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A Lockwood trincou os dentes com a resposta. Não havia como simplesmente convencê-lo a se livrar da carta, e ela percebera, tarde demais, que suas próprias ações apenas o estavam intrigando ainda mais para saber do conteúdo da mesma. Good job, Lockwood, pensou com ironia. “ — Só… Pense sobre isso, tá legal? Se fosse você no meu lugar, com uma carta repleta de… Coisas pessoais, não iria querer que eu te devolvesse?” Esperava, no mínimo, fazê-lo pensar sobre o assunto. A mudança de humor no ex demonstrava, claramente, que nenhuma das tentativas de Alessia em lhe convencer estavam funcionando. Ela deu um passo pra trás, de repente muito consciente da proximidade de ambos e finalmente desviando o olhar do rosto alheio. Por que aquilo tinha que ser tão difícil? “ — Você está certo. Importa. Mas eu não estou disposta a revirar tudo novamente. Especialmente porque…” Ela sorriu, mas o gesto não a acompanhou até os olhos. “ — Superar você foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. E eu não sei se consigo fazer outra vez.” Não era o motivo principal para querer que ele não lesse a carta, mas tampouco Alessia estava mentindo. Gus saber sobre Vicky provavelmente significaria ter ele de volta em sua vida, e havia história o suficiente entre os dois para que Alessia se preocupasse sobre isso. Ela deu de ombros, rindo sem humor. Não acreditava que a carta a havia trazido até aquele ponto. “ — Só… Por favor, me leve o envelope na festa.” Dessa vez o pedido soara fraco, como se nem mesmo Alessia acreditasse na probabilidade da ação alheia. Queria ir embora, esquecer aquele assunto, seguir em frente. Mas sabia que, ao menos as duas últimas opções, não seria possível.
August suspirou, suavizando suas expressões. Descruzou os braços, ainda encarando-a com suas íris azuis cada vez mais intensas. "Tudo bem... Eu iria querer ela de volta, é claro, mas não sei se eu ficaria incomodado dessa maneira se você lesse." suspirou, ainda sem entender os motivos de Alessia ser tão persistente naquele assunto. Sabia, porém, que ela não lhe contaria o que se passava em sua cabeça e que apenas entenderia o que se passava após ler a carta. Decidiu, então, que entregaria o envelope para a Lockwood na festa que teriam na antiga escola dos dois. Entretanto, a leria primeiro. 'O que tá escrito não pode ser tão ruim assim' pensou, ainda sem desviar seu olhar dela. Assim que ouviu a confissão da morena, Gus se desestabilizou por um momento. É óbvio que o término havia sido difícil para ela, até mais do que fora pra ele próprio. "Eu sabia." balançou a cabeça. "Eu... entendo. Também foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz, Less. Não foi mais fácil pra mim porque eu saí daqui..." admitiu, sorrindo de maneira um tanto triste. Toda aquela situação não tinha sido fácil para nenhum dos dois e, naquele momento, só queria descobrir toda a verdade para que pudesse, finalmente, superá-la. "Tudo bem, eu levo." suspirou, dando dois passos em direção à garota, até que retomasse a aproximação que tinham antes. "Mas não é como se eu fosse esquecer que essa carta existe, Less. Parece importante demais pra que eu finja que isso nunca aconteceu"
Não acreditava no que estava acontecendo. Fingia que não ligava, mas o seu interior estava agitado, questionando-se sobre as decisões tomadas. Tinha sido a maior tolice acreditar que as cartas não seriam enviadas um dia. “Sabe de uma coisa?” Questionou para a pessoa que lhe fazia companhia, um sorriso em seu rosto. “Vamos esquecer isso a la Parker. Ainda lembro que tem um bar ótimo aqui perto.”
O dia de August havia sido agitado o suficiente e, naquele momento, ele precisava apenas de alguns amigos, umas bebidas e assuntos que não tivessem a palavra 'carta' no meio. Por essa razão, enviou uma mensagem para a ruiva para que se encontrassem. "Tô dentro. Eu só queria uns dias com os meus amigos e não tudo isso." gesticulou, revirando os olhos. "Lembro desse bar também. Foi lá que... esquece." riu, lembrando-se de uma noite que aconteceu quando ele ainda estudava na cidade. "Mas antes, o que acha de uma pizza? Tô com fome demais pra isso."
