"(...) Hoje, teu filho, teu neto, teu sobrinho, meu aluno, antes de colocar os pés no primeiro ano do ensino fundamental, já havia assistido a 5 mil horas de televisão. Ele assistiu Discovery Channel, National Geografic, Globo Repórter, novela, horário eleitoral, CPI, programa de auditório, desenho animado, filme pornográfico. Ele viu publicidade, propaganda, ele viu debate, ele viu Big Brother Brasil altamente pedagógico, ele viu cenas do atentado às Torres Gêmeas que ele ainda nem tinha nascido, ele viu imagens do Tsunami na Ásia em 2004, ele viu a ocupação do Iraque, ele viu o jogo do Vasco. Ele entra na sala de seu primeiro ano no ensino fundamental, senta no último lugar da sala após ter assistido 5 mil horas de televisão e nós, que somos especialistas, começamos a aula dizendo: “A pata nada. Ivo viu a uva.” Num mundo de mudanças é preciso cautela, porque a nossa tendência é a lei da inércia. Veja um exemplo: não tem lugar marcado aqui nessa sala, exceto as poltronas que estão reservadas. Daqui pra lá cada um sentou aonde quis. É provável que quando vocês voltarem para as palestras de amanhã, vocês sentem no mesmo lugar. Caso haja outro alguém sentado na poltrona que você sentou hoje, você não vai falar nada porque é educado, mas certamente vai pensar: o que essa pessoa está fazendo no meu lugar? Num mundo de mudança, num mundo de velocidade, tenha medo do mesmo. Já dizia Einstein: tolice é fazer sempre do mesmo modo e esperar que tenha um resultado diferente." (Mário Sérgio Cortella) Vamos lá, fazer diferente?