Memorizando os detalhes das coisas
Olho pra fresta entre a telha de eternit e o concreto, fito bem. Memorizo.
Memorizo como memorizei as fibras da rede avermelhada que tínhamos lá em casa na minha infância (o que será que foi feito dessa rede?). Memorizo fitando bem, arregalando os olhos e ansiando que a imagem colada na minha retina se pregue no meu cérebro e se guarde no meu coração. Memorizo dessa vez pq tenho medo de perder mais do que já perdi nesse últimos tempos. Memorizo pq o desespero em possuir dentro de mim algo que (supostamente) teria significado me domina e me ilude.
Acendo cigarros e acendo cigarros. A serotonina não vem
Tomo café e tomo café, a disposição não vem tbm
Diego se mantém meu centro, mas tô tão desequilibrada que nem tenho forças para tentar me recompor nele. Procuro manter ele bem atendido, seguro, recebendo carinho. Aquela parte de mim no momento agora escondida ainda faz seu trabalho de qualquer forma. Ela ainda não consegue me atender, mas fico feliz em saber que ainda existe e se mantém forte e altruísta a ponto de assegurar o bem estar alheio. Espero que ela retorne por mim em algum momento.
Vou acender mais um cigarro, respirar fundo e terminar de ler sobre o cadastro ambiental rural
, ou não.
Insuportável a inconveniencia dessa inconstância