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Permitiu-se observar as feições alheias enquanto aguardava por uma resposta, esperando que ele entendesse. Era incrível o quanto um par de olhos azuis poderia lhe remeter tanta história. E agora, mais do que nunca, percebia o quanto dele havia em Vicky. Por alguma razão, isso a fez querer contar sobre tudo, ali mesmo. Mas conteve-se. Não poderia mais agir impulsivamente, ou só lhe traria consequências. Ela soltou o ar devagar, a má notícia sobre a carta não estar com o rapaz a atingindo. “ — Então me entregue no evento da escola. Sei que Juliet ou Marilyn vão me arrastar até aquela coisa, de qualquer forma. Eu vou me sentir muito melhor tendo ela em mãos novamente.” Insistiu. Não sossegaria enquanto não visse o envelope lacrado. Alessia engoliu em seco com a condição explícita por Gus, o coração batendo fortemente ao sustentar o olhar alheio. “ — Eu disse, não importa, foi há muito tempo atrás.” Ela respondeu para ganhar tempo. Pensava sobre contar tudo à ele, mas ainda não considerava o conteúdo da carta como a maneira ideal de fazê-lo. Eu precisei ir, a fala trouxe um sorriso triste ao rosto da menina. Porque a havia ouvido vezes demais no passado. “ — Eu sei o que você significou pra mim.” Respondeu em um tom tão baixo que talvez ele nem mesmo a ouvira. Respirou fundo antes de perguntar: “ — O que não é verdade, Gus?”
August conhecia Alessia bem o suficiente, ou pelo menos era o que achava, para saber que a mente dela estava repleta de pensamentos naquele momento, assim como a sua própria. Aquele encontro havia sido repentino demais para que nenhum dos dois sentisse o baque de sentimentos há um tempo enterrados. Agora, encarando as intensas íris castanhas de Alessia, Gus percebia que ainda havia algo dentro dele que ansiava por Less. Ainda com esses pensamentos rondando sua cabeça, ele riu. Os anos haviam se passado e Alessia ainda conseguia ser mandona em relação a ele. Porém, August também conseguiu perceber que algo havia mudado nela. Assim como ele, Less já não era mais uma adolescente e, como alguém que a conheceu de forma intensa, August sentia que algo nela estava diferente. "E quando foi que eu disse que eu iria te entregar a carta, Less?" perguntou, arqueando uma sobrancelha. "Nos vemos lá então, eu vou ter que ir mesmo." deu de ombros. Após ouvir a resposta da garota a sua proposta, August começou a se sentir um tanto irritado. Ela estava insistindo muito em pegar a carta de volta para que não houvesse nada significante escrito nela e ele apenas gostaria de ouvir a verdade. No entanto, sabia que seria muito melhor ouvir de Alessia o que quer que estivesse escrito no papel que tinha em seu bolso e, por essa razão, estava relutando em devolver o envelope para ela. "Porra, Less. Tá óbvio que importa. Eu fiz muita merda lá atrás e se eu pudesse, voltava pra resolver tudo isso. Mas eu não posso voltar atrás, não dá. E eu sei muito bem o que você significou pra mim." exclamou de forma rápida, sem que pudesse pensar de fato no que estava dizendo. "Que isso não existe mais. Se não existisse, você não se importaria se eu lesse a droga da carta."
alessic:
De fato, sua participação no Broken Hearts Club não fazia lá muito o estilo de Alessia, de modo que não se surpreendia o fato de que August não acreditara naquilo de primeira. Se tivesse pensado melhor, se não tivesse simplesmente marchado para dentro daquela conversa de forma abrupta e sem nenhum plano na manga… Balançou a cabeça, agora o estrago já estava feito. “ — Bem, eu pensei que não custava tentar. Obviamente percebi que foi um erro, mas obrigada por me lembrar.” Respondeu secamente. Não sabia o motivo de estar agindo assim com ele. Bem, sabia em partes. Mas, no geral, Less estava apenas na defensiva. O peso voltou a cair em seu peito quando Gus negou a devolução da carta, e a morena vira-se obrigada a engolir o enorme nó na garganta. “ — Gus… Por favor.” Fizera seu melhor para manter o habitual tom de voz mandão fora de sua voz, aproximando-se do rapaz na esperança de que ele enxergasse em seu rosto o quanto aquilo era importante para ela. “ — Por favor, não leia.” Alessia sentia-se culpada, porque, talvez, Isla estivesse certa. Talvez Gus tivesse o direito de saber… E ela certamente pensaria sobre aquilo, mas não poderia deixá-lo descobrir sobre Vicky por uma carta escrita por sua versão de dezoito anos de idade. Não era justo. Fechou os olhos, agora não querendo que o rapaz lesse suas emoções ali. Não a mágoa. “ — Eu acho que você tinha escolha, Gus. Sempre temos escolhas. Mas, eu entendo, seus pais nunca gostaram de mim, você tinha planos maiores, e… Quer saber, não vamos transformar isso em uma discussão de uma relação que há muito não existe mais.”
