Sensação de estar se apaixonando
Nunca pulei de paraquedas, mas equiparo a sensação de se apaixonar com o começo de uma queda livre, que a gente torce para nunca ter fim, até porque sempre saltamos sem os paraquedas, levando na mochila apenas expectativas.
A adrenalina corre por todo o corpo, o coração pulsa forte, quase saindo do peito e a gente pede aos Deuses do amor que a superfície nunca seja parte do cenário. Chegar ao chão é o mesmo que confrontar a realidade nua e cruel.
O início sempre me assustou, assim como o meio e, principalmente, o fim. Talvez seja porque não consigo compreender sentimentos. É certo que eu amo sentir a ardência da paixão, as borboletas no estômago, o nervosismo que se transporta para as palmas das mãos. Gosto de ter os sorrisos e pensamentos involuntários que sucedem cada ato da outra pessoa, mas me amedronta entrar em um mundo desconhecido e, sempre, novo e único.
O início de uma paixão é como sentir a liberdade. Cabelos balançando contra o vento, sorrisos estonteantes em meio a corridas incansáveis e intermináveis por lindos campos floridos que abrigam as mais belas flores com as fragrâncias mais deleitosas, para que possamos apreciar cada detalhe delas.
A sensação de estar se apaixonando transmite força e torna invencível. Armaduras não são necessárias, você pode se despir de tudo e ainda se sentirá cheio e completo de tanto sentir.
É tão bom ter cada parte do corpo formigando sob o efeito da necessidade do toque da pessoa que causa cada uma das emoções e sensações incompreensíveis.
Li uma vez, em uma matéria, que a paixão é como uma droga. A urgência de ter e estar com a pessoa sempre é, basicamente, vital. Nos alimenta, mantém vivos, entorpece o nosso corpo e conserva a nossa sanidade, ou nos faz perder qualquer resquício dela.
Se eu pudesse encapsular o começo de uma paixão, o faria. Imagine só como seria ter sobre a palma da mão o topor causado pelas vibrações inebriantes, a ânsia de sempre querer mais e nunca se sentir satisfeito.
O estado alterado da consciência me assusta, mas me seduz na mesma intensidade. A paixão é divina e ninguém deveria se resguardar de sentir.
Desfrute do ápice e quando o clímax for alcançado, torça para não acabar a overdose de sentimentos, ou a morte poderá te destruir.
Se atire em queda livre e deseje que cada parte do seu corpo permaneça intacta durante a descida, mas, principalmente, torça para que ela nunca acabe.