a empolgação chegava porque eu sabia que estava perto de chegar ao meu lugar feliz.
Aquele lugar era imenso, lindo, cheio de animais e tinha tanta coisa para fazer! Me lembro das caminhadas, que chamávamos de aventura, a procurar de árvores com galhos propícios para nos balançarmos, lembro que exploravamos cada pedacinho de mato até encontrar algum bichinho que considerávamos diferentes ou bonitos.
Recordo dos momentos que resolvíamos nos aventurar à pescar, andar à cavalo ou mergulhar nas águas cristalinas do rio para observar cada peixinho que passava por perto.
Eu me sentia tão grande e especial naquele lugar que guarda muitas das minha melhores lembranças de infância.
Não me lembro quando foi a última vez que senti a felicidade de estar indo para o meu lugar favorito no mundo. Mas se ao menos soubesse que aquela seria a última vez, teria brincado o dobro, teria dado o dobro de gargalhadas, teria jogado bola por mais tempo sem reclamar de cansaço, teria me balançado mais nos galhos das nossas árvores-balanço, teria feitos os saltos "mortais" (cambalhotas) mais vezes, teria iniciado a última guerra de barro sem medo da bronca que sempre chegava…
Sinto saudade até das noites sentada na cama escutando minha tia contar as mesmas histórias de terror que sempre nos assustavam.
Vivi bons momentos em cada pedacinho daquele lugar e naquela casa de madeira tão acolhedora. Essa é a minha coletânea de lembranças mais felizes da infância, nunca conseguiria pensar em algo que tenha sido mais memorável do que esse lugar.
Primeiro amor
13 de junho de 2020
Para falar a verdade, eu não me lembro muito bem dos nossos momentos, eles não foram convencionais. Não te considerava o meu primeiro amor até pouco tempo, porque sempre pensei que precisávamos ter um relacionamento amoroso para eu realmente te rotular como tal.
Quando eu te conheci, lembro-me bem, eu havia acabado de pensar ter ganho um coração partido, mas não era, nem de perto, algo como o que iríamos dar uma a outra, sem querer. Não porque queríamos nos magoar, mas porque não tinha outra forma de tudo acabar.
Nos tornamos amigas e eu nunca te enxerguei com outros olhos, não até o momento em que meus amigos notaram o que existia alí entre nós.
Veja bem, eu sei que me apaixonei por você e você se apaixonou por mim, nós nos segredávamos nossos sentimentos todos os dias, através de pequenas palavras que nunca estavam óbvias, mas que para nós duas sempre estiveram desnudas.
Me entenda, talvez me perdoe. Não lembro do momento, mas me recordo com carinho das sensações que você sempre me causou, depois da minha grande descoberta, e em como me senti quando você disse me amar, com todas as palavras, desta vez, não como amiga, mas daquele jeito. Eu fui recíproca a você, eu sempre fui.
Você foi sempre tão solicita, carinhosa e cuidadosa. Sempre encontrando uma forma de me fazer rir. Conversávamos dia e noite adentro, sem parar, era o que nos restava, não era? Você de lá, com seus 15 anos e um sorriso que me tirava o ar. Eu de cá, com meus 16 anos, sem saber como reagir aos seus elogios e as suas palavras bonitas.
O que tivemos foi lindo, não foi? Apesar de sempre ter sido apenas uma linda amizade, nós sabíamos e sentíamos a paixão, as borboletas eram incontáveis e intermináveis.
Você se juntou a minha vida, mesmo de longe, tentou conhecer mais de mim e de quem estava ao meu redor. Você sempre foi tão boa pra mim.
Mas o que restava para duas adolescentes, que estavam tão distantes, senão a separação e o entender que o amor, nesta ocasião, não seria real e palpável?
Você foi a primeira a perceber que o que tínhamos não daria certo, não teria futuro algum. Então você tentou fugir e esquecer da gente e eu fiquei para trás. Não esqueci de nós, nunca seria capaz de tal feito, mas me confortei com a ideia de nunca te ter.
No final você tinha que voltar arrependida, não tinha? E assim você o fez, mas para mim não foi o mesmo, nunca voltaria a ser. Você me deu um coração partido, mesmo que eu não entendesse naquela época, e eu te devolvi o presente de grego. Estava apenas me protegendo, minha intenção nunca foi te machucar, juro.
Eu ainda te amava quando você voltou meses depois, afinal você foi o meu primeiro amor e, convenhamos, durou mais do que pensávamos.
Mas nós não queriamos e não seríamos capazes de viver um romance da única forma que nos era possível, não daria certo e sabíamos disso.
Tentamos a amizade, mas ela nunca seria tão forte quanto a ardência imensurável da paixão que nos acalentou por meses, talvez tenha chegado a completar ano, não consigo memorar.
Dizem que o primeiro amor é inesquecível e que nunca voltaremos a sentir o mesmo. Em partes é verdade, nunca te esquecerei, mas meu coração não bambeia mais, nem por um segundo, por você.
E mesmo com o passar disso tudo, hoje, ainda te tenho por perto, se posso assim dizer. Mantenho todo o meu carinho e agradecimento à você, por tudo o que me fez sentir e saborear pela primeira vez.
Obrigada por ter sido meu primeiro amor, mesmo que tenha sido uma confusão sem tamanho.
Com carinho,
H.
the last magazine, nov. 2018, pht. david cortes
“Waiting is painful. Forgetting is painful. But not knowing which to do is the worst kind of suffering.”
— Paulo Coelho, By the River Piedra I Sat Down and Wept (via hplyrikz)
Isn’t it weird how you can actually feel the pain in your chest and stomach when something really hurts your feelings