August balançou a cabeça, questionando-se sobre o que havia dito para que Alessia o respondesse daquela forma. Entretanto, deu-se conta de que ela, assim como ele próprio, não deveria estar em um bom dia - graças ao engraçadinho que decidiu soltar os segredos da cidade inteira por aí - e que ele não estava facilitando. Por essa razão, decidiu não rebater o comentário da morena, tentando evitar maiores discussões do que a que aquela. Quando Less aproximou-se de August, ele sentiu cada centímetro de seu corpo se arrepiar e, por um instante, a voz de Alessia lhe fez recordar de quando eles ainda estavam juntos. "Less..." começou, porém não sabia exatamente o que dizer. "Ela não está comigo." mentiu descaradamente, sentindo ainda mais o peso da carta junto a seus demais pertences. Não sabia se aquilo era o certo, porém ele tinha o direito de saber o que estava escrito ali, não tinha? "Eu... não sei se posso prometer isso. Mas eu posso prometer que vou jogar ela fora, se você me disser o que está escrito nela." arqueou uma de suas sobrancelhas, ainda sem perder o contato visual que tinha com ela. Quando Alessia fechou seus olhos, August teve vontade de acariciar a bochecha dela da mesma forma que fazia quando eles ainda estavam juntos. No entanto, se conteve. "Você sabe o que aquilo significava pra mim... Eu precisei ir." falou baixo, um tanto envergonhado. 'mas eu deveria ter lutado mais por você, Less' completou a frase em sua mente, sem a coragem de dizê-la em voz alta. "Isso não é verdade."
alessic:
Qualquer esforço para manter a calma durante aquela conversa estava indo por água abaixo. Somente o fato de o estar vendo pela primeira vez em anos já era o suficiente para lhe deixar nervosa, mas tudo o que Alessia queria saber era se Gus sabia ou não do conteúdo da carta. “ — Porque… É isso o que nos dizem pra fazer, colocar o endereço. Você deve ter notado o símbolo no envelope. Do Broken Hearts Club. E, sim, é bastante vergonhoso que eu tenha feito parte daquela coisa ridícula, porém não é como se você pudesse me culpar, considerando a forma que nós…” Ela interrompeu-se, porque não queria discutir o término ali. Não era o que importava no momento, mesmo que ainda machucasse. “ — Era pra tornar a coisa mais real sem realmente enviar a carta, eu acho. De qualquer forma, não importa! Eu nunca imaginei que realmente fossem enviá-las.” O alívio de ouvir dos lábios alheios que a carta não havia sido lida fora grande o bastante para que Alessia fosse incapaz de conter um suspiro. Nem tudo estava perdido, então. “ — Ótimo.” Disse fracamente, tentando se recompor. “ — Então, será que você poderia devolvê-la? Como eu disse, não é da sua conta e tenho certeza que você não quer reviver nenhum tipo de sentimento antigo. Deixou isso bem claro três anos atrás, então…”
August não estava acreditando muito na história de que não era para ele saber do conteúdo da carta. Se aquilo fosse tão insignificante, não achava que Alessia se prestaria para escrever uma carta e muito menos que a deixaria no Broken Hearts Club. Afinal, ela poderia simplesmente ter escrito e jogado fora em seguida, não? "Hum... Sim, eu notei. Não sabia que você tinha feito parte daquilo Less, por isso achei que era uma brincadeira. Eu não... estou culpando ninguém." falou calmamente, porém com o cenho franzido. August lembrava-se perfeitamente da maneira como tinham terminado o namoro e, enquanto olhava para Alessia, pensava em se desculpar e em dizer o que deveria ter dito três anos antes. Não deveria ter desistido dela de forma tão fácil como desistiu, poderia ter encontrado uma forma de seguir os planos de sua família sem ter que abrir mão da única pessoa que amou. "Entendi... Bom, eu sempre soube que isso ia acabar mal. Era meio óbvio que algum dia iriam enviar, Less." disse de forma amigável? Não sabia dizer. Entretanto, ele não sabia como agir em toda aquela situação e ser de alguma forma hostil não os levaria a lugar algum. Arqueou uma sobrancelha após ouvir um 'ótimo' sair dos lábios da morena. O que diabos havia escrito naquela carta? "A carta tem o meu nome e se você está fazendo todo esse esforço pra que eu não leia, deve ser algo importante. Não Less, eu não posso te devolver." exclamou firme, porém ainda mantendo a calma em sua voz. "Isso não é justo. Você não pode colocar a culpa toda em mim, Alessia. Eu não tive escolha."
