Dylan começou a remexer nas próprias mãos enquanto ouvia a garota atrás de si despejar as palavras em sua direção, e procurou considerá-las de verdade, como raramente fazia quando qualquer pessoa tentava dar algum palpite sobre sua vida. Talvez porque, no fundo, sabia que Georgia tivesse razão, e já que era orgulhoso demais para aceitar aquilo de si mesmo, parecia mais fácil absorver quando vinha da morena. “E eu não sou um grande artista.” Fora a única coisa que limitara-se a responder, virando o corpo de lado e apoiando as costas nas barras de ferro que sustentavam o curto corrimão das poucas escadas que se estendiam ali. Decidiu puxar para perto uma pequena tela, que ele normalmente usava para pinturas menores, e mesmo que fosse um material completamente inadequado para tal ato, pegou um lápis com a mão livre enquanto apoiava o primeiro item sobre o colo. “O que você estava fazendo por aqui?” Decidiu mudar de assunto, passando o olhar pelo rosto alheio antes de fixar a atenção novamente no espaço em branco sobre suas coxas. “Não acho que tenha saído de casa com o objetivo de tentar fazer um artista amador desistir da ideia da desistência de sua carreira.”
As palavras de Dylan arrancaram um suspiro de Castillo, que já estava prestes a retrucar, em mais uma tentativa de fazê-lo abandonar a ideia de jogar as coisas fora, porém, as ações alheias fizeram que parasse com a boca aberta, deixando que se fechasse quando viu que pegava a tela e o lápis, obrigando-se a reprimir um sorriso logo em seguida. enquanto ouvia a pergunta direcionada a si. “Eu?” Perguntou retoricamente, antes de soltar um baixo riso, obrigando-se a desviar o olhar da tela, no caso de ele se sentir incomodado com público enquanto fazia seu trabalho ali. “Eu adoraria poder dizer que sim, era meu intuito, mas eu não sou vidente, e muito menos telepata, para saber que você estaria dessa forma.” Confessou, balançando a cabeça antes de ajeitar-se no degrau onde estava sentada, observando Dylan por alguns segundos, sabendo que precisaria medir as palavras ali sobre o motivo para ter saído de casa, antes de formular uma resposta minimamente coerente. “Eu fui até a padaria comprar esses donuts, estava com muita vontade, e os de lá são maravilhosos.” Explicou por cima, apontando para a caixa com os doces deixada no chão anteriormente, sabendo que, agora que havia se acalmado e não sentia mais tanta necessidade de açúcar no sangue, acabariam abandonados no fundo da geladeira por mais alguns dias. “Mas acho que perdi a vontade. Você pode ficar com eles, se quiser.”