the things you do only make me want to get closer to you | daxter | flashback, november 1977
Haviam muitas coisas das quais Elise se orgulhava, embora houvesse tantas outras das quais se arrependia. Sentia orgulho da amizade que construíra com Jazz, sentia orgulho da pessoa que via Celine se tornando, e do quando Maëlle havia superado. Naquela noite, celebrava ainda mais um dos motivos que tinha para se orgulhar, da galeria que ajudara Guinevere Baxter a abrir completava um ano em serviço. Fora um ano bastante agitado, e sentia que o saldo era bastante positivo. Mesmo que o furor da novidade estivesse passando aos poucos, os salões da galeria continuavam cheios de visitantes dia após dia, com exibições cada vez mais fascinantes. Sim, era um grande motivo de se orgulhar, pelo investimento inteligente que tinha feito, e pelo trabalho que a amiga havia colocado ali. A amiga, entretanto, era uma situação um pouco mais delicada, e embora já se conhecessem há bastante tempo, a mais nova ainda se sentia como se fosse uma criança perto dela, como se jamais fossem estar no mesmo nível. Era estranho e desconfortável, mas apreciava demais a companhia da outra para permitir que aquilo a atrapalhasse.
Não estava acostumada a se sentir assim, não mesmo. A postura sempre altiva por vezes podia até parecer convencimento, mas Elise estava apenas acostumada a manter a imagem que era necessária. Com a mais velha, no entanto, era difícil. Não apenas pelos anos que Guinevere tinha a mais, na verdade isso por vezes escapava de sua mente. Era pelas borboletas que surgiam em seu estômago a cada toque mais prolongado, a cada sorriso trocado. Sentia-se absolutamente ridícula, e o tempo não a ajudava na missão de superar tais sensações, tinha ficado mais fácil ignorá-las, mas elas estavam sempre ali. Uma constante lembrança de que queria mais do que a dona da galeria parecia disposta a oferecer. Conforme a envolvia em um abraço, ao final da celebração do aniversário da galeria, expulsava qualquer pensamento indesejado para o fundo de sua mente. “Estou tão feliz, chèrie! E tenho certeza que podemos esperar uma matéria falando sobre como a festa foi um sucesso nos jornais amanhã.” Disse, afastando-se com um sorriso no rosto. Manteve as mãos nos ombros de Gwen por alguns segundos a mais, antes de cruzar os braços acima do peito. “Você foi uma ótima anfitriã, como sempre.” Desviou o olhar brevemente, acompanhando enquanto as últimas pessoas deixavam a galeria, restando apenas as duas e mais alguns funcionários.
Se pudesse dizer que estava tendo o ponto da vida, provavelmente seria aquele momento. Ver o sonho que antes parecia ser tão distante, vigoroso em plena vida com cada pessoa que passava pelos corredores daquela galeria. Cada palavra. Cada risada. Cada momento. Facilmente diria que valia a pena. Por ter lutado pelo espaço que tinha e seria grata eternamente a todos que a tinha ajudado a chegar onde estava. Especialmente a uma certa pessoa, que teria apostado no escuro sem medo de errar. E apesar de certo pessimismo por parte de Guinevere, tudo tinha se transformado para algo positivo. Era impossível não estar nervosa, no entanto, uma vez que manter a galeria por um ano inteiro não fosse uma tarefa fácil ou simples. E existia um sinal de nervosismo claro enquanto Baxter olhava em sua volta as pessoas na galeria, deixando com que as mãos juntas, para se conter um pouco.
Aquela posição não se perdurou por muito tempo, uma vez que viu Elise se aproximar dela com um semblante iluminado. E em meio de uma resposta automática, aceitou o abraço em uma forma de ficar mais centrada. — Tem certeza? — Questionou, quando ouviu a fala da outra, não contendo um sorriso antes tímido que agora se espalhava. O olhar repousou sobre a mais nova, que agora lhe passava um pouco mais de segurança. — Eu não sei você, mas eu estou tremendo até agora. Até parece bobagem, mas olha isso... — Disse, levantando uma das mãos que tremia um pouco, e que foi ao encontro do braço de Elise que estava cruzado sobre o outro. — Eu acho que posso ficar um pouco mais calma agora, não sei. Logo aqui vai estar vazio, você vai para a casa descansar, não? — Perguntou simplesmente, deixando com que a mão que antes repousava sobre o braço de Elise, deslizasse um pouco sobre o mesmo em uma forma de carinho.