“Faz algum sentido todos estarem bravos por terem escrito e recebido as cartas? Acabei de passar por um casal, provavelmente ex-casal agora, brigando. E eles foram o terceiro casal, a verdade.” arqueou as sobrancelhas para a pessoa mais próxima enquanto vários outros ao redor liam os papeis com expressões mistas. “O pior foi quem escreveu e se arrependeu… Eu não queria estar no lugar de nenhum deles.”
"Depende do que tinha escrito na carta... Não que me interesse ficar ouvindo conversa alheia, mas hoje ouvi cada coisa." deu de ombros, ainda olhando para a tela de seu celular. No entanto, logo guardou aparelho de volta no bolso e voltou sua atenção para a morena. "Como se essas coisas de dez anos atrás fossem mudar alguma coisa nas nossas vidas hoje. Também não queria."
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— Acredite quando eu digo que se você tivesse o mesmo histórico que eu tenho por aqui, você iria atear fogo nessa carta sem nem pensar duas vezes ou ler o que raios tiver escrito aí dentro. — Bucklin sentia seu corpo estranhamente tonto, não ao ponto de cair mas era como se os remédios que tomava para evitar o alcoolismo estivessem reagindo mal ao álcool e ele estivesse de fato sentindo aquilo dentro de seu organismo. — Mas se você realmente quiser ler ela, se faça três perguntas antes. Primeira: Você sabe quem mandou?; Segunda: Você está em bons termos com a pessoa?; Terceira: Você acha que a pessoa vai gostar de saber que você leu essa carta?
"Não sei qual é o seu histórico, mas o meu só não é pior porque saí daqui antes que ficasse. Mas eu continuo na merda." deu mais um bole na sua cerveja antes de prosseguir. "Eu tava pensando em jogar fora, pra mim era só alguém tirando com a minha cara... Mas eu encontrei com a Less hoje..." disse baixo, desabafando mais para si do que para o rapaz ao seu lado. "...e foi ela que escreveu." distraiu-se por um instante com seus pensamentos e quando voltou seu olhar para Bucklin, arqueou uma sobrancelha. "Man, tá tudo bem? Acho que você devia parar por aí." aconselhou. "Sim pra primeira e não pras outras... É, eu não deveria ler isso."
alessic:
O som do antigo apelido nos lábios alheios quase foi o suficiente para abalá-la por completo. Mas Alessia apenas disse a si mesma que deveria ser forte, porque se August sabia sobre Vicky… Bem, ela estava prestes a enfrentar o momento mais difícil de sua vida, e seus antigos sentimentos não poderiam ser envolvidos nisso. Mesmo que isso de repente lhe parecera mais complicado do que haveria imaginado. Abriu e fechou os lábios ao ouvir a informação. Ele não estava ali pela carta. Deveria ter pensado nisso, na casa de seus pais. Se não fosse o maldito reencontro da escola poderia simplesmente ter ido até lá e procurado por alguma desculpa para recuperar a carta. “ — Eu não enviei ela!” Rebateu rapidamente. Ele achava que ela teria mandado a carta? Agora? Três anos depois? Sentiu-se levemente envergonhada pelo fato, percebendo que pareceria que estivesse tentando reconquistá-lo ou algo do tipo. “ — Na verdade, mesmo que esteja endereçada à você, jamais foi minha intenção entregá-la. E eu…” Hesitou, finalmente dando-se conta da última fala do ex. Não era o tipo de coisa que imaginaria Gus dizendo após descobrir que Alessia teria escondido sua filha por três anos. “ — O que passou…? Gus, você leu a carta?” Questionou, finalmente. Percebendo que talvez aquela deveria ter sido sua primeira pergunta, no fim das contas. Um minúsculo fio de esperança que a Lockwood pensara estar perdido pareceu reacender. Se a carta não tivesse sido aberta… Talvez ainda tivesse tempo de recuperá-la.
August estava cada vez mais confuso e curioso, não conseguia pensar em nada escrito mais de três anos antes que pudesse abalar Alessia da forma como o garoto parecia achar que abalara. De repente, sentiu o envelope com a mensagem cada vez mais pesado em seu bolso e a vontade de lê-la se tornava cada vez maior. Ainda com os braços cruzados e a sobrancelha arqueada, riu da expressão - desesperada? não sabia dizer - da ex-namorada. "Mas você escreveu." sorriu com o canto dos lábios, intrigado com o rumo que a conversa tomava. Quando pensava em reencontrar Less, aquele era o último jeito que ele pensava que conversariam. "Se não era a sua intenção me entregar, por que tem o meu antigo endereço nela? Você tá me confundindo, Less." colocou o peso de seu corpo para o outro lado, descruzando os seus braços. "O que, o quê?" questionou, logo desfazendo o leve sorriso curioso que tinha em sua face. Não sabia se poderia dizer que não havia lido a carta, August não queria que Alessia pensasse que ele havia ficado indiferente à surpresa. No entanto, a morena parecia bastante atordoada com aquilo e, então, não tinha como mentir. "Vi ela hoje de manhã e achei que fosse uma brincadeira de alguém do colégio... Não, eu ainda não li." por fim, admitiu.
Alessia havia feito um excelente trabalho convencendo a si mesma de que aquela carta jamais chegaria em seu destinatário. Com seu conteúdo urgente, certamente já teria ouvido falar sobre August àquele ponto, imaginava que ele não a ignoraria. Ou ignoraria? Depois do término, ela não podia dizer que teria certeza. De qualquer forma, estava convencida, o que fizera o baque de vê-lo ali, ao vivo e a cores, muito maior. Havia acabado de estacionar o carro em uma doceria — prometera à Vicky que levaria um de seus cupcakes preferidos para casa — quando o avistara atravessar a rua. Não a tinha visto ainda. Alessia agarrou o volante, sentindo cada centímetro de seu corpo ser tomado por um ataque de pânico. Queria chorar, esconder-se e arrancar com o carro dali, mas não fez nada disso. Se ele estava ali, iria encontrá-la de uma forma ou de outra. Se não naquela esquina, seria em sua casa, onde Vicky estaria. E ele iria querer vê-la. Ele… em uma ação impensada, a morena saíra do carro, fechando a porta atrás de si antes de correr na direção da figura masculina. “ — August!” Sua voz saíra mais forte do que haveria imaginado, mesmo que ainda um tanto trêmula. Ela o alcançou, esperando-o virar-se para fitá-la. “ — Está aqui por causa da carta, não é? Bem, ela nunca deveria ter chego em suas mãos, pra começo de conversa. Foi há muito tempo atrás e, honestamente, não há nada nela que seja da sua conta. A última coisa do mundo que eu queria era que você soubesse do que está escrito nela, mas agora é tarde demais, e, eu… honestamente não sei o que fazer a partir daqui.” Admitiu, percebendo que seu abrupto plano não tinha lá grandes fundamentos. Não planejara o que diria à August se algum dia descobrisse sobre Vicky, assim seu discurso parecera um tanto incompleto.
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Com, finalmente, um café em mãos, August saiu caminhando pelas ruas da cidade de forma distraída. A bebida estava aquecendo-o e cada vez mais pensamentos passavam a rondar sua mente. Ainda não tivera coragem de abrir a carta enviada por Alessia anos antes, porém perguntava-se sobre o que ela se tratava. O término dos dois, no final do Ensino Médio, havia sido bastante conturbado e ele arrependia-se de ter sido tão inflexível em relação a seus planos. Na época, August não tinha ideia do quão importante a morena era para ele e o quanto o calor de seus braços e o frescor de seu perfume lhe fariam falta. Entretanto, ele jamais tivera coragem de voltar a Willwood ou contatar Alessia de alguma forma, sabia que seria algo doloroso para ambos e ele esperava que a ex-namorada tivesse seguido em frente. Coisa que ele não tinha conseguido realizar efetivamente. Ainda distraído por seus pensamentos, Gus atravessou a rua em que estava. Não sabia exatamente por que havia feito aquilo, todavia continuava apenas andando sem uma direção exata. De repente, enquanto tinha em seus pensamentos um fim de semana que os dois haviam viajado para uma casa na praia da família de Gus, ouviu seu nome ser chamado. Naquele instante, o sorriso que tinha se formado em seus lábios se desfez e, por um momento, não soube se ouvira direito ou se estava apenas imaginando a voz de Alessia. Na dúvida, virou-se lentamente para a direção em que pensara ter ouvido o chamado, travando completamente ao ver os intensos e familiares olhos castanhos da Lockwood o encarando. "Less, oi." sorriu de lado, um tanto envergonhado. Coçou a nuca enquanto ouvia-a admitir que havia, de fato, enviado a carta. "Na verdade, eu nem sabia dessa história das cartas até hoje cedo. Minha mãe queria que eu viesse no reencontro da escola, e você sabe como ela é... Não tive como dizer não." admitiu, dando de ombros. "Se você enviou ela pra mim, mesmo que tenha sido há muito tempo, acho que é sim da minha conta." cruzou os braços, confuso com a reação exagerada, na visão dele, da garota. "Faz anos que você escreveu ela, Less. Nem deve lembrar o que tá escrito... E o que passou, passou."
⧼ ⊱ ·、 ﹕ como estava atrasada, lilith apenas colocou todas as correspondências dentro da bolsa das crianças e as levou para a creche. depois passou no starbucks e começou a olhar os envelopes recebidos, aproveitando que estava no centro da cidade e poderia pagar as contas. estranhou com uma carta diferente das demais e decidiu abri-la para matar a curiosidade. ❛ mas que p… ❜ estava prestes a completar a sua indignação quando um conhecido apareceu atrás de si. ❛ você também recebeu uma dessas? ❜ ergueu uma das sobrancelhas, estendendo a carta com o o emblema do broken hearts club.
Assim que viu a característica carta do the broken hearts club em cima de uma mesa na cozinha da casa de seus pais, o humor de August transformou-se completamente. Ele sabia que acabaria reencontrando algumas pessoas (inclusive ela) na festa da sua antiga escola, porém sabia que o conteúdo daquela carta despertaria mais sentimentos do que o garoto gostaria. Por essa razão, apenas a colocou no bolso de seu casaco e saiu de casa, sem saber exatamente para onde ir. Quando estava passando na frente de um Starbucks, decidiu entrar e matar a sua fome - afinal, não havia comido desde o dia anterior. Encaminhando-se para a fila do estabelecimento, viu um rosto familiar e se aproximou. Quando viu o que a morena tinha em mãos, riu e puxou a sua própria. "Também... Você vai abrir? Ainda não sei o que vou fazer."
Por mais que Bucklin estivesse ainda sóbrio, não era como se ele não estivesse com problemas, álcool era um sério problema pra ele e muitas pessoas pela cidade sabiam disso desde o incidente que ele causou a um ano atrás. Enquanto sentado num dos bares locais, conversando com alguém, ele deixava claro o que estava sentindo naquele momento. — Eu estou bem, não é como se eu estivesse usando o álcool pra distrair minha cabeça das minhas preocupações, até porque eu não mandei carta nenhuma, meu problema não é esse… — O moreno suspirou pesadamente e encarou sua cerveja por alguns segundos — … meu problema é que talvez outra pessoa tenha mandado.
Naquele momento, o que August mais precisava era de uma boa - e forte, preferencialmente - bebida para esquecer da carta ainda fechada que tinha guardada em seu bolso. Estava na cidade há apenas um dia e horas antes havia recebido uma carta com o nome de Alessia nela. Não sabia o seu conteúdo, porém a data indicava que era algo que mexeria com o moreno. "Não, você não está." falou baixo. "Também não mandei nada, sempre achei que aquilo fosse uma piada. Mas chegou uma carta pra mim hoje de manhã." deu um gole em sua cerveja e suspirou. "Não sei se leio a minha... Já leu a tua?"